|
Essenciais para a comunicação entre os dispositivos
de rede, os protocolos de comunicação continuam seu
caminho em busca do aprimoramento: maior interoperabilidade e eficiência.
O cliente está aprendendo, aos poucos, que definir o melhor
protocolo para sua aplicação depende de uma série
de fatores. Não basta conhecer o processo, é necessário
saber até que ponto determinado protocolo será eficiente
para aquilo que preciso. Também é preciso deixar claro
quais são as minhas expectativas e qual probabilidade o protocolo
x tem de atendê-las.
Em primeiro lugar, deve-se analisar a aplicação e
somente depois escolher o protocolo. Muitos clientes e empresas
de engenharia escolhem primeiro o protocolo e depois vão
verificar qual é a aplicação. Este é
um erro que não deve ser cometido, diz o Engenheiro
Augusto Passos Pereira que é professor do curso de projetos
com protocolos digitais da ISA Distrito 4 e Gerente de Marketing
da Yokogawa. Isso porque, existem protocolos que foram desenvolvidos
para determinados tipos de aplicação e que usados
em outras aplicações acabam tendo perda de performance
e funcionabilidade.
Também é preciso esclarecer as diferenças entre
protocolos abertos e protocolos mundiais (IEC International
Electric Commitee). Hoje, nem todos os protocolos abertos são
mundiais. Um dos destaques nessa questão é o
DeviceNet. Até as últimas informações
que temos, embora seja um protocolo aberto, ainda não é
reconhecido como mundial, diz Augusto. O que já
não ocorre com o Profibus DP, que é além de
aberto é também um protocolo mundial, explica.
Para aplicações com variáveis discretas existe
o Profibus DP, que é aberto e mundial, e o DeviceNet, que
é só aberto.Existe ainda o Fieldbus Foundation, que
é o Profibus aberto e mundial. Já o Profibus PA é
um protocolo aberto, e não mundial. Esse tipo de parâmetro
é importante para que a pessoa possa gerar uma especificação.
Caso ela não saiba o que é aberto e mundial, pode
gerar algum tipo de problema no futuro. Segundo Augusto, esse
seria o primeiro tópico da conceituação e escolha
correta dos protocolos.
Um protocolo como o Profibus DP, direcionado para variáveis
discretas (aplicações tipo válvulas on/off,
botueiras, inversores de freqüência, partida eletrônica,
bimotores, entre outros) não é tão adequado
para fazer malha de campo de controle regulatório. O mais
adequado nesse caso seria o Fieldbus Foundation. O inverso
também é verdadeiro: o Fieldbus Foundation não
foi desenvolvido para tratar partida de motores e botoeiras. Ele
foi desenvolvido para fazer o controle regulatório e trabalhar
com as variáveis analógicas, explica. Achamos
muitas vezes que isso é uma coisa natural, mas é o
início da fonte de problemas. Depois o projeto é implementado
e não se tem uma boa performance.
Por causa das diferenças que existem entre os tipos de requisitos,
ainda não existe a possibilidade de criação
de um protocolo universal. Num protocolo com a variável discreta,
você tem a necessidade de altíssima velocidade. Já
no controle regulatório, principalmente atuando com válvulas
de controle, a velocidade necessária pode ser obtida com
Fieldbus. Também a quantidade de informações
que transitam muda muito de um protocolo para outro, ou seja, da
discreta para um protocolo para controle regulatório. A
princípio, não se vê o surgimento num futuro
próximo de um protocolo que englobe tudo, ressalta.
O protocolo mais antigo, com um pouco mais de 10 anos, é
o HART - protocolo aberto. Na seqüência vem o Profibus
DP e o Fieldbus Foundation finalmente padronizado
a partir de 2000. Hoje, o HART já possui versões bem
adiantadas, com revisões de inversão. Enquanto
os instrumentos (devices) estiverem vivos, os protocolos também
estarão, diz.
Quanto à longevidade dos protocolos, a visão
que temos é que vai continuar existindo tanto usuários
de HART quanto de Fieldbus. Um bom exemplo, é que todos os
fabricantes vendem mais instrumentos HART do que Fieldbus, embora
seja crescente a venda do protocolo Fieldbus. O Hart não
deve morrer, diz Augusto.
|