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2002 inicia com mudanças no comando
de duas das principais instituições do setor de petróleo no Brasil. Francisco
Gros assume a presidência da Petrobras, e Sebastião do Rego Barros passa
a dirigir a Agência Nacional do Petróleo. Os dois assumem seus cargos
na reta final do processo de abertura do setor, em meio a liberação das
importações de gasolina e diesel.
O economista Francisco Roberto André Gros deixou a presidência do BNDES,
onde estava desde março de 2000, para substituir Henri Philippe Reichstul.
“Certamente os desafios são grandes, muito especialmente o de enfrentarmos
a nova realidade competitiva do mercado a partir de agora”, disse Gros,
em seu discurso de posse.
O novo presidente da Petrobras anunciou que vai dar continuidade à gestão
de Reichstul, mantendo inclusive todos os diretores. A internacionalização
da empresa, a questão ambiental e o foco em gás e energia são metas que
Gros pretende levar adiante. “A companhia, sob liderança de Philippe e
de sua equipe, se reformulou e se modernizou, já se preparando para enfrentar
uma nova realidade de mercado. São processos de gestão que estão em curso
e que serão plenamente implantados ao longo dos próximos meses”.
Entretanto, Gros considera que a Petrobras poderá não repetir o excelente
desempenho financeiro atingido em 2000. “O preço do petróleo e a taxa
de câmbio tiveram impactos muito positivos sobre o balanço da empresa.
Neste ano, se mantiverem a tendência de queda, é natural uma redução na
rentabilidade”.
Gros, que já presidiu o Banco Central e a Aracruz Celulose, tem intimidade
com os negócios da companhia: foi membro do Conselho de Administração
da Petrobras e da Câmara de Gestão da Crise Energética.
Ao deixar o cargo, Reichstul foi aplaudido pelos funcionários da Petrobras
presentes na solenidade de posse. Em seu discurso, Reichstul lembrou dos
momentos que passou durante os dois anos e oito meses em que esteve à
frente da companhia. “Se eu colaborei na transformação desta empresa,
também me transformei”, disse o ex-presidente.
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Na ANP, dois novos diretores
Quase ninguém se deu conta que John Forman assumiu o lugar deixado por
Giovanni Toniati na Agência Nacional do Petróleo. O foco estava sobre
seu superior, o embaixador Sebastião do Rego Barros, que substituía o
engenheiro David Zylberstajn no comando da entidade.
O novo diretor-geral assumiu a Agência comprometendo-se a atuar para aperfeiçoar
a fiscalização no setor, para assegurar a qualidade do combustível, agindo
contra formas desleais de concorrência. “A ANP não hesitará intervir contra
eventuais abusos dos agentes econômicos”, disse Rego Barros, em seu discurso
de posse.
A habilidade em negociar pode ser útil para o novo diretor-geral, que
terá pela frente a missão de conduzir a etapa final do processo de abertura
do setor. No currículo de Rego Barros constam o Departamento Econômico
do Itamaraty e embaixadas na Rússia, Ucrânia e Argentina – ou seja, experiência
com assuntos energéticos e econômicos.
O novo diretor considera inevitável a queda nos preços dos combustíveis,
em conseqüência da redução na cotação internacional do petróleo, da valorização
cambial, da liberação dos preços no mercado, e da criação da Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico –Cide.
Outros pontos destacados em seu discurso de posse são o aperfeiçoamento
do marco regulatório, o fomento ao uso racional de energia, preocupações
como a prevenção de acidentes de trabalho e a ampliação das áreas de prospecção.
A exemplo de Francisco Gros, Rego Barros prometeu continuidade na gestão
da Agência. “Pautarei minha conduta pela continuidade das boas políticas
já adotadas pela ANP”.
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