MATÉRIA DE CAPA II – Edição 262 - Julho de 2004
Estado quer mobilizar cadeia do petróleo

A Bahia quer voltar a ter destaque no cenário nacional de petróleo. Um esforço conjunto entre o Governo do Estado, Federação das Indústrias e Agência Nacional do Petróleo é a injeção de ânimo que faltava para revitalizar a atividade de exploração e produção de petróleo no Estado.

A ANP busca a parceria da Petrobras com pequenas empresas para reativar os campos maduros. O diretor da Agência, Newton Reis Monteiro, tem conversado com a Petrobras para viabilizar parcerias com pequenas e médias petroleiras do país. “A Petrobras pode investir em campos maduros se associando a outras empresas”.

O trabalho da Fieb inclui a criação do Comitê de Petróleo e Gás que irá atuar como interlocutor entre a iniciativa privada e o Governo. Nas primeiras reuniões do Comitê, os integrantes vêm discutindo os planos de trabalho – entre os objetivos estão maximizar a capacidade de fornecimento da indústria local.

E o Estado busca atrair produtores de equipamentos – entre elas a fabricante de válvulas Nadvic. Motivada por incentivos fiscais, a empresa montou uma fábrica no Centro Industrial de Aratu, com capacidade de fabricar até 5 mil peças por mês. “Viemos nos instalar na Bahia, devido às facilidades de exportação para os EUA e a Europa, para atender de perto a carência do mercado nordestino e, também, pelos incentivos oferecidos pelo Governo do Estado”, conta o diretor Comercial da empresa, Marcos Benfatti.

Novo pólo da indústria naval

A reativação do canteiro de São Roque do Paraguaçu é um dos ícones da retomada da indústria na Bahia. Depois de abrigar a jaqueta da plataforma de Cangoá/Peroá, o local será utilizado pelo consórcio Odebrecht/Ultratec para construir os módulos da PRA-1. O projeto do Governo do Estado é transformar São Roque do Paraguaçu em um grande estaleiro para a fabricação de plataformas offshore.

A Base de Aratu, onde já existe estrutura de reparo de embarcações, poderá ganhar um complexo de construção naval. Um estudo de viabilidade técnica e econômica para a criação de um novo estaleiro está sendo realizado pela Emgepron e Ultratec Engenharia – se os resultados forem favoráveis, a Marinha deverá instalar na área da Base de Aratu uma indústria de construção naval e um segundo dique-seco, maior que o existente no local.

O secretário de Indústria e Comércio da Bahia, Otto Alencar, conta que tem recebido muitas visitas de empresas privadas do segmento de construção naval interessadas em investir na Bahia. “Além de Aratu, temos indicado para esses empresários a região de São Roque do Paraguaçu, também muito propícia para abrigar estaleiros”.

Investimentos aumentam produção de petróleo

Engana-se quem pensa que a produção de petróleo e gás já esteja se exaurindo nas bacias baianas. Marítima, W. Washington, Petrorecôncavo, Starfish, Queiroz Galvão, El Paso e até mesmo a Petrobras investem em exploração e desenvolvimento de campos para aumentar a produção no Estado.

Até o final do próximo ano, entrará em operação o campo de Manati, com a produção diária de até 6 mil m³ de gás natural. O Projeto prevê a perfuração de sete poços, instalação de uma plataforma fixa não habitada, construção de um duto de 117 km e implantação de uma unidade de processamento de gás natural.

Localizado na Bacia de Camamu, com reservas de 23 bilhões de m³ de gás, o projeto contempla sete poços interligados a uma plataforma fixa. Todo o projeto de desenvolvimento está orçado em cerca de US$ 55 milhões.

A Queiroz Galvão estuda a perfuração de poços nos blocos BM-CAL-5 e BM-CAL-6, também localizados na bacia. Na bacia do Recôncavo, a empresa fará levantamentos sísmicos no bloco BT-REC-8.

Outras petroleiras preparam campanhas de perfuração na Bacia do Recôncavo. A Starfish deverá perfurar seu primeiro poço no BT-REC-7.

Já a PetroRecôncavo deverá iniciar a perfuração de dois novos poços no BT-REC-10. A empresa petroleira confirmou a viabilidade comercial do campo de Lagoa do Paulo. Até hoje a Petrorecôncavo apenas operava doze poços na Bacia, prestando serviços à Petrobras.

A Marítima está acertando os detalhes finais para colocar em operação duas áreas descobertas a partir da perfuração dos poços 1-MPE-1BA e 1-MPE-5DP, localizados no BT-REC-3.
Um grande mercado para o gás natural

A Bahiagás vive uma situação inusitada – pelo menos quando comparada às distribuidoras de gás da região Sudeste: não consegue atender a uma demanda reprimida de 1 milhão de m³ diários, por falta de produto.

Hoje a empresa distribui cerca de 4 milhões de m³ por dia, de um total de 6,4 milhões de m³ consumidos pelo Estado – os 2 milhões de m³ restantes são consumidos pela própria Petrobras na fábrica de fertilizantes e na produção de petróleo.

Só que os campos baianos não produzem mais que 5,3 milhões de m³ por dia – e o Estado precisa recorrer ao vizinho Sergipe, que complementa a oferta com mais 1,1 milhão de m³.

A distribuidora de gás do Estado, Bahiagás, aguarda a entrada em produção dos campos descobertos em Camamu e a conexão da malha Nordeste com o Sudeste para aumentar o número de clientes e o volume vendido.

Petrobras vai investir US$ 3,8 bi na Bahia

A Petrobras vai investir US$ 3,8 bilhões no Estado da Bahia, nos próximos seis anos. O investimento será distribuído em projetos nas áreas de exploração e produção, gás e energia, e refino. A informação foi dada pelo diretor da Área Financeira da companhia, José Sergio Gabrielli, durante palestra realizada na Fieb.

Só o Gasene – que terá 800 quilômetros no território baiano – receberá US$ 760 milhões. Além disso, a malha de gasodutos da região Nordeste terá mais US$ 560 milhões. A usina termelétrica Termobahia vai ser concluída, com mais US$ 35 milhões.

A Refinaria Landulpho Alves vai receber US$ 745 milhões destinados à adequação dos equipamentos ao processamento de óleo pesado e ao perfil de consumo da região.

A maior fatia dos recursos serão destinados à área de E&P: serão US$ 30 milhões em exploração e US$ 215 milhões em produção.
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