Edição 237 – Maio de 2002 – Revista Petro & Química
Em busca da competitividade
A indústria petroquímica brasileira entra agora em um processo de valorização. Arrumada a casa, durante o período pós-privatização, o novo ciclo vem sendo caracterizado pela busca da competitividade para elevar as empresas do setor à condição de players internacionais.

O principal desafio é compor estruturas integradas entre primeira e segunda geração – quem sabe até incluindo o setor de refino, produtor de matéria-prima para a petroquímica. “Não acreditamos que o negócio petroquímico, tão compartimentado como é no Brasil, possa dar certo no futuro”, avalia Roberto Garcia, presidente do Grupo Unipar.

Descrito assim, de forma simplificada, pode parecer uma fórmula mágica. Mas o processo de privatização do setor abriu espaço para o emaranhado de participações, e como conseqüência, o inevitável conflito causado pela presença de grupos concorrentes, com interesses distintos, na composição acionária de uma central petroquímica.

A integração mais adiantada vem sendo tocada pelos Grupos Odebrecht e Mariani na criação da Braskem – a integração dos ativos pertencentes aos dois grupos na Copene. “O processo é complexo. O desejo dos acionistas era concluir a integração em 31 de dezembro do ano passado, mas alguns elementos precisavam ser concluídos”, explica o diretor financeiro da Copene, Rui Sampaio.

No pólo petroquímico de Mauá / SP, o Grupo Unipar vem defendendo a integração da central com as empresas de segunda geração. Numa primeira etapa, o objetivo seria identificar as sinergias que existem entre a Refinaria de Capuava – Recap e a Petroquímica União para o abastecimento de matérias-primas. Paralelamente as empresas de segunda geração, principalmente a Polietilenos União e a Unipar Química, vêm identificando os ganhos que podem ser ocasionados pela integração. “Estamos identificando as empresas que poderiam ser agregadas ao negócio da Petroquímica União. Num primeiro momento aparecem as empresas onde a Unipar detém 100% das ações, porque o Grupo é o maior acionista da PQU”, conta Roberto Garcia.

Numa segunda etapa, essa Nova Petroquímica União – como o projeto vem sendo chamado – poderá se integrar com a Rio Polímeros e resultar na Petroquímica do Sudeste.

Retomada

Os problemas que afetaram o setor petroquímico em 2001 – a retração na demanda, o preço da nafta e a desvalorização cambial – já não comprometem, na mesma proporção, o desempenho das empresas em 2002. Estoques baixos e o reaquecimento da economia internacional indicam a retomada da demanda – as expectativas apontam um crescimento entre 6% a 10% na demanda por resinas. “Existe uma expectativa de crescimento, mas o setor petroquímico acompanha a economia. No primeiro trimestre deste ano, a demanda está no mesmo nível de demanda do segundo semestre do ano passado”, explica Wilson Matsumoto, superintendente da Petroquímica União.

“Não é absurdo considerar um crescimento da ordem de 10% ao ano no mercado de polietilenos, dentro de um cenário de crescimento da ordem de 4% a 5%. Ainda que o mercado tenha um excedente de 30%, se mantiver um ciclo razoável de estabilidade econômica, em três anos a operação da Rio Polímeros se faz necessária”, completa Roberto Garcia.

As paradas programadas pela Copene e Petroquímica União, além de interrupções nas plantas da Copesul – por problemas técnicos – e de Baía Blanca, poderão provocar a redução dos estoques de resinas, e conseqüente retomada das margens.

Outra solução traçada pela indústria é a negociação para a compra da nafta. A Copene e a Copesul firmaram acordo para comprar a matéria-prima da Petrobras com prazo maior para pagamento - agora as centrais têm 60 dias para efetuar o desembolso.

“O preço não é tão alto quanto a Petrobras queria e nem tão baixo como nós desejávamos”, limita-se a dizer o diretor financeiro da Copene, Rui Sampaio.

Também foi estabelecido que as centrais poderão importar diretamente 30% da nafta que consomem. Copene e Copesul já negociam com produtores internacionais esse suprimento. Somente a Petroquímica União não colocou em prática a recente autorização para importar nafta. A localização da PQU em Mauá, próxima de quatro refinarias da Petrobras, é um dos motivos apontados pela direção da empresa para não importar a matéria-prima.

Ainda resta equacionar a substituição das importações e o aumento das exportações: a falta de competitividade de algumas indústrias nacionais impede a formação de custos mais baixos. “Por isso estamos buscando um processo de otimização do todo para fazer uma petroquímica mais competitiva”, explica o presidente da Unipar.

A discussão é muito mais abrangente, atingindo a terceira geração. “Isso só pode ser feito na medida em que toda a indústria petroquímica opere de forma competitiva. Para isso, não basta realizar descontos em cadeias, é preciso reestruturar todo o negócio petroquímico, desde a matéria-prima até o produto transformado”.
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