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As indústrias petroquímicas apostam no crescimento
do consumo a reboque do crescimento da economia como
recuperação da rentabilidade perdida nos últimos
anos. Para o próximo ano, a expectativa é de que o
setor cresça entre 6% e 7%, caso se confirme o crescimento
do PIB entre 3% e 3,5%.
Os últimos indicadores do setor evidenciam o cenário
de recuperação: números preliminares da Abiquim
apontam que a indústria química nacional fechará
o ano com um faturamento líquido de US$ 42,2 bilhões
valor 15,3% maior do que o apresentado no ano passado, de
US$ 36,6 bilhões, apesar de ficar abaixo do faturamento de
US$ 46,2 bilhões obtido em 1998.
Mais da metade desse número vem do segmento de produtos químicos
de uso industrial, que deverá fechar o ano com um faturamento
de US$ 22,5 bilhões 20,3% maior do que o apresentado
em 2002. O crescimento das exportações influenciou
nesse resultado, ressalta o vice-presidente do Conselho Diretor
da Abiquim, José de Freitas Mascarenhas.
Em 2003, o setor voltou suas atenções para as vendas
externas, como alternativa para a retração do mercado
interno e valendo-se dos efeitos do câmbio sobre a competitividade
dos produtos nacionais. O aumento das exportações
contribuiu para uma ligeira retração no déficit
do setor químico: esse ano, o setor exportou US$ 4,8 milhões
e importou US$ 10,6 milhões, totalizando um déficit
de US$ 5,8 bilhões em 2002, o déficit foi de
US$ 6,3 bilhões. A maior parte desse déficit ficou
por conta dos produtos farmacêuticos e defensivos agrícolas.
Dados do Siresp apontam que as exportações de resinas
termoplásticas cresceram 93,2% no terceiro trimestre deste
ano em relação ao mesmo período do ano passado.
A produção de resinas termoplásticas em 2003
será superior a 4,1 milhões de toneladas um
crescimento de 5% em relação a 2002. No entanto, as
vendas ao mercado interno deverão declinar 4,5% no ano, informou
o presidente da entidade, José Ricardo Roriz Coelho.
A retomada da atividade econômica nos últimos meses
do ano, no entanto, é um indicador do reaquecimento do mercado
interno. A reação foi motivada pela recuperação
da massa salarial e do emprego, pontua José Ricardo.
O ano termina com boas perspectivas. Os transformadores estão
investindo em novas máquinas, o que indica crescimento do
mercado, afirma Cleantho de Paiva, diretor da Braskem.
Mas não é só isso: a petroquímica mundial
se prepara para entrar num ciclo de alta, que deverá ter
seu pico entre 2005 e 2007. Com a recuperação
da economia, o setor petroquímico deverá registrar
os melhores resultados dos últimos 25 anos, avalia
o vice-presidente da consultoria Nexant, Robert Bauman.
Já em 2004, a rentabilidade deverá ser impulsionada
pelo aumento das cotações das commodities, em função
do reaquecimento da economia mundial. Pela previsão do consultor,
em 2005 os preços das resinas podem chegar ao pico de US$
1.200 / tonelada, média atingida no último pico
de 1994/1995. E a taxa de ocupação das plantas ficará
em torno dos 90%.
A petroquímica mundial viveu um período de vacas magras
nos últimos anos devido principalmente à recessão
da economia americana e aos problemas com os preços da matéria-prima.
No Brasil, por quatro anos seguidos a economia não cresceu
o suficiente para aumentar significativamente o consumo per capita.
Outro problema enfrentado pelas petroquímicas nacionais foi
o endividamento que prejudicou os investimentos em aumento
da capacidade. A Braskem, por exemplo, se prepara para investir
no período 2005-2010. Num primeiro momento buscamos
a consolidação do setor. Num segundo momento, o foco
será a exportação, disse o presidente
da empresa, José Carlos Grubisich.
Na opinião de Bauman, o Brasil está bem posicionado:
o país tem unidades industriais de escala mundial, altamente
competitivos. E o baixo consumo per capita (22,5 kg por pessoa)
registrado no país dá margem para crescimentos. Se
o PIB cresce a 3%, o crescimento potencial é de 9% a 10%
no setor petroquímico. Portanto essa combinação
deve garantir que há uma demanda muito grande para produtos
petroquímicos no Brasil.
Por outro lado, é pouco provável uma queda nos custos
da matéria-prima. Os preços da tonelada da nafta,
que custam dez vezes o preço do barril de petróleo,
podem não cair a US$ 230 como aposta o Siresp. Em
2003, a média de preços da tonelada da nafta foi de
US$ 284 com picos de US$ 300 no final do ano e durante a
Guerra do Iraque.
Já o câmbio pode jogar contra quando o assunto é
preço da nafta, mas pode contribuir para a competitividade
das resinas no mercado internacional.
Desafios
O futuro da indústria química brasileira foi debatido
durante o 8º Encontro Anual da Indústria Química.
Os 400 executivos participantes analisaram o desempenho da indústria
química em 2003 e as expectativas para 2004 abordando
desde a questão das matérias-primas até os
desafios trazidos pela Alca.
Uma questão que é pouco discutida diz respeito
a disponibilidade da nafta. Existem previsões de que, por
volta de 2010, vai haver falta de nafta ou de uma matéria-prima
equivalente. E que para isso necessitaria de investimentos em refino
esses investimentos não podem esperar até 2009,
disse a presidente da Booz Allen Hamilton, Letícia Costa.
Além do problema de disponibilidade, existe a questão
de precificação mais exatamente a fórmula
pela qual a Petrobras estabelece preços. A indústria
não quer subsídio, quer uma precificação
como é feita internacionalmente. Mas a Petrobras tem como
prática usar o preço internacional lended, independente
se o insumo é importado ou de produção doméstica,
o que traz desvantagens para o Brasil, porque quem está na
Europa não paga esse lended, avalia Letícia.
Uma terceira questão, na opinião da executiva, é
a volatilidade esse ano menos percebida, devido a estabilidade
da moeda. Mas se formos lembrar o que aconteceu com o dólar
no ano passado, era difícil saber qual o preço que
iríamos pagar pela nafta do mês seguinte.
Para José de Freitas Mascarenhas, o governo deve ser o fator
de equilíbrio nessa questão. O governo tem que
olhar o que serve mais ao país continuar com esse
grau de antagonismo, ou procurar com que os atores que estão
nesse processo se unam em um propósito único, que
é aumentar o desempenho da indústria dentro do país
e seu esforço exportador.
A Reforma Tributária e sua influência sobre
a competitividade do setor químico também teve
espaço nas discussões. Na opinião do presidente
do Conselho Diretor da Abiquim, Carlos Mariani, o grande gargalo
é encontrar o ponto de equilíbrio entre a posição
defendida pelo empresariado e a posição defendida
pelos governos. Todos os impostos e contribuições
sobre bens e serviços, somados, são da ordem de 34%
a 36%. Se um dia tivermos um IVA, o imposto teria esse valor, para
manter o atual nível de arrecadação.
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Para a presidente da Booz Allen, além das discussões
a respeito da federalização do ICMS e da desoneração
dos impostos em cascata, existem dois outros pontos que são
fundamentais para que essa Reforma de fato, tenha impactos econômicos:
a questão da necessidade de arrecadação e a informalidade
da economia. Por mais que se mexa na estrutura tributária,
se a necessidade total da arrecadação permanece o que
é hoje, de forma diferente será cobrado o mesmo de imposto
que está sendo cobrando.
Segundo Letícia, a carga tributária do Brasil não
está muito fora de padrões internacionais. O problema
é que o grau de informalidade da economia é muito elevado.
Significa que a carga tributária daqueles que pagam começa
a ser desproporcional.
Outro painel realizado durante o 8º Encontro Anual discutiu os
desafios da indústria química. Segundo o coordenador
da Comissão Executiva do Programa Atuação Responsável,
Antonio Rollo, um dos desafios da indústria química
mundial para os próximos anos será fabricar seus produtos
sem causar impactos à saúde humana e ao meio ambiente.
Com base nesses desafios, a Abiquim está revisando o
seu programa de Atuação Responsável. O foco vai
continuar sendo Saúde, Meio Ambiente e Segurança, mas
não vamos esquecer de agregar outros conceitos de Responsabilidade
Social, de Qualidade, e de Defesa Corporativa. E vamos introduzir
novos indicadores de performance para monitorar a melhoria continua
da indústria química brasileira.
E a Alca, mais do que uma ameaça, pode significar novas oportunidades
para a indústria química brasileira. A Alca pode
prejudicar muito a indústria química brasileira porque
sempre se olha a Alca apenas como uma negociação entre
Brasil e EUA. Mas alguns dos países das Américas são
muito importantes para o Brasil, em termos de exportações.
Portanto não representam ameaça, e sim oportunidades,
porque vamos ter condições de exportar em melhores condições,
disse o vice-presidente executivo da Abiquim, Guilherme Duque Estrada.
Segundo Guilherme, os EUA representam uma ameaça porque possuem
tarifas de importação mais baixas do que as praticadas
no Brasil. Se reduzirmos as tarifas aqui, vamos ficar mais vulneráveis.
Mas o executivo aponta oportunidades até mesmo nos EUA,
que são grandes importadores de produtos químicos. Em
2002, o país apresentou um déficit de US$ 5 bilhões
na balança de produtos químicos, importando US$ 86 bilhões.
Dessa demanda, o Brasil atende apenas 0,17%.
Mais de 50% vem da União Européia. Mas sobram
as importações do Canadá, México (que
fazem parte do Nafta), e cerca de 30% de outras partes do mundo. 30%
de US$ 86 bilhões é uma soma apreciável, da ordem
de US$ 25 bilhões. Não é possível que
não haja um espaço para produtos químicos brasileiros
nesse mercado tão grande.
Outro enfoque seria, na opinião de Guilherme, negociar sobre
as cadeias e não sobre os produtos. Pode ser que
não haja espaço para exportarmos o produto químico,
mas pode ser que haja espaço para exportar o produto transformado
acabado quem sabe o plástico do Export Plastic. Até
o automóvel, quando é exportado, está carregando
produto químico.
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