Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 94 – Julho de 2004
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Protocolos de Comunicação: analisar e só depois escolher
Augusto Pereira: "Nem todos os protocolos abertos são mundiais".

Essenciais para a comunicação entre os dispositivos de rede, os protocolos de comunicação continuam seu caminho em busca do aprimoramento: maior interoperabilidade e eficiência.

O cliente está aprendendo, aos poucos, que definir o melhor protocolo para sua aplicação depende de uma série de fatores. Não basta conhecer o processo, é necessário saber até que ponto determinado protocolo será eficiente para aquilo que preciso. Também é preciso deixar claro quais são as minhas expectativas e qual probabilidade o protocolo “x” tem de atendê-las.

Em primeiro lugar, deve-se analisar a aplicação e somente depois escolher o protocolo. “Muitos clientes e empresas de engenharia escolhem primeiro o protocolo e depois vão verificar qual é a aplicação. Este é um erro que não deve ser cometido”, diz o Engenheiro Augusto Passos Pereira que é professor do curso de projetos com protocolos digitais da ISA Distrito 4 e Gerente de Marketing da Yokogawa. Isso porque, existem protocolos que foram desenvolvidos para determinados tipos de aplicação e que usados em outras aplicações acabam tendo perda de performance e funcionabilidade.

Também é preciso esclarecer as diferenças entre protocolos abertos e protocolos mundiais (IEC – International Electric Commitee). Hoje, nem todos os protocolos abertos são mundiais. “Um dos destaques nessa questão é o DeviceNet. Até as últimas informações que temos, embora seja um protocolo aberto, ainda não é reconhecido como mundial”, diz Augusto. “O que já não ocorre com o Profibus DP, que é além de aberto é também um protocolo mundial”, explica.

Para aplicações com variáveis discretas existe o Profibus DP, que é aberto e mundial, e o DeviceNet, que é só aberto.Existe ainda o Fieldbus Foundation, que é o Profibus aberto e mundial. Já o Profibus PA é um protocolo aberto, e não mundial. “Esse tipo de parâmetro é importante para que a pessoa possa gerar uma especificação. Caso ela não saiba o que é aberto e mundial, pode gerar algum tipo de problema no futuro”. Segundo Augusto, esse seria o primeiro tópico da conceituação e escolha correta dos protocolos.

Um protocolo como o Profibus DP, direcionado para variáveis discretas (aplicações tipo válvulas on/off, botueiras, inversores de freqüência, partida eletrônica, bimotores, entre outros) não é tão adequado para fazer malha de campo de controle regulatório. O mais adequado nesse caso seria o Fieldbus Foundation. “O inverso também é verdadeiro: o Fieldbus Foundation não foi desenvolvido para tratar partida de motores e botoeiras. Ele foi desenvolvido para fazer o controle regulatório e trabalhar com as variáveis analógicas”, explica. “Achamos muitas vezes que isso é uma coisa natural, mas é o início da fonte de problemas. Depois o projeto é implementado e não se tem uma boa performance”.

Por causa das diferenças que existem entre os tipos de requisitos, ainda não existe a possibilidade de criação de um protocolo universal. Num protocolo com a variável discreta, você tem a necessidade de altíssima velocidade. Já no controle regulatório, principalmente atuando com válvulas de controle, a velocidade necessária pode ser obtida com Fieldbus. Também a quantidade de informações que transitam muda muito de um protocolo para outro, ou seja, da discreta para um protocolo para controle regulatório. “A princípio, não se vê o surgimento num futuro próximo de um protocolo que englobe tudo”, ressalta.

O protocolo mais antigo, com um pouco mais de 10 anos, é o HART - protocolo aberto. Na seqüência vem o Profibus DP e o Fieldbus Foundation – finalmente padronizado – a partir de 2000. Hoje, o HART já possui versões bem adiantadas, com revisões de inversão. “Enquanto os instrumentos (devices) estiverem vivos, os protocolos também estarão”, diz.

Quanto à longevidade dos protocolos, “a visão que temos é que vai continuar existindo tanto usuários de HART quanto de Fieldbus. Um bom exemplo, é que todos os fabricantes vendem mais instrumentos HART do que Fieldbus, embora seja crescente a venda do protocolo Fieldbus. O Hart não deve morrer”, diz Augusto.

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