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O gás natural começa a ganhar espaço
nos novos projetos petroquímicos nacionais. O insumo, até então descartado
como matéria-prima para a produção de eteno no país, já faz parte dos
planos do Pólo Gás Químico do Rio de Janeiro e da unidade produtora de
polietileno da OPP. Além disso, a Petroquímica União baseou seu crescimento
no gás de refinaria e a Copene já pensa em adotar o insumo numa segunda
ampliação.
Em países da América Latina, a participação do insumo representa 53% da
matriz para produção do eteno, segundo dados da Tecnon. No México e na
Venezuela, por exemplo, gás natural representa 100% da matriz.
O gás natural, majoritariamente metano, possui cerca de 9% de etano, além
de propano e butano, que podem virar matéria-prima para as petroquímicas.
“O etano pode ser craqueado para virar eteno, e produzir polietileno”,
explica Paulo Lemos, vice-presidente da OPP.
A alta do preço da nafta, que vem retraindo os resultados financeiros
do setor petroquímico e o déficit atual de produção nacional – o Brasil
importa mais de 3 milhões de toneladas por ano – reforçam a busca por
novas alternativas.
Por outro lado, uma central baseada em gás natural produz uma variedade
menor de insumos do que uma central que tem a nafta como matéria-prima.
“A nafta gera mais derivados do que o gás”, explica Leonidas Cardoso de
Menezes Filho, executivo da Gerência Comercial da Copene.
A central de matérias-primas do pólo de Camaçari poderá recorrer ao gás
natural, GLP ou gás de refinaria, para ampliar em 300 mil toneladas a
produção de eteno, a partir de 2005. “Estamos estudando o investimento”,
adianta Leonidas.
A próxima ampliação da Petroquímica União utilizará gás da Revap e Recap
– da soma de C2 que podem ser retirados dessas correntes, o potencial
de produção de eteno gira em torno de 130 mil toneladas.
A nova planta da Copesul, inaugurada em 1999, possui flexibilidade para
craquear outros tipos de matérias–prima, como condensado e GLP.
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A vedete, no entanto, é o complexo
Gás Químico do Rio de Janeiro, que já nasce com outra concepção ao utilizar
o gás natural da Bacia de Campos como matéria–prima para a produção de
eteno e polietileno. No caso da OPP, o projeto é utilizar do gás natural
originário da Bolívia para a produção de polietileno.
Nafta, queda nas vendas e desvalorização
cambial prejudicam resultados
A alta no preço da nafta, que saltou
de R$ 410 em junho de 2000 para R$ 634 em junho deste ano, combinada a
quedas nos volumes de vendas e a desvalorização cambial tem prejudicado
substancialmente os resultados das centrais petroquímicas do país. “A
indústria petroquímica vinha registrando boas margens, e tinha perspectivas
de queda nos preços do petróleo e aumento de 10% na demanda. O que não
imaginávamos era o aumento do dólar e a retração do mercado”, conta Jean
Peter, presidente do Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do
Estado de São Paulo – Siresp.
Com a dívida atrelada ao dólar, a Copesul sofreu fortemente os efeitos
do câmbio: R$ 88,9 milhões no semestre. A Copene registrou uma queda de
8,9% nas vendas em relação ao ano passado.
Segundo Peter, a indústria petroquímica não pode continuar adquirindo
nafta aos preços praticados pela Petrobras – US$ 15 a mais do que os valores
praticados na região de Antuérpia, Roterdã e Amsterdã (ARA). “A Petrobras
precisa ter uma visão de mercado, e fixar preços para que a indústria
petroquímica cresça junto com ela”.
Apesar de liberado o mercado para a compra do insumo, a Petrobras continua
a exercer o monopólio, porque as centrais petroquímicas ainda não têm
como importar o produto, quer por questões de infra-estrutura, quer por
contratos de fornecimento firmados entre as centrais e a estatal.
Por outro lado, custos com transporte podem inviabilizar a importação
de nafta – a não ser para uma parcela das necessidades. “O importante
é que as centrais cheguem, o quanto antes, a um acordo com a Petrobras,
para que ela garanta o fornecimento em termos de volume, com preços adequados”,
avalia Guilherme Duque Estrada, diretor executivo da Associação Brasileira
das Indústrias Químicas – Abiquim.
Com os atuais preços, a nafta é responsável por 85% dos custos de produção
de eteno. “As centrais estão pagando eteno mais caro do que o polietileno
vendido na Coréia”, conta o presidente do Siresp.
Centrais avançam na produção
de gasolina
Um ano após a liberação da produção
de gasolina, as centrais petroquímicas já detém produções significativas
do combustível. A Copene, por exemplo, está produzindo 32 milhões de litros
por mês, mas a perspectiva é atingir 50 milhões antes do fim do ano.
A gasolina tipo A – que é comercializada com as distribuidoras – é composta
a partir das correntes de processo que não possuem componentes limitados
pela ANP.
Na Copene, primeira central petroquímica a produzir gasolina, o produto
já representa 7,3% da receita líquida da companhia. Em números absolutos,
a venda do combustível às distribuidoras da região nordeste rendeu, líquidos,
R$ 60 milhões no segundo trimestre.
A produção na PQU é um pouco menor: 23 milhões de litros por mês, mas
que correspondem a cerca de 7,5% do faturamento líquido da central paulista.
A Copesul tem produzido mensalmente 12 milhões de litros, o que representa
4% do faturamento da empresa. O combustível tem sido comercializado com
distribuidoras da Região Sul e países do Mercosul.
O próximo desafio é a produção de GLP e óleo diesel: com a liberação da
ANP, as centrais estão se preparando para produzir os derivados. A prioridade
será a produção de GLP, para suprir o atual déficit de produção nacional
– a produção da Copesul irá atender aos Estados do Rio Grande do Sul e
Santa Catarina, que atualmente importam cerca de 100 mil toneladas do
produto.
O GLP é um composto obtido através do craqueamento da nafta, que gera
as correntes C3 e C4, o processo de purificação do propeno. “Na composição
do propeno, o propano é descartado, podendo virar GLP ou reutilizar como
carga nos fornos de pirólise. A corrente de butano também possui componentes
que poderão ser adicionados à fração de GLP. A corrente tem ainda uma
parte de reforma de nafta, que também produz C3 e C4”, explica Paulo Freitas,
da Copene.
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