MATÉRIA DE CAPA – Edição 263 - Agosto de 2004
Rumo à auto-suficiência
Cinco projetos garantem a auto-suficiência na produção de petróleo já em 2005. Produção chegará a 2,3 milhões de barris diários ao final da década

Os cinco grandes projetos que a Petrobras está colocando em operação até o final do próximo ano garantem a chegada do Brasil à lista dos países auto-suficientes em petróleo. Além do FPSO de Marlim Sul – já em operação – até dezembro de 2005 entram em produção as plataformas P-43 (Barracuda), P-48 (Caratinga), P-50 (Albacora Leste) e P-34 (a primeira fase do campo de Golfinho).

“É uma grande mudança para a Petrobras. Estamos passando de uma produção atual de 1.521 mil barris para 1.780 mil barris por dia, o que é bastante significativo”, comenta o gerente geral Estratégia e Gestão de Portfólio de E&P da Petrobras, José Luiz Marcusso.

Já ao final deste ano, devem entrar em produção as plataformas P-43 e P-48 – cada uma com capacidade para produzir 150 mil barris diários. E o cronograma prevê a entrada em produção da P-50 no segundo semestre de 2005, com capacidade de 180 mil barris.

No campo de Jubarte, a proposta é antecipar a produção através da P-34 – que está sendo convertida para produzir 60 mil barris diários. Na prática, a capacidade total adicional de 640 mil barris só será alcançada quando todos os sistemas estiverem operando a plena carga. Mesmo assim, ao final de 2005 será possível agregar mais da metade dessa capacidade – e atingir a auto-suficiência.

“São cinco projetos importantíssimos. Esse é o primeiro passo para a auto-suficiência”, conta Marcusso.

Atingido esse primeiro objetivo, o desafio será sustentar a auto-suficiência. A partir daí serão mais dez projetos de óleo – e dois de gás – entrando em produção em dois anos. “E, no longo prazo, teremos novos projetos e a ocorrência de novas descobertas”, completa o gerente.

Pelas projeções da Petrobras, em 2010 a produção interna atinge a marca de 2.300 mil barris diários – dos quais 550 mil barris serão exportados. “Somados à produção externa de 479 mil barris, a Petrobras atingirá vendas internacionais superiores a 1 milhão de barris diários”.

A demanda interna, prevista para 2010, é de 2.023 mil barris diários – compostos por uma carga de 1.870 mil barris processada internamente (1.750 mil barris de óleo nacional e 120 mil barris de óleo leve importado) mais uma importação de 153 mil barris de derivados. “Isso considerando um crescimento anual de 4% do PIB, com um crescimento médio de 2,4% no mercado de derivados”.

Já em 2006 a Petrobras implantará sistemas antecipados, de 100 mil barris diários, em três novas áreas – Golfinho, RJS-409 e ESS-132. Além de conhecer melhor essas áreas, a companhia quer antecipar a produção de óleo leve.

No ano seguinte entram em operação as grandes plataformas nos campos de Roncador (P-52 e P-54) e Marlim Leste (P-53), além do campo de Frade (operado pela ChevronTexaco). A Petrobras prevê ainda a antecipação da produção no módulo 3 do campo de Marlim Sul.

Para 2008, o cronograma prevê a entrada em produção do módulo 2 do campo de Marlim Sul (P-51) e um FPSO complementar no campo de Albacora – para retardar o declínio do campo. “O campo de Albacora atingiu o pico de produção em 1999, com 157 mil barris por dia. Essa produção chegou a cair para um nível de 120 mil barris e, através de projetos de melhoria da performance operacional, injeção de água, e com a identificação de novos poços dentro do próprio campo de Albacora, hoje produzimos 140 mil barris diários”.

Após 2008 entram em produção os módulos 3 e 4 do campo de Roncador, os módulos 3 e 4 em Marlim Sul, e o projeto definitivo do campo de Jubarte. Como ainda está finalizando os estudos de viabilidade técnica e econômica dos projetos, a Petrobras não definiu sobre a compra ou o afretamento das plataformas. “O óleo leve do campo de Jubarte entra na fase definitiva de desenvolvimento, assim como os campos de Cachalote e Baleia Franca que foram descobertos no mesmo bloco exploratório, e outras acumulações com comercialidade a ser declarada, tanto na Bacia do Espírito Santo como na Bacia de Campos. Mais a longo prazo temos o esforço exploratório”, finaliza Marcusso.

Petrobras adota tecnologias para manter produtividade em áreas maduras


Além de investir em novos projetos, a Petrobras vem destinando grande esforço para manter a produtividade em áreas maduras – implantando tecnologias de recuperação avançada para reverter o declínio.

Os resultados já podem ser observados nas bacias de Sergipe-Alagoas, Recôncavo e Solimões, onde a produção de óleo tem aumentado através da injeção de água, gás, vapor e até mesmo CO2.

Além do campo de Albacora, a adoção de tecnologias de recuperação avançada tem permitido à Petrobras manter a produção nas bacias do RN-CE – com produção na faixa de 100 mil barris diários . “Existe a melhoria da performance dos projetos de recuperação, e a continuidade da exploração dentro dos ring fenses. Assim a companhia retarda o declínio da produção em áreas maduras”.

No Amazonas, o gás produzido é reinjetado permitindo manter a produção em torno dos 56 mil barris. “Como não temos o mercado de gás natural desenvolvido, a idéia foi injetar o gás para retirar líquido”.
Em outras áreas, a adoção de tecnologias de recuperação avançada tem elevado a produção – como é o caso da Bacia de Sergipe-Alagoas, onde a produção saltou de 45 mil barris para 54 mil barris diários. No Estado da Bahia, a empresa estuda o uso de tecnologias de recuperação, como injeção de CO2 e vapor para ampliar a atual produção de 52 mil barris diários

Maior produção de gás natural

Diante da perspectiva de aumento médio de 14,2% no consumo de gás natural no país, a Petrobras prepara a entrada em produção de três campos de gás até 2010.

O primeiro deles já começa a produzir antes do final do ano: Peroá-Cangoá, na Bacia do Espírito Santo, com uma produção de 3 milhões de m³ por dia – com pico de 5 milhões de m³. A Setal – responsável pela construção – já finalizou o posicionamento e estaqueamento em alto-mar da jaqueta e prepara o embarque do convés, do heliponto e do alojamento da plataforma Peroá PPR-1 para setembro. A plataforma será inabitada, com toda a operação controlada remotamente por terra.

Em outubro de 2005 entrará em operação o campo de Manati, na Bacia de Camamu-Almada. Em fase final de definição da licitação, o campo injetará mais 6 milhões de m³ de gás na região Nordeste.

O grande projeto, no entanto, será o campo de Mexilhão, na Bacia de Santos. O primeiro mega-campo da Bacia deverá produzir entre 15 milhões e 18 milhões de m³ de gás por dia. “Devemos ter uma definição mais clara do projeto em 2005. Nossa previsão é que o campo opere a partir de 2009”.

Mas, antes de conceituar todo o projeto, a Petrobras discute com a ANP o plano de desenvolvimento do campo.

E, em 2010, a Bacia de Campos estará produzindo 26 milhões de m³ diariamente.

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