Edição 227 – Junho de 2001
 Segmento de qualidade!

Barbosa: um sistema bem implantado interfere positivamente em qualquer segmento

Integrar os sistemas de gestão ou partir para o Prêmio Nacional da Qualidade? Esses deverão ser os próximos passos da indústria petroquímica, uma vez que a norma ISO 9000 já está bem internalizada pelo setor petroquímico e químico. Para se ter uma idéia da dimensão, cerca de 95% das indústrias do setor já estão certificados pela norma. “O setor está esmerado na questão da qualidade”, comemora José Simantob Netto, coordenador da Comissão de Qualidade da Associação Brasileira das Indústrias Químicas – Abiquim.
“Desde o início da busca à implantação de Sistemas de Gestão no Brasil, as indústrias químicas e petroquímicas tiveram uma forte participação alavancadora”, corrobora Samuel Barbosa, gerente de novos negócios da DNV, uma das maiores certificadoras de Sistemas de Gestão no país.
Isso porque um Sistema de Gestão bem implantado, não simplesmente para satisfazer os requisitos da norma, mas para ser usado como ferramenta de gerenciamento, interfere positivamente em qualquer segmento produtivo. “Basta que nos concentremos em determinadas rotinas que devem ser estabelecidas para atendimento a exigências da ISO que, se bem aplicadas, invariavelmente trazem bons resultados”, explica Barbosa.
Segundo o gerente, essas rotinas devem ser estabelecidas visando um melhor entendimento na relação cliente / fornecedor; um aumento na inter-relação entre departamentos; a utilização sistemática de meios de controle, com o registro de problemas, sua conseqüente investigação e posterior tomada de ações para neutralizá-los; e o início de uma metodologia de auto-avaliação periódica através das auditorias internas. “Com isso, com certeza o processo produtivo da empresa poderá experimentar melhorias que chamaríamos indiretas, em decorrência de uma melhoria direta ocorrida na administração da organização”.
Para Simantob, o próximo passo deverá ser estudado pela própria empresa, observando qual a sua prioridade. “Cada empresa é um caso”. Enquanto algumas empresas buscam o PNQ, outras começam a integrar os Sistemas de Gestão da Qualidade com Meio Ambiente, Segurança e Saúde. “Ao invés de termos um monte de papéis, integramos os sistemas”, explica o coordenador.
Simantob coordena a Comissão Consultiva de Qualidade da Abiquim, que tem por objetivo estimular e apoiar as empresas do setor no aprimoramento dos seus processos de gestão através da implantação da Norma ISO 9000 na busca da otimização de resultados, mobilizar os associados a aderirem ao PNQ, e apurar indicadores da qualidade para estimular a prática do benchmarking.
Quem já integrou seus sistema da qualidade, saúde, segurança e meio ambiente garante que a gestão integrada proporciona melhoria dos resultados e gera harmonia organizacional. “Estes sistemas têm uma sinergia muito grande, com a característica comum e importante de serem sistemas que requerem a melhoria continua. Assim sendo, a integração permite que se possa ter uma simplificação e racionalização desses processos, fazendo com que um esforço realizado, sempre esteja atendendo a diversos requisitos dos três sistemas”, explica Nelson de Assis Christianini, gerente de Qualidade, Saúde, Segurança e Conservação Ambiental da Polibrasil.
Para Claudemir Peres, gerente da área na Oxiteno, a gestão por especialidades tornou-se um contra senso nas modernas organizações, onde valorizam-se atividades de integração, simplicidade, criatividade, análise de valor, multifunção e redução de custo. “As pessoas devem trabalhar e estruturar seus trabalhos de modo integrado e não restringindo as suas preocupações ora para Qualidade, ora para o Meio Ambiente”.

Simantob: “O setor está esmerado na questão da qualidade”

Na OPP a integração dos sistemas de gestão vem sendo implementada desde 1998 e tem apoiado a obtenção de vários resultados concretos de melhoria de desempenho. “Esse sistema apresenta a vantagem de reduzir a carga documental, de equilibrar o poder dessas funções na gestão do negócio e de focar mais fortemente a obtenção de resultados”, conta Jorge Soto, gerente das áreas de Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança da OPP Química.
Para Soto, a estrutura do Sistema de Gerenciamento Integrado pode ser aplicada a qualquer tipo de negócio e inclusive ser utilizada como base para a elaboração de uma norma internacional que integre a qualidade, o meio ambiente, a saúde e a segurança. “O meio ambiente, a saúde e a segurança podem ser observados como subconjuntos da qualidade e, portanto, podem ser abordados sob a ótica da gestão da qualidade. Assim, a integração entre os sistemas, se conduzida de forma a reduzir os efeitos do aumento da entropia nas práticas da empresa, pode levar a um sistema mais simples, mais eficaz e mais focado em resultados que os demais sistemas individuais”.
Esse paradigma foi a base para que profissionais de diversas áreas da OPP (qualidade, meio ambiente, saúde, segurança, recursos humanos, manutenção, produção, assistência técnica, expedição e laboratório) se reunissem a fim de definir um novo sistema que levasse em consideração o ciclo PDCA – ciclo da melhoria contínua Plan, Do, Check, Act –, a Tecnologia Empresarial Odebrecht, todas as práticas da qualidade, meio ambiente, saúde e segurança existentes na empresa, e que pudesse incorporar outras ferramentas de gestão que a empresa viesse a adotar no futuro.
Segundo Soto, a estrutura do Sistema de Gestão Intregrada por processo, ao contrário da visão anterior – por sistema ou por norma – garante a flexibilidade do Sistema à incorporação de outras ferramentas de gestão que se deseje implementar. Também garante a possibilidade de estender o critério definido por uma ferramenta específica para todo o sistema, não importando qual a fonte. “Há vários exemplos nesse sentido: a análise crítica periódica da documentação da ISO 14001, a consulta da OHSAS 18001, e a análise dos possíveis impactos antes da implementação de ações corretivas ou preventivas da OHSAS 18001”.
Atualmente o Sistema da OPP já contempla o atendimento da ISO 9001 (ABNT, 1994), QS 9000 (AIAG, 1998), ISO 14001 (ABNT, 1996), OHSAS 18001 (BSI, 1999) – em substituição à BS 8800 (BSI, 1996) e do Programa Atuação Responsável (Abiquim, 1994 a 1997).
A OPP implementou seu Sistema de Garantia da Qualidade, utilizando a ISO 9001 entre 1990 e 1995. Desde então, estuda os critérios do PNQ. “Já obtivemos o Prêmio Qualidade Bahia e o Prêmio Gaúcho da Qualidade, nas suas três categorias (bronze, prata e ouro). Estamos definindo o melhor momento para a inscrição no PNQ da empresa como um todo”.
Mesmo não tendo como meta imediata o Prêmio Nacional da Qualidade, a Polibrasil adota como referência os critérios de excelência utilizados para o prêmio e é socia mantenedora da Fundação.
Segundo Christianini, “a tradição de qualidade da Polibrasil, aliada a implementação do ‘Total Quality Management’ fez com que o processo de certificação ocorresse sem maiores dificuldades em 1993, entretanto nos trouxe uma concentração alta de documentos e burocracia.
A entrada da Norma ISO 14.000 nos ajudou a verificar a possibilidade da simplificação dos nossos processos e a conseqüente redução de documentos e burocracia.


Christianini: integração permite racionalização de processos
Em 1992 a Polibrasil fez uma analise crítica do seu Sistema da Qualidade, que foi baseado no Total Quality Management, verificando que já tinha estrutura e maturidade para ser certificado de acordo com os requisitos da Norma ISO 9001. Em 1993 – ano da certificação – tornou-se signatária do Programa de Atuação Responsável da Abiquim e iniciou a implementação de Sistemas de Gestão em Saúde, Segurança e Meio Ambiente com base nos códigos deste programa. “No ano passado observamos que o nosso Sistema de Gestão Ambiental já possuía uma estrutura de acordo com os requisitos da Norma ISO 14.001 e desta forma decidimos também certificar o Sistema de Gerenciamento Ambiental, o que ocorreu no inicio do ano 2000”, conta Christianini.
Com estes dois Sistemas implementados e certificados, a Gerência verificou que o Sistema de Saúde e Segurança também já estava no formato de um Sistema de Gestão com foco em melhoria contínua. “Desta forma fizemos a fusão destes sistemas de forma a termos dentro de um único sistema a total integração. Esta integração também permitiu que nosso sistema de Saúde e Segurança tivesse um formato de acordo com os requisitos da Série OHSAS 18.001 / BS8800, na qual estaremos nos certificando neste mês”, explica o gerente.
Como resultados, Christianini aponta um sistema organizado, com vários processos melhorados e simplificados, e redução de custos e melhoria continua no desempenho medido através de indicadores específicos.
A Oxiteno obteve os seus primeiros certificados ISO 9001 em 1995 para as unidades industriais localizadas em Camaçari / BA e Mauá / SP, Área de Pesquisa e Desenvolvimento – Mauá / SP e Áreas da Administração Central – São Paulo / SP. O escopo definido para estas certificações era a inclusão de todos os produtos e processos existentes em cada local. “Esta decisão foi fundamental para que se estabelecesse um senso comum e abrangente da configuração do Sistema da Qualidade Oxiteno”, conta Claudemir Peres.
Para o gerente, o aprendizado obtido com as certificações permitiu transferir esta tecnologia para as outras unidades industriais da Oxiteno em Tremembé/SP e Triunfo/RS, com recursos próprios e redução no tempo para implementação do Sistema.
Segundo Peres, focando a Certificação, como obtenção de um “diploma”, os resultados diretos estão voltados ao mercado, por meio do reconhecimento de um nível mínimo que garanta previsibilidade à qualidade dos produtos e serviços ofertados. “Facilita a relação técnico / comercial nos processos de qualificação de fornecedores. Focando a Certificação, como processo de implantação de um Sistema da Qualidade, os resultados são muito mais abrangentes. Voltam-se à padronização, divulgação, melhoria, economia, participação e principalmente à potencialização de resultados”.
A base estrutural empregada para o processo de integração na Oxiteno foi a mesma adotada para atender aos requisitos da ISO 9001: itens como Controle de Documentos e Registros, Auditorias Internas, Ações Corretivas e Preventivas, Análise Crítica pela Administração, já se apresentavam estruturados e precisavam apenas de uma ampliação de escopo. “O processo de integração foi inicialmente estabelecido pela atividade de e Análise Crítica pela Administração. Esta estrutura permitiu que a comunicação entre a Alta Administração e as pessoas que compõem o Sistema se tornasse mais ágil e objetiva”, conta Peres.
Numa segunda fase, e talvez a mais crítica, houve trabalho técnico intenso, onde se detalhou e correlacionou os requisitos dos padrões de referência que a Oxiteno se dispunha atender (ISO 9001/94, ISO 9001/2000, ISO 14001/96, QS-9000 / 3ª edição, Atuação Responsável e Boas Práticas de fabricação) com os fluxos de trabalho já existentes na organização. A comparação dos resultados deste trabalho com a real situação da Oxiteno, gerou uma lista de atividades que seriam necessárias para integração dos Sistemas e um Plano de Ação para sua implementação.
E, mesmo que não haja interesse imediato na candidatura ao PNQ, a Oxiteno já utiliza alguns requisitos do Prêmio como referência interna para os seus processos e estuda a possibilidade de utilizar os Critérios de Excelência.

O modelo da gestão da Politeno
Integrar os Sistemas de Gestão não foi a prioridade para a Politeno. A empresa optou pelo Prêmio Nacional da Qualidade, chegando à condição de finalista na edição 2000.
“Hoje temos a convicção de que qualquer empresa deve associar dois importantes aspectos: o primeiro é desenvolver sua própria filosofia empresarial, que pode se basear em diversos modelos existentes. Nós escolhemos o de Gestão pela Qualidade Total e o complementamos com outros programas como o Pró-Vida, a ISO 9000 e o planejamento estratégico. O segundo aspecto é adotar um modelo de avaliação que identifique os pontos fortes e as oportunidades de melhoria, visando a excelência dos processos. É nesse aspecto que o modelo de avaliação do PNQ é o mais adequado para as empresas brasileiras, pois se baseia em conceitos que são válidos mundialmente”, conta Franklin Valente Nicoletti, assessor de Assuntos Estratégicos da Politeno.
Em 1994, a nova direção que acabava de assumir a Politeno decidiu implantar uma filosofia empresarial voltada para a Qualidade Total, visando dar um salto de excelência nos seus processos e resultados. O primeiro passo foi a certificação ISO 9000, que implantou procedimentos para garantir ao cliente a qualidade do produto que estava adquirindo. “Como apenas a ISO 9000 não era suficiente para a excelência dos processos da Politeno, a diretoria decidiu pela adoção do modelo de Gestão pela Qualidade Total, designado internamente de Qualidade Total Politeno – QTP, que tem como objetivo disseminar a cultura da excelência na organização, promover a ampla participação dos empregados, visando alcançar os melhores resultados para todas as partes interessadas”, conta Franklin.
A partir daí foram sendo implantados os diversos programas que compõem o QTP, visando as diversas dimensões da Qualidade como padronização (ISO 9000), gerenciamento de resultados e melhoria contínua (gerenciamento da rotina, tratamento de anomalias, gerenciamento pelas diretrizes e planejamento estratégico), melhoria do ambiente de trabalho (5S), satisfação dos empregados (Pró-Vida e participação nos resultados), desenvolvimento do trabalho em equipe (CCQ), métodos avançados de solução de problemas (Six-Sigma Black-Belt) e busca da excelência (Critérios de Excelência do PNQ).
“A introdução dos Critérios de Excelência do PNQ na Politeno veio consolidar os diversos programas contidos no Qualidade Total Politeno, estendeu o nosso planejamento estratégico para as necessidades de todas as partes interessadas (clientes, acionistas, empregados, sociedade e fornecedores), identificou diversas oportunidades de melhorias nos processos internos e introduziu o conceito de benchmarking através de comparações dos processos e resultados da Politeno com outras empresas adotadas como referenciais”.
O processo de certificação pela norma ISO 9000, iniciado em 1993 com certificação em 1994, também é para a Politeno uma busca contínua por aperfeiçoamento, uma vez que está obrigada a passar por auditorias semestrais e re–certificações trienais. “Em 1997 fomos certificados pela Norma ISO 9001, que é um aperfeiçoamento da ISO 9002, e, em 2000, tivemos que passar por nova certificação. A certificação pela norma ISO 9000 traz como grande benefício a padronização dos processos que garantem a qualidade do produto aos clientes. Sem a norma, a empresa fica vulnerável a sofrer descontinuidades de qualidade do produto que é entregue aos clientes. Entretanto, a ISO 9000 não garante a sobrevivência da empresa, pois esse não é o seu objetivo. A sobrevivência a Politeno foi buscar no modelo de Gestão pela Qualidade Total, aperfeiçoado pela avaliação do PNQ. Quanto ao meio ambiente, estamos hoje buscando a certificação pela ISO 14001, visando padronizar os processos que garantam a proteção ao meio ambiente. No que tange à Segurança, estamos estudando alternativas de modelos adequados à Politeno”.
Segundo Franklin, a empresa também pretende continuar buscando o PNQ, até como forma de aperfeiçoamento. “A busca pelo Prêmio é uma forma de se identificar as oportunidades de melhoria e implantá-las, portanto, é uma busca permanente. Veja que, mesmo algumas empresas que já ganharam o Prêmio, vencida a quarentena a que têm de se submeter, voltam a concorrer como forma de se aperfeiçoar”.
“Podemos dizer que a Politeno tem um Modelo de Gestão bastante aberto e pronto para introduzir novas metodologias que nos aperfeiçoem e que contribuam para a permanente busca da excelência”, finaliza o assessor.