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MATÉRIA DE CAPA Edição
264 - Setembro de 2004
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| Rio Polímeros na reta final |
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Cerca de 6 mil operários trabalham dia e noite para
colocar em funcionamento, ainda no primeiro semestre de 2005, a Rio
Polímeros. Quando entrar em operação, o mais
novo pólo petroquímico nacional terá capacidade
para produzir 540 mil toneladas de polietilenos a partir do etano
e propano separados do gás natural proveniente da Bacia de
Campos.
Parte dessa produção já tem contratos de venda
firmados 150 mil toneladas serão comercializados com
a tradding internacional Vinmar. E o restante da produção
não deverá encontrar grandes dificuldades para ganhar
mercado interno até porque, numa ação
de pré-market, a empresa já vende polietilenos para
cerca de 200 indústrias transformadoras. Nossos executivos
de vendas foram muito bem aceitos pelos clientes, comenta o
superintendente da Riopol, João Brandão.
Mas as inovações não param por aí: o empreendimento
conseguiu captar 60% dos recursos através de um Project Finance.
O empreendimento de US$ 1,08 bilhão pertencente aos grupos
Suzano, Unipar, Petrobras e BNDES é o maior em construção
na América Latina.
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Até o primeiro semestre de 2005, quando estiver em plena
operação, aproximadamente sete mil pessoas terão
trabalhado na construção do primeiro complexo gás-químico
integrado do país.
Tirar o projeto do papel, no entanto, não foi uma tarefa
fácil. Foram mais de três anos de construção,
mas o empreendimento começou a ser desenhado bem antes disso
os primeiros estudos de viabilidade datam de 1996 .
A Rio Polímeros é um estudo de caso para os
futuros projetos da petroquímica. Hoje a empresa está
configurada mas, às vezes, esquecemos as dificuldades que
enfrentamos há dez anos, para tirar do papel um projeto que
tivesse uma concepção adequada ao período que
entraria em operação, comenta Roberto Garcia,
vice-presidente do Conselho de Administração da empresa.
Não fosse uma greve de 50 dias dos trabalhadores da construção
civil, a unidade já estaria realizando as primeiras corridas-teste
toda a engenharia está totalmente concluída,
e algumas unidades auxiliares, como os sistemas hidráulicos,
energia elétrica, ar comprimido e nitrogênio, já
estão em fase de comissionamento. Falta concluir os
10% restantes na construção e concluir as atividades
de comissionamento, conta o superintendente da Rio Polímeros,
João Brandão.
Para se ter uma idéia da magnitude da obra, são mais
de 500 quilômetros de estacas lineares, 11 mil toneladas de
tubos e conexões, 130 mil m³ de concreto armado e 5.500
toneladas de estruturas metálicas.
Utilizamos técnicas de construção inovadoras
no Brasil. Para a montagem das torres de fracionamento e do reator,
por exemplo, trouxemos da Inglaterra o segundo maior guindaste do
mundo, de 2 mil toneladas, desmontado em 150 containers. Foi a maior
operação desse porte já realizada no Brasil,
conta o gerente de implantação, Marcus Temke.
A combinação perfeita dos elementos
Até o início dos anos 80, a produção
nacional não justificava um investimento em um complexo petroquímico
que utilizasse o gás natural como matéria prima, e
que fosse competitivo. Nesse cenário, três centrais
petroquímicas foram construídas, todas baseadas em
nafta.
A exploração na Bacia de Campos trouxe novas perspectivas:
já no final da década de 1980, não só
o volume, mas também os prognósticos da produção
permitiram os primeiros estudos de viabilidade de um complexo baseado
em gás.
Paralelamente, devido a ampliações nas centrais já
existentes, o mercado apontava oportunidades na linha de olefinas
principalmente em polietilenos.
Aí deu-se a combinação perfeita. E os acionistas
se articularam para tocar o projeto primeiro para firmar
a estrutura societária, e depois para a captação
de recursos. Unipar, Suzano, Mariani e Petrobras se uniram, em princípio,
para construir duas empresas: a Rio Eteno central de matérias-primas
e Rio Polímeros voltada à produção
de polietilenos.
No meio do caminho, os primeiros ajustes: a saída do Grupo
Mariani do projeto, a integração em uma única
empresa, e um ajuste na configuração do fornecimento
de matérias-primas. Por fim, por uma questão de marketing,
a marca Rio Polímeros virou Riopol,
e hoje é o grande projeto em andamento no setor petroquímico
nacional no qual foram investidos US$ 1,08 bilhão.
O projeto contempla a implantação de um complexo industrial
destinado à produção de 540 mil toneladas anuais
de polietileno linear de baixa densidade e de alta densidade, a
partir de uma carga mista de etano e propano retirada do
gás natural proveniente da Bacia de Campos, rico em etano
contido por ser associado ao petróleo.
A carga será inicialmente processada em uma unidade de pirólise,
dimensionada para produzir 520 mil toneladas anuais de eteno, que
será totalmente consumido na unidade de polimerização.
Os módulos da Unidade de Recuperação de Líquidos
e Unidade de Fracionamento de Líquidos já estão
operando parcialmente a Unidade de Recuperação,
instalada em Cabiúnas, irá separar o metano da corrente
e enviar uma sopa de 6 mil m³ para a Unidade de
Fracionamento, na Reduc, de onde serão fornecidos diariamente
1.050 toneladas de C2 e 850 toneladas de C3 para a Riopol. O contrato
de fornecimento da matéria-prima foi firmado entre a Riopol
e Petrobras, com base na cotação do etano Mont Belvieu,
com validade superior a dez anos.
A tecnologia selecionada para pirólise de etano e propano
proveniente do gás natural é licenciada pela ABB Lummus.
Para os polietilenos serão construídas duas linhas
de 270 mil toneladas, com tecnologia do tipo fase gasosa, da Univation
com vantagem sobre os processos em fase líquida, solução
e lama slurry, pois não existe a necessidade
de utilização de solventes.
Para a implantação do projeto (engenharia, procura
e comissionamento) foi selecionado o Consórcio Lummus Andromeda,
formado por ABB Lummus e Snamprogetti.
Outras 75 mil toneladas de propeno serão comercializados
com a Polibrasil, para a produção de polipropileno.
Ainda serão gerados hidrogênio 10 mil toneladas
e gasolina de pirólise 37 mil toneladas anuais,
que serão destinadas à Reduc, para ser incorporada
ao pool de gasolina da refinaria.
As unidades auxiliares de utilidades serão comuns às
plantas de pirólise e polimerização.
A especificação técnica da planta industrial
ainda deixa espaço para adicionar mais 100 mil toneladas
à capacidade. A Riopol está atenta ao aumento
da demanda do mercado consumidor e, em conseqüência,
avaliando possíveis expansões de produção,
comenta o superintendente.
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| Um exemplo de Project Finance
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Quer aprender como se faz um Project Finance Non Recourses? Estude
o exemplo da Riopol. O projeto conseguiu captar US$ 650 milhões
do total de US$ 1,08 bi do investimento sem aportar
garantias reais, mas com um planejamento minuncioso, que envolveu
desde a seleção de tecnologias até os contratos
de venda.
Isso porque num Project Finance Non Recourses, a única garantia
do investidor é o desempenho do projeto. E como, em caso de
insucesso, ninguém quer ficar com uma planta petroquímica
em construção, para captar uma quantia dessa o projeto
tem que ser bem equacionado.
São financiadores o americano Exim Bank, um consórcio
de bancos comerciais com a agência italiana Sace, e o BNDES
com juros pré-fixados e pagamento durante dez anos a
partir da entrada em operação. Outros US$ 430 milhões
estão sendo aportados pelos próprios sócios.
A primeira questão a constar no Project Finance é o
suprimento de matéria-prima em volume, especificação
e pelo período em que o empréstimo estiver sendo pago.
Também o contrato de EPC deveria ser equacionado para
que o consórcio financiador tivesse a certeza de que a planta
seria construída dentro do prazo e do orçamento previsto.
Assim também ocorreu com a seleção das duas tecnologias
adotadas para pirólise e polimerização, que precisavam
ser reconhecidamente competitivas.
Não bastasse isso, a Riopol contratou uma consultoria internacional
para atestar a previsão de demanda do mercado de polietileno
no Brasil e no mundo, no período 2004-2015. Um contrato de
off take com a tradding Vinmar serviu como garantia de geração
de caixa em moeda estrangeira.
O efeito no mercado de resinas
Para prospectar clientes e iniciar o relacionamento com o mercado,
a Riopol vem, há pouco mais de um ano, desenvolvendo pré-marketing
com grades similares às resinas que serão produzidas.
Em torno de 60 mil toneladas já foram comercializados,
para aproximadamente 200 clientes de diferentes regiões do
país, comenta João Brandão.
O projeto prevê a comercialização de resinas até
o início da atividade operacional da empresa. A receptividade
dos clientes, segundo o superintendente, tem sido ótima
os grades mais demandados são PELBD para filme bobina técnica
e PEAD para sopro e filme alto peso. Lembrando que o grande
objetivo da fase do pré-marketing é a prospecção
de clientes e iniciação de relacionamento, ressalta
o superintendente.
Acompanhando a fase de pré-marketing, a Rio Polímeros
lançou sua marca comercial Riopol. E também prepara
a implantação de um Laboratório de Desenvolvimento
de Produtos e Serviços Técnicos, e a inclusão
dos polietilenos metalocênicos em sua linha de produtos.
Agora, como o mercado de resinas termoplásticas irá
se comportar quando a Riopol despejar sua produção,
é uma questão que preocupa não só a própria
empresa, mas principalmente a concorrência. 30% da produção
já tem contratos de venda firmados com a tradding Vinmar. Sobrarão
mais de 350 mil toneladas anuais para disputarem um mercado atualmente
equilibrado próximo de duas milhões de toneladas.
A Rio Polímeros não desequilibra a relação
oferta e demanda, porque o mercado vai estar carente de uma nova produção.
Com a economia do país crescendo a 4%, com o crescimento de
10% no mercado petroquímico, já em 2005 teremos uma
demanda adicional de polietilenos de 200 mil toneladas, que será
equacionada pela produção da Rio Polímeros,
explica Roberto Garcia, lembrando que, em virtude do equilíbrio
entre oferta e demanda, as empresas brasileiras estão operando
a 100% da capacidade, e com pequenos percentuais de vendas externas.
Um impulso à economia do RJ
As operações da Riopol irão gerar cerca de 400
empregos diretos e 250 indiretos e devem proporcionar um crescimento
econômico previsto em 30% para a região de Duque de Caxias,
na região metropolitana do Rio de Janeiro. Isso sem contar
na arredacação de tributos.
A expectativa é que, quando a Riopol estiver fazendo suas primeiras
corridas, novas industrias transformadoras desembarquem no Rio de
Janeiro e o Estado, que já foi o segundo maior produtor
de transformados do país e agora ocupa a quinta colocação
volte a ocupar posição de destaque no ranking
dos maiores produtores do setor.
Dados do estudo Desempenho e Comportamento da Competitividade
da Indústria de Material Plástico no Rio de Janeiro
encomendado pelo Simperj à consultoria Maxiquim
revelam que, nos últimos dez anos, o volume de produção
decresceu de 300 mil toneladas anuais para cerca de 130 mil toneladas
anuais.
O secretário de Petróleo do Rio de Janeiro, Wagner Victer,
informou que algumas medidas já estão sendo tomadas
pelo governo para revitalizar a indústria do plástico
no Estado. As principais linhas de ação adotadas são
relativas a questões fiscais envolvendo incentivos e
reavaliação de dívidas com o Estado , incentivos
à qualidade de renovação de equipamento e reciclagem
de profissionais, e disponibilidade de informações sobre
o setor.
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Edição Impressa 264
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NA EDIÇÃO IMPRESSA
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Indústria química bate recorde de
produção
Abimaq quer maior participação na área de petróe
e gás
Innova amplia oferta de poliestileno
PQU fecha acordo com Petrobras e prepara expansão
Petrobras estuda implantar FCC petroquímico
Espírito Santo pode receber nova refinaria
São Paulo quer criar
pólo noval
E muito mais...
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