| Edição 224 – Fevereiro/Março de 2001 |
| Um bom tratamento começa na especificação |
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Na hora de escolher um revestimento, é importante
que o usuário ou projetista detalhe sua especificação. Isso poderá influenciar
nos custos e otimizar o desempenho final. “O usuário deve considerar as
condições de trabalho a que o equipamento vai ficar exposto”, alerta Alberto
Araújo da Silva, diretor da Super Finishing, empresa atua no segmento de
tratamento de superfícies. Para Paulo Saverio Solimene, gerente técnico
comercial da KCH Ancobras, os revestimentos devem ser dimensionados em função
da ação química, abrasiva, térmica e mecânica a qual está exposto o equipamento
ou superfície. O estudo do ambiente compreende o conhecimento das substâncias, suas características corrosivas e os percentuais constantes na concentração. É necessário também conhecer o tipo de superfície, o equipamento e sua operação, e especificar a quais temperaturas e solicitações mecânicas estarão sujeitos os revestimentos. “O usuário não deve se esquecer de incluir o sistema de limpeza na especificação, pois há o risco de, na hora de limpar uma superfície, as substâncias utilizadas serem agressivas ao revestimento”, alerta Solimene. Além de proteger as instalações, o revestimento anticorrosivo deve ter impermeabilidade, boa aderência ao substrato, boa trabalhabilidade de todos os componentes associadas à durabilidade, baixa manutenção e uma relação favorável entre custos e benefícios. E cada tipo de revestimento possui limitações quanto ao tipo do produto, sua concentração e temperatura. Segundo o gerente da Ancobras, os revestimentos mais utilizados pelas plantas petroquímicas e refinarias são o plástico reforçado com fibra de vidro – PRFV, cerâmicos, borracha, e eventualmente as resinas monolíticas. O revestimento cerâmico é mais indicado para resistir a ataque intenso em relação à concentração do produto. Também resistente a atritos, é normalmente utilizado em pisos, canaletas, tanques e reatores de processo. Já o plástico reforçado com fibra de vidro – PRFV é mais indicado para situações que envolvem resistência química e ações térmicas. São normalmente usados em equipamentos, torres, tanques, pisos e canaletas, para proteção externa de estruturas de concreto ou aço. As resinas geralmente empregadas são epóxi ou éster–vinílica. O primeiro tipo objetiva a resistência mecânica. A resina éster–vinílica já é mais utilizada para suportar esforços mecânicos, químicos e térmicos. Esse tipo de revestimento é indicado para pisos, principalmente devido à sua função estética. “A demanda de por revestimentos de alto desempenho para pisos industriais vem crescendo nos últimos anos, tendo em vista sua função estética”, avalia Solimene. Para assentamento e rejuntamento de cerâmicas, normalmente é utilizada a argamassa, que possui elevada resistência química e poder de adesão. Esse tipo de revestimento, além de servirem como camada base para outros revestimentos, também podem ser usados em tanques de estocagem. Outra vantagem, tanto da argamassa quanto das resinas e do PRFV, é não apresentar emendas ou juntas. Esse tipo de revestimento, denominado monolítico, é menos suscetível a penetrações e falhas do que revestimentos cerâmicos ou borracha, onde há necessidade de uma soldagem. Mas a borracha também possui suas particularidades: apesar da baixa resistência mecânica, sua grande vantagem é a elasticidade. Por isso, é recomendada para tanques de processo ou de estocagem, reatores e dutos. Pode ser utilizada também como uma camada protetora para revestimentos cerâmicos. Alberto Araújo, da Super Finishing, destaca uma inovação tecnológica: a utilização do níquel químico por interdifusão. Esse tipo de proteção anticorrosiva vem sendo muito utilizada em equipamentos offshore. Preparo da superfície Outra questão crucial para um tratamento anticorrosivo é o preparo da superfície a ser protegida. O conhecimento do equipamento permite otimizar o desempenho do revestimento. Em concreto, não há uma norma que defina padrões de limpeza, mas as superfícies de aço devem seguir algumas normas de preparo. Para substratos de aço, Paulo Solimene, recomenda um jateamento abrasivo que crie uma rugosidade de 75 micras, deixando a superfície isenta de impurezas e com as soldas desbastadas – além de observar a espessura mínima do aço. A superfície de concreto deve ser limpa através de um frezamento ou jateamento captivo. Também deve estar seca – umidade não superior a 3%. Se o concreto é novo, com grau de contaminação menor, o jateamento é importante para remover a nata de cimento, que pode mascarar falhas. Em aplicações petroquímicas, além dos revestimentos internos aos equipamentos, tanques e dutos, outra preocupação é a proteção externa. Nesse caso, a exposição a variações climáticas exige uma proteção diferenciada. Comumente utiliza–se um jateamento de areia molhada seguida de uma pintura de óxido de ferro adicionada de cromato de zinco. Após essa primeira camada, aplica–se uma ou duas camadas de resina epóxi e uma pintura final à base de poliuretano. Uma variação recomendada por Solimene é o uso de revestimento aditivado de escamas de vidro, o que aumenta a impermeabilidade das resinas. Para Paulo Solimene, é fundamental que o usuário, ao escolher uma prestadora de serviço, observe a tecnologia utilizada e a tradição de mercado da empresa. “É importante observar quem dá o respaldo tecnológico. O usuário também pode ter como referência outros serviços prestados pela empresa.”. Alberto Araújo também chama a atenção para o portfólio de serviços prestados. “ O cliente tem que estar atento ao currículum e as certificações de qualidade da empresa”. |