|
Apesar da queda vertiginosa no
número de barcos especializados em levantamentos Spec na costa brasileira
— de 21 para 2, no período de outubro de 2000 a setembro de 2001 —, o
setor se prepara para um novo ciclo de negócios, com as áreas da Quarta
Rodada somando-se às da Terceira. Cerca de 13 autorizações para início
de trabalhos no primeiro trimestre de 2002 foram dadas pela ANP.
O superintendente de gestão de informações e dados técnicos da Agência,
Sérgio Posato, confirma que o setor é de ciclos, coleta de dados seguida
de fase de interpretação e assim sucessivamente. Posato acredita que os
interesses devam se voltar agora para as Bacias do Ceará, Potiguar, Pará/Maranhão,
Barreirinhas e Foz do Amazonas. Até a quebra do monopólio, a Petrobras
havia levantado 1,12 milhão de km de sísmica 2D e 45 mil km2 de 3D. Todas
as empresas do setor juntas, nos últimos quatro anos, produziram 322.570
km em 2D e 119.449 km2 em 3D. “Mas é preciso cuidado com as comparações
porque condições de mercado e tecnologia mudaram muito”, afirma Posato.
E a expectativa é grande.Tanto que, das empresas autorizadas pela ANP
a atuar no setor — Baker Hughes, CGG, Corelab, Expetro, Fairfield, Fugro
Geotheam, Gaia, GSI, Geovector, Grant, Large, Lasa, MV Dauzacker, PGS,
Schlumerger, Spectrum, Veritas —, quase todas marcaram presença no 7º
Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, realizado
em Salvador. “O Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica
passou a ser um evento de marca internacional, comparado aos maiores congressos
internacionais de geofísica – o da Society Exploration of Geophysist –
SEG, e o da European Association of Geophysic – EAG”, comenta Marco Latgé,
presidente do Departamento de Recursos Minerais.
A palavra de ordem para os expositores na Bahia parecia ser “tecnologia”.
Muitos equipamentos, softwares e treinamentos à disposição durante a semana
inteira e a dúvida sobre o que adquirir em meio a tantas opções fez com
que várias empresas seguissem a tendência de criar uma divisão de consultoria.
Para a Landmark, que cresceu em quatro anos de atuação no Brasil, o compromisso
com o setor pode ser quantificado: passou de oito para mais de oitenta
pessoas em apenas dois anos. E embora a empresa seja a responsável pela
gestão do Banco de Dados da ANP, os seus trabalhos no Brasil começaram
com atuações junto à Petrobras, há quase 15 anos. O know how adquirido
capacitou a empresa a expandir seus negócios para a área de consultoria
em perfuração, caracterização de reservatórios, simulação, gerenciamento
de portfólio etc. “A indústria de petróleo tem que diminuir custos de
exploração e produção. A Landmark está apta a ajudar qualquer empresa
do setor a fazer um estudo profundo para melhorar a produtividade”. Para
Jorge Estrada, diretor de desenvolvimento de negócios, um geólogo não
quer ter trabalho com aplicativos; quer fazer uma interpretação mais rápida
e precisa, além de precisar olhar o negócio como um todo. “A geofísica
é uma parte crítica na exploração de petróleo e a Landmark tem buscado
minimizar os erros de interpretação”.
A Schlumberger estava com algumas linhas em exposição, como a de perfilagem
de poços e a de soluções em tecnologia de informação, softwares, consultoria
e gerenciamento de projetos em exploração e produção, treinamento e compra
e venda de ativos através da Internet, mais a Western Geco, joint venture
com a Baker Hughes, mais voltada para aquisição de dados. “Nosso forte
são projetos integrados até a parte dinâmica de um reservatório, onshore
e offshore”, comentou Pedro Ivo, gerente geral da GeoQuest — uma empresa
de serviços da Schlumberger, que estava lançando o Geoframe 4, nova versão
que permite maior colaboração entre as ferramentas e variáveis.
Um outro foco da Schlumberger é a Tecnologia da Informação: recentemente
adquiriu uma das maiores empresas do ramo, em nível mundial, para formar
a Schlumberger Sema, que atua em IT, telecomunicações e utilities, transaction
systems etc. Essa empresa, aliás, é a responsável por toda a parte de
informática das Olimpíadas de Inverno em SouthLake City. Para quem achar
estranho uma empresa lidar com setores tão diferentes, Pedro afirma que
tudo casa: a Schlumberger busca a excelência em serviços e soluções integradas.
E pode ser que todas as atividades da empresa disputem, em breve, os projetos
no Brasil, porque a Schlumberger está expandindo instalações e inaugurando
um centro de treinamento e um centro de gerenciamento de dados e decisão
e um centro de realidade virtual, no Rio de Janeiro, representando um
investimento de mais de um milhão de dólares. E, para corroborar a importância
do evento, a empresa trouxe o seu presidente mundial de IT para uma palestra
e o seu diretor de pesquisa participou de um workshop sobre interpretação
de sísmica de reservatório com uma participação especial de sísmica 4D
em reservatórios fraturados.
|
O presidente para as Américas da PGS, J. Mark
Wilkinson, comentou, sobre o repasse do Banco de Dados da ANP para outra
empresa, que a gestão de dados é uma pequena parte do negócio e um trabalho
“quase braçal”. “Podemos fazer mais que isso. A PGS quer marcar como uma
empresa de serviços especializados, tais como survey design, survey acquisition,
processing, serviços de interpretação e gestão de ativos para produção de
petróleo. Temos um largo range de produtos e serviços para oferecer”. Wilkinson
lembrou, ainda, que a empresa aplica as mais modernas tecnologias em seus
trabalhos, que se iniciaram em 1995, no Brasil. Para ele, a abertura do
mercado criou excelentes oportunidades para a PGS, que tem respondido bem
aos clientes. “Podemos dizer que entendemos cada vez melhor o Brasil, tendo
mais de 42.000 km2 de dados offshore e trabalhos em andamento nesse exato
momento. Nossos negócios aqui são extremamente importantes, quase um quarto
do total dos negócios da PGS”. Brasil, Oeste da África, Mar do Norte, Golfo
do México, Pacífico (Ásia) e Canadá são os principais focos de atuação da
PGS agora. A vedete da PGS, no entanto, durante o evento, foi a HD3D, nova
geração de aquisição de dados que, no momento, está voltada para offshore,
mas não se descarta o seu uso para pesquisas onshore. A nova tecnologia
pode fazer varreduras maiores com bandas mais estreitas e muito maior resolução
de dados mas, segundo Wilkinson, esse é um serviço que o Brasil ainda não
demanda porque, em linhas gerais, usa-se HD3D quando se conhece bem uma
localidade mas se quer ainda mais dados, conhecimentos mais profundos.
Minas Gerais estava representada pela Comig, e divulgou, entre outros trabalhos,
o Programa de Levantamento Aerogeofísico de MG, considerado o grande marco
para identificação de oportunidades de negócios de mineração naquele estado.
Em sua primeira fase, o programa abrange seis áreas do estado, a maioria
onde já existem jazidas. A Bahia, através da Companhia Baiana de Pesquisa
Mineral, estava divulgando os mais recentes resultados de seu programa pioneiro
de cobertura aerogeofísica, que existe desde 1973 e fez daquele estado o
território mais bem conhecido e estudado geologicamente do país. Aos domínios
conhecidos, somaram-se os levantamentos das faixas Itagimirim-Medeiros Neto
e Ibitiara-Rio de Contas, estando em andamento o aerolevantamento do contexto
Riacho Seco-Andorinha.
Estiveram expondo ainda a Hampson Russell, Quinal, Sun Microsystems, Beicip-Franlab,
TGS Nopec, SBGf, WesternGeco, Network Appliance, Paradigm Geophysical, SGI,
CGG, Sercel Inc., T-Surf, Quantec, Jason Geosystems, Robertson Geologging
Inc., Green Mountain Geophisics, Petrobrás, Seismic Micro-Technology, Geosoft
Latinoamérica, Scintrex, PGW, Roxar, CPRM, Seismic AustraliaVoxel Vision,
EAGE, SEG, GeovariancesGXT, Fairfield, Veritas, Fugro Lasa Geomag, além
da ANP que aproveitou a ocasião para lançar o 4º Round.
O número de trabalhos técnicos submetidos ao Congresso – mais de 530 – foi
recorde. “Mas não só em quantidade, a qualidade técnica destaca-se, principalmente
em tecnologia de reservatórios de águas profundas”, comentou Latgé. |