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A indústria petroquímica brasileira entra agora em um processo de
valorização. Arrumada a casa, durante o período pós-privatização,
o novo ciclo vem sendo caracterizado pela busca da competitividade
para elevar as empresas do setor à condição de players internacionais.
O principal desafio é compor estruturas integradas entre primeira
e segunda geração – quem sabe até incluindo o setor de refino, produtor
de matéria-prima para a petroquímica. “Não acreditamos que o negócio
petroquímico, tão compartimentado como é no Brasil, possa dar certo
no futuro”, avalia Roberto Garcia, presidente do Grupo Unipar.
Descrito assim, de forma simplificada, pode parecer uma fórmula mágica.
Mas o processo de privatização do setor abriu espaço para o emaranhado
de participações, e como conseqüência, o inevitável conflito causado
pela presença de grupos concorrentes, com interesses distintos, na
composição acionária de uma central petroquímica.
A integração mais adiantada vem sendo tocada pelos Grupos Odebrecht
e Mariani na criação da Braskem – a integração dos ativos pertencentes
aos dois grupos na Copene. “O processo é complexo. O desejo dos acionistas
era concluir a integração em 31 de dezembro do ano passado, mas alguns
elementos precisavam ser concluídos”, explica o diretor financeiro
da Copene, Rui Sampaio.
No pólo petroquímico de Mauá / SP, o Grupo Unipar vem defendendo a
integração da central com as empresas de segunda geração. Numa primeira
etapa, o objetivo seria identificar as sinergias que existem entre
a Refinaria de Capuava – Recap e a Petroquímica União para o abastecimento
de matérias-primas. Paralelamente as empresas de segunda geração,
principalmente a Polietilenos União e a Unipar Química, vêm identificando
os ganhos que podem ser ocasionados pela integração. “Estamos identificando
as empresas que poderiam ser agregadas ao negócio da Petroquímica
União. Num primeiro momento aparecem as empresas onde a Unipar detém
100% das ações, porque o Grupo é o maior acionista da PQU”, conta
Roberto Garcia.
Numa segunda etapa, essa Nova Petroquímica União – como o projeto
vem sendo chamado – poderá se integrar com a Rio Polímeros e resultar
na Petroquímica do Sudeste.
Retomada
Os problemas que afetaram o setor petroquímico em 2001 – a retração
na demanda, o preço da nafta e a desvalorização cambial – já não comprometem,
na mesma proporção, o desempenho das empresas em 2002. Estoques baixos
e o reaquecimento da economia internacional indicam a retomada da
demanda – as expectativas apontam um crescimento entre 6% a 10% na
demanda por resinas. “Existe uma expectativa de crescimento, mas o
setor petroquímico acompanha a economia. No primeiro trimestre deste
ano, a demanda está no mesmo nível de demanda do segundo semestre
do ano passado”, explica Wilson Matsumoto, superintendente da Petroquímica
União.
“Não é absurdo considerar um crescimento da ordem de 10% ao ano no
mercado de polietilenos, dentro de um cenário de crescimento da ordem
de 4% a 5%. Ainda que o mercado tenha um excedente de 30%, se mantiver
um ciclo razoável de estabilidade econômica, em três anos a operação
da Rio Polímeros se faz necessária”, completa Roberto Garcia.
As paradas programadas pela Copene e Petroquímica União, além de interrupções
nas plantas da Copesul – por problemas técnicos – e de Baía Blanca,
poderão provocar a redução dos estoques de resinas, e conseqüente
retomada das margens.
Outra solução traçada pela indústria é a negociação para a compra
da nafta. A Copene e a Copesul firmaram acordo para comprar a matéria-prima
da Petrobras com prazo maior para pagamento - agora as centrais têm
60 dias para efetuar o desembolso.
“O preço não é tão alto quanto a Petrobras queria e nem tão baixo
como nós desejávamos”, limita-se a dizer o diretor financeiro da Copene,
Rui Sampaio.
Também foi estabelecido que as centrais poderão importar diretamente
30% da nafta que consomem. Copene e Copesul já negociam com produtores
internacionais esse suprimento. Somente a Petroquímica União não colocou
em prática a recente autorização para importar nafta. A localização
da PQU em Mauá, próxima de quatro refinarias da Petrobras, é um dos
motivos apontados pela direção da empresa para não importar a matéria-prima.
Ainda resta equacionar a substituição das importações e o aumento
das exportações: a falta de competitividade de algumas indústrias
nacionais impede a formação de custos mais baixos. “Por isso estamos
buscando um processo de otimização do todo para fazer uma petroquímica
mais competitiva”, explica o presidente da Unipar.
A discussão é muito mais abrangente, atingindo a terceira geração.
“Isso só pode ser feito na medida em que toda a indústria petroquímica
opere de forma competitiva. Para isso, não basta realizar descontos
em cadeias, é preciso reestruturar todo o negócio petroquímico, desde
a matéria-prima até o produto transformado”. |
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NA EDIÇÃO IMPRESSA
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Petro & Química - Edição
237
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