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A Petrobras prepara a instalação pioneira do Tethered
Riser Buoy, um protótipo que combina risers rígidos
e flexíveis para contornar o problema de movimentação
das correntes marítimas em lâminas dágua
ultraprofundas.
Esse é apenas um dos desenvolvimentos tecnológicos
do Procap-3000 (Programa Tecnológico da Petrobras em Sistemas
de Exploração em Águas Ultraprofundas), no
qual a Petrobras está investindo US$ 130 milhões e
350 pesquisadores de 2000 a 2005. Esse valor deve receber
uma injeção de recursos nessa fase de implantação
de protótipos, através de incentivos do Governo brasileiro
para o desenvolvimento de novas tecnologias, conta o coordenador
do Procap-3000, Jacques Braile Saliés.
A busca pelo petróleo tem motivado a Petrobras a submergir
cada vez mais fundo em profundidades que se aproximam dos
três mil metros. Isto porque 76% do total das reservas brasileiras
estão em águas profundas e ultraprofundas mais
de 300 metros. Desenvolver tecnologia para produzir petróleo
em águas profundas e ultraprofundas onde as condições
de pressão e temperatura não são ideais às
bombas e linhas de escoamento tem sido, então, uma
questão de sobrevivência no acirrado mundo do petróleo.
Um dos maiores desafios é conectar o fundo do mar com a unidade
de produção na Bacia de Campos as ondas do
oceano Atlântico são suficientes para balançar
em demasia as plataformas e os risers. O movimento da unidade
de produção influi muito na fadiga e na vida útil
dos risers: um riser flexível apresenta o problema de colapso
quanto mais se aumenta a profundidade. E o riser rígido é
muito suscetível à fadiga, explica o coordenador.
A solução foi desenvolver o Tethered Riser Buoy
que vem sendo chamado de boião uma combinação
que agrega as facilidades dos dois tipos de risers: o equipamento
estará instalado a uma profundidade média de 150 metros
abaixo do nível do mar, interligando um riser rígido
com as árvores de natal ou manifolds, e outro riser flexível
até a unidade de produção.
A primeira unidade protótipo de 27 m x 27 m
está sendo construída no estaleiro Sermetal, e deverá
ser instalada em campo já em setembro. Será
uma instalação pioneira, em lâmina dágua
de 600 metros, para verificar todos os procedimentos. Depois disponibilizaremos
os estudos de viabilidade técnica para outros campos,
conta Jacques Saliés.
Para construir esse primeiro protótipo, os pesquisadores
partiram de bóias de ancoragem. Também produzimos
modelos reduzidos, que foram testados no LabOceano, da UFRJ.
Outro fruto do Procap-3000 é a MonoBR uma nova concepção
de casco de coluna única para unidades de produção.
O objetivo é ter uma unidade riser friendly,
que tenha o mínimo de movimentação e
que essa movimentação não se transmita para
os risers, conta o coordenador.
A plataforma já passou pelos ensaios em laboratório
e está pronta para disputar espaço com as FPSOs,
TLPs ou Spars nos novos projetos de desenvolvimento
com a vantagem da facilidade de ser construída nos
estaleiros nacionais. Como a unidade foi desenvolvida em módulos,
os estaleiros nacionais podem participar da sua construção
sem precisar de grandes investimentos na ampliação
de canteiros de obras. Fizemos modelos reduzidos, e concluímos
o estudo de viabilidade. Agora vamos começar a participar
dos EVTEs, como opção para os novos campos.
O novo desenho para sustentar uma planta de produção
de petróleo é formado por uma única coluna
que garante maior estabilidade. Na unidade há uma
piscina estabilizadora no centro da coluna de sustentação.
Bombeamento submarino
Um sistema de bombeamento multifásico submarino outro
fruto do Procap-3000 já está sendo testado
em Sergipe. O principal objetivo do Subsea Multiphase Pumping System
SMPS é desenvolver um sistema capaz de bombear as
fases líquidas e gasosas. Normalmente as bombas de
bombeamento submarino são projetadas para uma única
fase, e quando o teor de gás misturado ao óleo aumenta,
o bombeamento se torna crítico. Estamos desenvolvendo um
sistema em parceria tecnológica um sistema para bombeamento
do líquido e do gás.
O sistema de bombeamento multifásico submarino está
programado para ser implantado no campo de Marlim no primeiro semestre
de 2005.
Uma parceria semelhante foi firmada para desenvolver um sistema
de separação submarina. Junto ao poço produtor
é instalado um sistema separador a água produzida
é reinjetada no reservatório, e o óleo e gás
são bombeados para a unidade de produção.
Além de contornar o problema da água produzida
que segue para a plataforma a vantagem do sistema separador
é aumentar o fator de recuperação do reservatório.
Esse sistema permite aumentar o fator de recuperação
do reservatório em até 20%, conta Saliés.
Um dos projetos diz respeito ao poço inteligente,
que inclui sensores de pressão, temperatura e vazão
no reservatório. Nessa área de completação,
olhamos não só para o poço, mas para o campo
inteligente.
Para agilizar a perfuração dos poços em águas
profundas, foi desenvolvida a Base Torpedo que dispensa a
necessidade de uma sonda convencional de perfuração
para assentar o revestimento de 30. Com isso podemos
ganhar até dois dias em uma operação, e o revestimento
fica assentado em melhores condições.
Os primeiros testes com a Base Torpedo já foram realizados
no campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos. Até
o fim de 2004 vamos ter instalado nossa primeira Base Torpedo,
finaliza o coordenador do Procap-3000.
Capacitação em águas profundas
O Procap-3000 é uma continuação de dois outros
programas de capacitação tecnológica para produção
em águas profundas: o Procap e o Procap-2000.
Em 1986 a Petrobras começou a desenvolver o Programa de Capacitação
Tecnológica Procap, para dar respaldo à produção
em profundidades de até 1.000 metros. Com 109 projetos multidisciplinares,
um dos principais resultados do programa foi a capacitação
tecnológica nos sistemas flutuantes de produção
baseados em plataformas semi-submersíveis. Em 1992 a companhia
produziu o sistema piloto do campo de Marlim, a 781 m de lamina
de água sendo agraciada pela primeira vez com o Distinguished
Achievement Award, concedido pela Offshore Conference Technology,
o prêmio da OTC.
Os resultados conseguidos no primeiro programa e as descobertas
em águas mais profundas levou a Petrobras a criar, em 1993,
o Procap-2000, para desenvolvimento de tecnologia para a produção
em lâminas dágua até 2.000 metros. Com
20 projetos sistêmicos, o Procap-2000 estendeu-se até
1999.
Dentre as inovações atingidas pelo programa, o projeto
de desenvolvimento do campo de Roncador, na Bacia de Campos, que
rendeu à Petrobras o segundo Distinguished Achievement Award,
concedido pela Offshore Conference Technology em 2001. Hoje o Campo
de Roncador possui o recorde de produção da Petrobras
em 1886 metros de lamina de água, um dos mais profundos do
mundo.Quanto a perfuração o poço perfurado
na maior lâmina de água foi em 2851 metros, ressalta
Saliés.
A experiência internacional
Os desafios que a Petrobras tem encontrado para explorar petróleo
no Golfo do México com profundidades de até
2.700 metros de lâmina dágua e poços mais
profundos podem significar domínio de tecnologia para
produção em alta temperatura e alta pressão
e reservatórios sub-sal.
Os desafios no Golfo do México e na Costa da África
são os mesmos: a conexão do fundo do mar à
unidade de produção, a unidade de produção,
e os problemas de flow assurance devido à temperatura. As
soluções se aplicam em qualquer lugar, às vezes
com algumas adaptações, conta Saliés.
A vantagem de dominar a tecnologia para perfuração
em alta pressão e alta temperatura reside justamente nas
jazidas sub-salinas que possivelmente existem na Bacia de Campos,
a 4 mil metros de profundidade. A Petrobras está fazendo
estudos geológicos, já perfurou alguns poços,
com resultados positivos e negativos, mas ainda não há
dados suficientes para estimar o tamanho das reservas, explica
o coordenador.
Duas descobertas de óleo leve nessa situação
ainda estão em avaliação em dois anos
a Petrobras saberá se a produção dessas reservas
é viável.
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