É possível mensurar ganho ambiental a partir da certificação ISO
14001? Se partirmos do princípio que a gestão ambiental está relacionada
com desempenho ambiental, identificação de impactos e responsabilidades,
a resposta pode ser afirmativa. A dimensão fica mais clara quando
a quantificação está relacionada com redução do consumo de água e
energia, ou redução nas emissões de efluentes. Mas isso são apenas
alguns pontos que podem relacionar a certificação da norma com os
resultados financeiros.
A Petrobras, que recentemente atingiu a certificação ISO 14001 em
todas unidades de negócios, vem desenvolvendo uma metodologia para
quantificar os benefícios promovidos pela gestão ambiental. “Se a
gestão de saúde, meio ambiente e segurança é parte indissociável do
negócio, é questão de responsabilidade da companhia atender a legislação,
mas a visão da Petrobras é alcançar a referência internacional nessas
questões”, explica Rui Fonseca, gerente executivo de SMS da Petrobras.
Para o diretor, os critérios para avaliar o desempenho de uma companhia
perpassam a administração e os assuntos financeiros, chegando a questões
ambientais – onde o fator de risco é inerente às suas atividades.
Da agilidade na obtenção de licenciamentos ambientais à boa imagem
junto aos investidores, o gerente destaca outros benefícios assegurados
pela gestão ambiental. “A partir do momento que a empresa tem uma
gestão mais eficaz, consegue obter licenciamentos em menores prazos,
de forma que os empreendimentos possam entrar em operação o mais breve
possível. E quanto melhor a gestão de saúde, meio ambiente e segurança,
melhor será a relação com os investidores. A empresa também obtém
melhores linhas de financiamento, e consegue também adequar o aspectos
de seguros”.
Para Nelson Christianini, gerente de Meio Ambiente da Polibrasil,
a certificação dos sistemas de gestão tem um importante papel no planejamento
e organização da empresa, determinando padrões para a implementação
de medidas de controle e busca de boas práticas, e também estabelecendo
os critérios de monitoramento e requerendo a prática da melhoria contínua.
“A verificação dos sistemas de gestão por terceiros para a manutenção
dos certificados é um agente motivador, para que os sistemas sejam
mantidos e aperfeiçoados. Desta forma, a certificação efetivamente
tem como um dos seus produtos fortes promover a melhoria no desempenho
ambiental”.
Seja por questões ambientais, empresariais, ou até mesmo para ser
utilizada como ferramenta de marketing, a procura pelo certificado
tem aumentado no Brasil. “O mercado está crescendo. Ano a ano aumenta
a equipe que trata do assunto na BVQI”, comenta Hugo Pacheco, gerente
técnico da certificadora.
Entre os motivos do aumento na demanda, Hugo destaca a cobrança das
chamadas “partes interessadas” – ONG’s, vizinhança, clientes. “Uma
boa gestão ambiental contribui diretamente para a gestão do negócio”.
À frente desses certificados estão as indústrias petroquímicas, de
mineração e de papel e celulose. “Geralmente a busca por uma certificação
ISO 14000 parte de uma decisão corporativa de empresas multinacionais,
e suas filiais brasileiras têm que buscar a certificação de seus sistemas
de gestão ambiental, adequando-se ou superando, em alguns casos, a
padrões internacionais de desempenho ambiental. Isso incentiva toda
a cadeia produtiva”, avalia Sílvio Hirata, auditor líder de ISO 14000
da DNV.
Mudanças
Criada em 1996, a norma ISO 14001 já se prepara para uma primeira
atualização. “A norma já está em revisão pelo Comitê Técnico 207 da
Organizaçao Internacional de Normalização – ISO, visando o seu aperfeiçoamento.
No entanto, a revisão final das mesmas, só deverá ser concluída no
final de 2003, pois necessita de consenso dos países membros”, conta
Sergio Pinto Amaral, coordenador Corporativo do Processo ISO 14000
na Petrobras.
A mais importante mudança, no entanto, não será contemplada: a integração
com os sistemas de gestão da qualidade e de segurança ocupacional.
“Nesta revisão deveria ser considerada a integração com o Sistema
de Saúde e Segurança do Trabalho, dada a total sinergia que estes
processos apresentam em todos os requisitos definidos. No entanto,
isto não está sendo contemplado”, critica Christianini.
“A ISO 14001 já nasceu moderna. Além disso, a versão 2000 da ISO 9001
se aproximou mais da norma ambiental”, justifica Pacheco.
Independente da quantidade de aspectos comuns entre as duas normas,
a tendência das empresas é integrar num sistema unificado a gestão
ambiental com qualidade e saúde e segurança ocupacional. “Dependendo
do processo, o controle pode ser único”, completa o gerente da BVQI.
Christianini explica que o sistema de gestão ambiental é semelhante
ao sistema de gestão de saúde e segurança no trabalho em praticamente
todos os requisitos. O diferencial está somente na metodologia utilizada
na identificação dos riscos e medidas de controle. “Há também uma
sinergia com o sistema de gestão da qualidade, pelo uso de estrutura
organizacional e ferramentas comuns, principalmente com a nova estruturação
dada à norma ISO 9001.
A própria ISO já vem trabalhando na criação de uma norma única, para
certificação dos sistemas de qualidade e ambiental. “Já existe um
draft para a ISO 19000, que ainda está numa fase de discussões. Também
está sendo criada a ISO 19011, estabelecendo os critérios de auditoria
em sistemas integrados”, conta Pacheco.
Gerenciamento dos resíduos
Uma das preocupações em relação à gestão ambiental é o gerenciamento
de resíduos, tanto pela normatização quanto pela legislação. “Resíduos,
são pela própria natureza, o resultado final do processo de produção.
Bem controlados, e devidamente separados por classe de resíduos, podemos
perfeitamente estabelecer controles de processos, que facilitam o
destino final. O que não se pode fazer, é mistura-los entre si, dificultando
a sua caracterização, tornando difícil e com alto custo a eliminação
final destes resíduos. Temos controles de processo de resíduos, tornando
assim uma tarefa muito mais fácil, e o que é melhor, sem trazer prejuízos
ambientais”, explica o diretor industrial da Rohm and Haas, Antonio
Pizzigatti.
A Petrobras, por exemplo, dispõe de diversas normas técnicas, padrões
e procedimentos para o gerenciamento de resíduos em uso nas várias
unidades de negócios. “Algumas normas e padrões são corporativas e
desenvolvidas pelo Comitê de Resíduos da Petrobras, que tem coordenação
da Unidade Segurança, Meio Ambiente e Saude, com participação do Cenpes”,
explica o coordenador Corporativo do Processo ISO 14000 da empresa.
O próprio programa Pégaso, criado pela empresa após o derramamento
de óleo na Baía da Guanabara, há dois anos, mantém um quesito sobre
o controle de resíduos. Do orçamento reservado ao programa, R$ 570
milhões são destinados à melhoria de efluentes. “O mais importante
são as tecnologias que minimizam a geração de resíduos. Hoje o Centro
de Pesquisas trabalha no desenvolvimento dos processos de exploração,
produção ou refino que gerem menos resíduos”, conta Rui Fonseca.
Na Refinaria de Paulínia, a Petrobras vem desenvolvendo um projeto
para eliminar a emissão de efluentes. A idéia é converter todo efluente
em água de reúso – além de acabar com o despejo de efluentes nos cursos
d’água, o projeto reduzirá a captação de água.
Na Polibrasil, a implantação do sistema de gestão ambiental permitiu
que fosse implementado o processo de melhoria contínua no desempenho
ambiental da empresa, principalmente com a melhoria da qualidade dos
efluentes e redução das emissões. “Todos os resíduos gerados na Polibrasil
são classificados de acordo com os critérios da NBR 10004 e tratados,
tanto no armazenamento como na destinação, conforme definido na legislação”,
conta o gerente de Meio Ambiente da empresa.
Christianini explica que a nova unidade que a Polibrasil está construindo
em São Paulo, com capacidade de 300 toneladas anuais, tem como uma
de suas características a questão ambiental. “A tecnologia Spheripol
reduz sensivelmente as emissões atmosféricas, a geração de efluentes
líquidos e resíduos sólidos”.
Para se ter uma idéia, comparando esta unidade com uma planta com
processo Slurry com uma capacidade de 125 toneladas, há uma queda
na vazão de efluentes de 12 m³/h para 2,8 m³/h, e na geração de resíduos
de 170 ton/ano para não detectável. ”Como consequência direta esta
nova planta traz uma redução de custo ambiental em relação ao processo
Slurry de US$ 1,00 / ton produzida para US$ 0,20 / tonelada”.
Como ainda mantém o processo Slurry para a produção de polipropileno,
a Polibrasil encaminha parte do resíduo catalítico para uma indústria
de cerâmica.
A Rohm and Haas também estuda a reutilização de polímeros residuais
na producão de cerâmica. O material, que é incinerado, pode aumentar
a resistência física das peças.“Todos os resíduos sólidos, são hoje
separados e devidamente controlados. Uma parte é enviada para co-processamento
para posterior incineração em cimenteiras autorizadas para este serviço
pelos órgãos ambientais e outra parte é enviada para reciclagem. Uma
parte deste resíduo, que podemos denominar de sub-produto, já que
tem um processo de geração controlado, pode eventualmente ser utilizado
como agente de processo, pela indústria de cerâmica. Estamos junto
com uma destas indústrias, fazendo testes experimentais”, conta o
diretor industrial da empresa.
Na Petroquímica Triunfo, a borra oleosa retirada do separador água-óleo
passou a ser enviada para co-processamento numa cimenteira do Paraná,
onde é utilizada como carga térmica nos fornos. O resíduo, por seu
alto poder calorífico, pode ser reaproveitado, caracterizando-se como
uma reciclagem energética. |
|
| Na Edição Impressa |
|
Câmbio e nafta afetam resultados das petroquímicas
ANP é contrária a utilização de GLP
como alternativa energética
Rio: líder no desenvolvimento de gás natural
Petrobras reajusta preços de derivados
Indústria do petróleo vai contratar 15.600
Revista Petro & Química homenageia empresas TOP 2001
2001 foi um ano atípico na valiação do Siresp
Indústria do cloro discute sustentabilidade
E muito mais...
|
|