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OBrasil vive uma situação inusitada: o desenvolvimento
do mercado de sísmica onshore parece travado.
Motivos não faltam para o mercado não se desenvolver:
o apetite das grandes companhias está, naturalmente, voltado
para as bacias offshore. No momento não há praticamente
demanda de sísmica terrestre no Brasil. A maioria das grandes
companhias preferem blocos marítimos, em águas profundas
e, se possível, nas bacias de Campos, Santos e Espírito
Santo. Existe uma demanda muito restrita da Petrobras, que tem uma
equipe sísmica própria, e das companhias médias
e pequenas, algumas nacionais, que possuem blocos nas bacias terrestres
costeiras. Com isto criou-se um círculo vicioso: as companhias
não se interessam pelas grandes bacias terrestres brasileiras
porque não as consideram prioritárias e porque não
têm dados sísmicos e ninguém quer se arriscar
a investir em novos dados sísmicos, avalia o consultor
Giuseppe Bacoccoli.
Enquanto isso, os pequenos operadores estão se virando
a Grant trouxe um instrumento ao Brasil para fazer levantamentos
em águas rasas para a Petrobras e existem pequenas empresas
com instrumentos usados, como a SDR. Além disso, devido aos
altos custos dos levantamentos, as concessionárias de blocos
terrestres por vezes optam por perfurar direto.
As pequenas operadoras utilizam os dados públicos,
reprocessados ou não, para avaliarem os prospectos e tomarem
a decisão de perfurar os poços, conta o geólogo
Sérgio Possato.
Se existisse um mercado, as multinacionais trariam equipamentos
e equipes do exterior onde estes recursos são abundantes,
baratos e também inativos por outras razões. No Brasil
já tivemos várias empresas nacionais de levantamentos
sísmicos. Seria de interesse estratégico voltar a
contar com elas, além de gerar muitos empregos em áreas
carentes, completa Bacoccoli.
Para o consultor, avaliar o potencial petrolífero destas
bacias é um problema brasileiro de estado". No
momento, menos de 3% da área das bacias sedimentares brasileiras
está sendo explorado e, boa parte destas áreas está
em terra.
A ANP, por exemplo, lançou o Plano Decenal de Estudo e Serviços
de Geologia e Geofísica, a ser realizado entre 2002 e 2011.
Trata-se de uma iniciativa abrangente para levantamento de dados
sobre as bacias brasileiras, especialmente nas áreas consideradas
de nova fronteira, com o objetivo de conhecer melhor o seu potencial.
Com raríssimas exceções, como as bacias do
Solimões, Paraná e o Recôncavo Baiano, as bacias
terrestres brasileiras são praticamente desconhecidas
cerca de 15% dos 4,8 milhões de m² são cobertos
por sísmica.
Na década de 1980, a Petrobras chegou a operar 14 equipes
próprias ou contratadas. Atualmente mantém
apenas uma equipe própria.
E em meio a esse cenário, começam a despontar algumas
iniciativas nacionais, fruto de um trabalho de fomento encabeçado
pela Onip, para a criação de empresas capazes de assumir
parte das atividades atuais ou já programadas para o setor
de prospecção e exploração de petróleo
e gás natural no Brasil caso da SGB e da SDR.
A primeira é uma sociedade formada pela brasileira Ultratec,
a venezuelana Suelopetrol e um grupo de consultores ligados ao setor.
Já a SDR possui experiência na prestação
de serviços de logística para a equipe de sísmica
da Petrobras.
O problema vai se amenizando à medida que avança a
cadeia de exploração: para o processamento de dados,
já existem algumas empresas, e algumas universidades foram
equipadas para processar dados geofísicos. Já quando
o assunto é perfuração, o país dispõe
de empresas com know how.
A Flamoil, sediada em Natal / RN, se especializou em processar os
registros das bacias terrestres do Nordeste entre seus clientes
estão empresas como Marítima, Partex, Potióleo
e Aurizonia. No final do ano passado, triplicou a capacidade de
processamento de seu Centro de Processamento de Dados com a implantação
de uma arquitetura de cluster de alta capacidade de processamento
paralelo o que aumenta em até 10 vezes a velocidade
de processamento de dados sísmicos 3D.
No centro do Rio de Janeiro, a Gaia instalou uma das poucas salas
de visualização 3D existentes no país. Cerca
de dezesseis profissionais trabalham no Centro de Processamento
de Dados, que tem capacidade para processar 1.000 km2 de sísmica
3D por mês.
A Gaia ainda oferece serviços geocientíficos nas áreas
de AVO, Inversão Sísmica, Caracterização
de Reservatório, Análise de Refração
Rasa e Monitoração de Sísmica no Tempo. Presente
também no mercado de armazenagem e gerenciamento de amostras
geológicas, a Gaia, associada a Reslab Solintec, administra
o acervo de testemunhos de sondagem e outras amostras de subsolo,
para empresas operadoras no país.
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