| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 97 Outubro de 2004
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Cover Page II
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| Automação:
caminho para produzir ainda mais |
| Mehta: É preciso acreditar que
a automação pode ajudar a melhorar a qualidade
da produção e a reduzir perdas |
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Quando o assunto é automação industrial, as
grandes empresas de papel e celulose brasileiras estão num
bom patamar e concorrem bem com os demais setores e com outras empresas
de outros países. Hoje, existem empresas com alto grau
de sofisticação em automação. Porém,
as empresas de médio e pequeno porte ainda possuem uma automação
deficiente, ressalta Rajendra Mehta, diretor de Papel e Celulose
da Smar.
Se analisarmos aplicações específicas,
estamos até acima de outros países em função
da nossa criatividade na aplicação das tecnologias
disponíveis, completa o gerente de Desenvolvimento
de Negócios da GE Fanuc, Antonio de A. Castro Neto. A GE
possui projetos em empresas como Suzano Papel e Celulose, Votorantin
Celulose e Papel (VCP) e Ripasa.
De acordo com Mehta, as pequenas e médias empresas sofrem
com a escassez de recursos financeiros para investimentos em automação.
Existem ainda outros fatores como a falta de confiança
e da cultura da automação, no sentido
de que é preciso acreditar que ela pode ajudar a melhorar
a qualidade da produção e reduzir perdas, diz.
A falta de mão-de-obra qualificada na operação
também é considerada um outro gargalo.
Para os empresários do setor, os problemas não são
poucos e as mudanças não ocorrerão de uma hora
para a outra. Até a época da reserva de mercado
enfrentávamos problemas enormes em função da
impossibilidade de acesso às novas tecnologias. Atualmente,
falta disposição dos empresários em investir
na adequação e modernização das plantas
industriais, diz Antonio.
De acordo com Mehta, o usuário disposto a investir na automação
de sua planta deve procurar financiamento junto a entidades como
BNDES e Finame, entre outros, para que não fique desconfiado
do que será feito, deve obter informações junto
a fontes confiáveis e, para melhorar o nível de conhecimento
do operador, precisa investir forte e constantemente em treinamentos.
Mas, para saber quando é hora de modernizar, de investir,
a empresa precisa monitorar a variabilidade da qualidade (dos parâmetros
principais) do produto e as perdas de matéria-prima. Também
precisa acompanhar e analisar com critério as informações,
sugestões e reclamações dos clientes. Quando
estes dados mostram desvios fora dos padrões, é a
hora de investir em automação, ressalta o diretor
da Smar. Os resultados começam a ser vistos em períodos
distintos, dependendo do tipo e tamanho do projeto.
Quando parte para a automação, qualquer empresa
- independente do seu segmento industrial - espera uma maior eficiência
e controle do seu processo, disponibilidade e conhecimento dos fatores
que possam estar influindo no seu desempenho. O aprendizado da hora
de investir ainda depende de um melhor conhecimento dos benefícios
oriundos de uma maior e melhor automação, diz
Antonio.
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| Antonio Castro, da GE: Brasil possui
criatividade na aplicação das tecnologias disponíveis
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Segundo ele, a área de Manuseio de Matéria
Prima dentro de uma indústria de papel e celulose é
a que vem apresentando um avanço mais lento quanto à
automação. Talvez pela própria característica
desse processo, que limita a necessidade de novas tecnologias,
explica. Já os maiores avanços, segundo ele, surgiram
não em áreas específicas, mas principalmente,
na facilidade e capacidade de integração e interoperabilidade
dos sistemas.
Segundo Mehta, é fácil percebermos que a indústria
de papel e celulose é bastante conservadora e extremamente
cautelosa, diferente da indústria química, por exemplo.
Apenas grandes empresas apostam em grandes projetos. É
claro que, às vezes, pequenas melhorias proporcionam benefícios
significativos com investimentos menores. Mas, chega um momento que
é preciso fazer um revamp geral. Isso também
acontece por causa das diversas plataformas, soluções,
hardwares, softwares e soluções proprietárias,
que foram adotadas pelas empresas no passado.
A empresa deve fazer, por exemplo, uma análise criteriosa para
definir qual protocolo de comunicação atenderá
melhor às suas necessidades. De qualquer forma, a rede de comunicação
mais utilizada no setor é a Ethernet, e entre os protocolos
de destaque estão Fieldbus Foundation e Profibus. O futuro
da automação no setor está nas Redes de Campo
e nos Sistemas Abertos, enfatiza Mehta.
A implantação de controle avançado em fábricas
que já trabalham com controle regulatório e intermediário
em seus processos também traz benefícios para o setor,
como aumento de produção, redução de produtos
fora de especificação e diminuição no
consumo de químicos e utilidades. Essas vantagens surgem com
o acompanhamento do processo em tempo real e da estabilização
das operações, o que é feito com base em um controle
múltiplo das variáveis por meio de modelos matemáticos.
Os resultados encaixam-se com o conceito de otimização
econômica, maximização de produção
e minimização de custos. |
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