Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 92 – Maio de 2004
Special
Cuba, Capital Mundial do Níquel
Planta de níquel

Fernando Luquetti

Cuba é mundialmente famosa por suas paradisíacas praias, pela visitação de mergulhadores e turistas de todo o planeta, além de que contar com um regime de governo socialista. Pode-se dizer que qualquer um ficaria no mínimo curioso para conhecer um lugar como aquele. Para os que vão a trabalho, é um local que exige muita concentração, pois seu cérebro insiste em enviar ordens expressas para que você tire o terno e a gravata imediatamente, troque-os por uma bermuda, e mergulhe no transparente mar do Caribe para afastar o forte calor que se sente na maior parte do ano.

Poucos sabem que, ao lado das belas praias caribenhas, existem minas de um metal nobre e muito utilizado em diversas indústrias: o níquel. As minas ficam a sudeste de Havana, perto de cidades antigas e históricas, geralmente desenvolvidas a partir da exploração desse minério. Cuba possui as maiores reservas de níquel do mundo e a Rússia é o maior produtor mundial. Devido ao aumento do consumo de aços inoxidáveis a partir da década de 90, a demanda mundial de níquel vem crescendo ano após ano, assim como sua cotação no mercado internacional. Como o aumento da oferta não tem acompanhado a crescente demanda com a mesma rapidez, pode-se dizer que a produção do níquel continuará sendo um bom negócio por vários anos. Em Cuba, o níquel é uma das mais importantes indústrias, senão a mais importante.

Para visitar as minas de níquel em Cuba, é necessária uma dose a mais de perseverança pois o acesso pode não ser fácil ou rápido, dependendo da combinação de meios de transporte utilizada. O método mais rápido é embarcar em um avião russo, nem sempre muito novo, geralmente um Antonov 24, bimotor, ou um Yak 42, turbojato, desde a capital da ilha em vôo direto, ou com escalas em algumas cidades, chegando a aeroportos perto das minas. Embora o habitual seja chegar uma hora antes do horário do vôo, em virtude das medidas de segurança adotadas mundialmente no transporte aéreo, é altamente recomendável chegar três horas antes do horário de saída, pois depois do “check in” é ainda necessário apresentar-se ao controle de passaportes e, em seguida, enfrentar duas ou três passagens por aparelhos de raios X e revistas das bagagens de mão. Para voltar diretamente à Capital, sem escalas, é necessário permanecer no mínimo uma semana no local, pois geralmente o vôo único e semanal direto disponível volta horas depois da aterrissagem, no mesmo dia.

Outra opção é fazer um par de escalas desde Havana, chegando a Santiago de Cuba ou Holguín e percorrer o resto do caminho de carro, em 3 ou 4 horas, passando por pequenas cidades e atravessando campos e todo tipo de estradas. É comum ver os mais variados meios de transporte neste trajeto e nas pequenas cidades: de ônibus a bicicletas, passando por caminhões, caminhonetes, carroças, tratores, charretes, motocicletas com side-car, todos de diversos tamanhos, modelos e idades. A criatividade impera. Devido à escassez de recursos para infra-estrutura de transporte, são feitos no país todos os tipos de adaptações possíveis nos veículos, às vezes até bastante estranhas, para quem não está acostumado a isso, a fim de maximizar os recursos existentes.

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