|
ABahiagás vive uma situação, digamos, inusitada
pelo menos quando comparada às distribuidoras de gás
da região Sudeste: não consegue atender a uma demanda
reprimida de 1 milhão de m³ diários, por falta
de produto.
Hoje a empresa distribui cerca de 4 milhões de m³ por
dia, de um total de 6,4 milhões de m³ consumidos pelo
Estado os 2 milhões de m³ restantes são
consumidos pela própria Petrobras na fábrica de fertilizantes
e na produção de petróleo.
Só que os campos baianos não produzem mais que 5,3
milhões de m³ por dia e o Estado precisa recorrer
ao vizinho Sergipe, que complementa a oferta com mais 1,1 milhão
de m³. O presidente da Bahiagás, Petronio Vieira lembra
que essa limitação não se restringe apenas
ao Estado da Bahia, mas a toda região Nordeste que
consome toda a produção de 10,5 milhões de
m³ diários.
Petronio explica que o mercado baiano é forte demandador
de gás natural devido a seu histórico que remonta
a década de 1960, quando foram inaugurados a Usiba e a Fafen.
O mercado tem uma cultura voltada para o uso do gás
natural.
Pelas contas do executivo, a Bahiagás teria capacidade para
distribuir 7,5 milhões de m³. Distribuindo 4 milhões
de m³ / dia, ainda resta uma demanda não atendida de
1 milhão de m³. Existem caldeiras já convertidas
para gás natural que estão utilizando óleo
combustível por falta do produto
Não há espaço sequer para disponibilizar gás
para as três termelétricas construídas do Estado
haja visto os problemas enfrentados no final do ano passado,
quando o gás que era utilizado pela Petrobras foi redirecionado
às termelétricas, como complemento à geração
de eletricidade na região Nordeste, atingida pela diminuição
dos níveis dos reservatórios.
A região Nordeste importa hoje 30% da energia elétrica.
Mais de 20% dessa necessidade está sendo suprida por linhas
de transmissão, ou seja, estamos sendo abastecidos por sobras
de outros sistemas. Se esse outro sistema consumir toda a energia,
ou tiver uma crise, a situação fica complicada.
Petronio alerta ainda que, qualquer expansão na geração
de energia elétrica na região Nordeste deverá
ser feita tendo como base a termeletricidade. Isso porque a região
não possui mais reservas hidráulicas a serem incorporadas.
Se tivesse alguma reserva, traria um custo ecológico
grande, porque as boas barragens já foram feitas.
Aumento da oferta
A distribuidora aguarda a entrada em produção dos
campos descobertos em Camamu e a conexão da malha Nordeste
com o Sudeste para aumentar o número de clientes e o volume
vendido. Aqui no Nordeste a infra-estrutura de gasodutos é
antiga, não permitindo transportar grandes quantidades.
O Projeto Malhas resolverá parte do problema, já que
o gasoduto que liga a Bahia a Sergipe terá para 26 polegadas
o atual gasoduto, de 18 polegadas, não permite transportar
uma quantidade maior do que os 1,1 milhão de m³ diários.
Numa etapa mais à frente, a ligação das malha
Nordeste com a malha Sudeste irá permitir importar gás
produzido em bacias localizadas em outras regiões. O
Gasene significa cortar o Estado, ainda que pela costa. Vamos ter
um citygate no Sul do Estado, que pode atender a industria de papel
e celulose, e ainda puxar ramais para Jequié e Vitória
da Conquista. Construir gasodutos para essas regiões a partir
do Recôncavo não seria economicamente viável.
Internamente, a distribuidora está finalizando obras de infra-estrutura
para levar o gás ao interior do Estado caso do gasoduto
ligando Candeias a Feira de Santana com 75 km para atender
ao Centro Industrial da região, em fase de conclusão.
Na capital, a Bahiagás finaliza a expansão de mais
26 km, para ampliar o fornecimento aos segmentos veicular, residencial
e comercial. O consumo de hospitais e shopping centers servirão
de âncoras para a entrada do gás nos segmentos comercial
e residencial.
No total, o investimento médio previsto pela Bahiagás
até 2006, é de R$ 80 milhões por ano.
Um pólo com vocação para
o crescimento
Ainstalação de um pólo petroquímico
na Bahia significou a Revolução Industrial
em uma economia até então fortemente marcada pela
produção agrícola. Passados pouco mais de 25
anos, a relação dessa indústria com o PIB baiano
mostra que, não fosse o pólo petroquímico,
a economia do Estado teria outro desenho. O setor petroquímico
é o setor industrial mais importante para a Bahia. Representa
cerca de 52% de toda a produção industrial do Estado
e é responsável pela geração de 25 mil
empregos diretos, conta o secretário de Indústria,
Comércio e Mineração da Bahia, Otto Alencar.
Nesse período, o pólo aprendeu a crescer verbo
que pratica mesmo nos dias atuais. E cresce em todos os sentidos:
aumenta a produção, exporta, atrai empresas de outros
segmentos e até mesmo empresas que consomem produtos ali
originados.
Um desses exemplos é o Poloplast programa de atração
de produtores de plástico. O Estado luta para completar
toda a cadeia produtiva, atraindo indústrias que possam utilizar
essas matérias-primas produzidas no pólo, agregar
valor, e conseqüentemente oferecer mais oportunidades de emprego
e renda para o Estado, conta o secretário.
O programa conta atualmente com 52 empresas a maioria ainda
está em fase de instalação, mas algumas já
foram inauguradas, como a fabricante de eletrodomésticos
Britânia e a produtora de embalagens Tecnoval. Estamos
trabalhando também para atrair a Ledervin, uma indústria
de produção de poliéster, já que temos
a Braskem, que produz o para-xileno, matéria-prima para o
poliéster, adianta Otto Alencar.
Contando com incentivos fiscais do Governo baiano através
do programa Bahiaplast e o apoio da Politeno, as empresas paulistas
que atuam no setor de transformação de plástico
estão abrindo filiais no pólo de Camaçari,
buscando reduzir seus custos com matéria-prima e atender
novos mercados nas regiões Norte e Nordeste do país,
explica o superintendente da Politeno, Jaime Sartori.
Para se ter uma idéia, em 2002 as vendas de resinas termoplásticas
da Politeno para as empresas instaladas na Bahia representaram 12,4%
do total comercializado. Até 2004, a quantidade de resinas
transformadas na Bahia será duplicada com a entrada em operação
das empresas TRM, Prismapack e Rotocaixa.
As próprias empresas petroquímicas estudam ampliar
a capacidade de produção de resinas. A Politeno tem
um projeto de desgargalamento da planta que irá ampliar
a produção dos atuais 360 mil toneladas para 400 mil
toneladas anuais. A definição do projeto, no entanto,
depende da garantia de suprimento adicional de eteno pela Braskem.
Já a Braskem estuda a ampliação nas fábricas
de PVC e de polietilenos no ano passado, um desgargalamento
na planta de eteno permitiu ampliar para 1.280 mil toneladas anuais
a capacidade de produção.
A capacidade de produção de químicos e petroquímicos
das empresas instaladas no pólo chega a 8 milhões
de toneladas / ano o maior da América Latina, com
um faturamento anual em torno dos R$ 5 bilhões. No
Valor de Transformação Industrial da Bahia, o setor
de refino representa 29% e o segmento químico e petroquímico
representa 24%, conta o presidente da Federação
das Industrias da Bahia, Jorge Lins Freire, lembrando que o Estado
possui a segunda maior refinaria do país, a Rlam, com capacidade
de processar 306 mil barris por dia.
Otto Alencar lembra que 35% da pauta de exportação
do Estado da Bahia vem do segmento químico e petroquímico.
O setor representa 15% de todo o PIB estadual.
Mas o pólo também experimenta a diversificação
das atividades. Das 60 empresas ali instaladas, 28 pertencem a outros
segmentos industriais exemplo da Ford, Caraíba Metais,
Ambev e Bahia Pulp.
Responsabilidade sócio ambiental
A dimensão da indústria petroquímica na Bahia
acaba transparecendo mais quando se fala nos projetos sócio-ambientais
desenvolvidos por empresas como o apoio que a Petrobras dá
ao Projeto Tamar.
No projeto de responsabilidade social da Politeno, por exemplo,
constam ações que vão desde o Programa de Fomento
e Formação da Cultura Ambiental até o apoio
ao projeto Creche Esperança I, ambos em Camaçari.
Para a Politeno, a trajetória em busca da excelência,
envolvendo um conjunto de práticas gerenciais que lhe renderam
o reconhecimento como empresa de classe mundial, com
a conquista do PNQ 2002, passa necessariamente pela consolidação
do conceito de cidadania empresarial, conta Sartori.
Na área cultural, a Braskem mantém o Prêmio
Braskem de Cultura e Arte que tem como objetivo o incentivo
à cultura através do patrocínio a produção
artística, audiovisual e literária.
Quando o assunto se relaciona ao meio ambiente, entra em cena a
Cetrel empresa de proteção ambiental criada
em 1978 para tratar os efluentes líquidos das industrias
instaladas no pólo. É uma empresa de referência
internacional com relação a questão do tratamento
dos resíduos, comenta o secretário estadual
de Meio Ambiente, Jorge Khoury.
O secretário explica que a implantação das
empresas petroquímicas acelerou o processo de controle ambiental
no Estado. Fez com que, desde o nascedouro do pólo,
as questões ambientais fossem observadas.
As melhores práticas somadas ao bom desempenho ambiental
do pólo petroquímico de Camaçari conferiram
renome internacional à Cetrel, levando muitas empresas a
quererem conhecer seus sistemas de proteção ambiental
e seus laboratórios. Resultado: hoje, a Cetrel possui clientes
em todas as regiões do país. A Cetrel vem crescendo
cerca de 40% ao ano, nos últimos dois anos e conta, hoje,
com R$ 45 milhões de serviços em carteira, de clientes
como Ford, CST, Petrobras, Embraer, All Logística, CVRD,
entre outras, comenta o superintendente da Cetrel, Carlos
Eugênio Furtado Bezerra de Meneses.
|