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Que tal começarmos a discutir uma nova mentalidade de relacionamento
entre clientes e prestadoras de serviços de engenharia
algo como os contratos de aliança, em que contratante e contratado
juntam suas competências em torno de um projeto?
O regime de acordo de alianças que já é
utilizado com sucesso em alguns projetos no Mar do Norte e no Golfo
do México agora começa a ganhar a simpatia
das empresas de engenharia nacional.
A aliança pressupõe credibilidade entre as partes,
explica o presidente da Associação Brasileira de Engenharia
Industrial Abemi, Ricardo Pessoa.
A modalidade se caracteriza pela execução do projeto
EPC por uma equipe integrada do projeto acompanhada pelo
cliente e pelo prestador de serviços, nos seus preços,
custos, métodos etc.
Aos poucos a idéia ganha simpatia entre prestadores de serviço
e os clientes. A Petrobras, por exemplo, montou um grupo de trabalho
do qual participa a Abemi, para discutir as melhores práticas
de contratação. A idéia é implantar
no Brasil uma célula do Constrution Industry Institute
CII organismo internacional onde prestadores de serviços,
clientes e financiadores discutem as maneiras de se obter redução
de custos e mitigação de riscos.
Temos que seguir o que determina o procedimento legal
o decreto 2745 e dentro dele temos que aperfeiçoar
sempre. Cláusulas contratuais que eram usadas há seis
anos, talvez hoje não sejam adequadas, e temos que melhorar.
Isso é uma evolução constante, comenta
o gerente executivo da Área de Engenharia da Petrobras, Pedro
Barusco.
Até a década de 1980, a contratação
dos serviços e suprimentos era separada e feitas pelas próprias
contratantes. Com o advento da modalidade de contratação
por preço global o Lump Sum Turn Key a responsabilidade
sobre o projeto passou quase que toda para os prestadores de serviços.
A questão, na visão dos prestadores de serviços,
é essa transferência de responsabilidade, já
pela modalidade de Acordos de Alianças, o projeto
EPC fica sob a responsabilidade de uma equipe composta por profissionais
do contratante e do contratado. Ninguém vai falar em
ganha-ganha, mas não podemos estar praticando o perde-perde
que está acontecendo hoje em muitos projetos, avalia
Ricardo Pessoa.
Os frutos do Prominp
Modelos de contratação à parte, as empresas
de engenharia nacional começam a ver novos tempos de bonança.
A exemplo da industria naval, as empresas de engenharia retomam
a movimentação das carteiras a reboque dos investimentos
da industria do petróleo.
O setor, que na década áurea de 1970 cresceu com as
grandes obras no país, viu seu faturamento cair a menos da
metade nos últimos anos marcado pelo fechamento de
várias empresas e a fusão de muitas que sobraram.
Agora a história é outra: com uma recheada carteira
de pedidos e o apoio governamental através do Prominp
a engenharia nacional dá uma resposta rápida
para retomar a rota de crescimento.
Através do instrumento de planejamento do Prominp,
estamos conseguindo ver as necessidades com antecedência,
e tomar as ações necessárias para conseguir
fazer as obras, explica Barusco.
Entre essas necessidades, o principal gargalo apontado pelos clientes
ainda é a mão-de-obra. Sem pedidos em carteira, a
mão de obra e o know how acumulado nos tempos áureos
acabaram tomando outros rumos agora o desafio é a
formação de novos profissionais em número suficiente
para atender a demanda.
Hoje é difícil encontrar um bom engenheiro químico
atualizado em processos, exemplifica o chefe do Núcleo
de Engenharia e Implantação da PQU, Wagner Ferreira
de Almeida.
É justamente aqui que entra o Prominp: com a carteira de
investimentos projetada, as empresas do setor conseguem avaliar
a demanda profissional e então articular a criação
de cursos para formar novos profissionais.
A Petrobras, por exemplo, criou um Centro de Excelência em
Projetos 3D para capacitar profissionais de engenharia. Primeiro
fizemos o Centro de Projetos 3D, e depois o Centro de Automação.
Estamos atacando primeiro as áreas mais críticas,
conta Pedro Barusco.
O Prominp não é só um planejamento, mas
uma ação e isso é importante,
avalia o presidente da Abemi.
As próprias prestadoras de serviços fazem sua parte
com destaque a formação de consórcios,
onde competências de duas ou três empresas são
agrupadas para desenvolvimento de um projeto.
É claro que ainda há um grande caminho a percorrer
para que a engenharia nacional atinja o grau de excelência
haja visto as questões tributárias e tecnológicas
a serem resolvidas. Mas no ritmo que a diligência anda, não
demorará muito para que o setor ganhe o mundo.
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