Edição 233 – Dezembro/Janeiro de 2002

Muda o comando, permanece a filosofia
Gros: continuidade na gestão

2002 inicia com mudanças no comando de duas das principais instituições do setor de petróleo no Brasil. Francisco Gros assume a presidência da Petrobras, e Sebastião do Rego Barros passa a dirigir a Agência Nacional do Petróleo. Os dois assumem seus cargos na reta final do processo de abertura do setor, em meio a liberação das importações de gasolina e diesel.
O economista Francisco Roberto André Gros deixou a presidência do BNDES, onde estava desde março de 2000, para substituir Henri Philippe Reichstul. “Certamente os desafios são grandes, muito especialmente o de enfrentarmos a nova realidade competitiva do mercado a partir de agora”, disse Gros, em seu discurso de posse.
O novo presidente da Petrobras anunciou que vai dar continuidade à gestão de Reichstul, mantendo inclusive todos os diretores. A internacionalização da empresa, a questão ambiental e o foco em gás e energia são metas que Gros pretende levar adiante. “A companhia, sob liderança de Philippe e de sua equipe, se reformulou e se modernizou, já se preparando para enfrentar uma nova realidade de mercado. São processos de gestão que estão em curso e que serão plenamente implantados ao longo dos próximos meses”.
Entretanto, Gros considera que a Petrobras poderá não repetir o excelente desempenho financeiro atingido em 2000. “O preço do petróleo e a taxa de câmbio tiveram impactos muito positivos sobre o balanço da empresa. Neste ano, se mantiverem a tendência de queda, é natural uma redução na rentabilidade”.
Gros, que já presidiu o Banco Central e a Aracruz Celulose, tem intimidade com os negócios da companhia: foi membro do Conselho de Administração da Petrobras e da Câmara de Gestão da Crise Energética.
Ao deixar o cargo, Reichstul foi aplaudido pelos funcionários da Petrobras presentes na solenidade de posse. Em seu discurso, Reichstul lembrou dos momentos que passou durante os dois anos e oito meses em que esteve à frente da companhia. “Se eu colaborei na transformação desta empresa, também me transformei”, disse o ex-presidente.

Discurso de posse de Rego Barros

Na ANP, dois novos diretores
Quase ninguém se deu conta que John Forman assumiu o lugar deixado por Giovanni Toniati na Agência Nacional do Petróleo. O foco estava sobre seu superior, o embaixador Sebastião do Rego Barros, que substituía o engenheiro David Zylberstajn no comando da entidade.
O novo diretor-geral assumiu a Agência comprometendo-se a atuar para aperfeiçoar a fiscalização no setor, para assegurar a qualidade do combustível, agindo contra formas desleais de concorrência. “A ANP não hesitará intervir contra eventuais abusos dos agentes econômicos”, disse Rego Barros, em seu discurso de posse.
A habilidade em negociar pode ser útil para o novo diretor-geral, que terá pela frente a missão de conduzir a etapa final do processo de abertura do setor. No currículo de Rego Barros constam o Departamento Econômico do Itamaraty e embaixadas na Rússia, Ucrânia e Argentina – ou seja, experiência com assuntos energéticos e econômicos.
O novo diretor considera inevitável a queda nos preços dos combustíveis, em conseqüência da redução na cotação internacional do petróleo, da valorização cambial, da liberação dos preços no mercado, e da criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico –Cide.
Outros pontos destacados em seu discurso de posse são o aperfeiçoamento do marco regulatório, o fomento ao uso racional de energia, preocupações como a prevenção de acidentes de trabalho e a ampliação das áreas de prospecção.
A exemplo de Francisco Gros, Rego Barros prometeu continuidade na gestão da Agência. “Pautarei minha conduta pela continuidade das boas políticas já adotadas pela ANP”.