Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 95 – Agosto de 2004
Cover Page II
Nada é 100% seguro
A redação da Controle & Instrumentação fez uma rápida entrevista sobre Shutdown com o consultor Vitor Finkel*, confira:

Vitor Finkel

C&I. Shutdown pode ser entendido como desligamento de emergência?
Finkel: Shutdown = Desligamento Emergency Shutdown = Desligamento de Emergência.

C&I:
Sempre está associado a alarmes e intertravamentos?
Finkel: Quase sempre.
Por exemplo: quando uma variável de processo se aproxima de um valor crítico que poderia causar um acidente, geralmente dispara um alarme, para dar ao operador a oportunidade de intervir e evitar que a variável exceda um valor mais alto, onde ocorre o desligamento de emergência.
O desligamento é freqüentemente chamado de intertravamento.
Há quem diferencie intertravamento operacional (parte do controle da planta) do intertravamento de Emergência (segurança).

C&I: É diferente de sistemas seguros de controle? É seguro que ele vai funcionar?
Finkel: Sistema seguro de controle, faz uma função de controle e não de segurança.
Nada é totalmente seguro.
Procura-se reduzir as probabilidades das falhas perigosas, mas é impossível garantir totalmente que elas não ocorram.
Ninguém pode garantir que um acidente jamais ocorrerá. O que se busca é reduzir sua probabilidade de ocorrência.

C&I: É obrigatório para todas as indústrias? Indústria alimentícia , de transportes, manufatura, petroquímicas e em nível mundial não é obrigatório. Nos EUA é obrigatório, e nos países Europeus, sujeitos à IEC (InternationalEletrotechnical Commission) também é. No Brasil, desconheço legislação que obrigue a instalação de Sistemas de desligamento de Emergência, e a única norma existente à respeito é a N-2595 da Petrobras, que não tem obrigatoriedade de aplicação em outras empresas. Dentro da própria Petrobras, em alguns setores específicos há discordâncias quanto à aplicabilidade da N-2595.

C&I: Sistemas de desligamento de emergências possuem normas próprias?
Finkel: Sim, nos EUA a ISA/ANSI S84.01, e na Europa as IEC 61508 e 61511, etc.
No Brasil, desconheço normas oficiais brasileiras à respeito.

C&I: Está de alguma forma inserido na atual discussão sobre avaliação de riscos? E utiliza SIL e/ou SIS?
Finkel: A avaliação dos riscos é a primeira etapa para quem queira determinar os SIL e poder projetar um SIS para uma indústria, segundo as normas internacionais vigentes.

C&I: Se uma planta possui um sistema de desligamento de emergência, também utiliza o conceito de redundância? Se sim, em quais áreas?
Finkel: Não necessariamente. Geralmente os SIS tem redundâncias especialmente para os níveis de SIL mais elevados.

C&I: Utiliza software e hardware específicos? Quais?
Finkel: Os SIS programáveis sim. Os de lógica fixa (não programáveis) não têm software.
E há várias tecnologias “tradicionais”para implementar os SIS.

C&I: É compatível com quais arquiteturas e tecnologias?
Finkel: As mais comuns: CPUs redundantes complementares, Redundancia Modular Tripla, Canal ativo/canal de diagnóstico, Lógica-fixa-falha-segura, etc.

C&I: Depois de um desligamento de emergência, quais são as providências? Como é o religamento?
Finkel: As providências variam muito conforme o processo mas todo religamento depende de atuação manual do operador.

*Vitor Schmidt Finkel é consultor em instrumentação de controle e automação de processos, tendo exercido o cargo de gerente de automação da Cia.Brasileira de Pneumáticos Michelin. Possui dezenas de trabalhos publicados, é professor na Universidade Santa Úrsula (Engenharia Elétrica), diretor de publicações da ISA. Presidente eleito da ISA Distrito4, coordena e ministra vários cursos na área, entre os quais o de Projetos e Utilização de Sistemas de Desligamento de Emergência, em São Paulo, no final de outubro.

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