PETRÓLEO & GÁS – Edição 255 - Dezembro de 2003
Renascida das cinzas 
15 anos depois do segundo incêndio, que destruiu Plataforma Central de Enchova, a Revista Petro & Química volta ao local para conferir o resultado da reconstrução.

Uma coisa chama a atenção da Plataforma Central de Enchova: estar na rota das comitivas (o que significa estar apta para receber visitas). Por lá já passaram até os ex-presidentes João Batista Figueiredo, em 1984, e José Sarney, em 1987.

Até aí nada fora do comum, a não ser por um detalhe: a plataforma sobreviveu a dois acidentes – no primeiro, em 1984, 37 trabalhadores morreram e outros 17 ficaram feridos após uma explosão. Quatro anos mais tarde um incêndio destruiu a plataforma.

A Petrobras reconstruiu a unidade e hoje, passados 15 anos, ela está lá, produzindo diariamente 28 mil barris de petróleo 26º API. Instalada em uma lâmina d’água de 119 metros, a plataforma recebe a produção de 40 poços – sendo 5 produtores de gás natural não associado. Até mesmo os poços 33 e 19 – a causa dos acidentes de 1984 e 1988, repectivamente – ainda estão lá, produzindo.

A capacidade de produção da plataforma é de 40 mil barris diários e 850 mil m³ de escoamento de gás. Além de poços ligados diretamente, à plataforma estão conectados outras três linhas, que concentram a produção de 20 poços. “Chegar com 20 linhas de produção seria um custo elevado”, explica o gerente da plataforma, Jorge David Pereira Silva.

Por sua capacidade de transferência (95 mil barris), a Plataforma Central de Enchova ainda recebe parte da produção de três outras unidades (P-7, P-8 e P-15). Aqui o óleo é separado do gás – são quatro vasos separadores bifásicos – e segue para a vizinha SS-06, onde a água é separada. “A Petrobras estuda implantar uma planta separadora de água na PCE ou fazer um upgrade na SS-06, dentro do projeto de enviar o óleo com volume de água menor que 1%”, conta David.

O gás – que sai com uma pressão média de 8 quilos – passa pelos compressores, elevando sua pressão para 110 quilos. Parte desse gás é reinjetado nos poços, mas uma quantidade entre 700 mil m³ e 800 mil m³ diários segue para o continente.

Tecnologia para produzir petróleo

A plataforma serve de laboratório para o Mac Manifold – um robô submarino que passeia sobre o manifold abrindo e fechando seis poços de acordo com os comandos definidos da plataforma. “O protótipo está em teste há três anos. Se der certo, vai ser implantado em outras unidades da Bacia de Campos”, informa o coordenador de manutenção da Plataforma de Enchova, Gilmar do Espírito Santo Carvalho.

Toda a planta é gerenciada por um Controlador Lógico Programado – CLP, instalado na plataforma, que controla cerca de três mil pontos. Os sensores instalados por toda a unidade enviam sinais para esse CLP – que responde por alarme e intertravamento – e daí para a estação central de controle – em que o operador monitora toda a planta.

“Quando ocorre uma anomalia na área, o sinal vem para o PLC, que processa e emite um sinal informando aos operadores. Se for um sinal de alarme, o operador toma a ação. Se for um sinal de emergência, como pressão muito alta, o sinal trava o processo”, explica Gilmar.

Desde a entrada do petróleo nos risers até a saída da plataforma, o controle do escoamento é feito na própria unidade, através dos medidores – todo o processo também é monitorado por terra.
Está nos planos da Petrobras fazer um retrofit da automação na Plataforma Central de Enchova até 2006 – até agora, apenas a Rockwell estudou a situação atual da unidade, visando propor um nova automação do processo. O projeto de modernização faz parte de um plano maior da Petrobras, de padronizar a automação de todas as plataformas da Bacia de Campos entre 2004 e 2006.

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