MATÉRIA DE CAPA – Edição 253 - Outubro de 2003
Plano de massificação do gás impulsiona crescimento da malha de gasodutos 
por Flávio Bosco
A Petrobras irá investir R$ 1 bilhão na expansão das malhas de gasodutos das Regiões Sudeste e Nordeste, no chamado Projeto Malhas. Serão cerca de 1.000 km de gasodutos, que ampliarão a capacidade de transporte de gás natural.

Na região Nordeste, serão 9 milhões de m³/dia nos próximos dois anos, podendo chegar a 14 milhões de m³/dia em 2012. No Sudeste, a capacidade de transporte será ampliada em 13 milhões de m³/dia no mesmo período.

A ampliação da rede de gasodutos Sudeste e Nordeste é o primeiro de uma série de projetos que fazem parte do Plano de Massificação do Uso do Gás Natural que vem sendo desenhado pela Petrobras para maior inserção do insumo na matriz energética brasileira.

Inicialmente, o projeto foi elaborado para atender à demanda das usinas incluídas no Programa Prioritário de Termelétricas. Entretanto, tornou-se a principal ferramenta para garantir o suprimento da demanda do setor industrial, além de estimular a massificação do gás, com o aproveitamento do combustível no segmento automotivo e em projetos de co-geração e geração distribuída.

Os investimentos na ampliação da malha Sudeste concentram-se na construção do Gasoduto Campinas – Rio, com 442 km de extensão, que terá capacidade para transportar 8,7 milhões de m3 /dia. O projeto prevê, ainda, a ampliação do sistema de compressão de gás da Bacia de Campos.

O início da construção deste gasoduto está previsto para após a liberação do licenciamento ambiental pelo Ibama, com a conclusão das obras em janeiro de 2005. “Parte dos trabalhos já está em andamento, como a aquisição dos tubos”, informa o gerente geral da Área de Gasodutos da Transpetro, Vitor Ielo.

A ampliação da Malha Nordeste prevê a implantação de sete gasodutos e alguns ramais – com 962 Km de extensão –, a construção de oito citygates e a instalação de duas estações de compressão nos municípios de Candeias e Catu / BA. “O principal gasoduto dessa malha é o de Fortaleza”, destaca o gerente.

O gás natural poderá atingir uma participação de 15% na matriz energética no final dessa década. A estimativa, superior às projeções de 12% que a Petrobras vinha trabalhando até então, do diretor da Área de Gás e Energia da companhia, Ildo Sauer.

A perspectiva de ampliação do gás na matriz, por conta do crescimento da frota de veículos movidos a GNV e da expansão do parque de cogeração, estão levando a empresa a rever suas projeções.

Interligação das malhas

A Petrobras também está avaliando, técnica e economicamente, a construção de um gasoduto para interligar as malhas Sudeste e Nordeste – um projeto orçado inicialmente em US$ 767 milhões.
Chamado de Gasene, o gasoduto terá 1225 Km de extensão. “Essa seria uma segunda etapa do projeto Malhas, ainda em estudos de viabilidade”, conta Ielo.

Numa etapa mais longínqua, a Petrobras avaliará a construção de um gasoduto através da região Centro-Oeste, interligando o Gasoduto Bolívia-Brasil com a malha Nordeste nos Estados do Piauí e Maranhão. “Essa é uma etapa a ser analisada após a estabilidade do projeto Malhas”.

Em paralelo, a companhia vem desenvolvendo outros projetos, como o Gasoduto que ligará Uruguaiana a Porto Alegre, e a construção de dois gasodutos ligando o campo de Urucu a Porto Velho e a Manaus.

Também em estudos a ampliação da rota de gasodutos virtuais, através do transporte de GNC para atendimento a consumidores localizados num raio de cerca de 200 km dos citygates, permitindo o desenvolvimento do mercado em regiões que ainda não possuem demanda suficiente para a construção de um gasoduto.

Segundo cálculos da companhia, a massificação do gás também prevê a necessidade de se expandir, em cerca de 200 mil quilômetros, a rede metropolitana de gás canalizado do país, por meio das distribuidoras.

Urucu

A Petrobras espera iniciar a construção dos gasodutos Urucu-Porto Velho e Coari-Manaus já no próximo ano, para viabilizar a comercialização de 7,5 milhões de m³ dos 9,5 milhões de m³ de gás natural por dia produzidos na unidade da Petrobras de Urucu.

Os dois empreendimentos estão avaliados em US$ 600 milhões e dependem da liberação da licença ambiental.

Desde que entrou em produção, em 1988, quase todo o gás natural produzido no campo de Urucu é reinjetado nos poços.

Obras orçadas em US$ 600 milhões, os gasodutos devem entrar em operação a partir de 2006.

O gasoduto Urucu-Porto Velho deverá ter 550 quilômetros de extensão, de 14 polegadas, com capacidade de transportar 2,5 milhões de m³ por dia. O custo estimado da obra é de US$ 300 milhões. O gasoduto levaria gás para a usina da El Paso na capital de Rondônia, garantindo a produção de 64 MW de energia.

Por isso a El Paso discute com a Petrobras a possibilidade de construção conjunta do gasoduto. Ielo disse que as conversas já foram iniciados pelas empresas, mas ainda não foram concluídas em função das dificuldades para obtenção do licenciamento ambiental. “A medida que os procedimentos ambientais forem cumpridos, a tendência é de que as negociações se acelerem”.

Já o gasoduto Coari-Manaus – uma extensão para o Gasoduto Urucu-Coari – deverá custar US$ 280 milhões e ter extensão de 420 quilômetros, de 20 polegadas, e transportará 10,5 milhões de m³ por dia. Atualmente, um gasoduto de 285 km, liga Urucu a Coari – de onde os produtos seguem até Manaus, em barcaças. Com o gasoduto, as quatro termelétricas existentes em Manaus – e que produzem 400 megawatts – trocariam o diesel pelo gás natural.

Distribuidoras estatais expandem malha de gasodutos
As distribuidoras estaduais estão dispostas a expandir suas redes de distribuição. Pelos cálculos da Petrobras, a massificação do gás também prevê a necessidade de se expandir, em cerca de 200 mil quilômetros, a rede metropolitana de gás canalizado do país.

Depois de se consolidar no segmento industrial, as companhias apostam no processo de interiorização nos segmentos veicular, comercial e residencial.

A Potigás – distribuidora do Rio Grande do Norte – planeja investir, só neste ano, R$ 5,3 milhões, o que significará mais 190 km de gasodutos. O planejamento qüinqüenal traçado pela distribuidora prevê um investimento de R$ 35,75 milhões entre 2003 e 2007, para expandir sua rede em 1300 km.

Um dos maiores desafios será a interiorização. Nas regiões de Açu e Seridó, mais de 200 cerâmicas representam um mercado potencial – sem contar a usina termelétrica Termoaçu, paralisada. O gasoduto orçado em R$ 86 milhões terá 310 quilômetros, partindo do Vale do Assu até o município de Jucurutu, onde terá duas ramificações: Jucurutu-Caicó e Jucurutu-Currais Novos. Em Caicó, partirá um outro ramal que abastecerá Parelhas.

Na capital, os mercados para a Potigás são o comercial, residencial e veicular – este último com vendas maiores do que o industrial. Três ramais vem sendo construídos pela distribuidora na região metropolitana de Natal.

Em Pernambuco, a Copergás espera ampliar sua rede em 119 quilômetros este ano, desembolsando aportes da ordem de R$ 22 milhões – de um total de R$ 95 milhões até 2005. Sem a termelétrica de Bongi – que a Chesf desistiu de construir – a distribuidora aposta na Termopernambuco – que deve entrar em operação até o final do ano– e no segmento veicular para aumentar suas vendas.

A interiorização também deverá sair do papel com a construção do trecho entre Recife e Vitória de Santo Antão, que deve ser iniciada ainda este ano. O projeto total, orçado em R$ 307 milhões deve levar o gás até as cidades de Caruaru, Garanhuns, Pesqueira, Petrolina e Araripina. A meta é, até 2015, cortar todo o Estado no sentido Leste/Oeste com mil quilômetros de rede. Na primeira etapa, serão instalados 120 quilômetros de dutos entre Recife e Caruaru, com investimento de R$ 80 milhões.

Para incentivar o mercado, a Copergas prepara o fornecimento de GNC em caminhões-feixe para um posto de GNV e uma indústria instalados em Caruaru.

A Algas irá investir cerca de R$ 7 milhões para ampliar a rede em Maceió / AL. Serão mais 16,8 km em rede de aço e 13,6 km em polietileno. A expansão será fundamentada nos segmentos residencial, comercial e veicular. A distribuidora alagoana estuda também a ligação do gasoduto UPGN Pilar/UPGN Atalaia (da Petrobras) com a cidade de Arapiraca.

Em Sergipe, a Emsergás prepara R$ 3.448 mil na ampliação de redes – de um total de R$ 5.289 que estão sendo investidos pela companhia este ano. O montante deverá representar um aumento de 4,4 km na rede de gasodutos, informa o diretor técnico e comercial da Emsergas, Ivonez Lourenço dos Santos.

A Bahiagás, terceira maior distribuidora do país, foca no segmento industrial como base para a interiorização de sua rede. Serão implantados gasodutos ligando Candeias a Feira de Santana – com 75 km para atender ao Centro Industrial da região – e o de Catu a Alagoinhas – com 37 km para levar o gás até as indústrias de bebidas e cerâmicas da região.

Na capital, a distribuidora finaliza a expansão de mais 26 km, para ampliar o fornecimento aos segmentos veicular, residencial e comercial. Entre capital e interior, neste ano, serão investidos R$ 60 milhões pela Bahiagás.

O gás natural é fornecido pela Bahiagás para cerca de 120 empresas, com a distribuição de cerca de 3,9 milhões de m³ por dia no Estado.

Já a Cegás, que garantiu aumento nas vendas com a operação das termelétricas MPX e Termofortaleza, tem como prioridade este ano a interiorização do insumo, com a construção da rede para Aracati e Caucaia / CE. Este ano foram investidos R$ 3 milhões, aplicados na distribuição e realizados simultaneamente com as inversões da Petrobras, que construiu três citygates – dois para atender às térmicas do Pecém e um destinado a Fortaleza.

A PBGás estuda a viabilidade técnica e econômica para levar gás natural até Campina Grande – o que representaria mais 100 km em gasodutos. Para estimular o consumo na região, a distribuidora fornece GNC através de caminhão-feixe para um posto na cidade. Em João Pessoa, a PBGás investirá cerca de R$ 9,5 milhões para ampliar em 42 km as duas principais redes da capital.

A construção do trecho meio-norte do Gasoduto da Unificação (Gasun), que compreende Maranhão e Piauí, está mais próxima de ser concretizada. A aprovação no Senado do projeto emergencial de apoio às distribuidoras de energia elétrica, com a inclusão de duas emendas prevendo a alocação de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético para a construção de gasodutos, irá garantir a construção do trecho – de acordo com a emenda, os gasodutos passam a contar com recursos no valor de aproximadamente R$ 7 bilhões.

O Gasun terá 5,1 mil quilômetros de extensão e vai exigir investimentos estimados em US$ 2,48 bilhões na implantação – só o trecho meio-norte está avaliado em US$ 748 milhões, com 1,96 mil quilômetros de extensão, entre Fortaleza / CE e Açailândia / MA.

A partir de novembro, Gasmar (distribuidora de gás do Maranhão) e Gaspisa (distribuidora piauiense) vão dar os primeiros passos para a constituição da empresa Transportadora Meio-Norte, que vai operar e comercializar o gás. A empresa vai ter ainda como sócios a Termogás e a Petrobras. A previsão é que a construção do eixo meio-norte seja iniciada a partir do segundo semestre de 2004 e concluída em 2007.

Sudeste

As distribuidoras da região Sudeste mantêm planos de investimentos vultosos. A Ceg (responsável pela distribuição na região metropolitana do Rio) e a Ceg-Rio (responsável pela distribuição no interior do Estado) vão investir R$ 1 bilhão até 2007, na expansão e manutenção dos sistemas de gás natural. Atualmente, as companhias atendem 20 municípios e a meta é atender 31, até 2007.

A Ceg-Rio já iniciou a construção de um gasoduto de 27 Km para viabilizar a chegada do gás em Macaé; 15 Km para atender São Pedro da Aldeia e mais 4 Km para Cabo Frio. Na área de atuação da Ceg, estão previstas as construções dos gasodutos que permitirão o abastecimento aos municípios de Itaguaí, Paracambi, Niterói, São Gonçalo e Petrópolis.

Entre 1997 e 2002, foram construídos 277 Km de rede e 3.430 ramais de distribuição no Rio de Janeiro. O investimento da Ceg e da Ceg Rio, no período de 1998 a 2002, foi de R$ 444 milhões.

A paulista Comgás vai investir na abertura de novos mercados e na capilarização da rede. No primeiro semestre deste ano, a distribuidora investiu R$ 82,3 milhões para ampliação em 105 km e modernização da rede de distribuição de gás natural – valor que deve se repetir na segunda metade do ano.

Quando a Comgás foi privatizada em abril de 1999, tinha 2.400 km – hoje são 3.200 km de rede. O número de municípios atendidos pelo sistema mais que duplicou no período: passou de 17 para 42 cidades. No ano passado, a Comgás investiu R$ 201 milhões, principalmente na ampliação da rede de distribuição em 235 km.

Recentemente a empresa começou a operar um novo sistema de distribuição de gás no interior de São Paulo, que atenderá Campinas, Valinhos, Vinhedo e Louveira. Iniciada há oito meses, a obra Campinas 2 exigiu investimentos da ordem de R$ 40 milhões e faz parte da estratégia da empresa de expandir a rede na região. Em setembro, a distribuidora paulista conectou 20 novas empresas, elevando o número de clientes industriais para 800.

A interiorização em São Paulo também é realizada pela Gas Natural SPS – distribuidora concessionária da região sul do Estado. Até o ano de 2007 o planejamento da Companhia prevê ter chegado a um investimento total de R$ 400 milhões, com 1.150 Km de redes construídas – R$ 75 milhões só em 2003, o que representa 250 novos quilômetros.

Por hora, novos investimentos estão voltados para outra localidade da área de concessão: a distribuidora está aplicando R$ 10 milhões na construção de 21 quilômetros de rede, em direção à cidade do Alumínio, para atender ao segmento industrial.

Entre 2000 e 2003 foram investidos pela Gas Natural SPS mais de R$ 160 milhões – o que representou 408,4 Km de rede.

Em Minas Gerais, a Gasmig iniciou este ano os projetos de ampliação que devem ser concluídos no final de 2004: serão R$ 81 milhões na expansão da malha da região metropolitana de Belo Horizonte. A empresa também planeja levar o gás natural até a região Sul do Estado, ao Vale do Aço e ao Triângulo Mineiro. Com R$ 2 milhões investidos, um ramal de 1,4 km foi acrescido aos 40 km de gasodutos já existentes na Região de Juiz de Fora.

A paranaense Compagas programa investir R$ 20 milhões em 2004, para ampliar a capacidade da rede que hoje é de 900 mil m³ por dia. Grande parte dos investimentos estão voltados para a estruturação da rede de distribuição residencial em Curitiba. No interior, a prioridade é a região de Londrina.

Ed. 253 - outubro de 2003
Assine já!
NA EDIÇÃO IMPRESSA
Polibrasil é finalista do Prêmio Nacional de Qualidade

Petrobras estuda papel no setor petroquímico

Importação alavanca serviços de logística

Novo presidente boliviano realizará referendo sobre gás

FeiPPetro RIO 2003: Sucesso total!

Rio Pipeline reúne empresas e profissionais ligados a transporte dutoviário

Crise esvazia Argentina Oil & Gas

E muito mais...

Todos os direitos reservados a Valete Editora Técnica Comercial Ltda. Tel.: (11) 6292-1838