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A primeira edição da Brasil Offshore,
realizada na cidade de Macaé / RJ entre 6 e 8 de junho, agradou tanto
quem expôs quanto quem organizou e quem visitou. Pelos dados da organização,
nos três dias de evento, cerca de 21 mil profissionais foram conferir
a tecnologia apresentada por 240 fabricantes de equipamentos e prestadores
de serviços. “Surpreendeu-nos a capacidade de uma cidade do interior de
fazer um evento dessa magnitude”, comentou Anthony Garotinho, governador
do Rio de Janeiro.
O governador acrescentou que, mesmo sendo reconhecida internacionalmente
por ser o pólo petrolífero do país, Macaé ficará ainda mais em evidência
com a realização da Feira. Para o diretor–geral da Onip, Eduardo Rappel,
Macaé poderá disputar o título de capital mundial do petróleo com as cidades
de Aberdeen, na Inglaterra, e Stavanger, na Noruega.
O prefeito de Macaé, Sílvio Lopes, se mostrou satisfeito em estar sediando
a feira. “Eventos dessa natureza mostram a pujança do município”, disse
Lopes, que já anunciou a construção de um pavilhão destinado a abrigar
eventos desse porte. “Assim, a continuidade do evento é mais do que uma
necessidade”, conclui a diretora do evento, Sheila Assumpção.
Apesar de problemas com a infra–estrutura do evento, as empresas expositoras
se mostraram satisfeitas com a visitação da Feira.
“A visitação foi boa, apesar dos problemas de infra–estrutura”, sintetizou
Roberto Edegard, da Super Finishing, que esteve expondo a tecnologia de
tratamento de superfícies através de níquel duroquímico. “A infra–estrutura
falhou, mas valeu a pena estar presente nessa Feira”, avaliou Carlos Eduardo,
responsável pelo estande da Hiter, fabricante de válvulas. Para Fabio
Fares, diretor da ForShip, o movimento e a presença de empresas importantes
é um passo para o sucesso da Feira. “Existe um mercado sendo consolidado.
Provavelmente Macaé será a capital internacional do petróleo nos próximos
anos”.
A movimentação também surpreendeu Marcus Coester, diretor de marketing
da Coester, empresa de automação. Houve algumas falhas de infra-estrutura,
compreensível pelo impacto que teve devido ao fluxo de pessoas, bastante
superior ao que estimávamos. Para 2003 essa Feira tem tudo para explodir”.
Para Josie Fernandes, gerente de marketing da Teadit, “sempre é bom participar
de eventos técnicos”. Isso porque, segundo Josie, as preocupações dos
engenheiros são mais específicas do que em outros tipos de eventos.
A Feira também serviu para algumas empresas concretizarem parcerias. “Um
fabricante pode fornecer para o cliente final diretamente ou através de
terceiros. Esses eventos servem para uma aproximação, conhecimento e divulgação
de seu produto às engenharias, ou aos usuários”, avalia Carlos Garcia,
diretor da BS&B, que esteve na Brasil Offshore apresentando seus discos
de ruptura e lançando a válvula by pass para sistemas de flare multiestáticos
por acionamento através de pino calibrado.
“Em função da reorganização da Petrobras, por Unidade de Negócios, se
torna muito importante essa Feira, já que as pessoas que vêm à exposição
são os responsáveis pela operação e manutenção das plataformas, que lidam
com equipamentos no dia–a–dia, têm as dificuldades, e precisam de soluções”,
explica Garcia.
Novidades
Quem visitou a Brasil Offshore pôde conferir algumas novidades tecnológicas
apresentadas pelas empresas expositoras, como as válvulas Choke, produzidas
pela Hiter para injeção de água e gás, utilizada na cabeça de poço. No
mesmo estande, a Crosby apresentava o equipamento de teste de válvulas
de segurança on–line. “Com esse equipamento é possível fazer os testes
com a válvula instalada”, explicou o gerente Carlos Eduardo.
A Sisgraph apresentou novas versões do sistemas SmartPlant Review 4.2,
INtools, SmartPlant P&ID, SmarSketch, e PDS, voltados para a indústria
de óleo e gás. A nova versão do SmartPlant Review, responsável pela revisão
do projeto, simulação de seqüência de montagem e desmontagem, integração
de documentos e efeitos visuais, acessa a Web por intermédio do SmartPlant
Explorer.
A família INtools, conjunto de aplicativos que envolve administração,
desenvolvimento de projetos e manutenção, também trouxe novas características.
“O INtools 5.1é uma solução voltada para o ciclo de vida de uma planta,
capaz de monitorar desde o projeto básico até o mais detalhado, incluindo
manutenção e operação”, observa o gerente técnico da área de Engenharia
& Processos da Sisgraph, André Fregolente.
A nova versão incorpora geração automática de documentos, rápido acesso
e atualização de informações via banco de dados, interfaces OLE e ODBC,
tecnologia Fieldbus e gerenciamento de projetos As-built.
A Alstom trouxe para a Feira seus mais recentes lançamentos na área de
inversores de freqüência: a versão regenerativa Alspa MV3000 SFE e a opção
para média tensão Alspa Symphony.
O primeiro é indicado para aplicações onde há regeneração de energia da
carga, e inclui a função Active Energy Managment, que controla o fator
de potência da retificação/regeneração de acordo com as necessidades do
usuário.
Já o Alspa Symphony, direcionados a aplicações de média tensão, oferece
controle vetorial de fluxo, incorpora transistores Insulated Gate Bipolar
Transisto, de média tensão em topologia multi-nível, que resulta em significativa
redução do número de componentes, proporcionando maior confiabilidade
e disponibilidade do equipamento. Conta com funções lógicas de intertravamento
e controle interno além de redes de comunicação DeviceNet, WorldFIP e
Profibus como padrão e ainda permite a atualização do firmware de controle.
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A Coester, que dedica-se à automação
de válvulas, trouxe para a Brasil Offshore a nova linha de atuadores CSD,
projetada para ¼ de volta, para válvulas esfera e borboleta de até 10.
“A linha proporciona, a um custo extremamente competitivo, toda funcionalidade
do atuador inteligente”, explica Marcus Coester.
A Atan apresentou o AC-800F FreeLance, que está sendo implantado, em parceria
com a ABB, na automação das sete usinas de pelotização da CRVD, em Vitória
/ ES. “Tanto pode ser utilizado como um sistema CLP como um SDCD, para
pequenas automações de 50 pontos como para 50 mil pontos”, explicou Alexandre
Gurgel, gerente de negócios da Atan.
Na área de petróleo e gás, o FreeLance está sendo utilizado no gasoduto
Transalpine, que corta a Europa. “Tem todas as recomendações para o mercado
de química e petroquímica.O produto permite começar com pequenas automações
até ter toda a planta integrada num sistema único”, conta Manfred Hattemberger,
gerente da área de automação da ABB.
A Schlumberger apresentou duas ferramentas utilizadas para testes em poços
de petróleo. O primeiro, chamado PhaseTester, é um medidor multifásico
para vazão de óleo, água e gás. Trabalhando em conjunto com o PhaseTester,
o Evergreen Burner é um conjunto de queimadores para o óleo utilizado
na operação de well test.
Conferência
O diretor do Cefet (Centros Feederais de Educação Tecnológica) de Macaé,
Carlos Áreas, abriu o debate das conferências paralelas ao Brasil Offhore
comentando o sucesso que a unidade vem tendo com maior liberdade de ação.
Frisou que o ensino técnico e o tecnológico são básicos para o setor de
petróleo e refletem na economia mais rapidamente. A cidade de Macaé que
o diga: o crescimento do emprego formal na cidade foi de 15,5% enquanto
que o do Brasil todo foi de 3,2% no último ano.
Segundo ele, hoje, os Cefets têm autonomia para definir e tocar seu projeto
pedagógico, o que possibilitou à unidade de Macaé criar cursos modulares,
o que facilita a construção do saber para a formação do profissional generalista
em tecnologia, como o curso de “Tecnólogo em Indústria de Petróleo e Gás”,
nível graduação.
Uma das mais concorridas palestras foi sobre Simulação. Marcelo Mendes
comentou que ela nasceu com o acidente da Piper Alpha e, depois, com o
incêndio da plataforma de Enchova pois até 1988 a maioria das plataformas
eram fixas e traziam muita proteção passiva. “O critério até então era
: elementos estruturais que tenham possibilidade de entrar em colapso
durante incêndios deverão ser protegidos. Ora, isso é muito empírico”,
comentou Marcelo.
O modelo de simulação foi aplicado primeiramente na P-8, levando em consideração
o layout, a estrutura, os equipamentos, as propriedades dos fluidos, etc.
Os softwares simulam potências de chama, dispersão de gases, processo
de vazamento, ventos, tudo com distribuição espacial e concentrações,
gerando a posição ótima para sensores e detectores. Segundo Marcelo, aplicando
a tecnologia nas FPSOs, gera-se menos 28 chances de perda total se comparada
com uma plataforma, ainda que os testes para os navios convertidos sejam
mais severos que para as plataformas, já que consideram as áreas de confinamento
e livre. As causas de acidentes em plataformas e FPSOs também são diferentes.
Nos navios, a vilã é a movimentação de cargas/peso.
Entre os fornecedores turnkey do setor, destacou-se a Halliburton. Não
pela palestra sobre o projeto de Barracuda Caratinga mas pela afirmação
de que encontrando dificuldades de se enquadrar no Repetro, vê comprometido
seu compromisso de aquisição de 40% do valor do contrato no Brasil. As
licitações da árvore de natal para cima estão à cargo da Halliburton;
dali para baixo, sob domínio da Petrobras. Esta é a primeira vez que a
Petrobras coloca toda a execução sob responsabilidade de uma só empresa,
desde a perfuração até o comissionamento, todo o escopo, no valor total
de US$ 2,5 bilhões. Segundo Nelson Moczydlower, diretor da empresa, este
é o maior contrato em andamento no mundo. E não entra no balanço da Petrobras.
Sobre os investimentos da Petrobras, nada de novo: José Luiz Marcusso,
gerente geral de E&P da Petrobras, reafirmou a decisão da companhia de
investir, até 2005, US$ 30 bilhões, 11% desse total vindo de project finances.
Segundo ele, a taxa de crescimento da Petrobras, em 2000, foi de 12,4%
e a posição da empresa em reposição de reservas é de 200%, só perdendo
para a francesa Elf. Estão bons também os números da Petrobras em relação
a custos de extração (3,2 quando a média é 3,6) e custo de descoberta
de US$ 3,5/b. Marcusso afirmou que, mesmo sem novas descobertas, está
garantida a meta de reservas provadas para 2005 — de 11,7 bilhões boe.
A detecção de vazamentos em dutos também foi tema de palestra, à cargo
de Cláudio Antonio dos Santos e Alcio Rodrigues Chiesse, que começou com
os possíveis cenários para a detecção, com níveis de risco crescentes:
escoamento entre pontos fixos (grandes distâncias e instrumentação fixa),
offloading (pequenas distâncias, altas vazões e instrumentação móvel)
e escoamento através de monobóias (grandes distâncias e instrumentação
móvel). Detalhados os cenários, Cláudio analisou as possíveis soluções:
balanço de volume compensado por pressão e temperatura; o complexo modelo
dinâmico Real Time Transient Model (conservação de energia, massa e momento);
análise da curva de pressão (análise estatística do comportamento da pressão
ao longo do duto); sistema acústico (propagação de transiente sonoro em
ambas as direções).
Os parâmetros de desempenho são bem conhecidos: sensibilidade, confiabilidade
(taxa de alarmes falsos), robustez (continuidade de funcionamento apesar
de alarme falso e falta de dados). Como as unidades de negócio têm autonomia,
a escolha do pessoal da Bacia de Campos diferiu da escolha de outras unidades
para a contratação de sistemas de detecção para todas as suas malhas.
Eles optaram por um medidor ultrassônico de duplo canal, montagem externa
(plataformas) e carretel, comunicação através da rede da Petrobras e enlace
de rádio, com software Leakwarm. Perguntado sobre a diferença entre sua
escolha e a de outras unidades, Cláudio disse que, para a equipe da Bacia
de Campos, o escoamento multifásico traz incertezas quanto a sensibilidade.
Outro ponto importante levantado é que os navios devem, a partir dos novos
contratos, incluir sistemas de medição e detecção.
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