Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 94 – Julho de 2004
TOP 2003
O segredo está no foco voltado ao cliente
Paulo Camargo: "Ano positivo, com importantes conquistas"

Foi em 2003 que a Siemens obteve, mesmo com todos os problemas enfrentados pelo país, seu melhor faturamento de todos os tempos: R$ 4,6 bilhões, 14% superior ao do ano anterior. “Foi um ano positivo, com importantes conquistas - tanto na área de produtos quanto na de soluções”, lembra o gerente da divisão de Automação e Controle da Siemens, Paulo Camargo. O sucesso, segundo ele, está ligado não somente aos projetos ganhos mas também ao aumento de satisfação de nossos clientes. “Foi um ano muito bom onde novamente ultrapassamos nossas metas”, ressalta.

Não foi a toa que, mais uma vez, os leitores da Controle & Instrumentação elegeram a empresa como destaque do setor. Mais confiante em suas atividades e muito mais voltada para o cliente, a Siemens reestrutura sua forma de lidar com ele e, a cada dia, revê suas ações procurando saber onde ainda pode melhorar.

Com um parque industrial formado por 12 fábricas e mais de sete mil funcionários, as exportações da Siemens Brasil em 2003 somaram R$ 248,6 milhões, registrando um crescimento de 44% - mais um novo recorde para a companhia.

Neste ano, a divisão Automation and Control (A&C) - que engloba automação e serviços industriais, instalações elétricas de baixa tensão e produção logística - foi responsável por 14% do faturamento líquido da companhia no Brasil, R$ 651,84 milhões, e 16% da entrada de pedidos, R$ 680 milhões.

Em 2003, divisões como a de Papel e Celulose, Metais e Óleo e Gás foram as que mais obtiveram sucesso. “Conseqüentemente nós, que somos fornecedores de produto, também tivemos um ano muito bom”, diz.

Considerando a área de soluções, a divisão de Papel e Celulose teve, no ano passado, um desempenho considerado excepcional. A área de Metais não ficou muito atrás, realizando importantes projetos turn key. Já na parte de sistemas, a empresa alcançou resultados muito positivos nas áreas de Alimentos e Bebida e de Cimento onde ganhou importantes pedidos.

Projetos de Destaque

Ainda em 2003, o setor industrial da Siemens consolidou sua atuação na área de automação de processos com a aquisição mundial da empresa dinamarquesa Danfoss Flow. O setor também obteve aumento da produção local de contatores, relés e produtos elétricos de baixa tensão, segmento no qual a Siemens no Brasil consolidou a posição de pólo exportador, principalmente para os mercados da Argentina e México. A Chemtech, uma das divisões da Siemens Brasil, também conquistou importantes projetos internacionais como o de fornecimento para refinaria Saudi Aramco, na Arábia Saudita, de um sistema de visualização de indicadores gerenciais - primeiro projeto com total integração, chegando até ao software de gestão da empresa (SAP). Também foi fornecido um sistema de gestão de negócios para a companhia de petróleo CPC da Rússia. O projeto, destinado ao controle de um oleoduto no Mar Cáspio (1500 km), envolveu medição e relatório, estoque, verificação de perda e alocação do navio.

Ao longo de 2003, a Siemens Ltda adquiriu as cotas da Siemens Dematic no Brasil, ficando totalmente responsável pelos negócios de automação logística da empresa no país. Com essa nova configuração societária, a divisão indústria planeja aumentar o fornecimento de soluções e tecnologias para o mercado de automação logística no Brasil e também na região do Mercosul. Durante o último exercício fiscal foram concluídos os projetos de automação logística das unidades de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Entre os projetos de maior destaque, desenvolvidos durante o ano de 2003, estão a implantação dos sistemas de supervisionamento e automação para o Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional (Pegaso) da Petrobras. “Acho que em 2003 houve a coroação desse projeto. Tivemos um período inicial de aprendizado e em 2003 obtivemos os melhores resultados”, enfatiza. O gerente lembra ainda que “a Petrobras é uma das clientes com as quais temos obtido maior satisfação nos negócios; não só pelo volume de negócios alcançado, mas pelo trabalho conjunto realizado”, ressalta.

Além disso, a Siemens desenvolveu projetos para a Ripasa Indústria de Papel e Celulose, que englobou a entrega da modernização de duas máquinas, envolvendo engenharia básica e executiva dos equipamentos de média e baixa-tensão, CLP’s de processos e sistemas de acionamentos de motores; também foi entregue a primeira fase do fornecimento de automação logística e elétrica, além do sistema de controle, para a nova planta da Construtora e Incorporadora CISA, do Paraná.

Pesquisa e Desenvolvimento

Somente em 2003 a Siemens Brasil direcionou cerca de R$ 79,6 milhões para pesquisa e desenvolvimento, valor 17% superior a 2002. “Veja o exemplo da divisão Automation & Drives, cujo o volume investido em pesquisa e desenvolvimento é em torno de 6% do seu faturamento mundial, – o que corresponde à cerca de de €500 milhões em investimentos só no ano passado. No total, a empresa em todas as suas divisões de negócios investiu cerca de €5 bilhões”.

Segundo o gerente, a empresa sempre foi um sinônimo de inovação, possuindo um número muito grande de patentes. “Uma das preocupações da Siemens sempre foi desenvolver novos produtos e soluções. Esse espírito de inovação é parte do espírito da empresa”, enfatiza“.

Um outro ponto destacado pela empresa, especialmente na área de automação, é qualidade do nível gerencial mundial. “A alta gerência da empresa está sempre questionando se não podemos fazer melhor”, diz Paulo.

Esses pilares da empresa como corporação se traduzem no Brasil, segundo Paulo, numa preocupação em melhorar continuamente o serviço, o atendimento, o pós-venda, entre outras coisas, “ou seja tudo o que está relacionado com a satisfação do cliente”, conclui.

Novos Produtos

A nova versão do LOGO, produto Micro Automation, e as novas gerações de CPUs foram os destaques da Siemens em 2003. “Sabemos que na automação o ciclo de vida dos produtos está cada vez mais curto. Antigamente, eles ficavam no mercado por cerca de cinco anos, hoje, ficam dois anos em média”, diz Paulo.

Na Alemanha e conseqüentemente no Brasil, produtos são lançados ou atualizados a todo momento. Entretanto o próprio gerente destaca que 2003 não foi um ano de muitos lançamentos no Brasil, porém um ano onde o espírito de inovação ganhou muito espaço na empresa.

Os investimentos estão ligados à inovação e à visão de longo prazo, este é o motivo dos € 5 milhões destinados à investimentos somente dentro da divisão de automação e drives. Um bom exemplo é o Simatic IT, da área de MES, onde a Siemens percebeu que existia um potencial de crescimento e decidiu adquirir algumas empresas para acelerar o processo de desenvolvimento. “Uma outra área na qual pretendemos investir a partir de outubro de 2004 é a de sensores, onde sentimos que precisamos responder melhor às necessidades dos nossos clientes. Tínhamos sensores espalhados nas diversas divisões e decidimos colocar tudo agora num “teto só” e dar um foco maior”.

Foco no cliente

A satisfação do cliente é medida, hoje pela forma como ele percebe a empresa. “Antigamente, tinha-se uma medição de sucesso muito mais pelo resultado financeiro e pelo fechamento de vendas. Atualmente, estamos mais interessados que o cliente sinta-se satisfeito com a empresa”, ressalta.

Para acompanhar o relacionamento com o cliente, a Siemens realiza constantemente pesquisas de satisfação. “Agora é claro que quando recebemos um feedback espontâneo de um cliente satisfeito, valorizamos ainda mais. O simples fato de um cliente voltar a comprar com a empresa já é um sinal de que ele está satisfeito”, diz.
O objetivo da Siemens é fazer com que, não só o profissional de vendas, mas o engenheiro de aplicação, o profissional do suporte técnico, ou seja toda a empresa se sinta parte do problema do cliente. “Por sermos uma empresa grande, a exigência que o cliente tem pelo nome Siemens é muito maior. O nível de exigência não baixou, mas o cliente hoje sente-se mais satisfeito”, explica.

Política da empresa

Um projeto que começou a ser implantado na Siemens em 2003 e que trata da orientação da empresa para os diferentes segmentos da indústria, é o “One Siemens”. O objetivo é que todas as unidades de negócios da empresa possam atender às necessidades do cliente dentro do segmento em que ele atua.

A idéia é preparar a empresa para, além de vender o produto em si, entender as necessidades mais amplas dos clientes. “Essa estratégia de segmentos busca simplesmente maximizar para o cliente as melhores soluções, os melhores sistemas. O intuito é ir até ele e ver como podemos ajudá-lo, por exemplo, a melhorar seu balanço energético, o gerenciamento da sua planta, o seu sistema de telecomunicações, etc”, enfatiza Paulo. Desta forma, a Siemens quer chegar até o cliente e entender o segmento em que ele está inserido. “Vamos oferecer não só automação, mas a solução inteira”, completa.

Com o objetivo de orientar as diversas divisões da empresa, foi criado um Programa de Gerenciamento Mundial, chamado de Siemens Management Systems. “Ele definiu três pilares mundiais para a empresa: inovação, foco no cliente e a competividade global”. De acordo com Paulo, em cada uma das divisões há sempre a busca por novas oportunidades.

Dificuldades em 2003

A área de Geração de Energia Elétrica, na qual inclusive a Siemens possui uma joint-venture com a Voith Siemens, apresentou uma retração em 2003, que se estendeu até o início deste ano. “Trata-se de um segmento importante também para a área de automação. Com a redução dos investimentos na área, enfrentamos um pequeno revés”, conta Paulo. “Quando um cliente desse porte, que compra regularmente, reduz o volume de compra, é necessário buscar outros segmentos”. Segundo ele, a situação já está sendo regularizada com a retomada dos investimentos este ano.

Uma outra questão negativa em 2003 foi o câmbio. “O impacto atinge a economia como um todo, e portanto também a área de automação, mas no final conseguimos também superar este obstáculo”, diz.

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