MATÉRIA DE CAPA II – Edição 261 - Junho de 2004
Onde o Governo está conseguindo gerar emprego
Dutra presenteia o presidente Lula com a maquete de uma plataforma, durante a solenidade de assinatura dos contratos
Petrobras contrata quatro plataformas no país e movimenta
a indústria brasileira

OGoverno Federal deve ter encontrado o caminho para cumprir a principal promessa de sua campanha: é através dos investimentos do setor de petróleo que o número de empregos deve crescer nos próximos anos.

Só com as obras de quatro plataformas, deverão ser criados cerca de 42,4 mil empregos (10.600 diretos e 31.800 indiretos). O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, assinaram 11 contratos para obras de construção de três novas plataformas e a reforma da P-34. “Empregos esses que estariam sendo gerados em outros países se não tivesse sido aplicada essa política – que foi inclusive um compromisso de campanha do candidato Luis Inácio Lula da Silva”, ressaltou Dutra.

São três plataformas de produção (P-51, P-34 e P-54) e uma de rebombeio (PRA-1), todas destinadas à Bacia de Campos – que totalizam investimentos de R$ 6,3 bilhões. Em todos os contratos, a exigência de conteúdos nacionais é de, pelo menos, 60%.

O ícone dessa política de valorização da indústria nacional é a plataforma P-51 – a primeira unidade de produção semi-submersível inteiramente construída no Brasil. “Quando determinamos modificações nos editais da P-51 e da P-52, alguns disseram que essa era uma medida atrasada, que traria prejuízos para a Petrobras e para o país”, lembra Dutra.

Em uma das visitas de campanha, o então candidato Lula visitou o estaleiro Fels Setal – que será responsável pela obra. “Por fim, assistimos a assinatura de contratos, sem criar nenhuma grande novidade, apenas devolvendo ao Brasil um patrimônio de conhecimento que o nosso país já teve e que tinha perdido”, discursou o presidente durante a solenidade de assinatura dos contratos.

A plataforma - avaliada em R$ 2,3 bilhões - terá índice de nacionalização de 70%. Seu casco será construído na fábrica da Nuclep, em Itaguaí, enquanto os demais serviços serão realizados nos estaleiros Brasfels, em Angra dos Reis, e MacLaren, em Niterói. O projeto recebeu isenção fiscal de ICMS do governo fluminense.

Para construir as plataformas P-51 e a P-52 (para as quais também venceu a concorrência para fabricação), o Fels Setal deverá investir na ampliação do dique seco. O assunto ainda é tratado com ressalvas entre os executivos do estaleiro, em virtude de um litígio judicial envolvendo o Grupo e o antigo proprietário do estaleiro Verolme, Roberto Tanure.

A P-54, o maior dos quatro projetos terá conteúdo nacional de 65%. A obra custará R$ 2,4 bilhões mas não poderá ser totalmente convertida no Rio por falta de acordo comercial entre estaleiros. Cerca de 30% das obras, referentes à docagem do navio – inspeção do fundo do casco a seco – deverá ser realizada em Cingapura. Somente o estaleiro Ishibrás, arrendado pelo Sermetal, dispõe de condições técnicas para a docagem do navio.

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