Edição 232 – Novembro de 2001

Novo ciclo de pesquisas atrai empresas
Durante o evento, foram mostradas técnicas e equipamentos
— incluindo 3D — que facilitam as análises geológicas

Apesar da queda vertiginosa no número de barcos especializados em levantamentos Spec na costa brasileira — de 21 para 2, no período de outubro de 2000 a setembro de 2001 —, o setor se prepara para um novo ciclo de negócios, com as áreas da Quarta Rodada somando-se às da Terceira. Cerca de 13 autorizações para início de trabalhos no primeiro trimestre de 2002 foram dadas pela ANP.
O superintendente de gestão de informações e dados técnicos da Agência, Sérgio Posato, confirma que o setor é de ciclos, coleta de dados seguida de fase de interpretação e assim sucessivamente. Posato acredita que os interesses devam se voltar agora para as Bacias do Ceará, Potiguar, Pará/Maranhão, Barreirinhas e Foz do Amazonas. Até a quebra do monopólio, a Petrobras havia levantado 1,12 milhão de km de sísmica 2D e 45 mil km2 de 3D. Todas as empresas do setor juntas, nos últimos quatro anos, produziram 322.570 km em 2D e 119.449 km2 em 3D. “Mas é preciso cuidado com as comparações porque condições de mercado e tecnologia mudaram muito”, afirma Posato.
E a expectativa é grande.Tanto que, das empresas autorizadas pela ANP a atuar no setor — Baker Hughes, CGG, Corelab, Expetro, Fairfield, Fugro Geotheam, Gaia, GSI, Geovector, Grant, Large, Lasa, MV Dauzacker, PGS, Schlumerger, Spectrum, Veritas —, quase todas marcaram presença no 7º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, realizado em Salvador. “O Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica passou a ser um evento de marca internacional, comparado aos maiores congressos internacionais de geofísica – o da Society Exploration of Geophysist – SEG, e o da European Association of Geophysic – EAG”, comenta Marco Latgé, presidente do Departamento de Recursos Minerais.
A palavra de ordem para os expositores na Bahia parecia ser “tecnologia”. Muitos equipamentos, softwares e treinamentos à disposição durante a semana inteira e a dúvida sobre o que adquirir em meio a tantas opções fez com que várias empresas seguissem a tendência de criar uma divisão de consultoria.
Para a Landmark, que cresceu em quatro anos de atuação no Brasil, o compromisso com o setor pode ser quantificado: passou de oito para mais de oitenta pessoas em apenas dois anos. E embora a empresa seja a responsável pela gestão do Banco de Dados da ANP, os seus trabalhos no Brasil começaram com atuações junto à Petrobras, há quase 15 anos. O know how adquirido capacitou a empresa a expandir seus negócios para a área de consultoria em perfuração, caracterização de reservatórios, simulação, gerenciamento de portfólio etc. “A indústria de petróleo tem que diminuir custos de exploração e produção. A Landmark está apta a ajudar qualquer empresa do setor a fazer um estudo profundo para melhorar a produtividade”. Para Jorge Estrada, diretor de desenvolvimento de negócios, um geólogo não quer ter trabalho com aplicativos; quer fazer uma interpretação mais rápida e precisa, além de precisar olhar o negócio como um todo. “A geofísica é uma parte crítica na exploração de petróleo e a Landmark tem buscado minimizar os erros de interpretação”.
A Schlumberger estava com algumas linhas em exposição, como a de perfilagem de poços e a de soluções em tecnologia de informação, softwares, consultoria e gerenciamento de projetos em exploração e produção, treinamento e compra e venda de ativos através da Internet, mais a Western Geco, joint venture com a Baker Hughes, mais voltada para aquisição de dados. “Nosso forte são projetos integrados até a parte dinâmica de um reservatório, onshore e offshore”, comentou Pedro Ivo, gerente geral da GeoQuest — uma empresa de serviços da Schlumberger, que estava lançando o Geoframe 4, nova versão que permite maior colaboração entre as ferramentas e variáveis.
Um outro foco da Schlumberger é a Tecnologia da Informação: recentemente adquiriu uma das maiores empresas do ramo, em nível mundial, para formar a Schlumberger Sema, que atua em IT, telecomunicações e utilities, transaction systems etc. Essa empresa, aliás, é a responsável por toda a parte de informática das Olimpíadas de Inverno em SouthLake City. Para quem achar estranho uma empresa lidar com setores tão diferentes, Pedro afirma que tudo casa: a Schlumberger busca a excelência em serviços e soluções integradas. E pode ser que todas as atividades da empresa disputem, em breve, os projetos no Brasil, porque a Schlumberger está expandindo instalações e inaugurando um centro de treinamento e um centro de gerenciamento de dados e decisão e um centro de realidade virtual, no Rio de Janeiro, representando um investimento de mais de um milhão de dólares. E, para corroborar a importância do evento, a empresa trouxe o seu presidente mundial de IT para uma palestra e o seu diretor de pesquisa participou de um workshop sobre interpretação de sísmica de reservatório com uma participação especial de sísmica 4D em reservatórios fraturados.

Uma das muitas “aulas” apresentadas nos stands
O presidente para as Américas da PGS, J. Mark Wilkinson, comentou, sobre o repasse do Banco de Dados da ANP para outra empresa, que a gestão de dados é uma pequena parte do negócio e um trabalho “quase braçal”. “Podemos fazer mais que isso. A PGS quer marcar como uma empresa de serviços especializados, tais como survey design, survey acquisition, processing, serviços de interpretação e gestão de ativos para produção de petróleo. Temos um largo range de produtos e serviços para oferecer”. Wilkinson lembrou, ainda, que a empresa aplica as mais modernas tecnologias em seus trabalhos, que se iniciaram em 1995, no Brasil. Para ele, a abertura do mercado criou excelentes oportunidades para a PGS, que tem respondido bem aos clientes. “Podemos dizer que entendemos cada vez melhor o Brasil, tendo mais de 42.000 km2 de dados offshore e trabalhos em andamento nesse exato momento. Nossos negócios aqui são extremamente importantes, quase um quarto do total dos negócios da PGS”. Brasil, Oeste da África, Mar do Norte, Golfo do México, Pacífico (Ásia) e Canadá são os principais focos de atuação da PGS agora. A vedete da PGS, no entanto, durante o evento, foi a HD3D, nova geração de aquisição de dados que, no momento, está voltada para offshore, mas não se descarta o seu uso para pesquisas onshore. A nova tecnologia pode fazer varreduras maiores com bandas mais estreitas e muito maior resolução de dados mas, segundo Wilkinson, esse é um serviço que o Brasil ainda não demanda porque, em linhas gerais, usa-se HD3D quando se conhece bem uma localidade mas se quer ainda mais dados, conhecimentos mais profundos.
Minas Gerais estava representada pela Comig, e divulgou, entre outros trabalhos, o Programa de Levantamento Aerogeofísico de MG, considerado o grande marco para identificação de oportunidades de negócios de mineração naquele estado. Em sua primeira fase, o programa abrange seis áreas do estado, a maioria onde já existem jazidas. A Bahia, através da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, estava divulgando os mais recentes resultados de seu programa pioneiro de cobertura aerogeofísica, que existe desde 1973 e fez daquele estado o território mais bem conhecido e estudado geologicamente do país. Aos domínios conhecidos, somaram-se os levantamentos das faixas Itagimirim-Medeiros Neto e Ibitiara-Rio de Contas, estando em andamento o aerolevantamento do contexto Riacho Seco-Andorinha.
Estiveram expondo ainda a Hampson Russell, Quinal, Sun Microsystems, Beicip-Franlab, TGS Nopec, SBGf, WesternGeco, Network Appliance, Paradigm Geophysical, SGI, CGG, Sercel Inc., T-Surf, Quantec, Jason Geosystems, Robertson Geologging Inc., Green Mountain Geophisics, Petrobrás, Seismic Micro-Technology, Geosoft Latinoamérica, Scintrex, PGW, Roxar, CPRM, Seismic AustraliaVoxel Vision, EAGE, SEG, GeovariancesGXT, Fairfield, Veritas, Fugro Lasa Geomag, além da ANP que aproveitou a ocasião para lançar o 4º Round.
O número de trabalhos técnicos submetidos ao Congresso – mais de 530 – foi recorde. “Mas não só em quantidade, a qualidade técnica destaca-se, principalmente em tecnologia de reservatórios de águas profundas”, comentou Latgé.