MATÉRIA DE CAPA – Edição 266 - Novembro de 2004
PÓLO PETROQUÍMICO DO GRANDE ABC
Expansão a todo gás
Opróximo salto na capacidade produção das empresas instaladas no pólo petroquímico do ABC, na região metropolitana de São Paulo, terá como base o gás – não só esse, mas também o próximo investimento. Isso porque a Petroquímica União já iniciou os estudos para uma segunda etapa na expansão – quando atingiria a capacidade de produzir um milhão de toneladas de eteno por ano.
“Esse é um projeto em estudo, que depende fundamentalmente da disponibilidade de matéria-prima”, revela o superintendente da Petroquímica União, Wilson Matsumoto.

Certo mesmo é que, para o próximo salto, a rota seria o gás – não só pela indisponibilidade de cargas líquidas, mas também porque o processamento de gás requer uma unidade mais compacta. “Existe área física disponível, e existem soluções, como realocar algumas áreas de tancagem. Estamos construindo as bases para que possamos executar um projeto dessa natureza”, conta o executivo.

Já para 2007 a PQU deverá ter disponível mais 320 mil toneladas de petroquímicos básicos – sendo 200 mil toneladas de eteno. A empresa chegou a um acordo com a Petrobras sobre o fornecimento de gás de refinaria, colocando fim a uma discussão que se arrastava há oito anos.

E é justamente esse acordo que abre um novo ciclo de investimentos no pólo petroquímico do ABC. Empresas de segunda geração, como a Polietilenos União e a Oxiteno, aguardavam o aumento de produção da PQU para retomar seus projetos de expansão. “O crescimento da PQU implicará no crescimento do pólo como um todo”, conta o superintendente da Oxiteno, Pedro Wongtschowski.

Mais do que adequar o porte das empresas ao tamanho do mercado, quando concretizados, os investimentos deverão alçar o pólo petroquímico do ABC ao patamar dos pólos de Camaçari / BA e Triunfo / RS – que já produzem mais de 1 milhão de toneladas de eteno por ano.

“O pólo petroquímico do ABC tem uma vantagem: está ligado a quatro refinarias e está localizado dentro do maior mercado consumidor. Então é natural que o crescimento dele venha a retirar o que talvez seja uma desvantagem, que é escala”, avalia o superintendente da Polietilenos União, Vitor Mallmann.

A menina dos olhos dos governos do Estado e dos Municípios locais, no entanto, é a atração de novos investimentos na indústria de transformação – e seu potencial gerador de novos postos de trabalho. São Paulo, sede de metade das indústrias transformadoras instaladas no país, viu nos últimos anos os movimentos articulados entre as petroquímicas e os governos estaduais levarem para a Bahia e Rio Grande do Sul – e mais recente Rio de Janeiro – os mais vultosos investimentos da terceira geração.

“Caso as resinas produzidas sejam processadas na própria região, agregamos valor, impostos e empregos para a própria região”, explica Matsumoto.

“Alguns estudos estão sendo preparados pelo Fórum da Competitividade, como o treinamento e qualificação de recursos humanos para a industria de transformação e a formação de APLs para tornar as pequenas empresas mais competitivas”, conta o superintendente da Polibrasil, José Ricardo Roriz Coelho.

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