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Novo modelo, blocos excluídos por recomendação
do Ibama, ausência das grandes companhias, e predomínio
da Petrobras. Assim foi a Quinta Rodada de Licitações
da Agência Nacional do Petróleo. No final, dos 908
blocos oferecidos, 101 foram adquiridos resultado considerado
satisfatório tanto pelo Governo Federal quanto pela ANP,
que arrecadou R$ 27,4 milhões com a venda de 20 blocos em
terra, 69 em águas rasas e outros 12 em águas profundas.
Ficamos extremamente satisfeitos ao ver pequenas empresas
participando dessa Quinta Rodada de licitações, que
foi o objetivo da organização, comentou a secretária
de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e
Energia, Maria das Graças Silva Foster.
Gostaria de ver um número ainda maior de pequenas empresas,
completou o diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego Barros.
Isso porque, proporcionalmente ao volume produzido, as pequenas
empresas geram mais empregos que as grandes companhias.
Rego Barros cita como exemplo a produção de petróleo
no Alasca e no Texas: enquanto no Alasca, com uma produção
de aproximadamente 1,5 milhão de barris por dia, gerando
cerca de 10 mil empregos, no Texas, caracterizado pela presença
marcante de pequenas e médias empresas, o número de
empregos chega a 180 mil para uma produção de 700
mil barris diários.
Outro ponto destacado pelo diretor é a demanda por equipamentos
criada por essas empresas. As pequenas empresas têm
vocação para explorar campos onde há pequena
produção, e terão uma demanda que poderá
ser totalmente suprida pela indústria nacional.
Dentre as pequenas empresas, o destaque foi a estréia da
Aurizônia que veio com planejamento arrojado para levar
seis blocos na Bacia Potiguar, desembolsando R$ 2,445 milhões.
Outra nacional, a Sinergy, arrematou quatro blocos.
A Petrobras, maior estrela do leilão, sozinha arrematou 88
blocos sem contar outros três em consórcio com
a Partex e a Maersk, que também levou um bloco sozinha. A
Newfield arrematou dois blocos.
A Rodada foi interessante para as pequenas, porque são
áreas que têm boas perspectivas de sucesso para a escala
delas, comenta o ex-diretor da ANP, Giovanni Toniatti.
Bacias
A distribuição dos blocos arrematadas foi bastante
diversificada: das nove bacias oferecidas, oito tiveram ofertas,
com destaque para a Bacia de Santos - com a concessão de
55 blocos Jequitinhonha e Foz do Amazonas. Potiguar foi a
Bacia mais disputada. No total, foram concedidos 22 mil km²,
ligeiramente inferior à área concedida na rodada anterior
que foi de 25 mil km².
A Petrobras arrematou 52 áreas na Bacia de Santos, em águas
rasas e profundas, uma delas em parceria com a Maersk. Outras três
foram arrematadas pela Maersk (uma) e Newfield (duas). Desenvolvemos
um novo modelo na região, com uma descoberta recente, o que
torna aquela área importante. Por isso concentramos em torno
dos ring fenses e em algumas estruturas que havíamos percebido,
disse o gerente-executivo de Exploração e Produção
da Petrobras, Francisco Nepomuceno.
Mas o principal alvo da Petrobras foi a Bacia de Jequitinhonha,
onde há um gerador rift, semelhante ao existente na Bacia
de Campos. É uma área nova, que tem grande potencial,
avalia Nepomuceno.
A empresa já possui dois blocos na Bacia J-1, onde
deverá perfurar um poço no início do próximo
ano, e J-3, que deverá ser perfurado até o final do
ano. Qualquer descoberta nesses dois blocos supervaloriza
a área, comenta o gerente.
A companhia também apostou nas áreas de nova fronteira
entre elas as Bacias da Foz do Amazonas, onde já identificou
estruturas promissoras na região de Cassiporé, e Barreirinhas.
Esse é o papel da Petrobras: buscar essas novas fronteiras.
Na Bacia de Campos, a Petrobras procurou fazer um ring fense nos
blocos a oeste do BC-60, onde está localizado o campo de
Jubarte.
A mesma estratégia estava traçada para os blocos marítimos
da Bacia do Espírito Santo localizados ao norte de Vitória
onde a companhia anunciou recentes descobertas. Se
não fossem retirados da licitação pelo Ibama,
teriam muita disputa, conta Nepomuceno.
Sem esses blocos, a área marítima da Bacia do Espírito
Santo não teve nenhuma oferta. A própria Petrobras
admite que estava pronta para ofertar pelos blocos da área.
A Petrobras fez uma análise em todos os blocos trabalhados
nessa rodada, disse o gerente.
Outra área que também não recebeu ofertas foi
a Bacia de Pelotas área que possui geologia diferente
da Bacia de Santos. Os resultados anteriores não foram
bons, lembra o geólogo Ivan Simões Filho.
A vedete para as pequenas foi a área terrestre da Bacia Potiguar:
além da Petrobras, Aurizônia, Sinergy e Partex garantiram
blocos na Bacia.
Movimentação para a indústria
nacional
A ANP considerou excelente o resultado dos programas exploratórios
mínimos, que representará um investimento estimado
em R$ 363,5 milhões R$ 64,6 milhões em terra,
R$ 138,5 milhões nos blocos de águas rasas, e R$ 160,4
milhões nos blocos de águas profundas.
A média de compromisso com a indústria local superou
o mínimo exigido no edital e a média verificada
nas outras rodadas com destaque para as áreas em terra,
onde os compromissos ultrapassaram 90%. É um resultado
extremamente positivo, comemora o diretor-geral da Onip, Eloi
Fernández.
6ª Rodada
A ANP inicia agora as conversas com o Governo Federal para definir
a realização da Sexta Rodada de Licitações
que deverá acontecer no segundo trimestre de 2004.
A ANP é muito sistemática, por isso leva alguns
meses para completar um ciclo de licitação. A Sexta
Rodada poderá acontecer em abril ou maio, e estudamos uma
outra Rodada para o final do ano, adianta Maria das Graças.
O modelo de licitação com áreas menores deve
ser mantido na próxima rodada, que deve atrair as grandes
companhias que devem estar se preparando para adquirir os
blocos devolvidas pela Petrobras em 6 de agosto. Vamos ter
uma sexta rodada bastante atrativa para grandes operadoras também,
finaliza a secretária de Petróleo e Gás do
Ministério.
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