MATÉRIA DE CAPA – Edição 260 - Maio de 2004
Revolução no parque de refino nacional 
Em cada refinaria do Sistema Petrobras, pelo menos uma obra está em andamento. Quando tudo estiver pronto, será possível processar o pesado óleo nacional e dele extrair derivados de maior valor e qualidade.

Amodernização que a Petrobras vem realizando em suas refinarias irá garantir não só o processamento do petróleo nacional como também a produção de derivados mais nobres – e ainda ampliar em 300 mil barris diários a capacidade de processamento.

Outra premissa será atender aos parâmetros de qualidade dos produtos – para isso estão programadas unidades para tratamento de diesel e gasolina. Até 2010, o setor de refino receberá US$ 8,5 bilhões na construção de novas unidades de coque e reforma catalítica.

Construídas na época em que o Brasil era um grande importador de petróleo árabe, as refinarias nacionais foram projetadas para processar um petróleo mais leve. E o consumo de gás natural industrial e veicular não era tão promissor.

Hoje a história é outra: com o aumento da produção do petróleo nacional – mais pesado e com elevados índices de acidez e compostos nitrogenados – cresce também a produção de derivados menos nobres. Além disso, as projeções feitas pela companhia indicam o crescimento no consumo de alguns derivados – entre eles o gás natural – e queda no consumo de outros – principalmente o óleo combustível.

Os recursos destinados à área de refino incluem a adaptação tecnológica das unidades de destilação para ampliar a quantidade de óleo nacional processado e produção de derivados mais nobres – como GLP, diesel e nafta – com a construção de unidades de coqueamento e craqueamento catalítico.

Por um processo de destilação convencional, a Petrobras só conseguiria obter 40% de derivados mais nobres a partir do petróleo nacional. O restante resulta em derivados escuros.

E, adequando seus produtos às normas internacionais de meio ambiente, a companhia investe na instalação de unidades de hidrotratamento – HDT de diesel e gasolina, que servirão para reduzir o teor de enxofre dos derivados nacionais.

Com as unidades de craqueamento catalítico fluído (FCC), por exemplo, a companhia consegue converter o gasóleo em gasolina e em GLP. Há novas unidades dessa sendo construídas em três refinarias – o FCC é a principal tecnologia de conversão utilizada pela Petrobras em todas as suas refinarias.

Desde o final da década passada, a Petrobras estuda também o hidrocraqueamento catalítico – HCC, que obtém diesel, QAV e nafta a partir da adição de hidrogênio no refino. Unidades de HCC, no entanto, ainda estão em projeto – provavelmente só a partir de 2009 a companhia instale a primeira unidade dessas.

Internamente, a Petrobras desenvolveu o craqueamento catalítico de resíduos para reduzir as frações mais pesadas.

A conversão também pode ser obtida através do coquemento retardado – o craqueamento do gasóleo em gasolina, diesel e coque.
Até mesmo a destilação também está passando por alterações para trabalhar com óleos mais pesados, com a introdução da dupla torre de vácuo.

Por fim, as unidades de HDT (hidrotratamento) e de HDS (hidrodessulfurização) colocam os derivados em parâmetros de qualidade internacionais em relação às emissões. Atualmente, o índice de enxofre na gasolina brasileira é de 1000 PPM. Em 2009, terá 80 PPM na gasolina.

O pacote de investimento ainda traz algumas unidades de geração de hidrogênio – que será utilizado no hidrocraqueamento e no hidrotratamento – e unidades de recuperação de enxofre.

A Unidade de Geração de Hidrogênio produz hidrogênio a partir da reação entre gás natural e vapor de água. Depois disso, ele é combinado com diesel na HDS – o enxofre presente no combustível se associa com o hidrogênio, gerando amônia, gás ácido e outros compostos. Os resíduos que foram misturados à água são tratados na Unidade de Tratamento de Águas Ácidas. Os gases remanescentes vão para a Unidade Dietanolamina, onde são tratados e enviados para a Unidade de Recuperação de Enxofre.

Nova refinaria?

O novo plano estratégico da Petrobras já prevê como será o consumo de derivados ao final da década: um crescimento médio de 2,4% no consumo – isso levando em conta um crescimento do PIB entre 3,5% e 4%. “Isso já fechado com a previsão de crescimento do gás natural na matriz energética”, ressalta o diretor da Área de Abastecimento, Paulo Roberto Costa.

Segundo as projeções da Petrobras, o consumo de derivados vai crescer num ritmo menos lento – já que o Plano de Massificação do Gás deve garantir mais espaço para o gás natural.

Em 2010, o Brasil deverá estar consumindo 2 milhões de barris por dia – 200 mil barris a menos do que o previsto até o ano passado. E, com essas projeções, a Petrobras prevê que uma nova refinaria só venha a operar no Brasil na próxima década. A companhia prevê investir US$ 1 bilhão no projeto, cujas obras devem começar em 2007. Isso significa que vai procurar parceiros para bancar o projeto.

Recorde de processamento

O processamento de l.758 mil barris por dia em abril representou um novo recorde mensal entre as refinarias da Petrobras –75% desse total proveniente dos campos nacionais. O recorde de abril foi 1,2% superior ao volume processado em março, quando foram refinados 1.738 mil barris/dia.

Outro recorde batido em abril foi na produção de óleo diesel, que chegou a 694,2 mil barris/dia, 4,3% superior ao último recorde (665,3 mil barris/dia em março) e 18,6% superior à produção média do ano passado (585,1mil barris/dia).

Refinarias privadas reduzem produção por alta do petróleo

A turbulência nos preços internacionais do petróleo fez com que as refinarias privadas tomassem medidas drásticas e reduzissem a produção. Sem conseguir cobrir os custos variáveis, as refinarias de Manguinhos e Ipiranga diminuiram em 40% sua produção.

“A receita não dá para pagar o custo fixo. Então resolvemos reduzir de carga”, conta o superintendente da Refinaria de Manguinhos, Arthur Cassiano.

As duas refinarias privadas acompanham as cotações realizadas pela Petrobras – arcando com a defasagem gerada com a compra do petróleo. Além disso, as refinarias adquirem determinadas correntes – no caso de Manguinhos, a empresa compra elevadores de octanagem – que também acompanham preços internacionais.
Resultado: enquanto a gasolina estava sendo vendida no Brasil pelo equivalente a US$ 36,50 o barril, a cotação do petróleo WTI superava a barreira de US$ 41.

No primeiro trimestre do ano, a Ipiranga registrou um prejuízo de R$ 2,3 milhões com a atividade de refino.

Edição Impressa 260
Assine já!
NA EDIÇÃO IMPRESSA
6ª Rodada: 27 empresas já demonstraram interesse

Número de fornecedores brasileiros à petrobras deve creser

As novidades da OTC

Reservas brasileiras têm que crescer mais 1,215 bi de barris, avalia ministério

Geotecnologias: a favor do setor crescimento do setor

Petroquisa eleva participação no capital da Petroquímica Triunfo

E muito mais...

Todos os direitos reservados a Valete Editora Técnica Comercial Ltda. Tel.: (11) 6292-1838