Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 99 – Dezembro de 2004
Cover Page I
Otimismo: Resultados favoráveis revelam perspectivas positivas para 2005
Lacerda: crescimento econômico é o grande impulsionador dos investimentos

A estabilidade econômica alcançada em 2004 traz novas e boas perspectivas para o setor de automação industrial brasileiro. Mais confiantes, empresas de diversos setores mostram que estão dispostas a iniciar um novo ciclo de investimentos, onde a atualização tecnológica deve ser ponto chave para a modernização. Atentas, as empresas fornecedoras de soluções, instrumentos e equipamentos para automação industrial aguardam o tão esperado momento.

Na realidade, diversos fatores ainda são necessários para fazer com que uma empresa sinta-se segura para investir. Não se pode correr grandes riscos ! Afinal, além de tempo, investimentos demandam incentivos e... baixa taxa de juros, disponibilidade de créditos, estabilidade econômica, entre outros fatores. O importante é saber que, aos poucos, esta segurança está se consolidando.

Dados divulgados recentemente pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) mostram que o setor eletroeletrônico, por exemplo, alcançou em 2004 um faturamento de R$ 79,5 bilhões, o que reflete um crescimento real de 11% em relação a 2003 - descontando a inflação.

“Se olharmos para as últimas três décadas, dificilmente teremos a combinação alcançada em 2004: crescimento econômico, inflação controlada, contas públicas em relativo equilíbrio e contas externas superavitárias”, ressalta o diretor da área de Economia da Abinee, Antonio Corrêa de Lacerda. “É uma excelente base para que o crescimento não seja apenas uma bolha em 2004 e possa se sustentar em 2005”, diz.
A previsão é de que, em 2005, o setor eletroeletrônico alcance um crescimento nominal de 18%, elevando o faturamento para cerca de R$ 94 bilhões. Segundo o presidente da Abinee, Ruy de Salles Cunha, esse crescimento deve contar principalmente com a participação das áreas de Telecomunicações, de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e de Informática.

Ao fazer uma análise, Lacerda lembrou que o desempenho do PIB brasileiro em 2004 apresentou um crescimento de 5%. “É o dobro da média dos últimos anos onde o Brasil teve crescimentos entre 2% e 2,5%”. Mas, também é preciso lembrar que, embora esse crescimento esteja próximo da média de crescimento mundial, ele ainda está aquém de taxas de países em desenvolvimento como China, Índia, Rússia e Coréia do Sul, que estão crescendo em média 7% e 7,5%.

Acreditando num melhor desempenho em 2005, o 1º vice-presidente e diretor da Área de Automação Industrial da Abinee, Nelson Ninin, ressaltou que “o ideal seria que o setor industrial brasileiro ampliasse seus investimentos em 25% para acelerar a modernização da base instalada do país”. Segundo ele, o Brasil possui uma base industrial que necessita principalmente de uma atualização tecnológica nas áreas de instrumentação e automação. “À medida que o país está exportando mais e precisa ser mais competitivo, ele precisa investir mais”, explica.

De acordo com Lacerda, o país tem todas as condições de atingir 22% de crescimento nos investimentos em 2005. “É uma taxa bastante próxima da considerada ideal”. O diretor também ressalta que “crescimento econômico também é um motivador para os investimentos e se tivermos alguns ajustes na política macroeconômica brasileira, este cenário tende a se consolidar”. Na lista dos principais ajustes figuram temas já bastante discutidos pelo setor industrial nacional, como taxa de câmbio, taxa de juros - elevada, e desoneração tributária - tanto dos investimentos quanto do consumo. “Isso é importante porque o crescimento econômico vai abrir espaço para desonerar tributos. Para outros fatores, o próprio crescimento econômico traz solução e rumo, como o crescimento do emprego, da renda – com a recuperação dos salários, e o espaço para ampliação de créditos e financiamentos”, explica.

Segundo ele, as pré-condições estão dadas e muito provavelmente o país terá espaço para manter este crescimento em 2005 (algo muito próximo de 4,5% a 5%), principalmente se não houver nenhuma alteração brusca no cenário internacional.

“Apesar de sempre existirem algumas dificuldades localizadas, esse quadro internacional dificilmente vai impedir que o Brasil cresça. Caso as coisas sejam bem feitas, o país poderá - num médio prazo - recuperar taxas de crescimento históricas, da ordem de 7% ao ano, que é o desejável para a geração de emprego e renda suficiente para absorver novos trabalhadores e reduzir o nível do desemprego”, explica Lacerda.

Segundo a Abinee, embora o ano de 2004 tenha sido melhor que 2003, setores ligados diretamente a bens de capital, como as áreas de equipamentos e automação industrial, tiveram um comportamento modesto se comparados com as necessidades de investimentos do país. O setor de automação industrial cresceu cerca de 16% em relação a 2003.

(da esq. p/ dir.) Ruy de Salles Cunha, presidente da Abinee e Nelson Ninin, diretor da área de Automação Industrial da Abinee

“Vejo com muito otimismo a previsão de investimentos, acho que no geral ele está crescendo muito, tanto em modernização quanto em expansão. O investimento tem tudo a ver com crescimento da demanda”, diz Lacerda. Segundo ele, “quando as empresas se sentem seguras de que a demanda vai crescer, seja para o mercado interno ou externo, elas tendem a realizar investimentos. Nós temos no setor eletroeletrônico, por exemplo, várias áreas que estão em franca expansão”, enfatiza.
O comportamento da indústria de bens de capital reflete bem a desconfiança do setor produtivo quanto à consistência do crescimento do país, provavelmente em função de tempos passados. Nas últimas duas décadas verificou-se a alternância de curtos períodos de crescimento com períodos de estagnação, colocando em dificuldades aqueles que investiram.

Apesar da avaliação positiva de diversas áreas, a indústria conviveu, em 2004, com fortes pressões de custos, decorrentes dos aumentos de preços de produtos siderúrgicos, metais não-ferrosos, materiais plásticos, entre outros. Além disso, o setor experimentou um novo crescimento da carga tributária com o aumento da PIS/Cofins. Eis o grande desafio do setor produtivo nacional: fazer com que os fatores impeditivos da modernização e do crescimento sejam menores do que os de incentivo. É preciso acreditar que, mesmo com algumas dificuldades, vale a pena crescer!

Quando o assunto é investir ...

Segundo a Abinee, no Brasil, existem hoje cerca de 200 empresas que compõem o segmento que fornece produtos e serviços de automação, sistemas e instrumentação, sendo cerca de 70% de capital nacional e 30% internacional. Com isso, aproximadamente 3,6 mil postos de trabalho são gerados pelas empresas do segmento - 40% ocupados por profissionais de nível superior.

Segundo Nelson Ninin, setores como o petroquímico, siderúrgico, de papel / celulose e farmacêutico destacam-se entre os que mais se preocupam com a competitividade, produtividade o padrão de qualidade para exportação, investindo na modernização de seus parques industriais.

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