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Amodernização que a Petrobras vem realizando em suas
refinarias irá garantir não só o processamento
do petróleo nacional como também a produção
de derivados mais nobres e ainda ampliar em 300 mil barris
diários a capacidade de processamento.
Outra premissa será atender aos parâmetros de qualidade
dos produtos para isso estão programadas unidades
para tratamento de diesel e gasolina. Até 2010, o setor de
refino receberá US$ 8,5 bilhões na construção
de novas unidades de coque e reforma catalítica.
Construídas na época em que o Brasil era um grande
importador de petróleo árabe, as refinarias nacionais
foram projetadas para processar um petróleo mais leve. E
o consumo de gás natural industrial e veicular não
era tão promissor.
Hoje a história é outra: com o aumento da produção
do petróleo nacional mais pesado e com elevados índices
de acidez e compostos nitrogenados cresce também a
produção de derivados menos nobres. Além disso,
as projeções feitas pela companhia indicam o crescimento
no consumo de alguns derivados entre eles o gás natural
e queda no consumo de outros principalmente o óleo
combustível.
Os recursos destinados à área de refino incluem a
adaptação tecnológica das unidades de destilação
para ampliar a quantidade de óleo nacional processado e produção
de derivados mais nobres como GLP, diesel e nafta
com a construção de unidades de coqueamento e craqueamento
catalítico.
Por um processo de destilação convencional, a Petrobras
só conseguiria obter 40% de derivados mais nobres a partir
do petróleo nacional. O restante resulta em derivados escuros.
E, adequando seus produtos às normas internacionais de meio
ambiente, a companhia investe na instalação de unidades
de hidrotratamento HDT de diesel e gasolina, que servirão
para reduzir o teor de enxofre dos derivados nacionais.
Com as unidades de craqueamento catalítico fluído
(FCC), por exemplo, a companhia consegue converter o gasóleo
em gasolina e em GLP. Há novas unidades dessa sendo construídas
em três refinarias o FCC é a principal tecnologia
de conversão utilizada pela Petrobras em todas as suas refinarias.
Desde o final da década passada, a Petrobras estuda também
o hidrocraqueamento catalítico HCC, que obtém
diesel, QAV e nafta a partir da adição de hidrogênio
no refino. Unidades de HCC, no entanto, ainda estão em projeto
provavelmente só a partir de 2009 a companhia instale
a primeira unidade dessas.
Internamente, a Petrobras desenvolveu o craqueamento catalítico
de resíduos para reduzir as frações mais pesadas.
A conversão também pode ser obtida através
do coquemento retardado o craqueamento do gasóleo
em gasolina, diesel e coque.
Até mesmo a destilação também está
passando por alterações para trabalhar com óleos
mais pesados, com a introdução da dupla torre de vácuo.
Por fim, as unidades de HDT (hidrotratamento) e de HDS (hidrodessulfurização)
colocam os derivados em parâmetros de qualidade internacionais
em relação às emissões. Atualmente,
o índice de enxofre na gasolina brasileira é de 1000
PPM. Em 2009, terá 80 PPM na gasolina.
O pacote de investimento ainda traz algumas unidades de geração
de hidrogênio que será utilizado no hidrocraqueamento
e no hidrotratamento e unidades de recuperação
de enxofre.
A Unidade de Geração de Hidrogênio produz hidrogênio
a partir da reação entre gás natural e vapor
de água. Depois disso, ele é combinado com diesel
na HDS o enxofre presente no combustível se associa
com o hidrogênio, gerando amônia, gás ácido
e outros compostos. Os resíduos que foram misturados à
água são tratados na Unidade de Tratamento de Águas
Ácidas. Os gases remanescentes vão para a Unidade
Dietanolamina, onde são tratados e enviados para a Unidade
de Recuperação de Enxofre.
Nova refinaria?
O novo plano estratégico da Petrobras já prevê
como será o consumo de derivados ao final da década:
um crescimento médio de 2,4% no consumo isso levando
em conta um crescimento do PIB entre 3,5% e 4%. Isso já
fechado com a previsão de crescimento do gás natural
na matriz energética, ressalta o diretor da Área
de Abastecimento, Paulo Roberto Costa.
Segundo as projeções da Petrobras, o consumo de derivados
vai crescer num ritmo menos lento já que o Plano de
Massificação do Gás deve garantir mais espaço
para o gás natural.
Em 2010, o Brasil deverá estar consumindo 2 milhões
de barris por dia 200 mil barris a menos do que o previsto
até o ano passado. E, com essas projeções,
a Petrobras prevê que uma nova refinaria só venha a
operar no Brasil na próxima década. A companhia prevê
investir US$ 1 bilhão no projeto, cujas obras devem começar
em 2007. Isso significa que vai procurar parceiros para bancar o
projeto.
Recorde de processamento
O processamento de l.758 mil barris por dia em abril representou
um novo recorde mensal entre as refinarias da Petrobras 75%
desse total proveniente dos campos nacionais. O recorde de abril
foi 1,2% superior ao volume processado em março, quando foram
refinados 1.738 mil barris/dia.
Outro recorde batido em abril foi na produção de óleo
diesel, que chegou a 694,2 mil barris/dia, 4,3% superior ao último
recorde (665,3 mil barris/dia em março) e 18,6% superior
à produção média do ano passado (585,1mil
barris/dia).
Refinarias privadas reduzem produção por alta do
petróleo
A turbulência nos preços internacionais do petróleo
fez com que as refinarias privadas tomassem medidas drásticas
e reduzissem a produção. Sem conseguir cobrir os custos
variáveis, as refinarias de Manguinhos e Ipiranga diminuiram
em 40% sua produção.
A receita não dá para pagar o custo fixo. Então
resolvemos reduzir de carga, conta o superintendente da Refinaria
de Manguinhos, Arthur Cassiano.
As duas refinarias privadas acompanham as cotações
realizadas pela Petrobras arcando com a defasagem gerada
com a compra do petróleo. Além disso, as refinarias
adquirem determinadas correntes no caso de Manguinhos, a
empresa compra elevadores de octanagem que também
acompanham preços internacionais.
Resultado: enquanto a gasolina estava sendo vendida no Brasil pelo
equivalente a US$ 36,50 o barril, a cotação do petróleo
WTI superava a barreira de US$ 41.
No primeiro trimestre do ano, a Ipiranga registrou um prejuízo
de R$ 2,3 milhões com a atividade de refino.
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