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Foi em 2003 que a Siemens obteve, mesmo com todos os problemas
enfrentados pelo país, seu melhor faturamento de todos os
tempos: R$ 4,6 bilhões, 14% superior ao do ano anterior.
Foi um ano positivo, com importantes conquistas - tanto na
área de produtos quanto na de soluções,
lembra o gerente da divisão de Automação e
Controle da Siemens, Paulo Camargo. O sucesso, segundo ele, está
ligado não somente aos projetos ganhos mas também
ao aumento de satisfação de nossos clientes. Foi
um ano muito bom onde novamente ultrapassamos nossas metas,
ressalta.
Não foi a toa que, mais uma vez, os leitores da Controle
& Instrumentação elegeram a empresa como destaque
do setor. Mais confiante em suas atividades e muito mais voltada
para o cliente, a Siemens reestrutura sua forma de lidar com ele
e, a cada dia, revê suas ações procurando saber
onde ainda pode melhorar.
Com um parque industrial formado por 12 fábricas e mais de
sete mil funcionários, as exportações da Siemens
Brasil em 2003 somaram R$ 248,6 milhões, registrando um crescimento
de 44% - mais um novo recorde para a companhia.
Neste ano, a divisão Automation and Control (A&C) - que
engloba automação e serviços industriais, instalações
elétricas de baixa tensão e produção
logística - foi responsável por 14% do faturamento
líquido da companhia no Brasil, R$ 651,84 milhões,
e 16% da entrada de pedidos, R$ 680 milhões.
Em 2003, divisões como a de Papel e Celulose, Metais e Óleo
e Gás foram as que mais obtiveram sucesso. Conseqüentemente
nós, que somos fornecedores de produto, também tivemos
um ano muito bom, diz.
Considerando a área de soluções, a divisão
de Papel e Celulose teve, no ano passado, um desempenho considerado
excepcional. A área de Metais não ficou muito atrás,
realizando importantes projetos turn key. Já na parte de
sistemas, a empresa alcançou resultados muito positivos nas
áreas de Alimentos e Bebida e de Cimento onde ganhou importantes
pedidos.
Projetos de Destaque
Ainda em 2003, o setor industrial da Siemens consolidou sua atuação
na área de automação de processos com a aquisição
mundial da empresa dinamarquesa Danfoss Flow. O setor também
obteve aumento da produção local de contatores, relés
e produtos elétricos de baixa tensão, segmento no
qual a Siemens no Brasil consolidou a posição de pólo
exportador, principalmente para os mercados da Argentina e México.
A Chemtech, uma das divisões da Siemens Brasil, também
conquistou importantes projetos internacionais como o de fornecimento
para refinaria Saudi Aramco, na Arábia Saudita, de um sistema
de visualização de indicadores gerenciais - primeiro
projeto com total integração, chegando até
ao software de gestão da empresa (SAP). Também foi
fornecido um sistema de gestão de negócios para a
companhia de petróleo CPC da Rússia. O projeto, destinado
ao controle de um oleoduto no Mar Cáspio (1500 km), envolveu
medição e relatório, estoque, verificação
de perda e alocação do navio.
Ao longo de 2003, a Siemens Ltda adquiriu as cotas da Siemens Dematic
no Brasil, ficando totalmente responsável pelos negócios
de automação logística da empresa no país.
Com essa nova configuração societária, a divisão
indústria planeja aumentar o fornecimento de soluções
e tecnologias para o mercado de automação logística
no Brasil e também na região do Mercosul. Durante
o último exercício fiscal foram concluídos
os projetos de automação logística das unidades
de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte da Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos.
Entre os projetos de maior destaque, desenvolvidos durante o ano
de 2003, estão a implantação dos sistemas de
supervisionamento e automação para o Programa de Excelência
em Gestão Ambiental e Segurança Operacional (Pegaso)
da Petrobras. Acho que em 2003 houve a coroação
desse projeto. Tivemos um período inicial de aprendizado
e em 2003 obtivemos os melhores resultados, enfatiza. O gerente
lembra ainda que a Petrobras é uma das clientes com
as quais temos obtido maior satisfação nos negócios;
não só pelo volume de negócios alcançado,
mas pelo trabalho conjunto realizado, ressalta.
Além disso, a Siemens desenvolveu projetos para a Ripasa
Indústria de Papel e Celulose, que englobou a entrega da
modernização de duas máquinas, envolvendo engenharia
básica e executiva dos equipamentos de média e baixa-tensão,
CLPs de processos e sistemas de acionamentos de motores; também
foi entregue a primeira fase do fornecimento de automação
logística e elétrica, além do sistema de controle,
para a nova planta da Construtora e Incorporadora CISA, do Paraná.
Pesquisa e Desenvolvimento
Somente em 2003 a Siemens Brasil direcionou cerca de R$ 79,6 milhões
para pesquisa e desenvolvimento, valor 17% superior a 2002. Veja
o exemplo da divisão Automation & Drives, cujo o volume
investido em pesquisa e desenvolvimento é em torno de 6%
do seu faturamento mundial, o que corresponde à cerca
de de €500 milhões em investimentos só no ano
passado. No total, a empresa em todas as suas divisões de
negócios investiu cerca de €5 bilhões.
Segundo o gerente, a empresa sempre foi um sinônimo de inovação,
possuindo um número muito grande de patentes. Uma das
preocupações da Siemens sempre foi desenvolver novos
produtos e soluções. Esse espírito de inovação
é parte do espírito da empresa, enfatiza.
Um outro ponto destacado pela empresa, especialmente na área
de automação, é qualidade do nível gerencial
mundial. A alta gerência da empresa está sempre
questionando se não podemos fazer melhor, diz Paulo.
Esses pilares da empresa como corporação se traduzem
no Brasil, segundo Paulo, numa preocupação em melhorar
continuamente o serviço, o atendimento, o pós-venda,
entre outras coisas, ou seja tudo o que está relacionado
com a satisfação do cliente, conclui.
Novos Produtos
A nova versão do LOGO, produto Micro Automation, e as novas
gerações de CPUs foram os destaques da Siemens em
2003. Sabemos que na automação o ciclo de vida
dos produtos está cada vez mais curto. Antigamente, eles
ficavam no mercado por cerca de cinco anos, hoje, ficam dois anos
em média, diz Paulo.
Na Alemanha e conseqüentemente no Brasil, produtos são
lançados ou atualizados a todo momento. Entretanto o próprio
gerente destaca que 2003 não foi um ano de muitos lançamentos
no Brasil, porém um ano onde o espírito de inovação
ganhou muito espaço na empresa.
Os investimentos estão ligados à inovação
e à visão de longo prazo, este é o motivo dos
€ 5 milhões destinados à investimentos somente
dentro da divisão de automação e drives. Um
bom exemplo é o Simatic IT, da área de MES, onde a
Siemens percebeu que existia um potencial de crescimento e decidiu
adquirir algumas empresas para acelerar o processo de desenvolvimento.
Uma outra área na qual pretendemos investir a partir
de outubro de 2004 é a de sensores, onde sentimos que precisamos
responder melhor às necessidades dos nossos clientes. Tínhamos
sensores espalhados nas diversas divisões e decidimos colocar
tudo agora num teto só e dar um foco maior.
Foco no cliente
A satisfação do cliente é medida, hoje pela
forma como ele percebe a empresa. Antigamente, tinha-se uma
medição de sucesso muito mais pelo resultado financeiro
e pelo fechamento de vendas. Atualmente, estamos mais interessados
que o cliente sinta-se satisfeito com a empresa, ressalta.
Para acompanhar o relacionamento com o cliente, a Siemens realiza
constantemente pesquisas de satisfação. Agora
é claro que quando recebemos um feedback espontâneo
de um cliente satisfeito, valorizamos ainda mais. O simples fato
de um cliente voltar a comprar com a empresa já é
um sinal de que ele está satisfeito, diz.
O objetivo da Siemens é fazer com que, não só
o profissional de vendas, mas o engenheiro de aplicação,
o profissional do suporte técnico, ou seja toda a empresa
se sinta parte do problema do cliente. Por sermos uma empresa
grande, a exigência que o cliente tem pelo nome Siemens é
muito maior. O nível de exigência não baixou,
mas o cliente hoje sente-se mais satisfeito, explica.
Política da empresa
Um projeto que começou a ser implantado na Siemens em 2003
e que trata da orientação da empresa para os diferentes
segmentos da indústria, é o One Siemens.
O objetivo é que todas as unidades de negócios da
empresa possam atender às necessidades do cliente dentro
do segmento em que ele atua.
A idéia é preparar a empresa para, além de
vender o produto em si, entender as necessidades mais amplas dos
clientes. Essa estratégia de segmentos busca simplesmente
maximizar para o cliente as melhores soluções, os
melhores sistemas. O intuito é ir até ele e ver como
podemos ajudá-lo, por exemplo, a melhorar seu balanço
energético, o gerenciamento da sua planta, o seu sistema
de telecomunicações, etc, enfatiza Paulo. Desta
forma, a Siemens quer chegar até o cliente e entender o segmento
em que ele está inserido. Vamos oferecer não
só automação, mas a solução inteira,
completa.
Com o objetivo de orientar as diversas divisões da empresa,
foi criado um Programa de Gerenciamento Mundial, chamado de Siemens
Management Systems. Ele definiu três pilares mundiais
para a empresa: inovação, foco no cliente e a competividade
global. De acordo com Paulo, em cada uma das divisões
há sempre a busca por novas oportunidades.
Dificuldades em 2003
A área de Geração de Energia Elétrica,
na qual inclusive a Siemens possui uma joint-venture com a Voith
Siemens, apresentou uma retração em 2003, que se estendeu
até o início deste ano. Trata-se de um segmento
importante também para a área de automação.
Com a redução dos investimentos na área, enfrentamos
um pequeno revés, conta Paulo. Quando um cliente
desse porte, que compra regularmente, reduz o volume de compra,
é necessário buscar outros segmentos. Segundo
ele, a situação já está sendo regularizada
com a retomada dos investimentos este ano.
Uma outra questão negativa em 2003 foi o câmbio. O
impacto atinge a economia como um todo, e portanto também
a área de automação, mas no final conseguimos
também superar este obstáculo, diz.
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