|
MATÉRIA DE CAPA Edição
265 - Outubro de 2004
|
| Dá pra confiar? |
|
|
| As próximas páginas trazem um inédito
levantamento do setor fabricante de máquinas e equipamentos.
Para traçar uma fotografia sobre nove segmentos caldeiraria,
válvulas, bombas, tubos e conexões, motores, geradores,
turbinas e compressores Petro & Química ouviu uma
dúzia de especialistas entre fornecedores e usuários.
A análise técnica levou em conta os requisitos de produtos
e processos específicos dos setores de petróleo e petroquímico.
Conclusão: apesar de alguns pontos a serem aprimorados, os
produtos made in Brasil estão aptos a atender aos
desafios tecnológicos do setor.
|
Oportunidade de ouro
Arobusta carteira de encomendas do setor de petróleo
combinada com a política governamental deverá
revolucionar a indústria fabricante de máquinas e equipamentos.
Só a Petrobras já anunciou sua carteira de investimentos
até 2010: US$ 53,6 bilhões US$ 46,1 bi dos quais
destinados ao Brasil. Isso sem contar o volume a ser investido pelas
outras petroleiras que deverá girar em torno dos US$
6 bilhões. A indústria química, por exemplo,
tem programado até 2008, outros US$ 5 bilhões na construção
de novas fábricas e ampliação das existentes.
Para que a maior parte possível desse dinheiro seja traduzido
em encomendas para os fabricantes nacionais, o Programa de Mobilização
da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural
Prominp já entra na fase de ações para
capacitação da indústria.
Por questões de escala e tecnologia, parte dos equipamentos
são, inevitavelmente, importados. Queremos que a parcela que
não é importada seja consistente. Temos que tornar as
empresas nacionais world class, conta o gerente executivo de
materiais da Petrobras, Armando Cavanha.
Traduzindo: será uma oportunidade de ouro para
a indústria ganhar escala e competitividade internacional.
Segundo levantamento feito no âmbito do Prominp, até
2007 deverão ser encomendadas algo em torno de 200 mil válvulas,
além de milhares de bombas e equipamentos de caldeiraria. Até
onde irá a capacitação fabril para atender essas
encomendas, no entanto, é uma incógnita. Por questões
de confidencialidade, as empresas relutam em divulgar capacidade instalada
nem o próprio Prominp conseguiu fechar ainda os dados
sobre isso. Tivemos dificuldade em obter dados concretos sobre
a oferta, conta o diretor da Onip, Roberto Magalhães,
coordenador do comitê setorial que está identificando
as lacunas no fornecimento de equipamentos no âmbito do Prominp.
Capacidade tecnológica não deverá ser um grande
gargalo: a não ser por algumas questões, como mão-de-obra
qualificada e projetos específicos, os fabricantes nacionais
dominam os procedimentos padrão, especificações
técnicas e normalização construtiva da indústria
do petróleo.
O próprio Prominp já está tomando medidas para
formar trabalhadores especializados em 23 categorias profissionais
apontadas como mais críticas desde técnicos em
soldagem até engenheiros de processo.
A carência de mão-de-obra é um dos reflexos da
queda dos investimentos que a indústria do petróleo
passou nas décadas de 1980 e 1990. Sem encomendas, as empresas
não puderam acompanhar a evolução tecnológica
e nem sustentar as equipes e a mão-de-obra aos poucos
foi desaparecendo. Algumas empresas enxergavam a Petrobras como
cliente único. E na hora em que não houve demanda, ficaram
sem cliente, conta o gerente de Desenvolvimento Tecnológico
de Materiais da Petrobras, Ronaldo Martins.
Além da baixa demanda, as fabricantes de equipamentos ainda
se depararam com a concorrência provocada pela abertura comercial
o resultado foi o crescimento do coeficiente de importações
Segundo o estudo Notas Preliminares sobre o Desempenho Competitivo
da Indústria de Bens de Capital Brasileira no Período
Recente, publicado pelo BNDES, entre os piores desempenhos na
balança comercial após a abertura da década de
1990 estão o de máquinas e equipamentos.
O estudo mostra como o fraco desempenho da economia brasileira ao
longo das últimas décadas refletiu na utilização
da capacidade instalada do setor de bens de capital. Na década
de 1990, a maior parte dos investimentos em bens de capital foi direcionada
para a melhoria da qualidade, a redução dos custos e
o aumento da produtividade através da reposição
de equipamentos e da introdução de inovações
gerenciais, sem que houvesse investimentos expressivos voltados para
a ampliação da capacidade produtiva ou mesmo inovações
tecnológicas em sentido estrito, avalia o estudo realizado
pelos economistas Sônia Lebre Café, André Nassif,
Priscila Zeraik de Souza e Bruno Galvão dos Santos.
O resultado foi um ajuste no número de unidades fabris e a
especialização das empresas o que levou a um
crescimento do coeficiente de importação bem acima da
média dos demais setores da economia. Esse comportamento
sugere que o setor de bens de capital teve a produção
deslocada para o exterior, além de não ter apresentado
ganhos de escala compatíveis para competir no mercado global,
aponta o estudo.
A solução seria realizar um esforço de
upgrading de seus produtos, por meio do aumento do conteúdo
tecnológico. Veja o exemplo da fabricante de motores
Weg que puxa o outro lado da balança com a exportação
de equipamentos com alto grau tecnológico.
Se conseguirmos ter fabricantes que sejam worldwide competitors,
eles poderão atender ao mercado externo e exportar os equipamentos
que até então só forneciam no Brasil. E essa
sazonalidade, que é inerente à atividade, acaba,
explica Armando Cavanha.
Um outro gargalo é a disponibilidade de insumos principalmente
os aços especiais: com o mercado mundial super-aquecido, dificilmente
os fabricantes de equipamentos conseguem encaixar um pedido específico
dentro da programação das siderúrgicas. Nos
últimos anos o problema se agravou: até então
tínhamos dificuldade para atender as especificações
especiais, e agora não conseguimos sequer aço comum,
conta o diretor industrial da Jaraguá, Wagner Othero.
As ações do Prominp ainda prevêem a equalização
de questões tributárias - como o peso dos impostos na
indústria nacional. Fruto do Estudo dos Regimes Tributários
para Desoneração do Setor de Petróleo e Gás,
o Governo Federal assinou o Decreto 5138, ampliando o prazo de vigor
do Repetro até 2020 o Decreto mantém na íntegra
o texto original do Repetro, que isenta de II, IPI e ICMS a importação
de equipamentos para o setor de petróleo.
Em uma escala mais horizontal, o BNDES irá destinar R$ 2,5
bilhões para a modernização do parque industrial
através do Programa de Modernização do Parque
Industrial Nacional Modermaq. O objetivo do programa
baseado no Moderfrota é permitir que a indústria
de bens de capital aumente a competitividade da produção
industrial.
|
|
|
Edição Impressa 265
|
|
|
|
NA EDIÇÃO IMPRESSA
|
|
Abiquim comemora 40º aniversário
Prêmio Qualidade Brasil: Grupo Valete conquista reconhecimento
pela segunda vez consecutiva
Subsolo fértil no Rio Grande do Norte
Rio Oil & Gas...
... e muito charme
Demanda de resinas será de 8 milhões de toneladas
em 2012
E muito mais...
|
|