ARTIGOS TËCNICOS – Edição 264 - Setembro de 2004
Amostragem e Análise de Compostos Orgânicos Voláteis (Cov) em Refinarias de Petróleo
Waldir Nagel Schirmer
Mestre em Engenharia Ambiental pela UFSC.
Henrique de Melo Lisboa
Depto. de Engenharia Sanitária da UFSC.
Paulo Belli Filho
Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. UFSC

Os compostos orgânicos voláteis (COV) estão entre os maiores poluentes atmosféricos, uma vez que deste grupo fazem parte milhares de compostos presentes no ar, tais como hidrocarbonetos (aromáticos e parafínicos), cetonas, aldeídos, álcoois, ácidos orgânicos, indóis, etc. No caso da indústria do refino do petróleo, as fontes de emissão de gases desta natureza são inúmeras, desde vazamentos de dutos e equipamentos, chaminés, sistemas de aquecimento até lagoas de tratamento de efluentes. O presente trabalho concentra-se sobre a amostragem e a análise de compostos orgânicos voláteis presentes em uma refinaria de petróleo, mais especificamente, na estação de despejos industriais da refinaria. A amostragem incluiu métodos normatizados pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (USEPA) e compreendeu a caracterização destes gases (análise qualitativa), tendo-se por base a concentração dos mesmos em suporte adsorvente para posterior análise em cromatografia gasosa/espectrometria de massa (CG/EM). Os cromatogramas referentes a estas amostragens apontaram elevada concentração de hidrocarbonetos, especialmente BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos), largamente encontrados nos derivados do petróleo e de considerável toxicidade à saúde humana.

Regime Jurídico dos Dutos de Gás Natural à Luz do Novo Código Civil
Rafael Silva Paes Pires Galvão - UFRN - Graduando
Otacílio dos Santos Silveira Neto - UFRN - Orientador
O presente trabalho visa questionar como se dará a passagem de dutos e tubulações para transporte e distribuição de Gás Natural em face do ordenamento jurídico vigente. A motivação para o estudo se dá em face da inexistência de um marco regulatório que traga leis específicas atinentes à matéria, o que poderá implicar numa insegurança jurídica aos investidores que atuam no setor de transporte e distribuição de gás natural. Acresce-se enquanto motivação para elaboração deste trabalho, o fato do Código Civil trazer normas acercas do regime de passagem de dutos e tubulações, inexistindo até a presente data o enfoque das mesmas sob a égide da indústria do Petróleo e do Gás Natural. Assim, o trabalho objetiva especificar os institutos atrelados a matéria, dar uma correta interpretação às novas normas trazidas a baila pelo Código Civil, propugnando-se, ao final, a ampliação da malha de dutos em prol da sociedade vigente.
FPSO – Conversão ou construção nova
Fernando Sampaio Barbosa – Engenheiro Civil
e Jorge Luiz Mitidieri – Engenheiro Químico
Construtora Norberto Odebrecht
Ao longo dos anos a tecnologia de construção de FPSO evoluiu de forma significativa de simples projetos de unidades a partir de petroleiros com sistemas clássicos de ancoragem, para sofisticadas unidades equipadas com sistemas automatizados de posicionamento dinâmico, “turrets” permanentes e complexos sistemas de ancoragem. O grande crescimento de projetos de FPSO durante a década de 80 foi fortemente baseado na conversão de petroleiros mas atualmente a construção de navios com propósito específico hoje já representa 40% do total das unidades flutuantes existentes. Este trabalho visa discutir os principais aspectos técnicos e econômicos a serem considerados na seleção de projetos para a construção de FPSO, incluindo entre outros as condições gerais e estruturais dos navios a serem utilizados para a conversão, aspectos importantes de segurança, sistemas a serem projetados e instalados em cada unidade e análise de aspectos de engenharia. O estudo faz uma comparação de prazos de construção e a influência destes na consolidação do empreendimento, bem como a avaliação da influência do tempo de vida útil projetado para a unidade nos custos de implantação e sua implicações na tomada de decisão.
Acordos de aliança em projetos EPC para instalações offshore
Sergio Gil Dias Barbosa – Gerente de Subcontratos
e Fernando Sampaio Barbosa – Diretor de Contratos – Odebrecht
Este trabalho tem como objetivo divulgar no Brasil os conceitos de Acordo de Aliança e promover a sua prática entre organizações com competências complementares para a execução de projetos EPC de Instalações Offshore. Estas Alianças surgiram na indústria de bens de capital na década de 80 como parte do processo de “outsourcing” e foram adaptadas para Projetos EPC de Instalações Offshore no Mar do Norte na década de 90, com o objetivo de reduzir seus custos e de viabilizá-los com menor nível de risco tanto para o Contratante como para o Contratado. A modalidade contratual denominada Acordo de Aliança se caracteriza pela execução do projeto EPC por uma Equipe Integrada do Projeto, composta pelos melhores profissionais do Contratante e do Contratado. Esta equipe é responsável pela elaboração da Engenharia, Planejamento, Orçamento e Análise de Risco, conciliando as visões e necessidades do Contratante e do Contratado. É composta por pessoas com grande capacidade de comunicação e criatividade, concentradas nos aspectos de Construtibilidade, Adequabilidade ao Uso e Eficácia de Custo, tendo como resultado a aproximação dos valores de Custo Total Real do projeto com o seu EVTE – Estudo de Viabilidade Técnico Econômico e a criação de uma relação “Ganha Ganha” para os parceiros.
Viabilizando a Tecnologia GPRS para seu uso na Telemetria
Aldo J. G. Rosa – C&P Instrumentação e Controle SC.
Augusto César Medeiros Moraes – Petrobras
A companhia de distribuição de gás do Estado do Espírito Santo, Petrobras Distribuidora SA, subsidiária da Petrobras (Petróleo Brasileiro SA), está realizando a implantação da automação do sistema de distribuição de gás no estado utilizando transmissão de dados por meio da tecnologia GPRS (General Packet Radio Service).
Embora a telemetria seja amplamente conhecida e utilizada nos meios industriais, seja utilizando linhas discadas (LD), linhas privativas (LP), rádio enlace e até mesmo a comunicação por satélite, sua aplicação no setor de medição fiscal tem sido inovada através da utilização das mais modernas tecnologias disponíveis.
Operação de uma Planta Virtual com
Multiplicidade de Estados Estacionários
Fabio Coimbra Moreira de Macedo Soares
Carlos André Vaz Júnior
Viviane Vouto da Fonseca
Escola de Química – UFRJ
A modelagem dinâmica de processos no contexto de desenvolvimento de plantas virtuais tem sido foco de atenção recente (Mansy et al., 2002). As plantas virtuais têm forte caráter de treinamento, visando à aquisição de experiência em operação e controle de processos (Goh et al., 1998). Este tipo de ferramenta permite estudar o processo e desenvolver conhecimento a seu respeito através de simulações de cenários e análises de sensibilidade em um ambiente isento de riscos. Adicionalmente, apresenta-se como suporte ao desenvolvimento de novas estratégias de controle e análises quantitativas de risco (QRA). Neste trabalho, selecionou-se um processo com características dinâmicas marcantes como multiplicidade de estados estacionários. Tratou-se de um reator CSTR com reação exotérmica, fazendo-se necessária uma malha de controle na temperatura. O instrumento de simulação dinâmica foi desenvolvido em ambiente MATLAB e é dotado de interface Homem-Máquina através do software supervisor FIX-32, capaz de reproduzir o ambiente operacional de uma planta. A comunicação entre estes dois módulos permite atualização em tempo real da base de dados entre o sistema supervisor e o simulador dinâmico, possibilitando acesso remoto entre máquinas, como, por exemplo, a estação do instrutor e a do operador.
Do Gás Natural ao Polietileno
Charles Diament, Gabriela Maria de Jesus Carvalho
Mônica Elisa da Silva Uzeda
Rio Polímeros
O Gás Natural e a Indústria Petroquímica

A Nafta Petroquímica, fração do Petróleo obtida em Refinarias, tem sido a principal matéria-prima da indústria petroquímica mundial. Sua produção corresponde em média a 5% da produção total de derivados e, na cadeia energética, concorre diretamente com a produção de Gasolina. A Tabela 2 apresenta sua composição típica e novamente convém destacar que tal composição pode variar significativamente em função da região de exploração, do tempo de exploração da jazida e das condições do processo de refino do Petróleo. Por apresentar-se no estado líquido, a Nafta Petroquímica é transportável em condições muito mais favoráveis economicamente do que o Gás Natural e, comumente, este fator tem sido determinante na seleção deste insumo.

Contudo, um outro aspecto importante deve ser levado em conta. A Tabela 3 apresenta uma comparação entre os rendimentos para os principais intermediários da indústria petroquímica a partir do processamento do Etano e Propano, obtidos do Gás Natural, e da Nafta Petroquímica. Mais uma vez os valores são apenas indicativos da ordem de grandeza e podem variar muito de acordo com as condições de processamento do insumo. Enquanto o processamento do Etano e do Propano oriundos do Gás Natural produz maciçamente Eteno e algum Propeno, o processamento da Nafta Petroquímica produz mais equanimente matérias-primas básicas para a obtenção em condições comerciais de outros petroquímicos além dos citados anteriormente, como por exemplo os Poliésteres e as Borrachas Sintéticas.

Os fatores portabilidade e diversidade de produtos associados ao fato de que a produção de Petróleo e, principalmente, de Gás Natural cresceu mais significativamente somente a partir da década de 80 resultaram na grande alavancagem da rota Nafta Petroquímica na indústria petroquímica brasileira, estruturada entre o final da década 60 e o princípio da década de 80.

Em contrapartida, como se verá adiante, condições como um mercado desenvolvido em termos de Polietileno e outro derivados do Eteno, nas proximidades de uma fonte de Gás Natural, sobretudo se a região também possuir uma rede para o consumo de gás combustível para o aproveitamento do Metano, podem favorecer consideravelmente a rota Gás Natural.
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