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O pais prepara-se para receber
o maior montante já investido nos setores de óleo, gás e petroquímico.
Nos próximos dez anos, serão US$ 100 bilhões. Isso sem contar os investimentos
em geologia e petroquímica.
Só a Petrobras irá investir US$ 29,4 bilhões até 2005 – mais de 80% desse
valor será alocado no Brasil. A maior fatia será destinada à exploração
de blocos e ao desenvolvimento da produção – o restante será dividido
entre refino, transporte, comercialização, gás natural e petroquímica.
Some-se a isso o montante que será despejado pelas 41 concessionárias
– seis nacionais e 35 estrangeiras – em exploração e desenvolvimento de
produção dos blocos exploratórios, e pelas seis dezenas de empresas que
deverão arrematar os campos maduros que estão sendo leiloados pela Petrobras
e pela Agência Nacional do Petróleo.
Ainda há um investimento de US$ 4,7 bilhões, previsto pelas indústrias
petroquímicas e químicas para os próximos cinco anos, enquanto o orçamento
da CPRM, sem contar subsídios de fundos especiais, é de R$ 132 milhões
para geologia.
Progap: Quase 1 bilhão investido em dois
anos
Lançado pelo BNDES em 1999, o Programa de Apoio
a Investimentos em Petróleo e Gás – Progap completa, em julho próximo,
dois anos e já pode comemorar uma carteira com cerca de 20 operações de
investimentos, na ordem de R$ 702 milhões, que serviram para estimular
o setor, a exemplo do que já vem ocorrendo no Reino Unido e na Noruega.
Entre os anos de 1999 e 2000, os investimentos somaram R$ 679 milhões
e, para este ano, a estimativa é que a demanda estimule ainda mais a procura
pelo Progap. Como já era esperado, o programa deve receber uma maior parte
dos recursos nos próximos anos, já que ele tem como objetivo apoiar a
implantação, ampliação e modernização de empreendimentos do setor de petróleo
e gás, estendendo-se por toda a cadeia produtiva: desenvolvimento da produção
de campos de petróleo e gás natural, refinarias, dutos e usinas termelétricas,
segundo dados do BNDES.
O banco tem uma postura muito clara sobre a necessidade deste porte de
investimento, levando em consideração que o segmento de desenvolvimento
de campos de petróleo e gás, particularmente os situados em águas profundas
é, entre outros, o mais exposto à concorrência externa. Na medida em que
o petróleo é uma commodity com elevada liquidez, as decisões de investimento
nestes campos serão baseados em parâmetros internacionais de preços, custos,
qualidade e confiabilidade. As operadoras e o main-contractors operam
com redes próprias de fornecedores com as quais já dispõe de longa experiência
de trabalho conjunto. Os contratos tendem a ser feitos em bases turn-key,
com pouca margem para absorver custos inesperados. Existem financiamentos
fartos e baratos para aquisição de bens e serviços no exterior, uma vez
que o risco de conversibilidade pode ser coberto pelas agências locais
de crédito a exportação. Atualmente, as taxas de juros dessas agências
para a venda de equipamentos para o Brasil situam-se no patamar de 10%
ao ano sobre o dólar americano. A eficácia do apoio do BNDES aos fornecedores
brasileiros de bens e serviços nesse mercado dependerá basicamente da
capacidade do banco prover recursos competitivos, ou seja, os prazos e
níveis de participação condizentes com as compras feitas no país e quando
se fizer necessário, denominados em dólar americano. Nesse contexto, criou-se
o Progap.
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Desenvolvimento geológico
A função da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais
– CPRM tem sido a de geração e difusão do conhecimento geológico e hidrogeológico.
Segundo seu diretor de geologia e recursos minerais, Luiz Augusto Bizzi,
a empresa tem uma base de conhecimento que serve como catalisador para o
desenvolvimento sustentável do país. “Depois de mapear, temos como missão
fazer com que as informações cheguem aos usuários”, afirma Bizzi, que veio
da iniciativa privada, de uma multinacional que explora diamantes.
Para quem conhece, um mapa apresenta vários níveis de informação e a linguagem
que os geólogos usam para se comunicar é muito eficiente. Os mapas da CPRM
estão sendo progressivamente migrados para GIS — Sistema Geográfico de Informações
onde se pode clicar em qualquer lugar e a tela mostra uma infinidade de
dados: a CPRM vem trabalhando para ser reconhecida como principal fonte
de referência do conhecimento geológico e hidrogeológico e mesmo como agente
estratégico do desenvolvimento sustentável. Bizzi acredita que o serviço
geológico já é reconhecido mas quer afirmar isso com alguns esforços em
termos de definir os padrões principais de desenvolvimento do conhecimento
geocientífico.
“Universidades podem tomar a dianteira em conhecimento tecnológico em geologia.
Estamos monitorando esse desenvolvimento e colocando o serviço geológico
como órgão que vai fomentar e participar ativamente no desenvolvimento das
geociências em torno de linhas de pesquisa específicas, voltadas a desenvolvimento
sustentado de médio e longo prazos”. Essa postura remete, também, ao papel
de liderança do Serviço Geológico Brasileiro na América do Sul.
O Programa Nacional de Hidrologia é desenvolvido em paralelo às pesquisas
geológicas, usando os dados gerados por estas últimas como base, mas está
muito mais focado em fluxos hidrogeológicos de águas subterrâneas e de subsuperfícies,
com medição físico-química inclusive. A ênfase deste programa está no NE
para o conhecimento da qualidade das águas e disponibilidade hídrica superficial
e subterrânea. Esse programa monitora e determina ainda o que seriam condições
típicas e atípicas das águas. O Programa Nacional de Gestão Territorial
inclui o levantamento de informações básicas do meio físico para subsidiar
os programas governamentais de ordenamento territorial, estudo multidisciplinar
que, baseado não apenas nas propriedades físicas do solo e das rochas mas
também da biosfera, estabelece a interface entre esses sistemas e como uma
ação entrópica atinge de maior ou menor forma cada um desses aspectos.
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País precisa investir em especialidades
A grande demanda de investimentos no setor químico reside nas especialidades
químicas. “Estamos fazendo o feijão com arroz muito bem: temos uma escala
boa nas resinas poliolefínicas. O que está faltando são os produtos especiais”,
analisa Jean Daniel Peter, presidente do Sindicato das Indústrias de Resinas
Sintéticas no Estado de São Paulo – Siresp.
Mas para que um investimento desse tipo saia do papel, é necessário que
a demanda e os custos sejam viáveis. Para uma planta de poliolefínicos que
custa US$ 100 milhões, por exemplo, o faturamento alcança os US$ 100 milhões
– um faturamento de 1:1. Quando o assunto é especialidades, o investimento
é classificado como alto risco, principalmente porque o faturamento é de
2:1 ou 3:1. A planta de HEC que a Union Carbide implantou no Brasil no início
dos anos 80, custou US$ 55 milhões, para uma venda de US$ 25 milhões. “O
investimento é alto, para um faturamento bem menor, e são projetos de pay
back superior a 10 anos”.
Muitos desses projetos também dependem de matérias–primas derivadas do eteno,
como o óxido de eteno e alguns tipos de solventes, que podem ter preços
altos. “Há demanda de produtos químicos que não são produzidos por esses
fatores”, explica Jean Peter.
E aí reside parte do déficit da balança comercial – este ano o resultado
negativo vai beirar os US$ 7 bilhões. Segundo cálculos da Associação Brasileira
da Indústria Química – Abiquim, seriam necessários US$ 3 bilhões em investimentos
para reverter essa a tendência de déficit crescente – a indústria está investindo
entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão.
O setor petroquímico concluiu importantes projetos durante 1999, como a
duplicação da capacidade de produção de eteno da Copesul, que consumiu investimentos
de US$ 700 milhões e possibilitou a entrada em operação das novas plantas
da Ipiranga, com investimento total de US$ 205 milhões, e da OPP, de US$
180 milhões.
Pelos dados da Abiquim, até 2005 as indústrias investirão US$ 4,7 bilhões.
A maior parcela do investimento está prevista para este ano, com destaque
para o investimento de US$ 550 milhões da Monsanto em uma nova unidade de
glifosato, e o de US$ 203 milhões da Polibrasil na nova planta de polipropileno
em São Paulo.
Em 2001, o Brasil ampliará consideravelmente a capacidade de produção de
poliestireno com três investimentos concluídos, da Basf, da EDN-Sul e da
Videolar.
Os destaques para o ano que vem são expansão da capacidade produtiva de
estireno e etilbenzeno, da CBE, que demandará investimentos de US$ 100 milhões,
a ampliação da Petroquímica União, onde serão investidos US$ 100 milhões,
a nova planta de PET da Rhodia Ster (100 mil toneladas/ano), que prevê US$
40 milhões, além da ampliação da Copene, de US$ 150 milhões – ainda em estudo.
Para 2003, o principal projeto é a instalação do Pólo Gás químico do Rio
de Janeiro, que está sendo construído em Duque de Caxias / RJ, aproveitando
o gás natural da bacia de Campos – um investimento de US$ 1 bilhão.
Ainda em compasso de espera, estão dois empreendimentos em que a Petrobras
participa como acionista. O primeiro é um projeto de produção de ácido acrílico
em parceria com a Basf – orçado em R$ 300 milhões. Ainda sem localização
definida, o projeto consiste na produção de 110 mil toneladas de propeno
na Refinaria Henrique Lage, que servirá de matéria–prima para a Basf produzir
ácido acrílico.
O empreendimento que a Petrobras tem firmado com a Odebrecht é a sociedade
na Companhia Petroquímica Paulista, que terá uma fabrica de polipropileno
em São Paulo e uma unidade de polietileno ainda sem local definido. Os dois
projetos consumirão cerca de US$ 1,2 bilhão. |
Recursos para pesquisa
O Plano Nacional de Ciência e Tecnologia de Petróleo
e Gás Natural – CTPetro é o primeiro dos fundos setoriais que entrou em
operação, no modelo que permitiu ao Governo ter fontes estáveis de financiamento
ao desenvolvimento científico e tecnológico. “O novo modelo vinculado às
privatizações determina que, ao serem assinadas as concessões, as empresas
destinem um percentual de sua receita para o Fundo Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico – FNDCT”, explica Rogério Amaury de Medeiros, coordenador
setorial de Petróleo, Gás e Petroquímica da Financiadora de Estudos e Projetos
– Finep. Estamos falando de uma receita anual média de R$ 150 milhões para
o desenvolvimento científico e tecnológico vinculado ao setor de óleo e
gás. Esse orçamento é distribuído com base nas orientações do Comitê de
Coordenação, regido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e composto por
representantes dos outros ministérios envolvidos – no caso do CTPetro, o
Ministério das Minas e Energia, a Agência Nacional de Petróleo, os agentes
financeiros do MCT (Finep e CNPq), dois representantes do meio acadêmico
e dois do representantes do meio empresarial. “Essas diretrizes geram os
temas preferenciais para a escolha dos projetos, feita pela Finep e CNPq,
que têm know how para isso. Eles discutem a filosofia e nós apresentamos
os instrumentos de ação. Já praticamos diversos modelos e estamos sempre
aperfeiçoando esse processo”, explica Medeiros. |