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MATÉRIA DE CAPA II
Edição 256 - Janeiro de 2004
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| A busca pela qualidade |
| José Ricardo Roriz, superintendente
da Polibrasil, recebe placa do PNQ por ter sido finalista
da edição 2003
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Um grupo de trabalho formado pelas indústrias petroquímicas
e químicas no âmbito da Abiquim vem desenvolvendo
uma tabela de indicadores que será útil para as empresas
medirem o benchmark do setor. Até então, a falta de
um índice como esse era uma das principais dificuldades para
as indústrias medirem seu desempenho principalmente
para quem está participando das avaliações
do Prêmio Nacional da Qualidade.
Uma das principais dificuldades, para as indústrias
químicas, é tratar e comparar os indicadores. E para
ter um bom resultado, a empresa precisa mostrar um histórico
com tendência positiva dos indicadores, conta Nelson
Christianini, gerente da área de qualidade da Polibrasil
empresa finalista da última edição do
PNQ.
Isso porque esses resultados representam 45% da pontuação
do PNQ os outros 55% dizem respeito a gestão.
Mais de 50 associadas se mostraram favoráveis em participar
do levantamento desses indicadores. A discussão agora gira
em torno da confiabilidade e tratamento dessa informação
isso para evitar que algum dado disponibilizado seja trabalhado
pelas concorrentes. A Abiquim está contratando uma empresa
para prestar esse serviço, e discutindo a metodologia de
avaliação que torne possível comparar índices
de diferentes bases.
Se tudo correr dentro do previsto, já este ano a entidade
deve realizar a primeira coleta de informações. O
levantamento é um trabalho exclusivo da Abiquim. Não
leva em consideração nenhum exemplo de fora,
conta o coordenador do grupo, César Barlem.
Sem ter um índice já consolidado, a Polibrasil vinha
trabalhando sobre dados internacionais disponibilizados pelas consultorias
Phillip Towsend (sobre resinas termoplásticas) e ChemSystem
(mais voltado para plantas produtoras de polipropileno).
A experiência da Polibrasil
A primeira participação da Polibrasil no PNQ aconteceu
no ano 2000 quando a empresa já vinha adotando os
critérios da Fundação para realizar diagnósticos.
Foi quando os executivos da Polibrasil descobriram, após
aquela primeira fotografia, que já tinha percorrido um caminho
razoável. Tiramos uma fotografia e comparamos com o
modelo para ver onde estávamos, lembra Christianini.
A grande vantagem, na opinião do gerente, é receber
da Fundação uma avaliação externa e
independente, do sistema de gestão, utilizando os critérios
reconhecidos internacionalmente. E à medida que temos
o resultado, fazemos planos de trabalho e começamos a corrigir
o processo.
Essa filosofia de gestão pela qualidade vem sendo
praticada pela Polibrasil há mais de dez anos. Em 1993 a
empresa recebeu da DNV o certificado ISO 9000 a Polibrasil
e a Petroflex foram as primeiras empresas do setor petroquímico
a receberem a certificação.
E, como todo ineditismo traz um preço alto, muitos processos
foram burocratizados, documentando mais do que era necessário
criando aquela papelada característica da ISO. Burocratizou,
mas por outro lado começamos a enxergar todos os processos
da empresa. Começamos a diagnosticar pontos como instrumentação,
no qual já realizávamos aferições e
calibração, mas sem fazer estudo de resultados. Programas
que eram informais começaram a se formalizar. E a ISO 9000
começou a criar uma certa disciplina dentro da empresa.
Ao mesmo tempo, a Polibrasil assinava a adoção do
Programa Atuação Responsável. Percebemos
que esses programas tinham uma sinergia muito forte. E com a ISO
9000 já implantada, começamos a avaliar os dois em
conjunto.
O próximo passo, naturalmente, seria integrar ao sistema
de gestão as normas ISO 14000 e a OHSAS 18001. Quem
tem essas três certificações, está com
40% do PNQ orientado, ressalta Christianini.
Um desafio, na visão do gerente, seria ter o processo integrado
de quatro diferentes unidades. Tinhamos nove certificados,
mais um QS 9000 para a Policom, e hoje temos apenas um. Essa é
a prova da nossa integração.
Ferramentas
Qual a ferramenta de gestão mais adequada? Na opinião
de Nelson Christianini, não existe uma ferramenta específica
completa. O importante é ter um diagnóstico
do seu sistema de gestão. Isso é que vai orientar
as ferramentas que a empresa deve utilizar.
Em 1993, a Polibrasil teve a consultoria do professor Falconi
que é utilizada até hoje pela Politeno para
gerenciamento pelas diretrizes.
Temos feito alguns diagnósticos usando ferramentas
como Teoria das Restrições. Os pesquisadores ligados
à UFRJ desenvolveram, com base nessa teoria, diagnósticos
da qualidade da inter-relação dos processos, focando
produção, pós-produção e pré-produção,
e interação da área comercial com a área
industrial.
Atualmente a Polibrasil está implantando o Seis Sigma. Um
profissional foi formado em Black Belt, e este ano está prevista
a formação de mais cinco pessoas da empresa.
Outra ferramenta que vem sendo implantada é o Balanced Scorecard,
voltado para orientar o planejamento estratégico da empresa.
Junto com essa ferramenta estamos implantando o Business Inteligence
como ferramenta para monitorar os indicadores, finaliza Christianini.
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71% das empresas conseguem migrar
para nova versão da ISO 9000
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| Lobo: 71% das empresas conseguiram migrar
para a nova versão
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O prazo para que as empresas certificadas segundo a ISO versão
94 nas suas variantes 9001, 9002 e 9003 pudessem migrar
para a nova versão a 2000 se encerrado em 15
de dezembro do ano passado, e aquelas que não se atualizaram
tiveram automaticamente suas certificações canceladas.
De acordo com o diretor da Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, cerca
de 71% das empresas que possuíam a certificação
conseguiram se atualizar. Consideramos um bom número.
Nossa expectativa era de que cerca de 10 a 15% das empresas desistissem
de migrar para a nova versão e que cerca de 10 a 15% perdessem
o prazo.
Aquelas que desistiram de migrar, segundo Lobo, podem ter perdido
o interesse por causa do cliente. Às vezes um determinado
cliente exigia a certificação, quando este cliente deixou
de ser importante para a empresa, a certificação também
deixou, explica.
A média de empresas que fizeram a migração em
outros países foi de 40 a 80%.
Muitas empresas que estavam certificadas na versão 1994
e não fizeram a transição até dezembro,
programaram suas auditorias de certificação na NBR ISO
9001:2000 para 2004", enfatizam o diretor de Certificação
da Fundação Vanzolini, José Joaquim do Amaral
Ferreira.
Pesquisas realizadas pelo Inmetro mostram que cerca de 30% das empresas
buscam a certificação por causa da competitividade,
porque julgam que ela realmente vai ser importante para a gestão
da qualidade da empresa e conseqüentemente dos negócios;
cerca de 35% fazem porque o cliente está exigindo; e cerca
de 20% buscam por uma questão de marketing.
Lobo explica que a nova versão passou por uma mudança
de conceito. A versão 94 enfatizava muito mais as ferramentas
da qualidade, como organizar documentação. A nova versão
se preocupa com a gestão da qualidade como um todo: negócios,
qualidade, expectativas, lideranças, resultados globais da
instituição, entre outros. E ainda, é menos prescritiva,
exigindo menos documentação.
A nova versão faz um acompanhamento mais detalhado dos
processos. Destaca-se o fato de se ter que comprovar a eficiência
do treinamento, a utilização de indicadores para se
poder evidenciar a melhoria contínua e também a necessidade
de se avaliar a satisfação do cliente", completa
o gerente de Novos Negócios da certificadora DNV, Samuel Barbosa.
Para Hugo Pacheco, gerente do BVQI , a versão 2000 contempla
um sistema com base em gestão de processos e resultados com
foco na melhoria contínua da organização".
José Salvador, gerente de Certificação da Fundação
Vanzolini, conta ainda que a mudança na estrutura da norma,
apresentou uma sequência mais lógica. Foi dado
mais enfoque ao gerenciamento de processo. A versão 2000 define
um modelo de gestão da qualidade e não um modelo de
garantia da qualidade, como na versão anterior. A terminologia
também foi melhorada e aumentou a preocupação
com a satisfação do cliente e a melhoria contínua
da eficácia do sistema de gestão da qualidade.
Para quem perdeu o certificado, de acordo com a BVQI, a única
saída será passar novamente pelo processo completo de
auditoria, que demanda mais tempo e investimento, o que pode prejudicar
o relacionamento da companhia que não fez a transição
com sua cadeia de fornecedores e clientes, principalmente no exterior.
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Edição Impressa 256
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