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Ser uma companhia de energia, com
atuação integrada e liderança de mercado na América Latina. Some-se a
isso o objetivo de produzir petróleo em águas do Oceano Atlântico para
saber qual a direção que a Petrobras dará à fatia de investimentos reservada
aos assuntos internacionais. “São dois movimentos: ser uma empresa integrada
na América Latina, atuando do poço ao posto, e produzir petróleo e gás
nas águas do Atlântico”, disse o presidente da empresa, Henry Philippe
Reichstul, em entrevista à Petro & Química.
Essa meta, traçada pela Petrobras há dois anos, já pode ser confirmada
pelas negociações que a companhia vem realizando, como a permuta com a
Repsol YPF e a venda de seus ativos no Reino Unido para a Enterprise Oil
– numa operação avaliada em US$ 157 milhões. “Vendemos nossa participação
no Mar do Norte e vamos usar o dinheiro para comprar outras no Golfo do
México, América Latina ou Costa Oeste da África”, explica Reichstul.
Segundo o presidente da Petrobras, a empresa estará presente onde sua
tecnologia de produção em águas profundas possa fazer a diferença. “No
Mar do Norte não tínhamos participações significantes onde pudéssemos
colocar nossa tecnologia. É uma questão de foco”.
E a Petrobras sabe quais são os locais que podem trazer valor agregado:
América Latina, Costa Oeste da África e Golfo do México. O primeiro caso
é uma questão de mercado e logística. Já no Oeste da África e no Golfo
do México, as vantagens estão relacionadas basicamente com a similaridade
geológica e operacional das áreas offshore – assunto em que a Petrobras
detém a liderança tecnológica adquirida de sua experiência na prospecção
de petróleo em águas profundas do litoral brasileiro.
Fora dessas áreas, resta ainda à Petrobras apenas uma participação de
25% no bloco Baiganinsk, localizado no Cazaquistão, adquirida através
de uma troca de ativos com a Enterprise. As primeiras análises indicam
grande potencial da região. “Não faz parte da nossa estratégia. Vamos
aguardar a valorização para decidir o que fazer com a área”, conta Reichstul.
Na década de 1970, a empresa esteve presente no Iraque, descobrindo importantes
reservas nos campos de Majnoon e Nahr-Umr – estimadas em dez bilhões de
barris de óleo.
Somados os ativos internacionais, a Petrobras produz hoje 74 mil barris
de óleo equivalente, que são vendidos a terceiros no exterior. Mas as
reservas no exterior, ao contrário do que ocorre no Brasil, não permitem
que a companhia atinja a meta de produzir 300 mil barris diários em 2005.
Isso implica uma necessidade de adquirir novas áreas exploratórias.
Na Costa Oeste da África, por exemplo, a Petrobras assinou recentemente
um contrato para explorar petróleo em Angola. A aquisição refere-se ao
Bloco 34, localizado a noroeste da capital Luanda, em águas com profundidade
variando entre 1500 e 2500 metros, na Bacia do Baixo Congo. O empreendimento,
no qual a Petrobras possui 15% de participação, tem como sócios a estatal
angolana Sonangol (operadora do bloco com 20%), Norsk Hydro (30%), Phillips
(20%) e Shell (15%).
A Petrobras já produz óleo em Angola, com 27,5 % de participação na produção
de 63 mil barris por dia no Bloco 2, situado em águas rasas.
Além disso, negocia novas aquisições na Nigéria, onde, associada a cinco
companhias internacionais e locais, exerce atividades de exploração em
quatro blocos – dois adquiridos este ano. Ali, associada à Texaco, descobriu
o campo de Agbami, com potencial de 1 bilhão de barris de óleo equivalente.
Na Guiné Equatorial, a Petrobras adquiriu uma participação de 30% em um
bloco offshore operado pela Elf, em troca de uma participação em uma área
na Bacia de Campos.
Na região do Golfo do México, a companhia está presente nos EUA, explorando
petróleo em 61 blocos offshore - produzindo 15 deles. Em abril, a Petrobras
se desfez de alguns ativos de pequeno porte, mas aguarda decisão do Governo
Americano para a aquisição de 30 blocos do Lease Sale 180.
Atualmente, produz 10 mil barris diários no Golfo do México. A subsidiária
também executa atividades de comercialização de óleo e derivados no País.
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Recentemente, a Petrobras encerrou as operações em Cuba, depois de um
ano e meio tentando encontrar petróleo no Bloco L – localizado em águas
rasas do litoral norte da ilha. Em parceria com a canadense Sherry Gordon,
investiu US$ 20 milhões na perfuração do primeiro poço na região. O insucesso
pesou na desistência de perfurar o segundo poço previsto no programa estabelecido
com o governo.
A empresa não fecha as portas definitivamente, já que o país está dentro
das áreas de interesse na estratégia da Petrobras. “Estamos aguardando
Cuba abrir uma nova frente. O país conseguiu delimitar com clareza a fronteira
offshore com o México e EUA, e existe uma empresa que está iniciando a
perfuração. Dependendo do resultado dessa empresa, pode ser que nos interesse
entrar”, conta Reichstul.
Em Trinidad Tobago, a Petrobras mantém uma participação de 19% no consórcio
com a Arco (57%) e Petratin (5%), que exerce atividades de exploração
no bloco 27.
A Petrobras também segue analisando o mercado americano e o Caribe, em
busca de uma refinaria que possa processar o óleo pesado produzido na
Bacia de Campos. “Pode ser uma compra, aluguel ou participação em uma
refinaria. O objetivo é agregar valor ao petróleo brasileiro”, explica
Alberto Guimarães, diretor de Novos Negócios da Petrobras.
O investimento na aquisição das refinarias faz parte do plano estratégico
de refinar 150 mil barris diários no exterior, em 2005.
Atuação integrada na América Latina
Na América Latina, o propósito é ir além da exploração e produção. É
o caso da Argentina, onde a Petrobras está presente em quatro blocos exploratórios,
e vem finalizando uma permuta com a Repsol YPF que renderá uma refinaria
e 700 postos de combustíveis.
Na Bolívia, a empresa já possui 70% das duas principais refinarias da
Bolívia – os outros 30% pertencem à Perez Compac – que processam diariamente
35 mil barris de petróleo, onde as frações leves são aproveitadas quando
separadas do gás — que é enviado pelo Gasbol para o Brasil.Na distribuição,
a Petrobras atua através da Empresa Boliviana de Distribuición – EBD,
com cerca de 20% do mercado.
No país, a Petrobras também possui participação em 6 blocos em terra –
operando 5 deles. Dois dos cinco maiores campos de gás estão em seu portfolio:
San Alberto – segundo maior da Bolívia, com reservas de 11 trilhões de
pés cúbicos de gás e 149,56 milhões de barris de petróleo condensado –
e San Antonio - com reservas de 5,25 trilhões de pés cúbicos e 90,22 milhões
de barris de petróleo, dos quais a companhia possui 35%, tendo como sócias
a TotalFinaElf (15%) e a Andina (50%). Os investimentos na Bolívia são
estratégicos devido, principalmente, ao aumento no consumo interno de
gás natural para geração de energia termelétrica.
Na vizinha Colômbia, a Petrobras exerce, em associação com outras oito
empresas de petróleo, atividades de exploração e produção em 15 blocos
– o que significa 20 mil barris diários.
Nessa estratégia, estão em andamento negociações com a uruguaia Ancap,
a chilena Enap, a mexicana Pemex e a venezuelana PDVSA, para que a Petrobras
amplie sua presença integrada na região.
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