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A partir de 15 de dezembro de 2003,
os certificados baseados na versão 1994 das normas ISO 9000 perderão a
validade. Após mais de dois anos de trabalho, o comitê técnico TC-176,
da ISO, publicou, em 15 de dezembro do ano 2000, a nova versão da norma.
Criado em 1986, o protocolo da ISO 9000 prevê atualizações num intervalo
médio de 5 anos. “A primeira revisão aconteceu em 1994. A versão 2000
traz agora uma visão da gestão”, pontua Alfredo Lobo, diretor de certificações
do Inmetro.
“Uma norma como essa, que acabou sendo adotada como padrão de referência
em diversos países, não pode ficar mudando a toda hora, pois provocaria
uma revolução na vida das empresas”, avalia Pedro Paulo Guimarães, vice-presidente
da certificadora Bureau Veritas.
Frederico Cabral, diretor de Certificações da Associação Brasileira de
Normas Técnicas – ABNT, explica que as mudanças na ISO 9000 requerem sugestões
dos agentes envolvidos com a norma – organismos credenciadores, entidades
certificadoras e usuários. “As mudanças na norma não nasceram na cabeça
de um grupo, foram solicitações dos próprios usuários”.
A principal diferença da versão 2000 em relação à anterior, destacada
por todos os agentes, é a ênfase na gestão do processo. “Enquanto a versão
94 da ISO 9000 enfatizava requisitos específicos de gestão da qualidade,
a edição 2000 da norma vem focada em qualidade da gestão”, explica Lobo.
“A nova norma deu ênfase ao sistema de gestão da qualidade”, complementa
Maurício Venturim, diretor de Certificações da DNV. Venturim destaca ainda
as diretrizes de melhoria contínua embutidas na nova versão e o maior
comprometimento da alta administração da empresa – o que torna o sistema
mais dinânico.
A ISO 9000:2000 também traz uma abrangência maior em relação ao atendimento
das necessidades de todas as partes da organização a ser certificada.
Na versão anterior, cada tipo de empresa se enquadrava em uma ramificação
da norma (ISO 9001, 9002 ou 9003), agora essa diferença estará descrita
no escopo de certificação. “A norma é aplicável a qualquer tipo de empresa”,
explica Cabral.
Nessa nova edição, os 20 requisitos do padrão anterior estão agora divididos
em quatro grupos: Responsabilidade da direção, Gestão de recursos, Realização
do Produto e Medição, Análise e Melhoria. A revisão permitiu uma série
de mudanças para facilitar a aplicação dentro das empresas, principalmente
as de pequeno e médio porte – uma das reclamações era quanto a inclinação
da ISO para o setor industrial, complicando a certificação para os segmentos
comercial e de serviços. “A nomenclatura está mais adaptada ao setor de
serviços, que utilizava a norma ISO 9000, mas apresentando alguma dificuldade
em compreender os conceitos”, pontua Cabral.
Um dos objetivos, tanto dos órgãos credenciadores quanto das entidades
certificadoras, é conseguir que micro e pequenas empresas implantem sistemas
de gestão com vistas à certificação. “A fase de certificação das grandes
empresas já passou, o mercado hoje gira em torno de médias e pequenas
empresas”, avalia Julio Fonseca, diretor da certificadora BVQI.
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Empresas têm dois anos para novos certificados
Seguindo as práticas internacionais e as orientações do International
Acreditation Forum – IAF, no Brasil foi estabelecida uma fase de transição
para a implantação da versão 2000. A versão 1994 da ISO ainda pode ser
utilizada para certificação de sistemas de gestão da qualidade até 15
de dezembro de 2003. “As empresas podem ser certificadas, ou renovar a
certificação com base na versão anterior. No ano 2001, mais de 90% dos
certificados foram emitidos com base na edição 1994”, conta Lobo.
Segundo Maurício Venturim, a tendência será, a partir do segundo semestre
de 2002, haver um aumento gradual no número de adaptações para a nova
ISO 9000. “Como as empresas têm prazo até o final de 2003, muitas estão
apostando em treinamento da nova versão”.
Isso justifica a retração no número de certificações em 2001. “Com a aproximação
da mudança de uma norma, quem já vinha trabalhando com a nova versão se
certificou. Outras empresas preferiram esperar a publicação para começar
seus trabalhos”, conta Cabral.
Pelos dados do Inmetro, mais de 3000 certificados foram expedidos baseados
na versão 1994, ao passo que, até o final de 2001, 125 certificados emitidos
estavam baseados na nova ISO 9000. “Por conta da edição da nova norma,
as empresas precisaram de um tempo para interpretar as mudanças”, completa
Alfredo Lobo.
Venturim explica que a DNV vem se preparando para atender a quantidade
de serviço que será gerada até o final de 2003, em virtude das adaptações
à versão 2000 da ISO.
ABNT e Inmetro querem acabar com uso indevido
da ISO
A ABNT – órgão representante da ISO no Brasil – e o Inmetro – órgão credenciador
de entidades certificadoras – estão preocupados com a maneira como a marca
ISO vem sendo utilizada no país. Não é difícil ver uma empresa que se
auto-intitula “certificada pela ISO”. Segundo Cabral, a certificação não
é feita pela instituição ISO, mas por intermédio de uma certificadora.
“A entidade certificadora assegura que o sistema de gestão da empresa
tenha um padrão de qualidade dentro da norma ISO”.
Outro problema é a confusão formada entre certificação de sistema de gestão
e qualidade do produto. O diretor da ABNT explica que a ISO não é sinônimo
de excelência de produto, mas uma norma de gestão. “O produto não é especificado
na certificação ISO 9000. Para isso, existem as certificações de produtos”,
explica o diretor de certificações da ABNT.
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