Edição 230 – Setembro de 2001
Petroquimicas buscam novas alternativas de fornecimento

Assinatura do contrato entre Petrobras e Polibrasil

O acordo assinado entre a Petrobras e a Polibrasil inaugura uma nova modalidade para ampliar o fornecimento de matérias-primas petroquímicas. Para consolidar o projeto de aumento da produção de polipropileno, a Polibrasil investirá US$ 47 milhões para construção da unidade separadora de propeno dentro da Refinaria de Capuava - Recap.
O negócio está enquadrado na modalidade profit sharing: a Polibrasil arca com a construção da unidade, e será ressarcida com o fornecimento de propeno por aproximadamente três anos, até que a unidade passe para o patrimônio da Petrobras. A Petrobras tem ainda mais duas propostas semelhantes em pauta: da Copesul e da Petroquímica União.
“A Petrobras vem, há um ano, negociando com as petroquímicas, na tentativa de viabilizar investimentos. Essa modelagem pode ser um bom exemplo do que pode ser feito”, disse o presidente da companhia, Henri Philippe Reichstul.
No caso da Polibrasil, além do investimento no splieter, a empresa está investindo mais US$ 170 milhões na construção de uma nova unidade industrial, localizada no pólo petroquímico de Mauá – ao lado da refinaria – que deverá estar pronta em dezembro de 2002. O projeto faz parte dos planos para ampliar sua produção de polipropileno de 125 mil para 300 mil toneladas anuais.
O splieter que será instalado na Recap demorará um pouco mais para entrar em operação: 26 meses. Quando estiver pronto, processará anualmente 145 mil toneladas de propeno, que será enviado à Polibrasil. Atualmente a Petroquímica União fornece outras 145 mil toneladas/ano de propeno à empresa. Além de permitir a expansão da fábrica, o splieter pode garantir à Polibrasil maior fexibilidade para escolher o fornecedor que oferecer a melhor condição de compra em cada situação de mercado. “Esse é o grande trunfo da Polibrasil. Podemos ampliar a utilização do gás quando o preço da nafta estiver maior no mercado internacional e vice-versa”, destaca José Ricardo Roriz, diretor comercial da Polibrasil.
Mesmo assim, o objetivo da empresa é trabalhar na capacidade máxima, o que implica em consumir totalmente o insumo das duas fontes. “O contrato de fornecimento do propeno da Petrobras tem validade de 17 anos, renovável a cada cinco anos”, explica Roriz.
O investimento na duplicação de capacidade de produção da fábrica de Mauá vai colocar a Polibrasil na posição de maior fornecedor nacional de polipropileno, com volume de 625 mil toneladas/ano – o mercado de polipropileno movimenta 1,1 milhão de toneladas/ano no Brasil e cresce ao ritmo de 10% ao ano.
O projeto de separação do propeno foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisas da Petrobras – Cenpes. A tecnologia utilizada pela Polibrasil para polimerizar o propeno é da Spheripol, cuja detentora é a Basell, sócia do Grupo Suzano no comando da Polibrasil. A maior parte dos US$ 170 milhões investidos na construção da unidade da Polibrasil será financiada pelos bancos FMV e ABN (US$ 90 milhões). O BNDES é responsável por uma parcela de US$ 55 milhões, enquanto a própria empresa banca US$ 30 milhões.

Copesul e PQU têm projetos em análise

A Copesul está disposta a investir até US$ 100 milhões para permitir o aumento do processamento de nafta na Refinaria Alberto Pasqualini – Refap, em Canoas / RS. O investimento poderá ampliar em até 60% a produção de nafta da refinaria, que possui uma capacidade instalada para produzir de 1,1 milhão de m³ por ano.
Segundo o superintendente da Copesul, Luiz Fernando Cirne Lima, a ampliação interessa porque, apesar de pronta para importar o produto, a Copesul tem contrato de exclusividade com a Petrobras. Resolvida a questão da venda do controle acionário da Copene, a negociação com a Petrobras poderá avançar. “As negociações estão em estaca zero, mas acredito que a partir de agora, vai avançar”, avalia Cirne Lima.
Segundo Alberto Guimarães, diretor de Novos Negócios da Petrobras, a análise desse projeto passa por questões comerciais e de suprimento de matéria-prima. “A análise precisa levar em conta os riscos de suprimento e a viabilidade econômica do projeto”.
No caso da Petroquímica União, a proposta é bancar o investimento na produção de correntes de gás de refinaria na Refinaria Henrique Lage – Revap e na Recap. Com isso, a central petroquímica poderia tocar sua ampliação da capacidade – travada pela falta de matéria prima.