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MATÉRIA DE CAPA II
Edição 254 - Novembro de 2003
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Especificações inadequadas não resolve problemas
de vedação
por Flávio Bosco |
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Uma junta mal selecionada ou instalada de maneira incorreta e...
desperdício de fluído ou até mesmo risco de
acidente. Em tempos de competitividade e responsabilidade ambiental,
o item vedação passa a ter uma importância
fundamental para a performance da indústria.
Com o advento do controle ambiental, associado à crise
na economia mundial, o que levou ao aperfeiçoamento dos processos,
as empresas começaram a perceber que perdiam muito mais dinheiro
com as perdas de produto, em fase de processo propriamente dito,
do que com a perda de negócios no mercado. Então começaram
a buscar soluções e vedação deixou de
ser um item relegado a segundo ou terceiro plano e passou a ser
visto como oportunidade de ganhos, conta Josie Fernandez,
gerente da Área de Marketing do Grupo Teadit.
Mas como escolher o material mais adequado? O primeiro aspecto a
ser observado é a resistência do material com o qual
a junta foi construída ao ataque químico do fluído
a que ela estará exposta. Nesse aspecto, uma multiplicidade
de materiais metálicos e não-metálicos proporciona
um leque variado de opções para a indústria.
Compatibilidade química equalizada, o material ainda precisa
resistir às pressões e temperatura que a linha estará
exposta.
Mas a especificação correta do material, por si só,
não irá garantir a vedação satisfatória.
Os procedimentos de instalação são fundamentais
para o desempenho da junta.
Materiais
Dentre os materiais mais comuns utilizados na fabricação
de juntas industriais, encontramos, entre outros, os papelão
hidráulicos, o PTFE e suas variações, elastômeros,
grafite, ligas metálicas como parte integrante de juntas
espiraladas ou dupla camisa.
A Petroquímica União, por exemplo utiliza vários
tipos em sua unidade. Dependendo, é claro, do produto,
temperatura e pressão a que são submetidos,
informa o gerente de Produção da empresa, Adalberto
Giovanelli.
Na área de fluidos criogênicos, por exemplo, são
encontrados anéis e gaxetas feitas com Viton.
O papelão hidráulico uma mescla de fibras (aramida,
carbono, celulose ou grafite) com elastômeros (neoprene, hypalon,
NBR,SBR) e aditivos tem sido um dos materiais mais utilizado
para vedação de flanges por seu custo direto mais
econômico. É comum indicarmos a utilização
de juntas de papelão hidráulico quando os equipamentos
precisam ser abertos em curto espaço de tempo, por característica
do processo produtivo. Não seria economicamente viável
instalar uma junta de material mais nobre, como PTFE Aditivado,
com durabilidade de dez anos, se o processo exige que o equipamento
seja aberto a cada semana. Não se pode perder de vista que
a junta não pode ser reutilizada, então a empresa
perderia dinheiro, enfatiza Josie.
É a equalização das variáveis que trará
ganhos para o usuário. A gerente da Teadit cita como exemplo
o uso de aramida um material 10 vezes mais resistente que
o aço. O cliente pode pode pensar: preciso de resistência
mecânica, e então opta por uma gaxeta 100% aramida.
Não funciona assim, todas as variáveis têm que
ser analisadas, porque se o eixo não tiver uma metalização
adequada, quando a gaxeta girar no eixo da bomba, o desgaste será
desastroso.
A saída, para esse caso, seria mesclar filamento de PTFE
expandido com grafite mais macio para proteger e lubrificar
o eixo e reduzir a abrasão. O filamento de aramida envolvido
por PTFE-grafite, reune a resistência mecânica interna
com resistência química, auto-lubrificação
e baixo coeficiente de atrito.
O próprio grafite é recomendado, por suas características
de lubrificação e resistência térmica.
O grafite pode ainda ser mesclado com a fibra de carbono, aliando
resistência mecânica e lubrificação.
Já o politetrafluoroetileno PTFE patenteado pela DuPont
com a marca Teflon é o polímero mais utilizado
para vedações industriais por sua resistência
a produtos químicos os únicos produtos que
atacam o PTFE são os metais alcalinos em estado líquido
e o flúor livre.
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| Engaxetamento de rotativos
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O PTFE é adequado em termos de compatibilidade química,
mas é extremamente rígido. Então produzimos
juntas com PTFE expandido intra-molecularmente uma expansão
por oxigênio. São adicionadas micro esferas ocas de
vidro, sílica ou barita, para dar a compressibilidade desejada
e, ainda, conforme a variedade escolhida, resistência térmica
e à abrasividade de forma a assegurar a selabilidade sem
necessidade de retorque , explica Josie.
Em equipamentos específicos, com acabamento superficial compatível
com o uso de juntas metálicas, quando o fluído é
algum ácido concentrado, o aço carbono é bastante
utilizado na fabricação de juntas dupla camisa e ring-joints.
Resiste a altas pressões e altas temperaturas mas, devido
a baixa resistência a corrosão não é
recomendado para ser utilizado em água, soluções
salinas ou ácidos diluídos.
Os elastômeros, empregados na fabricação de
juntas e anéis oring, são um material com elevada
resiliência por sua compressibilidade, preenche imperfeições
dos flanges com pequenos apertos. Sua aplicação, no
entanto, é restringida por sua baixa resistência a
temperatura e pressão. O elastômero não
pode trabalhar acima de 200ºC e também não suporta
níveis de pressão muito altos, conta Josie.
Uma análise da junta usada pode ser uma eficiente forma
para determinar as causas de um vazamento se ela tiver corroída,
por exemplo, o material não é compatível com
o fluído ou meio. Junta amassada é sinal de material
pouco resistente ao torque ou torque excessivo e junta sem sinais
de esmagamento indica a necessidade de um material mais macio ou
torque superior. É claro que esta é uma forma
simplista de analisar, mas, a partir de uma junta ou gaxeta usada,
com equipamento de análise adequados, é possível
traçar todos os paralelos relativos a aspectos mecânicos,
químicos e de aplicação que levaram o material
à falha.
Emissões fugitivas
Por ser um item relativamente barato, ou até mesmo por desconhecimento
técnico, vedação não tinha uma grande
atenção das indústrias. Não tinha, mas
agora tem porque, com o advento do controle ambiental (como a americana
Environment Protection Agency EPA) dispositivos legais para
limitar as emissões acabaram sendo impostos. Controle
de emissão significa boa selabilidade. Então as indústrias
começaram a perceber que utilizavam produtos inadequados.
Hoje as indústrias passaram a ser mais exigentes, comenta
Josie.
Além da questão ambiental, a perda de um fluído
significa também dinheiro escoando para o lixo ou
para a atmosfera. A executiva da Teadit conta que a perda de vapor
nem era contabilizada nas análises das empresas. Hoje
as empresas procuram o produto de vedação tecnicamente
adequado.
Na evolução dos programas de prevenção
de vazamentos, surge o controle de emissões fugitivas
aquelas perdas indesejáveis que ocorrem através de
eixos de bombas, hastes de válvulas e flanges, que em condições
normais não deveriam ocorrer.
O Programa de Controle de Emissões Fugitivas da Petroquímica
União é referência nesse assunto sobretudo
para o controle nas Unidades de Fracionamento de Aromáticos
e na Unidade de Hidrodealquilação de Aromáticos,
áreas em que existe a presença de benzeno.
Para o controle das emissões fugitivas, a PQU vem intensificando,
nos últimos quatro anos, a instalação de selos-duplo
e a substituição de bombas centrífugas por
bombas herméticas, conta Adalberto Giovanelli.
Recentemente a PQU instalou um cromatógrafo para fazer o
monitoramento on-line ambiental de 15 pontos das unidades de aromáticos.
Esse equipamento faz a coleta da amostra do ar da região
a ser monitorada. Se o equipamento detectar qualquer presença
de hidrocarboneto, o operador é alertado e toma as providências
para as devidas correções, explica o gerente
de produção da empresa.
Um programa desse tipo começa no desenho, em uma planta,
de todos os milhares de fontes de emissões hastes
de válvulas, bombas, flanges, eixos de agitadores, e dispositivos
de controle.
Hoje, disponibilizamos ao mercado equipes tecnicamente preparadas
e com equipamentos para detecção de hidrocarbonetos
e outros gases voláteis pré-definidos. Em algumas
unidades de refino, a Petrobras iniciou programas em áreas
teste. O objetivo é quantificar os ganhos com o monitoramento
e multiplicá-lo por toda a planta. Nosso técnico coloca
uma placa de identificação em cada ponto e, com o
VOC faz uma tomada em cada um dos pontos. Com base nessas leituras,
as ações são sugeridas, explica Josie.
Passado um determinado período 30 ou 90 dias
uma nova medição é realizada, para avaliar
a redução de emissões.
Na PQU são controlados cerca de cinco mil pontos relacionados
aos sistemas que processam correntes que contêm benzeno. A
empresa se baseia na norma da EPA.
Os EUA foram o primeiro país a estabelecer um controle efetivo
sobre as emissões fugitivas através do Clean Air Act,
estabelecido em 1990 pela EPA. Para monitorar as emissões
fugitivas, a Agência estabeleceu o EPA Reference Method 21,
que usa um analisador de gases denominado VOC.
A EPA 21 limita a concentração máxima
admissível a 500 ppm (em alguns estados como a Califórnia,
esse número baixou, recentemente, para 100 ppm) como valor
para vazamento em flanges. E fazem auditorias. A planta que tiver
emitindo mais que 500 ppm, em mais de 10% dos flanges, é
fechada, conta Josie.
Como não há uma legislação específica
sobre emissões fugitivas no Brasil, as indústrias
aqui instaladas normalmente se baseiam na EPA.
O primeiro monitoramento realizado pela Teadit em parceria com um
cliente, no Brasil, no início dos anos 90, significou para
a Rhodia redução significativa na perda de fluído
térmico que além de caro, era extremamente
perigoso, volátil e, em composição com o oxigênio,
entrava em auto-combustão. (Flávio Bosco)
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