MATÉRIA DE CAPA 2 – Edição 251 - agosto de 2003
Sob Medida - por Flávio Bosco

Novo modelo, blocos excluídos por recomendação do Ibama, ausência das grandes companhias, e predomínio da Petrobras. Assim foi a Quinta Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo. No final, dos 908 blocos oferecidos, 101 foram adquiridos – resultado considerado satisfatório tanto pelo Governo Federal quanto pela ANP, que arrecadou R$ 27,4 milhões com a venda de 20 blocos em terra, 69 em águas rasas e outros 12 em águas profundas.

“Ficamos extremamente satisfeitos ao ver pequenas empresas participando dessa Quinta Rodada de licitações, que foi o objetivo da organização”, comentou a secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Silva Foster.

“Gostaria de ver um número ainda maior de pequenas empresas”, completou o diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego Barros.

Isso porque, proporcionalmente ao volume produzido, as pequenas empresas geram mais empregos que as grandes companhias.

Rego Barros cita como exemplo a produção de petróleo no Alasca e no Texas: enquanto no Alasca, com uma produção de aproximadamente 1,5 milhão de barris por dia, gerando cerca de 10 mil empregos, no Texas, caracterizado pela presença marcante de pequenas e médias empresas, o número de empregos chega a 180 mil para uma produção de 700 mil barris diários.

Outro ponto destacado pelo diretor é a demanda por equipamentos criada por essas empresas. “As pequenas empresas têm vocação para explorar campos onde há pequena produção, e terão uma demanda que poderá ser totalmente suprida pela indústria nacional”.

Dentre as pequenas empresas, o destaque foi a estréia da Aurizônia – que veio com planejamento arrojado para levar seis blocos na Bacia Potiguar, desembolsando R$ 2,445 milhões. Outra nacional, a Sinergy, arrematou quatro blocos.

A Petrobras, maior estrela do leilão, sozinha arrematou 88 blocos – sem contar outros três em consórcio com a Partex e a Maersk, que também levou um bloco sozinha. A Newfield arrematou dois blocos.
“A Rodada foi interessante para as pequenas, porque são áreas que têm boas perspectivas de sucesso para a escala delas”, comenta o ex-diretor da ANP, Giovanni Toniatti.

Bacias

A distribuição dos blocos arrematadas foi bastante diversificada: das nove bacias oferecidas, oito tiveram ofertas, com destaque para a Bacia de Santos - com a concessão de 55 blocos – Jequitinhonha e Foz do Amazonas. Potiguar foi a Bacia mais disputada. No total, foram concedidos 22 mil km², ligeiramente inferior à área concedida na rodada anterior – que foi de 25 mil km².

A Petrobras arrematou 52 áreas na Bacia de Santos, em águas rasas e profundas, uma delas em parceria com a Maersk. Outras três foram arrematadas pela Maersk (uma) e Newfield (duas). “Desenvolvemos um novo modelo na região, com uma descoberta recente, o que torna aquela área importante. Por isso concentramos em torno dos ring fenses e em algumas estruturas que havíamos percebido”, disse o gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Francisco Nepomuceno.

Mas o principal alvo da Petrobras foi a Bacia de Jequitinhonha, onde há um gerador rift, semelhante ao existente na Bacia de Campos. “É uma área nova, que tem grande potencial”, avalia Nepomuceno.

A empresa já possui dois blocos na Bacia – J-1, onde deverá perfurar um poço no início do próximo ano, e J-3, que deverá ser perfurado até o final do ano. “Qualquer descoberta nesses dois blocos supervaloriza a área”, comenta o gerente.

A companhia também apostou nas áreas de nova fronteira – entre elas as Bacias da Foz do Amazonas, onde já identificou estruturas promissoras na região de Cassiporé, e Barreirinhas. “Esse é o papel da Petrobras: buscar essas novas fronteiras”.

Na Bacia de Campos, a Petrobras procurou fazer um ring fense nos blocos a oeste do BC-60, onde está localizado o campo de Jubarte.

A mesma estratégia estava traçada para os blocos marítimos da Bacia do Espírito Santo localizados ao norte de Vitória – onde a companhia anunciou recentes descobertas. “Se não fossem retirados da licitação pelo Ibama, teriam muita disputa”, conta Nepomuceno.

Sem esses blocos, a área marítima da Bacia do Espírito Santo não teve nenhuma oferta. A própria Petrobras admite que estava pronta para ofertar pelos blocos da área. “A Petrobras fez uma análise em todos os blocos trabalhados nessa rodada”, disse o gerente.

Outra área que também não recebeu ofertas foi a Bacia de Pelotas – área que possui geologia diferente da Bacia de Santos. “Os resultados anteriores não foram bons”, lembra o geólogo Ivan Simões Filho.

A vedete para as pequenas foi a área terrestre da Bacia Potiguar: além da Petrobras, Aurizônia, Sinergy e Partex garantiram blocos na Bacia.

Movimentação para a indústria nacional

A ANP considerou excelente o resultado dos programas exploratórios mínimos, que representará um investimento estimado em R$ 363,5 milhões – R$ 64,6 milhões em terra, R$ 138,5 milhões nos blocos de águas rasas, e R$ 160,4 milhões nos blocos de águas profundas.

A média de compromisso com a indústria local superou o mínimo exigido no edital – e a média verificada nas outras rodadas – com destaque para as áreas em terra, onde os compromissos ultrapassaram 90%. “É um resultado extremamente positivo”, comemora o diretor-geral da Onip, Eloi Fernández.

6ª Rodada

A ANP inicia agora as conversas com o Governo Federal para definir a realização da Sexta Rodada de Licitações – que deverá acontecer no segundo trimestre de 2004. “A ANP é muito sistemática, por isso leva alguns meses para completar um ciclo de licitação. A Sexta Rodada poderá acontecer em abril ou maio, e estudamos uma outra Rodada para o final do ano”, adianta Maria das Graças.

O modelo de licitação com áreas menores deve ser mantido na próxima rodada, que deve atrair as grandes companhias – que devem estar se preparando para adquirir os blocos devolvidas pela Petrobras em 6 de agosto. “Vamos ter uma sexta rodada bastante atrativa para grandes operadoras também”, finaliza a secretária de Petróleo e Gás do Ministério.

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