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MATÉRIA DE CAPA II
Edição 257 - Fevereiro de 2004
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| O desafio de tratar a água consumida por todo o pólo
petroquímico |
| Visão geral da ETA da Recap |
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| Refinaria de Capuava avalia novas tecnologias para clarificar
água que é consumida pelas empresas do pólo petroquímico
de Mauá. |
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Os técnicos da Área de Utilidades da Refinaria de
Capuava vêm testando o uso de dióxido de cloro (ClO2)
seguido por policloreto de alumínio (PAC) para clarificar
a água que abastece as indústrias do Pólo Petroquímico
de Mauá / SP. O desafio é disponibilizar água
com qualidade a partir da captação do rio Tamanduateí
qualificado como rio classe 4, segundo a classificação
dos organismos legisladores de recursos hídricos.
Costumamos dizer que não temos uma estação
de tratamento de água, mas uma estação de tratamento
de esgotos. Mantemos o nome de ETA, mas fazemos coisas bem apropriadas
ao tratamento de esgoto, comenta Alfredo Gonçalves
Jardim, coordenador da área de sistemas de águas da
Recap.
Os resultados, passados seis meses do início dos testes,
têm sido satisfatórios. Mas a intenção
é estender essa fase por mais um semestre, verificando o
desempenho durante as quatro estações do ano
em que a qualidade da água varia substancialmente. No
período seco, com a queda no nível do rio, a qualidade
da água piora, explica Jardim.
A Refinaria de Capuava possui uma outorga para captar 1300 m³
por hora no rio Tamanduateí que passa por dentro de
sua planta. Da bacia de captação construída
à margem do rio a água é transferida por bombas
para as duas represas e dali para as estações
de tratamento.
A represa II atende à ETA II que trata a água
enviada para a PQU, Polietilenos União, Unipar Química
e White Martins. A estação possui capacidade para
tratar 750 m³ por hora há estudos de otimização
para elevar essa capacidade para 1000 m³, visando atender a
demandas futuras.
A água retida na represa II também alimenta a represa
I, que atende a ETA I essa estação, com capacidade
de produzir 450 m³ por hora, trata a água que servirá
à própria refinaria, à Oxiteno, à Oxicap
e à Polibrasil.
Os técnicos da Recap não descartam até mesmo
um pré-tratamento, com flotação, nas próprias
represas, como forma de melhorar a qualidade da água antes
de enviá-la às ETAs. Todo o esgoto doméstico
e industrial da cidade de Mauá é despejado no rio
Tamanduateí, o que eleva muito as cargas poluidoras com altos
índices de matéria orgânica e detergentes,
lembra Mauro Baptista Lopes, gerente da Área de Utilidades
da Recap.
Entre os problemas estão o elevado nível de amônia
(em média 62 ppm, chegando a casos extremos de 130 ppm, em
agosto do ano passado), salinidade e volume de sólidos suspensos
(turbidez média de 80 NTU).
O detergente é um dos grandes inimigos. No tratamento
de água utilizamos um antiespumante para quebrar a cadeia
de detergente porque, além de dificultar o tratamento, tem
um aspecto ambiental muito prejudicial: os volumes de espuma que
fazem um aerosol de poluição, explica Jardim.
Para se ter uma idéia, há dois anos a Recap precisava
utilizar água potável para diluir a água captada
no rio Tamanduateí. A Refinaria foi adequando as instalações
e os serviços de pré-tratamento, para poder utilizar
essa água em maior quantidade do que água potável.
Hoje, a água potável só é utilizada
para consumo humano, conta Mauro.
Por outro lado, foi necessário recorrer a tecnologias mais
sofisticadas e até mais caras para tratar a
água. Se tivéssemos uma água melhor,
gastaríamos menos água e menos recursos para tratá-la,
conta o gerente.
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| Detalhes da água na chegada e após
a clarificação |
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Dióxido de cloro e policloreto de
alumínio para clarificar água
A água que chega às estações de tratamento
são submetidas ao processo de clarificação
agora com as novas tecnologias. Por hora são tratados 1200
m³ de água nas duas ETAs.
O primeiro passo para a melhoria no tratamento da qualidade da água
foi a implantação do sistema do dióxido de cloro
em uma parceria com as empresas Clariant e Prominent foi instalado,
a custo zero, um reator dentro da própria refinaria, para a
formulação do ClO2 a partir de clorito de sódio
e ácido clorídrico.
A Recap é a primeira unidade do sistema Petrobras a utilizar
o dióxido de cloro que, apesar de mais caro, traz melhores
resultados na ação bactericida, oxidante e desinfetante.
Somos referência no teste com este produto. Outras refinarias
estão aguardando o nossos resultados finais, porque essa é
uma tecnologia relativamente cara, mas com resultados finais positivos.
Até então a refinaria utilizava o gás cloro,
mas devido a quantidade de matéria orgânica contida na
água elevando a demanda química de oxigênio, o
insumo já não dava conta do recado. Além disso
existia o alto grau de risco às questões ambientais
e de segurança dos operadores. O dióxido é
uma aplicação clean em relação ao cloro.
Você preserva o meio ambiente, diminui extremamente a logística
de transporte e expõe menos as pessoas à questão
do perigo, explica Jardim.
Em seguida, vem a utilização do policloreto de alumínio
como agente coagulante. O produto substitui o sulfato de alumínio
com melhores resultados e dosagens menores na aglutinação
dos sólidos suspensos. Usávamos o sulfato de alumínio
granulado e evoluímos para o sulfato líquido. Agora
estamos testando o policloreto de alumínio, conta o coordenador.
O policloreto de alumínio chegou a ser testado na Refinaria
de Paulínia, mas não apresentou resultados satisfatórios
à qualidade da água da refinaria. No nosso caso,
os resultados têm sido promissores.
No processo
A partir dessa clarificação, a água está
pronta para atender as áreas de processo da refinaria ou ser
distribuída às empresas do pólo.
A parte que permanece na Recap atende aos sistemas de resfriamento,
a dessalgadora e as caldeiras. No primeiro caso o tratamento é
mais simples e realizado por empresas tratadoras de sistemas
de resfriamento, com o uso dos tradicionais dispersantes e inibidores
de corrosão. Raramente temos parado trocadores de calor
por causa de entupimentos ou furos.
Uma segunda função da água é dessalgar
o petróleo a mistura de água industrial (doce)
ao petróleo, que contem sal devido à decomposição
de micro-organismos marinhos. O processo é essencial para evitar
a corrosão que o petróleo proporcionaria no momento
do refino.
Mas a principal preocupação é com a água
que alimenta as caldeiras de geração de vapor
que demanda um tratamento mais apurado. A água deve ser desmineralizada
antes de alimentar as caldeiras, caso contrário as paradas
para limpeza aumentarão, a operação dificilmente
será satisfatória e a vida útil dos equipamentos
diminuirá sensivelmente. É exatamente aí
que tínhamos o maior consumo de água potável,
lembra Jardim.
A água passa para um pré-tratamento e em seguida vai
para a osmose reversa, seguida de troca iônica em leito misto
para remover os sais.
Ao longo do circuito vamos fazendo testes para saber exatamente
a quantidade de produtos que deva ser dosada, explica o coordenador.
Após todo o serviço, o efluente vai para a unidade de
Águas Ácidas antes de seguir para a estação
de tratamento de despejos industriais e daí de volta
para o rio Tamanduateí, com qualidade melhor do que quando
é captada. A água é, em alguns aspectos,
50 vezes melhor do que a água que captamos, conta Mauro.
A vazão de água devolvida ao rio é de 60 m³
por hora um quarto do que era devolvido em 1999. |
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Edição Impressa 257
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