| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 98 Novembro de 2004
|
|
Cover Page I
|
| No rastro da soja |
|
|
| Cenário positivo do aumento
das exportações da soja brasileira conduz a Coamo para
um importante plano de investimentos, com destaque para a automação
|
|
Com 34 anos e considerada a maior cooperativa agropecuária
singular da América Latina e a segunda maior empresa do Paraná,
a Coamo Agroindustrial Cooperativa tornou-se referência internacional.
A Cooperativa mantém 86 unidades e postos de recebimento
de cereais, algodão e café espalhadas pelos Estados
do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Ao todo são
dezenove mil cooperados e cerca de cinco mil funcionários.
Responsável pelo recebimento e comercialização
anual de cerca de 3 milhões de toneladas de grão produzidas
no Brasil, a Coamo responde, sozinha, por 3,7% da produção
nacional de grãos e fibras, 17% da safra paranaense e 16%
do total das exportações das cooperativas brasileiras.
Com uma extensão territorial de 3,7 milhões de hectares,
possui capacidade global de armazenagem de 45,14 milhões
de sacas de 60 kg. Possui uma estrutura que conta com um entreposto
de sementes e grãos, indústria de óleo, refinaria,
hidrogenação (fábrica de Gordura Vegetal),
fábrica de margarinas.
Ocupando a 33ª posição entre as empresas exportadoras
do país, a Coamo é a primeira entre as de exportação
de commodities no Estado do Paraná. Com o apoio do terminal
portuário em Paranaguá, em 2003, exportou 1,89 milhão
de toneladas de produtos em 227 navios, no valor de US$ 350 milhões,
com um crescimento de 11% em relação a 2002. A Europa
recebe cerca de 68 % do que a Coamo exporta e a Ásia 31,4
%.
O faturamento da Cooperativa no período de 2003/2004 ultrapassou
os R$ 3 bilhões.
Com resultados tão positivos, uma ampla produção
e a previsão de crescer ainda mais, investimentos para a
melhoria das unidades tornaram-se primordiais. O objetivo da cooperativa,
além de agilizar a produção, é garantir
qualidade e segurança nas operações. Para isso,
foram investidos R$ 109,85 milhões na construção
de novas unidades de recebimento, ampliação da capacidade
de armazenamento, secagem, beneficiamento e expedição
de produtos agrícolas, armazenagem de insumos, industrialização,
escritórios administrativos, modernização na
frota de veículos e no sistema de processamento de dados.
Quanto a automação, o destaque esteve na modernização
da planta de Esmagamento/Extração de soja de Campo
Mourão. O projeto, baseado na arquitetura Simatic PCS 7 da
Siemens, recebeu o investimento de R$ 3 milhões e a nova
planta está funcionando desde maio de 2004. Escolhemos
Siemens porque é, hoje, uma das tecnologias mais abrangentes.
A linha do Simatic PCS 7 pega o híbrido entre os PLCs e SDCDs,
ou seja, consegue juntar o que há de bom nas duas tecnologias
e otimizar numa só inteligência, diz o encarregado
do Setor de Manutenção Eletro-Eletrônica da
Coamo, André Luiz Domingues dos Santos.
|
| André dos Santos, da Coamo: Novo
sistema facilita a aplicação do processo, torna-o
mais confiável e oferece mais recursos para operação
e controle da planta
|
|
A Extração antiga fazia parte de
um projeto de aproximadamente 25 anos, com os controles mínimos
em soluções pneumáticas e o intertravamento feito
em lógica de relês - solução aplicada na
época. O novo projeto abrange todo o processamento da soja
desde o controle da umidade de ressecagem, todos os controles da preparação
da soja, da extração do óleo, do processamento
do farelo, e os controles das caldeiras de Alta e de Baixa Pressão.
A Tecnologia Híbrida do sistema Simatic PCS 7 soma as vantagens
do PLC com os sistemas de controles distribuídos, tendo uma
base de dados única para os controles, redes e visualização.
As redes de chão de fábrica operam com padrão
AS-Interface, Profibus DP e Profibus PA. As CPUs estão em duplo
anel redundante e as estações de Operação
e de engenharia estão conectadas a dois servidores redundantes
em rede Ethernet.
A arquitetura do Simatic PCS 7 Process Control System segue
o conceito TIA Automação Totalmente Integrada.
Trata-se de um sistema com uma única base de dados e de arquitetura
aberta, com estações de operação e engenharia
compatíveis com o Windows 2000, tanto na configuração
single-station ou cliente-servidor, interligados aos controladores
Simatic PCS 7 AS 400 via redes abertas e padronizadas Ethernet TCP/IP
(Fast-Ethernet a 100 Mbps). A interface com o campo ocorre de forma
flexível via Profibus (Process Fieldbus), que permite fácil
integração de uma ampla gama de dispositivos (incluindo
Instrumentação de Campo, Acionamentos e remotas de I/O).
A expectativa da Coamo com a nova unidade é ampliar a produção
das atuais mil toneladas/dia de soja para 2.500 toneladas/dia. O
novo sistema facilita a aplicação do processo, torna-o
mais confiável, e oferece mais recursos pra utilizar e até
facilidades de operação e controle da planta,
diz André. A tendência da engenharia da Coamo é
manter, a partir de agora, a linha do Simatic PCS 7.
Lançado em 1997, o Simatic PCS 7 apresenta uma engenharia centralizada
capaz de configurar todo o sistema e com ferramentas de configuração/programação
com linguagens baseadas na IEC 1131, bibliotecas tecnológicas
e de campo, e recursos de diagnose que permitem a fácil configuração
da solução com o foco em tecnologia de processo. A arquitetura
é ainda facilmente expansível e pode ser aplicada tanto
para processos contínuos como bateladas.
Por ainda estar em fase de revamp da unidade industrial, a Coamo não
tem todos os históricos do processo. Estes, permitirão
fazer uma avaliação da produção e verificar
o quanto a produção da Cooperativa foi ampliada com
o novo sistema.
Toda a parte de instrumentação da nova unidade está
em rede Profibus PA. Estamos tentanto absorver todas as informações,
diagnósticos e dados fornecidos por essa instrumentação
para poder garantir a integridade do processo e a qualidade de produção,
enfatiza André. No total, são cerca de 300 instrumentos
aplicados em diversas redes e cerca de 258 motores comandados eletronicamente
com monitoração feita através de Simocode (dispositivo
de proteção e o comando de motores da Siemens). Tanto
a instrumentação de campo em Profibus PA quanto os Simocodes
em Profibus DP são configurados e diagnosticados centralmente
na Estação de Engenharia via Simatic PDM (ferramenta
para o gerenciamento dos dispositivos da planta).
|
| Hugo, da SHW: Com o PCS7, a Coamo tem
o benefício de ter uma arquitetura aberta com uma engenharia
centralizada
|
|
Como empresa integradora do sistema a Coamo escolheu
a SHW Instrumentação Industrial e Comercial. A
preferência pelo integrador parte em função do
histórico que ele tem com o processo que vai automatizar. A
SHW já tinha um bom histórico com sucessos de automação
de fábricas de óleos e já havia feito a automação
de nossa unidade de Paranaguá. Tudo isso, relacionado ao orçamento,
recursos, entre outros, favoreceu a escolha, diz André.
O diretor Comercial da SHW, Hugo Djalma Luz, enfatiza que tudo começou
com a ampliação da planta de Paranaguá. Naquela
ocasião iniciava-se uma forte discussão sobre redes
de campo. A Coamo queria uma solução em rede e a escolha
recaiu sobre a rede Profibus, que era a que apresentava uma solução
consistente para Área de Risco (com gases explosivos) e que
contemplasse número considerável de opções
de fornecedores de instrumentos, lembra. Com isso, a decisão
do uso de rede Profibus acabou se tornado o padrão para todas
as novas unidades industriais da Coamo.
O diretor da SWH conta ainda que a empresa tinha um grande desafio
dentro do cronograma estabelecido. Isso foi agravado por se
tratar do nosso primeiro trabalho com o Simatic PCS 7, diz.
Tivemos alguns contratempos com as versões de Software,
foi quando recorremos ao suporte da Siemens e o problema foi superado.
O atraso acabou sendo minimizado devido a outros fatores do start
up das máquinas.
Ao comparar o trabalho realizado em Paranaguá e em Campo Mourão,
Hugo ressalta que foram sete anos de distância tecnológica.
Naquela época, a grande polêmica era qual o tipo
de rede deveria ser adotada, hoje podemos observar que a escolha do
padrão Profibus foi acertada. Somente a SHW já instalou
mais de 850 instrumentos e dispositivos em Profibus e 490 em AS-I,
diz.
Ele ressalta que, para o projeto atual, a preocupação
da Coamo era escolher um produto mais poderoso, com a maior garantia
de estabilidade nas operações e de custo acessível
de engenharia. Foram considerados pela Cooperativa, na hora de definir
o novo projeto, requisitos como o de atender as diversas Unidades
(nova e já existentes); ser voltado para controles de processo;
possuir ferramentas de controles avançados e otimização
de processo; ter redundância em duplo anel no chão de
fábrica e na supervisão; ser compatível com a
Rede Profibus, apresentar alta performance e ser robusto, .
Com a escolha do PCS 7 a Coamo se beneficia de uma ferramenta
voltada para controle de processo. Neste projeto, pudemos implementar
o controle da concentração da miscela graças
às facilidades de configuração e observação
dos gráficos de tendências, enfatiza Hugo.
A sala de controle da fábrica está baseada numa concepção
de projeto que utiliza redes de comunicação Ethernet
em fibra ótica, com servidores que coletam dados de processo
e as CPUs, que processam todos os dados. Tudo com redundância.
Tenho o controle e a garantia de que esta automação
não vai me deixar na mão. Isso porque, em caso de falha
ou perda de uma eu tenho sempre o correlato para poder manter tudo
funcionando, enfatiza o encarregado da Coamo.
Em projetos com o Simatic PCS 7, como na Coamo, as funções
de visualização da planta são realizadas no Simatic
PCS 7 OS (Estação de Operação), em uma
base única de dados para Controle e Visualização,
gerando de maneira automática os objetos de visualização
(OS Faceplates) para os objetos de controle, como reguladores PID,
motores, válvulas, etc, além de gerar a navegação
das telas automaticamente a partir da modelagem física da planta
(Plant View ).
Na sala de controle, apenas os monitores, os teclados e os mouses
ficam expostos para os operadores. Lá estão os computadores
que fazem a visualização e operação do
processo, e mais uma estação de Engenharia, para configuração
e diagnóstico do sistema.
Os dois micros que desempenham a função de servidores
também são utilizados para controle de operação.
Por isso, existem quatro computadores com telas de processo
e uma máquina que é a estação de engenharia,
responsável por toda a parte de programação,
diz André. Dois operadores e mais um encarregado ficam na sala,
e cada unidade possui um operador em campo fazendo a supervisão
in loco.
De acordo com André, a Coamo também se beneficia de
uma outra vantagem: a utilização de fibra ótica.
Segundo ele, isso não é novidade nas indústrias,
mas ainda existe uma mística em termos de custos.
A fibra ótica é muito mais confiável e
segura na transmissão de dados por não sofrer interferências
do meio. Começamos a aplicá-la mais recentemente, sendo
esta a primeira planta completa em fibra ótica, diz.
A fibra ótica é utilizada na integração
dos processos entre mestres, escravos e computadores da Coamo. A parte
de campo continua utilizando cabos convencionais. Tudo o que
eu posso fazer em fibra ótica eu estou fazendo em função
da garantia de confiabilidade, explica. A integração
dos links que convertem duas fibras óticas para um canal de
comunicação só, para aplicação
nos painéis, são contratempos que estão sendo
resolvidos pela Siemens.
A parte elétrica da fábrica conta com painéis
em CCM inteligentes e utilizam Soft-Starts, inversores de freqüência
e Simocodes, que já atendem à nova norma ABNT, tendo
painéis com ensaio de tipo (PTTA), testados e homologados.
No que se refere a automação, daqui pra frente
é só aproveitar os recursos porque eu tenho toda a fábrica
- seja ela produtiva ou elétrica na mão. Tenho
como visualizar o meu processo de uma maneira mais profunda e assim,
controlá-lo melhor, explica André.
A fábrica da Coamo funciona 24 horas por dia, 365 dias por
ano, contando com programações de parada que dependem
de todo um gerenciamento. Também acompanhamos todos os
equipamentos mecânicos e elétricos através de
softwares da manutenção. Desta forma, conseguimos estipular
perdas de eficiência, prever quebras ou antecipar danos e assim
dimensionar o tempo de parada, diz. Em média, a Coamo
realiza uma parada de 30 dias para reparos a cada um ano e dois meses.
Na Coamo, também as áreas de hidrogenação
e margarina foram automatizadas recentemente. São fábricas
que têm menos de cinco anos de automação. Já
a refinaria, tem cerca de 10 anos de automação, e também
utiliza soluções Siemens. Hoje estamos estudando
um up grade da parte física - hardware. Isso porque existe
uma tendência de mercado onde tudo se atualiza na mesma velocidade
que os computadores e as máquinas. Assim, somos obrigados a
fazer isso também para não ficarmos desatualizados,
ressalta André.
|
| LEIA MAIS NA EDIÇÃO IMPRESSA |
|
News
Cenpes estimula pesquisa em Sergipe
Policom e o novo distribuidor da Micronet no Brasil
SMARTtech ganha seis novas empresas
Market
Siemens lucra R$ 5,9 bilh"oes em 2004
ABB comemora 50 anos da tecnologia HVDC
UFBA e Rockwell Automation: 1º Centro de Capacitação
Tecnológica em Automação Industrial do Nordeste
Elipse e Atos fecham acordo de cooperação
Ecil completa 75 anos
Flash
Balanço da Automation Fair 2004
Brasil prepare-se para avanço da Nanotecnologia
Yokogawa realiza encontro de Usuários de Sistemas
Especialistas da Endress+Hauser participam de mais um treinamento
Todos na estrada |
|