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O acordo assinado entre a Petrobras
e a Polibrasil inaugura uma nova modalidade para ampliar o fornecimento
de matérias-primas petroquímicas. Para consolidar o projeto de aumento
da produção de polipropileno, a Polibrasil investirá US$ 47 milhões para
construção da unidade separadora de propeno dentro da Refinaria de Capuava
- Recap.
O negócio está enquadrado na modalidade profit sharing: a Polibrasil arca
com a construção da unidade, e será ressarcida com o fornecimento de propeno
por aproximadamente três anos, até que a unidade passe para o patrimônio
da Petrobras. A Petrobras tem ainda mais duas propostas semelhantes em
pauta: da Copesul e da Petroquímica União.
“A Petrobras vem, há um ano, negociando com as petroquímicas, na tentativa
de viabilizar investimentos. Essa modelagem pode ser um bom exemplo do
que pode ser feito”, disse o presidente da companhia, Henri Philippe Reichstul.
No caso da Polibrasil, além do investimento no splieter, a empresa está
investindo mais US$ 170 milhões na construção de uma nova unidade industrial,
localizada no pólo petroquímico de Mauá – ao lado da refinaria – que deverá
estar pronta em dezembro de 2002. O projeto faz parte dos planos para
ampliar sua produção de polipropileno de 125 mil para 300 mil toneladas
anuais.
O splieter que será instalado na Recap demorará um pouco mais para entrar
em operação: 26 meses. Quando estiver pronto, processará anualmente 145
mil toneladas de propeno, que será enviado à Polibrasil. Atualmente a
Petroquímica União fornece outras 145 mil toneladas/ano de propeno à empresa.
Além de permitir a expansão da fábrica, o splieter pode garantir à Polibrasil
maior fexibilidade para escolher o fornecedor que oferecer a melhor condição
de compra em cada situação de mercado. “Esse é o grande trunfo da Polibrasil.
Podemos ampliar a utilização do gás quando o preço da nafta estiver maior
no mercado internacional e vice-versa”, destaca José Ricardo Roriz, diretor
comercial da Polibrasil.
Mesmo assim, o objetivo da empresa é trabalhar na capacidade máxima, o
que implica em consumir totalmente o insumo das duas fontes. “O contrato
de fornecimento do propeno da Petrobras tem validade de 17 anos, renovável
a cada cinco anos”, explica Roriz.
O investimento na duplicação de capacidade de produção da fábrica de Mauá
vai colocar a Polibrasil na posição de maior fornecedor nacional de polipropileno,
com volume de 625 mil toneladas/ano – o mercado de polipropileno movimenta
1,1 milhão de toneladas/ano no Brasil e cresce ao ritmo de 10% ao ano.
O projeto de separação do propeno foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisas
da Petrobras – Cenpes. A tecnologia utilizada pela Polibrasil para polimerizar
o propeno é da Spheripol, cuja detentora é a Basell, sócia do Grupo Suzano
no comando da Polibrasil. A maior parte dos US$ 170 milhões investidos
na construção da unidade da Polibrasil será financiada pelos bancos FMV
e ABN (US$ 90 milhões). O BNDES é responsável por uma parcela de US$ 55
milhões, enquanto a própria empresa banca US$ 30 milhões.
Copesul e PQU têm projetos em
análise
A Copesul está disposta a investir
até US$ 100 milhões para permitir o aumento do processamento de nafta
na Refinaria Alberto Pasqualini – Refap, em Canoas / RS. O investimento
poderá ampliar em até 60% a produção de nafta da refinaria, que possui
uma capacidade instalada para produzir de 1,1 milhão de m³ por ano.
Segundo o superintendente da Copesul, Luiz Fernando Cirne Lima, a ampliação
interessa porque, apesar de pronta para importar o produto, a Copesul
tem contrato de exclusividade com a Petrobras. Resolvida a questão da
venda do controle acionário da Copene, a negociação com a Petrobras poderá
avançar. “As negociações estão em estaca zero, mas acredito que a partir
de agora, vai avançar”, avalia Cirne Lima.
Segundo Alberto Guimarães, diretor de Novos Negócios da Petrobras, a análise
desse projeto passa por questões comerciais e de suprimento de matéria-prima.
“A análise precisa levar em conta os riscos de suprimento e a viabilidade
econômica do projeto”.
No caso da Petroquímica União, a proposta é bancar o investimento na produção
de correntes de gás de refinaria na Refinaria Henrique Lage – Revap e
na Recap. Com isso, a central petroquímica poderia tocar sua ampliação
da capacidade – travada pela falta de matéria prima.
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