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MATÉRIA DE CAPA II
Edição 260 - Maio de 2004
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| A fábrica na palma da mão |
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| Para agilizar a tomada de decisões, empresas investem
em soluções que vão desde o gerenciamento de
ativos até a integração entre o chão-de-fábrica
com o nível corporativo.
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Antes de fechar um negócio, o executivo consulta em seu
palm top algumas informações de sua linha de produção
e cruza com cotações de mercado. Futurístico?
Nem tanto: em nome da agilidade, os executivos ligados à
área de refino da ExxonMobil já utilizam essa ferramenta
que transforma a informação do processo em
informação de negócios.
O Data Visualization ou visualizador de dados implementado
pela empresa permite ao executivo acessar dados de processo de 25
unidades de refino espalhados pelo mundo, e integrá-los com
outros dados de mercado como cotações do petróleo
ou das commodities.
A função do Data Visualization é proporcionar
um ambiente que congregue as informações que o executivo
necessite. Essas informações incluem dados de chão-de-fábrica
e informações que estão fora da empresa,
explica Luiz Eduardo Ganem Rubião, diretor geral da Siemens/Chemtech
empresa de TI que implantou o sistema na ExxonMobil.
Esse sistema é apenas uma das ferramentas que vem sendo utilizadas
por executivos quando a tomada de decisões precisa ser ágil.
As soluções adotadas pelas empresas abrangem desde
o gerenciamento de ativos até a integração
entre o chão-de-fábrica com o nível corporativo.
A tendência é transformar os relatórios em papel
em informações eletrônicas, seja via OPC ou
via Ethernet.
Tome como exemplo essa ferramenta adotada pela ExxonMobil: a idéia
é integrar em uma única tela que pode ser até
mesmo em Internet Explorer informações de diversos
sistemas, como da produção, do laboratório,
dados do desempenho industrial e até mesmo cotações
do mercado financeiro. Em tese, sem esses sistemas integrados, só
ao final do mês o executivo teria acesso a esses dados de
uma forma consolidada.
O sistema implementado na petroleira tem por base o XHQ software
de visualização de dados fabricado pela Siemens /
IndX que agrega e relaciona em uma única tela dados
operacionais e de negócios em tempo real. Conceitualmente,
esse tipo de software funciona como um hub de informações,
buscando dados de vários sistemas diferentes. E, quando um
usuário procura uma informação, esse software
busca o dado onde ele estiver com a vantagem de adicionar
informações que nem sempre estão ligados à
fabrica, como dados meteorológicos ou a cotação
do dólar.
Para facilitar a tomada de decisões, o ideal seria
ter, por exemplo, vinte informações de uma maneira
simples, sem que o executivo precise percorrer vinte sistemas diferentes,
ou que fosse necessário manter várias equipes gerando
relatórios em papel, mas sim ter esses parâmetros online,
comenta Rubião.
A ferramenta não chega a ser um MES sistema voltado
para integrar o chão-de-fábrica com o nível
corporativo. Também não é simplesmente uma
aquisição de dados do sistema de gerenciamento de
informações do processo (PIMS) ou um módulo
do Sistema de Gestão imagine quantas licenças
de software seriam necessárias para disponibilizar tudo isso
num sistema corporativo...
Por falar em MES, essa ferramenta tem viabilizado a manipulação
de quantidades muito maiores de informações
principalmente nas indústrias de Papel e Celulose e de Metal
e Mineração. É esse sistema que traduz as informações
do nível corporativo em ordem de produção
ou dados do processo em informação gerencial.
O MES não precisa ser, necessariamente, uma interface entre
o ERP e o chão-de-fábrica. Há casos em que
a ferramenta é utilizada para a criação de
índices que são utilizados para comparação
de performance e direcionamento de investimentos ou então
para fazer com que algum dado de programação de produção
chegue ao chão-de-fábrica, garantindo uma padronização
de procedimentos e uma maior precisão das informações.
O maior ganho acontece quando existe a integração,
devido à sinergia, comenta o diretor da Chemtech.
Mas alto lá! Essa integração entre o ERP com
o chão-de-fábrica tem seu preço: a vulnerabilidade
a ataques externos. A segurança talvez seja o maior desafio
para as empresas de TI e aí surgem desde as senhas
criptografadas e firewalls até engenhosas arquiteturas para
permitir que a empresa disponibilize seu processo na web com segurança.
Esse assunto é uma das pautas de discussão da ISA
entidade que congrega instrumentistas e técnicos de
automação que está preparando uma norma
técnica sobre o assunto.
À medida que redes corporativas estejam interligadas
com o chão-de-fábrica, torna-se mais delicado,
comenta Vitor Finkel, vice-presidente eleito da ISA para o Distrito
IV que inclui o Brasil e outros países da América
do Sul.
Finkel lembra que o maior problema não é o hacker
que não entende muito do processo industrial
mas sim o ex-funcionário em situação de conflito
com a empresa. Se ele acessa o sistema, sabe exatamente onde
colocar a casca de banana.
Qual a saída, nesse caso? Somente interligar os sistemas
quando for necessário. As soluções de
informática não são garantidas, porque se o
sujeito tem acesso, e souber o que está fazendo, consegue
fazer uma malícia, por mais que se coloque dispositivos de
proteção. O que o pessoal faz é separar, sempre
que possível, aquele cabo com conector RJ-45. O técnico
liga o cabo, faz o que precisa fazer, e desliga em seguida,
aconselha Finkel.
Para quem precisa que os sistemas estejam interligados ininterruptamente,
a solução é minimizar o risco com medidas que
vão desde o isolamento de alguns pedaços
da rede ou a inserção de firewalls. Um bom conselho
é adotar uma máquina intermediária entre o
controlador do processo e os níveis gerenciais ou
até mesmo trabalhar na arquitetura do software. Às
vezes, tomar uma decisão errada pode significar um prejuízo
maior para a empresa do que um hacker derrubar uma planta por uma
hora, avalia Rubião.
Que tal instalar um sistema especialista que simule uma produção
antes da ordem ser disparada para o controlador? Mesmo que aconteça
um erro, não há interferência na planta.
A preocupação com a perenidade dos investimentos
O que preocupa a industria química quando o assunto é
automação? O primeiro desafio é compatibilizar
o avanço tecnológico com a vida útil da planta.
A busca é por soluções que, por exemplo, não
tenham que ser totalmente trocadas a cada três anos.
Enquanto uma planta é projetada para trabalhar 20 anos ou
mais, os sistemas operacionais aparecem com upgrades e novas funcionalidades
a cada ano. No mínimo. E o pior: por ficarem obsoletos, esses
sistemas são descontinuados em menos de cinco anos.
Claro que os instrumentistas preferem trabalhar com sistemas up-to-date
cada vez mais íntegros e com mais recursos. Todo
avanço é bem vindo, desde que se justifique. Uma empresa
não pode dizer ao cliente: você vai pagar mais
caro porque a minha produção é altamente sofisticada,
comenta o coordenador da Comissão de Automação
da Abiquim, Sidney Puosso da Cunha.
É preciso avaliar muito até na hora de fazer um simples
upgrade. Cada empresa tem que alinhar sua pauta de investimentos
à sua aplicação específica. Em alguns
casos, um pequeno upgrade pode dar uma vantagem significativa, já
em outros não causa impacto. Porque se a industria estiver
no gargalo de produção, qualquer upgrade que dê
uma vantagem produtiva vai interessar, aconselha Finkel.
Isso sem contar que a troca de um software ou de um equipamento
pode significar uma dor de cabeça: uma parada no processo,
e mais um tempo extra para resolver todas as surpresas desagradáveis,
eliminar eventuais bugs e retomar a produção total...
Tem um custo que não é unicamente do upgrade,
mas também dos problemas que aparecem depois, completa
Finkel.
Outra questão é encontrar uma tecnologia que aproveite
algo do que já foi feito algo semelhante ao conceito
de softwares modulares, nos quais apenas uma camada é modificada
sem interferir no conjunto. Se você conseguir encapsular
a tecnologia que está por trás do hardware, fica mais
fácil trocar apenas a cápsula de acesso ao hardware,
e o resto da solução está mantida, explica
Rubião.
Aqui, a base é o uso de técnicas de programação
estruturada.
Cabe ao fornecedor trabalhar sempre com novidades que aproveitem
a tecnologia já instalada para causar o menor distúrbio
possível na produção do usuário. Vai
dar mais trabalho desenvolver o produto com o conceito de encapsulamento,
mas bem que viabilizaria a troca de um módulo sem interferir
na planta inteira, nem ter que refazer todo aquele trabalho inicial.
E o que falar então de plataformas abertas? Isso tem sido
um assunto exigido por todos os usuários que querem
sair de soluções proprietárias. É claro
que o fabricante nem sempre estará disposto a abrir sua arquitetura
como uma forma de assegurar a presença nos futuros
investimentos.
Mas questão não é só essa: imagine quando
a empresa precisar trocar um circuito integrado que não está
mais sendo fabricado...
É confortável ter um bom fornecedor, que tenha
tudo, mas também dê a chance para o usuário
poder incluir peças de outros fornecedores, conta o
gerente da Chemtech.
O segredo para o sucesso de uma arquitetura aberta está na
palavra interoperabilidade: os vários instrumentos e sistemas
precisam conversar entre si, garantindo a integridade
das informações. Hoje é difícil
uma empresa manter a comunicação através de
um protocolo proprietário. Porque há uma enorme concorrência
entre fabricantes, e o usuário busca a melhor alternativa
técnica e econômica, explica Sidney Cunha.
Mas por quê uma tecnologia inovadora demora para ser absorvida
pela indústria química? Não é uma questão
de conservadorismo: atualmente as plantas trabalham com ocupações
próximas a 100% da capacidade instalada, e qualquer parada
seja por troca do sistema ou por erro de configuração
representará perda na receita operacional.
A industria química não admite ser cobaia, e
ficar testando tecnologia. Porque, em nome da competitividade e
da produtividade, cada vez mais as empresas procuram parar o mínimo
possível as unidades, completa o coordenador da Comissão
de Automação da Abiquim.
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| Sistemas híbridos: entre o CLP e o SDCD
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A pergunta clássica é: qual a arquitetura escolher?
Sabe aquela velha receita: para processos onde predominem entradas
e saídas discretas, a solução é CLP. E
para processos onde há um número maior de variáveis
analógicas, a melhor opção é um SDCD?
Esqueça.
A tendência agora é o sistema híbrido ou
Hybrid Control Systems destinado ao controle de processos onde
possa existir uma predominância tanto de sinais analógicos
quanto de sinais discretos. A questão é distribuir a
inteligência pelo processo.
A principal vantagem de uma arquitetura híbrida é ter
sido desenvolvida com CPUs dos controladores, e software com poder
computacional, para possibilitar a conversação digital
entre controlador e dispositivo de campo e também
o tratamento da grande quantidade de informações para
o controle do processo. Esse processamento distribuído permite,
por exemplo, que um alarme detectado em um transmissor Foundation
Fieldbus informe ao inversor conectado, via Device Net, o inter- travamento
de um motor.
Não há números oficiais sobre a quantidade de
usuários de sistemas híbridos, mas um breve levantamento,
entre os próprios fabricantes, dá conta de mais de 200
plantas com esses sistemas já instalados no Brasil.
Existem conceitos que sempre foram exclusivos para certos tipos
de processos, que estão sendo utilizados por outras indústrias.
Hoje é comum ver controle avançado, por exemplo, em
industrias que têm spray drier. Então acabamos partindo
para a solução híbrida. E as empresas de automação
estão apostando nisso, evitando o rótulo ser só
de CLP ou ser só de SDCD, explica Rubião.
O próprio controle avançado já vem sendo encarado
como uma ferramenta adequada para produções em batelada
que auxilia até mesmo a minimizar o uso de matérias-primas.
É possível, por exemplo, organizar uma seqüência
de produção de forma a diminuir a lavagem dos equipamentos
e respectivas instalações entre duas produções
e aí economizar tempo e recursos como também
os impactos ambientais decorrentes, atendendo o Programa de Atuação
Responsável da Indústria Química.
Os fabricantes já disponibilizam softwares para coleta de dados,
gerenciamento de produção em batelada, controle estatístico
de processo, e de programação de produção.
Quando a empresa compra um sistema, não precisa necessariamente
comprar todos os pacotes de software, conta Sidney Cunha.
Uma opção, para quem não vai implantar o controle
avançado, é potencializar a performance com controle
regulatório, através de sintonia de malhas. A Petrobras
implantou recentemente um projeto para monitorar as variáveis
importantes para a sintonia das malhas do controle anti-surge na plataforma
P-25. Com isso, garantiu a vazão mínima necessária
para o compressor não entrar em surge, mantendo a vazão
acima do set-point.
Sintonia de malhas era um assunto que, até pouco tempo, não
recebia muita importância em plantas de produção
de petróleo. Mas, em algumas malhas de controle, um desvio
de set point, por exemplo, não implica diretamente em um produto
fora de especificação, mas pode acarretar paradas de
produção se forem atingidos os limites de segurança
dos equipamentos.
E o nosso velho CLP? Ele vem sendo utilizado em pacotes de máquinas,
como compressores e unidades de refrigeração
o fabricante da máquina entrega o pacote pronto, e o usuário
integra à rede existente.
O equipamento pode até ser encontrado em aplicações
de pequeno porte com poucas malhas e sem grande complexidade.
Só que, quando for necessário ampliar o controle ou
o número de malhas, será preciso integrar vários
controladores.
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| Como mensurar as variáveis de qualidade?
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Uma outra pedida, no nível de chão-de-fábrica,
é a mensuração das variáveis de qualidade
tema normalmente associado a análises laboratoriais.
É só prestar atenção na grande quantidade
de analisadores online espalhados pelo campo.
O enfoque está mais voltado ao controle de processos do que
à emissão de certificados de produto final. Quando
você controla o produto final, é tarde: o que fazer se
o produto estiver fora da especificação? Por isso que
o controle online é importante, explica Finkel.
Como encarar essa questão? Aqui há duas opções:
instalar analisadores sofisticados diretamente na planta ou investir
mais no laboratório, colocando na planta analisadores mais
simples.
No primeiro caso, é a simples instalação de analisadores
específicos na planta. O conceito seria implantar um laboratório
diretamente na linha e, então, medir a propriedade diretamente
durante a produção isso sem o inconveniente de
ficar carregando amostras. O problema é o alto custo destinado
a esses sistemas que englobam instalação, pessoal especializado
e equipamentos. Também esses custos se tornam proibitivos
quando teríamos de ter redundância, pontua Sidney
Cunha.
Mas também é possível instalar analisadores mais
simples como um condutivímetro e deixar outros
sistemas mais complexos para o laboratório. Só que a
desvantagem é não ter uma medida direta porque,
nesse caso, o analisador medirá apenas uma propriedade física
ou química, que deve ser então relacionada com as propriedades
finais do produto.
Diminuímos a utilização de analisadores
em laboratório, por economia de tempo. Gasta-se muito mais
com um analisador em linha do que com uma análise em laboratório,
mas o retorno que ele dá, em produção com o tempo
da resposta da informação, justifica o investimento,
explica o vice-coordenador da Comissão de Automação
da Abiquim.
A novidade é o controle por modelagem matemática
um assunto mais sofisticado, tendo em vista que montar uma planta
virtual demanda um excelente conhecimento matemático do processo.
No computador, o usuário mantém uma planta virtual,
onde simula várias situações, baseado em informações
do processo.
O computador que faz o controle de processo virtual já
sabe qual é a melhor estratégia e gera online a estratégia
para controlar a planta real, explica Vitor Finkel.
Agora pouca gente sabe que é possível montar uma planta
virtual mesmo sem uma rede neural. Porque muitas vezes, só
é necessário montar uma equação simples,
em que os parâmetros signifiquem um dado físico.
Se no modelo os parâmetros têm significado físico,
é possível trabalhar em várias áreas.
A rede neural só trabalha bem no conjunto de dados em que está
treinada e se operar fora daquilo, pode ter um resultado errado.
O modelo com significado físico já não corre
esse risco. Por outro lado, o usuário abre mão das medidas
de qualidade, comenta Rubião.
Independente de qual tipo de laboratório, a empresa não
pode deixá-lo isolado do processo e para isso precisa
de um gerenciador de informações do laboratório
ligado ao sistema de controle. O LIMS (Laboratory Information
Management System) tem que ficar conversando, o tempo todo, com o
PIMS (Process Information Management System). O laboratório
pode fazer a análise das amostras e o cross-check com os resultados
do processo ou do laboratório virtual, explica o diretor
da Chemtech.
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O gerenciamento de ativos através
de auto-diagnósticos
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Há algo de errado com o processo? Hoje já é
possível detectar possíveis problemas a partir de uma
análise química ou através de dados fornecidos
pelos equipamentos de campo.
Os chamados instrumentos inteligentes já possibilitam
ao operador não só ter informações sobre
sua condição, mas também da performance da planta.
O desenvolvimento desses equipamentos vem permitindo o auto-monitoramento
do instrumento, e a substituição da manutenção
preventiva por diagnosticos não-intrusivo nos instrumentos.
Na Refinaria de Paulínia, por exemplo, quase todos os transmissores
são inteligentes, com comunicação digital Hart
o que permite intervenções remotas para calibração
e diagnósticos. E parte das válvulas de controle tem
posicionador inteligente também em Hart o que
permite ao operador, entre outras funções, obter diagnósticos
preditivos da condição de operação, levantamento
das curvas iniciais de movimentação, comparação
entre a condição de nova e a condição
atual de operação, e detecção de vazamento
de ar de comando.
A penetração da informática no ambiente
industrial trouxe uma riqueza de informações que até
então não existia na instrumentação. E
o pessoal descobriu que, com isso, consegue fazer diagnóstico
de falhas prematuras, descobrir o grau de precisão do instrumento,
e até comparar instrumentos, comenta Finkel.
Mas não basta ter o instrumento inteligente: o sistema tem
que ser capaz de receber e tratar essa informação. A
Replan utiliza o programa AMS integrado à instrumentação
inteligente, que registra os alarmes de manutenção preditiva
e as intervenções e modificações nos instrumentos.
Aí, mais uma vez, é preciso que o sistema trabalhe em
uma plataforma aberta que receba e trate informações
fornecidas por equipamentos de fabricantes e tecnologias diferentes.
E é justamente no diferencial dos softwares supervisórios
que os fabricantes estão investindo. Isso porque, com a padronização
dos barramentos de campo, os instrumentos começaram a ficar
muito parecidos e então o software aparece como valor
agregado para um equipamento que, por si só, tem preço
de custo. É um diferencial de qualidade da instrumentação,
um campo onde os fabricantes estão brigando para conquistar
mercado não só no preço, explica Finkel.
Sistemas de shutdown: segurança dedicada
Quando o assunto é desligamento de segurança, o consenso
é: os critérios para desenvolver o projeto de segurança
não podem ser os mesmos para desenvolver um sistema de controle.
Isso porque o sistema de controle está sendo operado o tempo
inteiro e se uma malha travar, por exemplo, o operador recebe
o sinal no momento exato e pede socorro à área de manutenção.
Já o sistema de segurança passa praticamente todo o
tempo em stand by. Só que, justamente na hora em que for requisitado,
o operador pode descobrir que um transistor de saída está
queimado, ou a válvula de bloqueio está emperrada. Complicado
não?
Sistemas de shutdown exigem critérios de projeto e manutenção
mais cuidadosos para diminuir o risco a um nível aceitável,
explica Vitor Finkel, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto.
Falhas como essa podem acontecer, por exemplo, em caldeiras: a chama
se apaga, mas a válvula não interrompe a vazão
de gás. Por isso é necessário que o instrumento
apresente o diagnóstico e que o software preveja o tratamento
da informação.
A saída é desenhar um projeto onde o sistema seja testado
periodicamente e com certa redundância, como requerem
as normas IEC-61508 e IEC-61511 (européias) e S-84.01 (americana)
para Safety Instrumented Systems (SIS) e Safety Integrity Level (SIL).
Com base num estudo de Análise de Riscos de Processo (PHA),
o usuário determina o nível SIL de uma função
de segurança que varia do nível 1 ao 4, dependendo
do impacto de um acidente.
É a partir dessa classificação que o projeto
de automação será desenhado com redundância
de instrumentação, separação do sistema
de controle regulatório ou até mesmo codificação
de um CLP.
O primeiro passo é buscar alternativas para reduzir o
grau de risco, antes de adotar qualquer dispositivo. Outros procedimentos,
que podem ser simplesmente a alteração de uma rotina
de trabalho ou a retirada de um equipamento de um local, pode reduzir
o grau de risco, sem a necessidade de comprar ou alterar um sistema
específico, comenta Sidney Possuo da Cunha.
A Braskem, por exemplo, vem substituindo os antigos painéis
de relés por um sistema instrumentado de segurança nas
unidades de PVC de Alagoas e Bahia. O primeiro passo foi analisar
e classificar as malhas de segurança existente e, na seqüência,
o emprego da metodologia Lopa (Layer of Protection Analysis)
uma técnica semi-quantitativa focada no estudo das camadas
de proteção existentes em cada situação
de risco.
O projeto, desenvolvido pela Chemtech, avaliou cerca de mil malhas
de segurança em cada unidade, gerando as recomendações
quanto à arquitetura de separação do controle
e à redundância pertinentes para o atendimento às
normas de segurança. Entre as malhas avaliadas, 32% foram classificadas
acima de SIL1 (no máximo como SIL2) e, através de uma
análise detalhada, foi possível reavaliar algumas malhas
inicialmente classificadas como SIL 3, o que diminuiu significantemente
o custo final do sistema SIS.
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Edição Impressa 260
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NA EDIÇÃO IMPRESSA
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6ª Rodada: 27 empresas já demonstraram
interesse
Número de fornecedores brasileiros à petrobras deve
creser
As novidades da OTC
Reservas brasileiras têm que crescer mais 1,215 bi de barris,
avalia ministério
Geotecnologias: a favor do setor crescimento do setor
Petroquisa eleva participação no capital da Petroquímica
Triunfo
E muito mais...
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