| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 96 Setembro de 2004
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Cover Page I
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Setor elétrico fornece
posição rumo ao
desenvolvimento tecnológico |
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A integração de equipamentos microprocessados de
diferentes fabricantes tem sido uma das principais dificuldades
para a automação de subestações de energia,
às vezes até impedindo a modernização
por exigir vultosos investimentos. O trabalho despendido no desenvolvimento
de conversores de protocolos e os resultados duvidosos e onerosos
que isso pode trazer a empresa são fatores que dificultam
ainda mais o avanço tecnológico do setor. Mesmo
a adoção de protocolos especialmente desenvolvidos
para o setor elétrico, como o IEC 60870-5 e o DNP 3.0, não
resolve todos os problemas, apenas facilita a comunicação
entre os equipamentos, sendo necessário ainda um considerável
esforço de engenharia no sentido de integração
dessas informações, explica o engenheiro eletricista
Ferdinando Crispino, do Grupo de Automação da Geração,
Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica
(GAGTD) da EPUSP-PEA.
Para tentar garantir a interoperabilidade entre IEDs (Intelligent
Electronic Devices) organismos internacionais empenharam-se no desenvolvimento
de uma nova tecnologia baseada em objetos, onde o principal objetivo
é justamente proporcionar recursos de processamento distribuído
entre equipamentos microprocessados de diferentes fabricantes.
Foi criada então a norma IEC 61850, que propôs a implementação
de um novo padrão pela indústria mundial, definindo
modelos de dados, serviços e funções desenvolvidas
para serem independentes do protocolo. Formada por capítulos,
a IEC 61850 possui grande parte deles já aprovados. Os capítulos
6, 8.1, 9.2 e 10 ainda estão em processo de aprovação.
A expectativa é que até o final de 2004 ou então
até o primeiro trimestre de 2005, todos os capítulos
estejam com o status de padrão internacional, enfatiza
Crispino.
O que se espera é que, com a adoção do IEC
61850, a indústria de energia elétrica tenha maior
habilidade para o desenvolvimento de aplicações de
negócios integradas -englobando diferentes áreas funcionais-,
além de uma implementação simplificada de redes
de comunicação totalmente integradas, maior diversidade
de hardware e software compatíveis de diversos fornecedores,
reduzidos custos operacionais - por causa da redução
dos custos de instalação, engenharia, manutenção,
operação e treinamento - e agilidade de resposta às
rápidas mudanças do ambiente de negócios, cada
vez mais competitivo.
Quando for necessário fazer uma ampliação
em determinada subestação, será mais fácil
a aquisição de equipamentos, ou seja, no mundo globalizado,
as questões técnicas também estão sendo
consideradas, diz o gerente da Divisão de Supervisão
e Automação da CTEEP (Companhia de Transmissão
de Energia Elétrica Paulista), Paulo Roberto Pedroso de Oliveira.
Segundo ele, é muito comum encontrar empresas cativas a um
determinado fabricante. Na posição de consumidores
não podemos ficar cativos a um fornecedor, pois esta situação
influencia no aumento dos custos, ressaltou.
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| Ferdinando Crispino: Com a verificação
de casos de sucesso rapidamente todo o mercado deve se adequar
a nova tecnologia |
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De acordo com Crispino, a implementação
desse novo padrão pela indústria é marcada por
dois importantes aspectos: os fabricantes que possuem um grupo de
pesquisa em novas tecnologias saem na frente e disponibilizam para
o mercado as novas tecnologias independentemente do mercado solicitar,
podendo diluir o custo de desenvolvimento em outros produtos. Por
outro lado, existem outras empresas que não podem desenvolver
essas tecnologias sem ter a certeza de que o mercado irá absorver
esses produtos, porque não possuem recursos disponíveis
ou mesmo porque, caso o mercado não utilize o novo produto,
isso pode implicar na morte da empresa. Assim, essas empresas
ficam esperando que o mercado exija essa tecnologia, para que o custo
de implementação possa ser viável. Neste
caso, a IEC 61850 - que é desenvolvida sobre padrões
abertos - somente poderá ser amplamente utilizada quando os
usuários começarem a fazer especificações
de equipamentos aderentes a norma, prevê o engenheiro.
A IEC 61850 define métodos, serviços e modelos genéricos
de comunicação por meio da arquitetura CASM (Common
Application Service Model), o que permite o mapeamento de diferentes
protocolos de comunicação. Ela foi desenvolvida especificamente
para solucionar o problema de inúmeros sistemas de comunicação
no setor de energia o que envolve geração eólica
e térmica, transmissão e proteção de subestações
de energia. Crispino explica que a norma define modelos de objetos
chamados GOMSFE, que representam modelos de equipamentos físicos
reais, assim, não seria possível aplicá-la a
um setor diferente do setor de energia. Dentro do próprio
setor está se ampliando o conceito com novas extensões
do IEC 61850 para Power Quality, monitoração de equipamentos
e para geração distribuída de energia elétrica.
A assimilação - e a prática - das adaptações
exigidas pela nova norma deve acontecer lentamente pelo setor nos
próximos anos. É preciso considerar ainda que o setor
de energia é muito conservador e que as subestações
contam com equipamentos que apresentam um extenso ciclo de vida -
em torno de 40 anos para equipamentos primários (transformadores),
15 anos para secundário (TP e TC) e cada vez mais reduzidos
para hardware e software. Entretanto, com a verificação
de casos de sucesso entre os primeiros usuários, rapidamente
todo o mercado deve se adequar a nova tecnologia, enfatiza Crispino.
O engenheiro explica ainda que a comunicação entre o
nível da subestação e o nível vão
é feito através de protocolos incompatíveis entre
si, como por exemplo o IEC 60870, Profibus, DNP, MVB, LON, Modbus,
MMS e centenas de outros protocolos proprietários e não
proprietários, formando assim ilhas de comunicação.
A automação de uma subestação é
feita progressivamente agregando-se novos sistemas de automação
conforme a necessidade e prioridade, e leva, normalmente, alguns anos
para ser concluída.
Segundo ele, os grandes fabricantes de equipamentos já estão
oferecendo produtos compatíveis com o IEC 61850, entretanto,
como a norma é muito recente os usuários (concessionárias)
ainda não conhecem todo o seu potencial da aplicação.
Eles ficam em dúvida na hora de fazer uma especificação
porque precisam ter um corpo técnico capacitado na nova tecnologia,
além de um custo inicial de infra-estrutura de rede de comunicação.
Enquanto os usuários não começarem a especificar
seus sistemas de automação com a norma IEC 61850, não
adianta os fornecedores possuírem os equipamentos, explica.
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