| Edição 234 – Fevereiro de 2002 |
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Gás Natural já supre indústrias nacionais |
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O Brasil acorda para uma realidade
antes não vista e que chega para mudar, ainda que tardiamente, os rumos
do setor de energia no país. A nova visão sobre o gás natural escancara
janelas antes muito previdentes de se abrir. A realidade é que o gás natural
chegou pra ficar, mesmo que 100 anos atrás da vizinha Argentina. |
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| Fora a vedete do Brasil-Bolívia, ainda acredita-se
que se possa aumentar a produção em Urucu que atualmente gera cerca de 6
milhões de m³ de gás que são reinjetados nos campos por não se ter como
fazer o escoamento – está nos planos da Petrobrás o fornecimento do gás
natural para uma termelétrica a ser instalada em Porto Velho até agosto
de 2003. O setor esbarra, porém, em alguns problemas como por exemplo o nó da questão tributária, já que o gás trazido da Bolívia tem ICMS, o que torna o produto mais caro. Queda de braço A Agência Nacional de Petróleo estabeleceu as regras para a elaboração do Manual do Concurso Aberto, que prevê que os transportadores poderão ofertar e alocar capacidade disponível para o serviço de transporte firme decorrente da expansão de suas instalações de transporte de gás natural. Com o intuito de incentivar a concorrência, esta legislação limita os carregadores, que possuem mais de 50% da capacidade contratada firme da instalação de transporte antes da expansão, a contratar até 40% da capacidade ofertada. Com isso, a Petrobras só poderia contratar apenas 40% da capacidade. O que se esperava era que estas novas regras configurassem um novo marco para o setor de gás natural brasileiro. Nove empresas participaram do concurso: BG, El Paso, TotalFinaElf, Petrobras, Repsol, Shell, Guardian do Brasil Vidros Planos, Pan América Energy e Nadir Figueiredo. Recentemente a BG South Cone, subsidiária do grupo BG no país, e a Petrobras mostraram que, mesmo com as novas regras do mercado, os players estão longe de se entenderem. As duas fortes companhias estão disputando uma queda de braço pelo acesso ao Gasbol. A BG pretende denunciar a Petrobras ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas esperava da ANP a regulamentação de um termo de conduta para ao setor de transporte de gás natural. A Petrobras bloqueou os caminhos para a chegada do gás da BG, que é importado da Bolívia até a Comgás, indo diretamente contra a determinação da ANP para o livre acesso ao gasoduto. A BG reclama prejuízos de US$ 6 milhões por mês. A ANP se manifestou, em relação ao entrave entre BG e Petrobras, que ganhou um novo capítulo na intenção da estatal manifestar interesse em adquirir ativos da Enron na Ceg e Ceg Rio, recomendando que a empresa vendesse 2% da sua participação no Gasbol. O presidente da Petrobras, Francisco Gros foi categórico: “A questão sobre a compra de ações da Enron (na Ceg e Ceg Rio) e a saída de parte do Gasbol são independentes. No gasoduto a ANP continua buscando uma política de livre acesso, que a Petrobras apóia desde que respeitados os contratos existentes. No caso da aquisição dos ativos da Enron ou qualquer outra empresa do setor de gás, não é um tema de responsabilidade da ANP. É um tema dos órgãos de defesa da concorrência”. E parece que a Petrobras não está mesmo interessada nas reclamações da BG. Tanto assim que o presidente da Petrobras, Francisco Gros, e o ministro das Minas e Energia, José Jorge se reuniram com o ministro de Desenvolvimento Econômico da Bolívia, Carlos Kempff, o vice-ministro de Energia, Carlos Salinas, e o presidente da YPFB, Hugo Peredo. Para anunciar a criação de cinco grupos de trabalho que terão 60 dias para estudar e apresentar fórmulas que permitam aumentar a participação do gás natural na matriz energética brasileira dos atuais 9% para 17% até 2004 e também para agregar valor ao gás boliviano, fazendo com que o país vizinho exporte não apenas gás para o Brasil, mas também energia elétrica e produtos petroquímicos. |
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| Os cinco grupos de trabalho criados vão tratar
de assuntos relacionados ao gás, energia elétrica, pólo gás químico, integração
física e estratégica, além da coordenação e planejamento dessa estratégia.
Um dos grupos, encarregado do gás, analisará as conseqüências da ampliação
do gasoduto Bolívia-Brasil e das importações do produto. Já os representantes da Bolívia mostraram seu interesse na construção de um pólo de gás químico no valor de US$ 1 bilhão em seu território, para aproveitar o etano do gás exportado pelo Gasbol. Petrobras e Odebrecht realizam estudos de viabilidade desse projeto, considerando a possibilidade da criação de uma zona aduaneira na fronteira. José Jorge disse que estudos iniciais da Petrobras indicam isso só seria viável com a possibilidade de exportar 50 milhões de m3 de gás para o Brasil. Como se sabe, o gasoduto só tem capacidade para 30 milhões, e a planta dependerá de da ampliação. Progap aposta no setor termelétrico Um dos responsáveis pelo crescimento do setor foi o BNDES que através do Progap (Programa de Apoio a Investimentos de Petróleo e Gás) já cobriu cerca de R$ 376 milhões só no ano de 2001. No total os investimentos já chegaram a R$ 693 milhões. Comgás, SCGás, SulGás e Ceg/Ceg Rio, fazem parte do portifólio do banco, que investiu pesado no setor de olho na geração de energia a partir de termelétricas. A Eletrobrás estima que, no período do plano Decenal 1997/2006, serão construídas 24 usinas termelétricas com potencial para gerar 7.123 MW, dos quais 72% seriam produzidos a partir do gás natural oriundo da Bolívia, Argentina e Bacia de Campos. A Petrobras, por sua vez, planeja construir no mesmo horizonte de tempo nove termelétricas para cogerar 1.060 MW em suas refinarias. Esse conjunto de 33 plantas fará com que a geração termelétrica eleve sua participação na oferta de eletricidade de 8% em 1996, sobre uma capacidade instalada de 57,6 GW, para 17% em 2006, de um total planejado de oferta de 90,2 GW. Estes dados não incluem os projetos de co-geração que vem sendo desenvolvidos no setor industrial, nem as termelétricas de âmbito regional. Os valores estimados atualmente para a implantação desse parque termelétrico são da ordem de US$ 5 bilhões. A oferta de bens e serviços nacionais para este segmento varia inversamente com o tamanho das plantas, situação em que o país teria maior dificuldade de atender competitivamente. Entretanto, em princípio, seria possível promover-se uma política indutiva da nacionalização de itens críticos e de elevado valor agregado, tais como caldeiras, geradores e “chiller”. |
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| Os players Dentre os players do setor destacam-se a Comgás que em 2001 investiu em 250 quilômetros de rede para o interior do Estado de São Paulo atendendo o dobro de municípios em dois anos e meio. Atualmente a Comgás distribui cerca de oito milhões de m3 diários que são recebidos do Gasbol. Antes da BG ganhar o direito ao livre acesso, chegava-se apenas a 3 milhões de m3. A Comgás cresceu e atende cerca de 320 mil clientes. Já no Rio de Janeiro, a Ceg, tem o desafio de modernizar sua estrutura de mais de 50 anos e se preparar para atender um enorme mercado que inclui 11 termelétricas no Estado que prometem gerar 4.875 MW de energia, consumindo 23 milhões de m3. Em 2001 foram renovados cerca de 72 quilômetros de rede e o total geral da reforma já chega aos 269 quilômetros de tubulação de gás. A intenção é que até o ano de 2005 algo perto de 35% dos 2.278 quilômetros sejam substituídos em um investimento de cerca de R$ 140 milhões. O investimento final até 2005 na ampliação da rede de distribuição pode chegar a 700 milhões. Hoje, no Estado do Rio, três ramais estão sendo construídos: Guapimirim/Itaboraí, que deverá ter no total 80 quilômetros, passando por São Gonçalo e Niterói; Cabiúnas/Macaé, com 10 quilômetros, e Japeri/Seropédica, com 30 quilômetros de extensão. Ainda em São Paulo, a Gas Natural corre contra o tempo. Os R$ 100 milhões previstos anteriormente para os próximos cinco anos estão sendo investidos em 2001 e 2002, nas obras de 100 quilometros de rede. Já a Gas Brasiliano, empresa controlada pela italiana Agip e responsável pela área de concessão da região Noroeste do Estado de São Paulo, integrada por 375 municípios, começou a assentar a tubulação da sua rede de distribuição em Araçatuba. A intenção é fazer a instalação de uma ligação entre o citygate do gasoduto Bolívia- Brasil ( Gasbol ), situado no município vizinho de Bilac e a entrada do futuro sistema da cidade. Os investimentos iniciais são de R$ 26,5 milhões. A distribuição de gás natural está programada para começar ainda neste semestre. A Gas Brasiliano arrematou a região Noroeste de São Paulo por R$ 275 milhões, durante leilão realizado em novembro de 1999. |
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Mais gás Boliviano
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| O presidente da Petrobras, Francisco Gros, e o presidente
da Bolívia, Francisco Quiroga, inauguraram a segunda fase da planta de Gás
Natural do Campo de San Alberto, localizada no município de Carapari, na
província de Gran Chaco, departamento de Tarija, na Bolívia. No mesmo dia,
foram iniciadas as obras do Gasoduto Yacuiba/Rio Grande, também naquele
país, destinado a aumentar a transferência, para o Brasil, do gás natural
produzido pela Petrobras Bolívia. A função da planta é extrair, do gás natural,
suas frações líquidas (condensado), comercializadas no mercado interno boliviano,
para produção de gasolina e nafta. Após esse processamento o gás é transferido
para consumo no Brasil, através do Gasoduto Bolívia - Brasil . A primeira
fase da planta de gás foi inaugurada em janeiro de 2001. A capacidade de processamento de cada uma das plantas é de 6,6 milhões de m3 de gás por dia. A nova unidade permitirá elevar a produção diária do Campo de San Alberto, que atualmente é de 2,8 milhões de m3/dia de gás e 334 m3/dia de condensado, para 13,2 milhões de gás e 10.000 barris de condensado, em 2003. O outro campo, o de San Antônio, ainda em fase de desenvolvimento, deverá produzir 5,9 milhões de m3/dia em 2003. Até o ano de 2005 os dois campos, cujas reservas somam 333 bilhões de m³ estarão produzindo, juntos, cerca de 28, 6 milhões de m³/dia. Parceria internacional - O empreendimento começou em 1996 como resultado de parceria da Petrobras Bolívia (35%) com a Andina S.A. (grupo Repsol-YPF) (50%) e Total Exploration Production Bolivie (15%), envolvendo investimentos de US$ 260 milhões. Esses recursos, além da construção das unidades de processamento, permitiram a perfuração de cinco poços ultraprofundos que estão ligados à planta por gasodutos de 10 polegadas e 20 km de comprimento. Gasoduto Yacuiba - Rio Grande - O novo gasoduto será construído pela empresa Transiera S.A. e terá uma extensão de 431 quilômetros e capacidade de transporte de 23 milhões de m3 por dia. Os investimentos são da ordem de US$ 400 milhões de dólares. O tempo estimado para a conclusão das obras é de um ano. O Transierra S.A. é uma empresa boliviana criada em 8 de novembro de 2000, com a finalidade de atuar como transportadora do gás natural proveniente dos campos de San Alberto e San Antonio, que são operados pela Petrobras Bolívia S.A. e pelos sócios TotalFINAELF e Repsol-YPF. Além da construção, a Transierra S.A. será a operadora do gasoduto Yacuiba - Rio Grande durante os próximos 40 anos. Ele passará por 49 comunidades rurais, atravessando os rios Pilcomayo, Parapetí e Grande nos departamentos bolivianos de Tarija, Chuquisaca e Santa Cruz. A conclusão da obra está prevista para janeiro de 2003, iniciando-se imediatamente suas operações. A capacidade inicial de transporte é 11 milhões de m3 de gás por dia, desde os campos de San Alberto e San Antonio. A operação e a monitoração do gasoduto serão realizadas à distância, através de satélite, pela Central de Supervisão e Controle de Transierra em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A central deverá funcionar 24 horas, ininterruptamente e receberá informações sobre as condições operacionais, executando imediatamente as operações necessárias para mantê-lo em bom funcionamento. |
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2002: R$ 300 milhões em postos GNV
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| A rede de postos que comercializam o GNV pretende crescer
em 157,6% por conta das seis principais distribuidoras do país – BR, Ipiranga,
Esso, Shell, Texaco e Ale, que investiram R$ 280,4 milhões a serem aplicados
em 325 novos postos em 2002. A corrida entre as distribuidoras de combustíveis
leva em conta a busca dos melhores pontos de venda de gás natural veicular.
O aumento da frota de veículos movidos a GNV e o conseqüente aumento do consumo são a maior explicação para isso. Em 2001 as concessionárias de gás natural canalizado comercializaram aproximadamente 640 milhões de m3 de GNV. O dobro do consumido em 2000 e que promete se multiplicar em cinco vezes até 2005. O crescimento do mercado de GNV produziu uma queda entre 4% e 3% do volume comercializado de gasolina. Agip Através da aquisição da Cia. São Paulo de Petróleo, empresa tradicional do setor, a Agip iniciou suas atividades na distribuição de combustíveis no Brasil em 1998. No mercado de gás natural veicular, a Agip inaugurou em 1994 seu primeiro posto de GNV no município de São Paulo. Atualmente a rede Agip conta com mais 4 postos de GNV no município do Rio de Janeiro, sendo 3 em funcionamento, o primeiro inaugurado em março de 2000 e um a inaugurar neste mês de fevereiro. Também em Belo Horizonte / MG, funcionam mais dois postos com GNV sob a bandeira IPÊ, distribuidora recém adquirida pela Agip. Neste cenário, a Agip tem 2,5% de participação nacional no volume de vendas de GNV e 2,4% em número de postos. “O GNV é um importante programa de investimentos e vem se desenvolvendo com destaque. Por isso estamos adotando uma política de participação no processo de expansão, entendendo a importância de um combustível menos poluente e a alternativa para os grandes centros urbanos, sempre considerando as características específicas do negócio”, conta Itiel Loureiro, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Agip. Ale – A mineira Ale Combustíveis - distribuidora ligada ao Grupo Asamar - faturou, em 2001, R$ 980 milhões, resultado 69% superior ao registrado no ano anterior (R$ 580 milhões). Para 2002, a expectativa da companhia é aumentar o faturamento em 32%, atingindo R$ 1,3 bilhão. O crescimento da rede de postos revendedores e o aumento do volume de combustíveis comercializado também foram expressivos. A Rede Ale, que em 2000 era formada por 290 postos, fechou o ano passado com 348 revendas (crescimento de 20%). Já o volume de combustíveis movimentado no ano passado foi 947 mil m3, contra 670 mil m3 em 2000 (um incremento de 41%). Para 2002, a expectativa da empresa é que a Rede Ale cresça para 435 postos revendedores e o volume movimentado chegue a 1,262 milhão de m3. Para atingir essas metas, a Ale irá investir R$ 32 milhões. Na avaliação do diretor-superintendente da Ale, Cláudio Zattar, o bom desempenho da companhia foi motivado pela expansão da rede revendedora e também pelo crescimento da participação no mercado spot (venda para postos de bandeira branca) e nas redes de hipermercados, como o Carrefour, Extra e Bretas. Dos 277 mil m3 de combustíveis comercializados a mais em relação a 2000, a Rede Ale foi responsável por 40%; o mercado spot, 35%; e os postos em hipermercados, 20%. A venda para consumidores finais (transportadoras e empresas de ônibus) representou 5% do volume incremental movimentado. Segundo Zattar, uma das grandes apostas da Ale para este ano será no segmento de gás natural veicular. Atualmente com três postos em funcionamento no Rio de Janeiro (capital, Duque de Caxias e Nova Iguaçu), a companhia pretende inaugurar em 2002 18 novas revendas especializadas em GNV: três no Rio de Janeiro, oito em São Paulo e sete em Minas Gerais. Hoje, a Ale movimenta cerca de 700 mil m3 de GNV por mês. Com a expansão da rede, o volume movimentado mensalmente passará para 2,125 milhões de m3, um aumento de 204%. O investimento para a implantação dos 18 postos de GNV será da ordem de R$ 14,4 milhões, 50% do montante a cargo da Ale. O restante será investido pela britânica BG Group, que firmou, no ano passado, uma parceria com a Ale para a abertura de postos de GNV em São Paulo. |