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Em 2004 a prioridade do Ministério de Minas e Energia será
definir uma política para o gás natural. Desde o segundo
semestre do ano passado, a ANP e o Ministério vêm trabalhando
em conjunto com os players do setor, para definir uma nova política
de gás. É fundamental que haja um marco regulatório
para o gás natural. Essa questão vai ser o grande
desafio que vamos ter que enfrentar, disse à Petro
& Química a ministra Dilma Rousseff.
As diretrizes envolvem um novo processo de formação
de preços do insumo, a ampliação da malha de
gasodutos e a estratégia de aproveitamento das novas reservas,
especialmente das descobertas na Bacia de Santos além
do gás importado da Bolívia.
O desafio é criar uma legislação específica
para o gás natural que hoje é regulado pelas
leis do petróleo e do setor elétrico. O objetivo do
Ministério de Minas e Energia é se reunir com representantes
de todas as empresas da cadeia do gás e à medida
que os estudos forem avançando, serão criados os atos
legais. Serão criadas portarias específicas
para o gás natural. E, num futuro muito próximo, a
Lei do Gás, adianta a secretária de Petróleo
e Gás do Ministério, Maria das Graças Silva
Foster.
Em setembro, a ANP colocou em consulta pública três
minutas de portarias tratando dos critérios tarifários,
da cessão de capacidade de transporte de gás natural
e do livre acesso aos gasodutos de transporte. De acordo com a minuta,
fica facultativo ao proprietário de um gasoduto franquear
o acesso a terceiros nos primeiros quatro anos de operação
no caso de mercados já atendidos por outras instalações.
Esse prazo sobe para oito anos no caso de mercados emergentes. Isso
significaria uma maior proteção aos investidores.
Os comentários recebidos ainda estão sendo analisados
pelo pessoal técnico da agência
Marco regulatório era apenas uma das questões que
vinham travando o desenvolvimento do mercado de gás no país.
Aspectos relacionados ao preço e a infra-estrutura também
vêm merecendo a atenção do Ministério
e da Petrobras.
Massificação do gás
A própria Petrobras deverá incluir em seu planejamento
estratégico o Plano de Massificação do Uso
do Gás que tem como objetivo garantir a ampliação
da infra-estrutura, o desenvolvimento de novas tecnologias e inserção
do insumo em diversos setores.
A companhia informa que a implementação do Plano será
gradual e dependerá de acordos e parcerias que estão
sendo traçadas com os players da cadeia de consumo do gás
natural. Inicialmente serão estudados todos os mercados em
que a Petrobras atua para desenvolver as estratégias e prever
cenários.
O consultor da Área de Gás e Energia da Petrobras,
Henyo Barreto, cita como exemplo o projeto de expansão no
mercado de gás residencial nas cidades onde já existem
malhas de distribuição aproveitando as redes locais
de suprimento de água.
Há ainda planos para a ampliação da malha de
dutos, bem como o investimento em novas tecnologias para levar o
gás até regiões que ainda não são
atendidas pela rede de gasodutos através de gasodutos
virtuais. Para regiões distantes em até 200 km dos
citygates, a opção será o GNC. Já para
distâncias superiores, o transporte será por GNL.
Há poucos dias a Petrobras e a White Martins assinaram o
contrato de criação de uma joint-venture para abastecer
com GNL as regiões que não são abastecidas
por gasodutos. O projeto prevê um investimento inicial de
US$ 38 milhões na implantação da primeira unidade
de gás natural liquefeito do Brasil, localizada em Paulínia
/ SP. A planta terá capacidade de liquefação
de 380 mil m³/dia de gás natural.
Preços
No final do ano a Petrobras propôs às distribuidoras
uma nova estrutura dos preços do gás natural importado
da Bolívia, baseando descontos progressivos nos preços
para cotas adicionais de gás.
A companhia também propôs a implementação,
em conjunto com as distribuidoras de gás natural, de uma
estrutura de preços exclusiva para o segmento de transporte
coletivo urbano a nova estrutura atrela por dez anos o preço
do insumo aos preços do diesel fixando em 55% do preço
do litro do óleo diesel o m³ do GNV para o uso em ônibus
urbanos.
Além das regiões metropolitanas das grandes capitais,
o planejamento de expansão do uso do GNV também engloba
cidades como Campinas, Santos e Vale do Paraíba. Com a substituição
do diesel por gás natural em 60% dos ônibus nessas
regiões, a expectativa da Petrobras é que este segmento
represente 2% do consumo diário de gás natural no
País em 2010 o que equivale a 2 milhões de
m³.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defende a unificação
dos preços do gás natural vendido no Brasil. O Estado
consume diariamente 11 milhões de m³ de gás natural
40% dos 28 milhões consumidos pelo País.
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