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Fernando Luquetti
Cuba é mundialmente famosa por suas paradisíacas praias,
pela visitação de mergulhadores e turistas de todo
o planeta, além de que contar com um regime de governo socialista.
Pode-se dizer que qualquer um ficaria no mínimo curioso para
conhecer um lugar como aquele. Para os que vão a trabalho,
é um local que exige muita concentração, pois
seu cérebro insiste em enviar ordens expressas para que você
tire o terno e a gravata imediatamente, troque-os por uma bermuda,
e mergulhe no transparente mar do Caribe para afastar o forte calor
que se sente na maior parte do ano.
Poucos sabem que, ao lado das belas praias caribenhas, existem minas
de um metal nobre e muito utilizado em diversas indústrias:
o níquel. As minas ficam a sudeste de Havana, perto de cidades
antigas e históricas, geralmente desenvolvidas a partir da
exploração desse minério. Cuba possui as maiores
reservas de níquel do mundo e a Rússia é o
maior produtor mundial. Devido ao aumento do consumo de aços
inoxidáveis a partir da década de 90, a demanda mundial
de níquel vem crescendo ano após ano, assim como sua
cotação no mercado internacional. Como o aumento da
oferta não tem acompanhado a crescente demanda com a mesma
rapidez, pode-se dizer que a produção do níquel
continuará sendo um bom negócio por vários
anos. Em Cuba, o níquel é uma das mais importantes
indústrias, senão a mais importante.
Para visitar as minas de níquel em Cuba, é necessária
uma dose a mais de perseverança pois o acesso pode não
ser fácil ou rápido, dependendo da combinação
de meios de transporte utilizada. O método mais rápido
é embarcar em um avião russo, nem sempre muito novo,
geralmente um Antonov 24, bimotor, ou um Yak 42, turbojato, desde
a capital da ilha em vôo direto, ou com escalas em algumas
cidades, chegando a aeroportos perto das minas. Embora o habitual
seja chegar uma hora antes do horário do vôo, em virtude
das medidas de segurança adotadas mundialmente no transporte
aéreo, é altamente recomendável chegar três
horas antes do horário de saída, pois depois do check
in é ainda necessário apresentar-se ao controle
de passaportes e, em seguida, enfrentar duas ou três passagens
por aparelhos de raios X e revistas das bagagens de mão.
Para voltar diretamente à Capital, sem escalas, é
necessário permanecer no mínimo uma semana no local,
pois geralmente o vôo único e semanal direto disponível
volta horas depois da aterrissagem, no mesmo dia.
Outra opção é fazer um par de escalas desde
Havana, chegando a Santiago de Cuba ou Holguín e percorrer
o resto do caminho de carro, em 3 ou 4 horas, passando por pequenas
cidades e atravessando campos e todo tipo de estradas. É
comum ver os mais variados meios de transporte neste trajeto e nas
pequenas cidades: de ônibus a bicicletas, passando por caminhões,
caminhonetes, carroças, tratores, charretes, motocicletas
com side-car, todos de diversos tamanhos, modelos e idades. A criatividade
impera. Devido à escassez de recursos para infra-estrutura
de transporte, são feitos no país todos os tipos de
adaptações possíveis nos veículos, às
vezes até bastante estranhas, para quem não está
acostumado a isso, a fim de maximizar os recursos existentes.
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