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A ampliação da rede de gasodutos prevista
pela Petrobras corresponderá a um investimento da ordem de US$ 1,8 milhões,
até final de 2003. Isso para dar conta da expansão no mercado de gás natural,
que deverá passar de 40 milhões de m³/dia para 65 milhões neste período.
As usinas termelétricas movidas a gás natural entrando em operação, as
vendas das distribuidoras de gás canalizado para os segmentos industrial
e automotivo crescem mais de 40% ao ano, e mesmo os mercados comercial
e residencial mostram sinais de expansão. Para atender esse crescimento,
a Petrobras projeta a construção de mais de 2 mil quilômetros de novos
gasodutos de diâmetro acima de 14”, para serem executados em dois anos,
a um custo de US$ 1,1 bilhão, além de uma ampliação no Gasoduto Bolívia
Brasil e um gasoduto Yacuiba - Rio Grande, na Bolívia, com 450 quilômetros
em 32”.
Nas malhas sul/sudeste/centro-oeste, serão construídos cinco novos gasodutos.
De Campinas / SP partirá uma linha de 24” até Cubatão / SP e outra de
38” até Japeri / RJ, com extensão de 120 quilômetros e 430 quilômetros,
respectivamente. A maior delas – com 515 quilômetros e 26” – interligará
São Carlos / SP a Betim / MG. A expectativa é de que os dutos estejam
prontos para entrar em operação em 2003.
Também na região, um gasoduto de 120 quilômetros e 14” interligará Linhares
a Vitória / ES, além da conclusão do gasoduto que interliga Uruguaiana
a Porto Alegre – esse último, operado pela TSB, já tem 25 km prontos nas
duas extremidades, mas ainda precisa de 565 km em 24" para conectá-las.
Na malha nordeste, a Petrobras planeja três “loops” paralelos aos trechos
já existentes do Nordestão: Catu / BA a Carmópolis / SE (281 km, 14"),
Pilar / AL a Robalo / SE (178 km, 14 a 18"), e Jaboatão / PE (30 km, 24").
Já para o Gasoduto Bolívia Brasil, estão programados dez loops, que permitirirão
um escoamento adicional de 10 milhões de m³/dia de gás, que irão se somar
à capacidade atual, de 30 milhões de m³/dia. “Já não se fala se o Gasbol
foi um bom ou mau negócio, já se quer duplicá-lo e existe uma série de
loops e dutos menores para aumentar a malha e levar o gás a mais lugares”,
conta o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Antonio Luiz de Menezes.
Demanda de Concurso Aberto soma 82
milhões de m³ diários
As empresas transportadoras de gás do
País – a TBG e a Transpetro – receberam pedidos de nove empresas, entre
comercializadoras e grandes consumidores, para contratação de transporte
firme de gás natural oferecido no Concurso Aberto instituído pela Agência
Nacional do Petróleo para expansão da oferta de capacidade de transporte.
Os pedidos recebidos somam 82 milhões de m³ diários de gás natural.
O Concurso Aberto para expansão da capacidade de transporte de gás natural
no país – uma espécie de leilão para a oferta de capacidade firme nos
gasodutos – foi instituído pela ANP como forma de garantir o acesso de
interessados à infra-estrutura de transporte existente.
Através da Portaria nº 98, de 22 de junho de 2001, a ANP estabeleceu que
a TBG e a Transpetro disponibilizassem ao mercado o Manual do Concurso
Aberto – documento contendo os procedimentos de oferta e alocação de capacidade
para os serviços de transporte firme decorrentes da expansão de capacidade
dos seus gasodutos.
De acordo com o diretor da Petrobras, não é a companhia ou qualquer outra
empresa que decide fazer este ou aquele duto: a ANP é quem autoriza.
A TBG recebeu treze manifestações de nove empresas interessadas em transportar
um total de 68 milhões de m³ por dia, sendo 58 milhões de m³ na linha
tronco do Gasoduto Bolívia-Brasil – Corumbá / MS a Guararema / SP – e
10 milhões de m³ no ramal sul – Campinas / SP a Canoas / RS.
Já a Transpetro recebeu dez manifestações de interesse de seis empresas,
com propostas de transporte total de 14 milhões de m³ por dia no primeiro
ano, sendo 11 milhões de m³ de gás boliviano na rede de gasoduto existente
entre a cidade de Guarema/SP e a região metropolitana do Rio de Janeiro,
e 3 milhões de gás nacional na Região Nordeste.
A definição do volume contratado vai depender do preço de custo e da tarifa,
que estão sendo estudados pela TBG e Transpetro. De acordo com o Manual,
as duas empresas deverão apresentar o projeto técnico de viabilidade para
atendimento das propostas enviadas até o final do ano.
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Petrobras lança 4º Prêmio de Tecnologia de Dutos
A Petrobras e o CNPq estão promovendo a quarta edição do Prêmio Petrobras
de Tecnologia de Dutos, um concurso que envolve estudantes de graduação
e mestrado que tenham suas linhas de pesquisa voltada à essa área. Os
trabalhos eleitos – por um juri formado por professores – recebem uma
premiação em dinheiro e uma bolsa de estudos. “O objetivo dessa premiação
é fomentar estudos na área de dutos”, explica Jorge Luiz Kauer, coordenador
do Programa Tecnológico de Dutos – Produt.
O Produt foi criado pela Petrobras com o objetivo de desenvolver tecnologia
e torná-la disponível para a melhoria global na atividade de dutos da
Petrobras. Esse programa busca aumentar a confiabilidade operacional,
minimizar riscos de vazamentos, custos operacionais e de investimentos,
e reduzir o tempo de reparo e o impacto ambiental da atividade. “A companhia
está dedicando uma atenção especial com a área de dutos. Assim, criou
um ‘pente-fino’ para observar toda a sua malha”, explica Kauer.
O Programa gerencia o desenvolvimento de atividades, divididas em nove
temas tecnológicos: gerenciamento da corrosão, sistemas de detecção e
localização de vazamentos, reabilitação de dutos, tecnologia de “Pigging”,
automação e operação, gerenciamento e análise de risco, tecnologia de
materiais, aumento da capacidade de transferência em oleodutos, e novas
técnicas de projeto, construção e montagem. “Dentro de cada tema, existe
a carteira de projetos, como a tecnologia de pigging, um tema muito importante,
porque sempre tivemos na mão de empresas estrangeiras”.
A tecnologia mais utilizada para inspecionar os dutos é o uso de Pigs
Instrumentados. Esses equipamentos são projetados para serem impulsionados
pelo próprio fluido, passando por dentro do duto, medindo a dimensão da
área corroída, a sua localização e armazenando estes dados para posterior
análise com o auxílio de pós-processadores. A Petrobras vem desenvolvendo
tecnologia de Pigging já há alguns anos – com a cooperação de universidades
foram desenvolvidas ferramentas para detectar corrosão, amassamentos,
perfil de temperatura e pressão ao longo dos dutos e modelos numéricos
para simular o comportamento de pigs.
Outro assunto tratado pelo Produt é o sistema de detecção de vazamentos
e a automação da operação. A monitoração contínua permite que a companhia
tenha respostas imediatas em caso de acidentes.
Por ano, o Cenpes destina R$ 2 milhões ao Produt – isso sem contar os
estudos bancados pelos próprios clientes.
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