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C&I. Shutdown pode ser entendido como desligamento de
emergência?
Finkel: Shutdown = Desligamento Emergency Shutdown = Desligamento
de Emergência.
C&I: Sempre está associado a alarmes e intertravamentos?
Finkel: Quase sempre.
Por exemplo: quando uma variável de processo se aproxima
de um valor crítico que poderia causar um acidente, geralmente
dispara um alarme, para dar ao operador a oportunidade de intervir
e evitar que a variável exceda um valor mais alto, onde ocorre
o desligamento de emergência.
O desligamento é freqüentemente chamado de intertravamento.
Há quem diferencie intertravamento operacional (parte do
controle da planta) do intertravamento de Emergência (segurança).
C&I: É diferente de sistemas seguros de controle?
É seguro que ele vai funcionar?
Finkel: Sistema seguro de controle, faz uma função
de controle e não de segurança.
Nada é totalmente seguro.
Procura-se reduzir as probabilidades das falhas perigosas, mas é
impossível garantir totalmente que elas não ocorram.
Ninguém pode garantir que um acidente jamais ocorrerá.
O que se busca é reduzir sua probabilidade de ocorrência.
C&I: É obrigatório para todas as indústrias?
Indústria alimentícia , de transportes, manufatura,
petroquímicas e em nível mundial não é
obrigatório. Nos EUA é obrigatório, e nos países
Europeus, sujeitos à IEC (InternationalEletrotechnical Commission)
também é. No Brasil, desconheço legislação
que obrigue a instalação de Sistemas de desligamento
de Emergência, e a única norma existente à respeito
é a N-2595 da Petrobras, que não tem obrigatoriedade
de aplicação em outras empresas. Dentro da própria
Petrobras, em alguns setores específicos há discordâncias
quanto à aplicabilidade da N-2595.
C&I: Sistemas de desligamento de emergências possuem
normas próprias?
Finkel: Sim, nos EUA a ISA/ANSI S84.01, e na Europa as IEC
61508 e 61511, etc.
No Brasil, desconheço normas oficiais brasileiras à
respeito.
C&I: Está de alguma forma inserido na atual discussão
sobre avaliação de riscos? E utiliza SIL e/ou SIS?
Finkel: A avaliação dos riscos é a
primeira etapa para quem queira determinar os SIL e poder projetar
um SIS para uma indústria, segundo as normas internacionais
vigentes.
C&I: Se uma planta possui um sistema de desligamento
de emergência, também utiliza o conceito de redundância?
Se sim, em quais áreas?
Finkel: Não necessariamente. Geralmente os SIS tem
redundâncias especialmente para os níveis de SIL mais
elevados.
C&I: Utiliza software e hardware específicos?
Quais?
Finkel: Os SIS programáveis sim. Os de lógica
fixa (não programáveis) não têm software.
E há várias tecnologias tradicionaispara
implementar os SIS.
C&I: É compatível com quais arquiteturas
e tecnologias?
Finkel: As mais comuns: CPUs redundantes complementares,
Redundancia Modular Tripla, Canal ativo/canal de diagnóstico,
Lógica-fixa-falha-segura, etc.
C&I: Depois de um desligamento de emergência,
quais são as providências? Como é o religamento?
Finkel: As providências variam muito conforme o processo
mas todo religamento depende de atuação manual do
operador.
*Vitor Schmidt Finkel é consultor em instrumentação
de controle e automação de processos, tendo exercido
o cargo de gerente de automação da Cia.Brasileira
de Pneumáticos Michelin. Possui dezenas de trabalhos publicados,
é professor na Universidade Santa Úrsula (Engenharia
Elétrica), diretor de publicações da ISA. Presidente
eleito da ISA Distrito4, coordena e ministra vários cursos
na área, entre os quais o de Projetos e Utilização
de Sistemas de Desligamento de Emergência, em São Paulo,
no final de outubro.
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