|
MATÉRIA DE CAPA Edição
267 - Dezembro de 2004
|
| Crescimento exuberante e preocupante |
|
|
| O vigoroso crescimento da economia brasileira,
que surpreendeu até os otimistas, traz na bagagem duas preocupações:
até onde a economia manterá o ritmo de crescimento?
E até quando a produção interna atenderá
a demanda?
|
O ano, pelo menos esse, está ganho. Os números apresentados
pelo IBGE provam isso: nos nove primeiros meses de 2004 o PIB cresceu
5,3% em relação ao ano passado o melhor resultado
dos últimos oito anos. A reboque, o aquecimento da economia
impactou favoravelmente no mercado de trabalho, que, embora num ritmo
mais lento, vê o nível de desemprego cair. Em suma: a
indústria não precisou nem esperar a festa de fim de
ano para comemorar.
Resta saber se esse crescimento veio para ficar ou não passa
de mais uma bolha. A sustentabilidade do crescimento ainda não
está garantida, embora a Formação Bruta de Capital
tenha começado a crescer, avalia o economista José
Roberto Mendonça de Barros, que este ano apresentou palestra
sobre as perspectivas da economia durante o Encontro Anual da Indústria
Química.
Caso esse crescimento observado seja mesmo o início de um processo
de retomada, cabe aos empresários equalizar a expansão
do parque industrial para atender ao aumento da demanda. Pelos
números apresentados, o momento é de crescimento. 2005
será definitivamente o período em que esses rumos deverão
ser tomados, explica o presidente do Conselho Diretor da Abiquim,
Carlos Mariani.
Na análise de Mendonça de Barros, o próximo ano
também deverá apresentar um crescimento da economia,
embora menor que em 2004. Em 2005 devemos ter um transbordamento
dessa situação de recuperação de 2004
com um pouco mais de participação da demanda
doméstica.
O economista chefe do Banco ABN-Amro, Mario Mesquita, considera que
essa recuperação é maior do que os dois últimos
períodos, especialmente com relação aos investimentos.
Embora ainda esteja longe dos padrões observados em outros
mercados emergentes, a taxa de crescimento do PIB já é
a maior observada na década. As projeções do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Ipea, órgão
ligado ao Ministério do Planejamento dão conta
de um crescimento do PIB de 5,2% em 2004. Para 2005, com uma base
maior, a previsão de crescimento tende a ser menos elevada
em 3,8%.
A novidade é que o eixo do crescimento econômico se deslocou
das exportações para o mercado interno. As vendas externas,
que deram impulso inicial à recuperação econômica
no ano passado, abriram espaço para o consumo interno
o que significa um ciclo virtuoso envolvendo criação
de emprego e aumento no consumo.
Os números do IBGE indicam uma queda contínua nos níveis
de desemprego. Após dois anos de resultados negativos, o número
de desempregados deve chegar ao final do ano menor do que o apresentado
nos primeiros meses de 2004. Pela primeira vez em muito tempo,
o mercado formal está muito melhor do que o mercado informal.
A renda está começando a se recuperar, ainda que lentamente,
e os setores que dependem da renda do trabalhador começam a
melhorar mais tarde, explica Mendonça de Barros.
A questão é: até onde irá essa onda de
crescimento? Para o economista, o risco está lá fora.
A área internacional deu uma tremenda ajuda para o crescimento
este ano, mas é também onde mora o perigo.
É o caso, por exemplo, da desvalorização do dólar
que deve prejudicar o saldo comercial em relação
aos países que tenham moedas fixas em dólar.
O argumento de Mendonça de Barros leva em conta três
questões: os preços do petróleo, o excesso de
crescimento da China e o desequilíbrio da economia americana.
O país está menos vulnerável aos choques
externos, embora ainda seja vulnerável, avalia o economista,
ressaltando que muitas empresas passaram a considerar as exportações
como item fundamental dm sua estratégia.
Mantido esse ritmo de crescimento interno, não tardará
para que o superávit da balança comercial perca o fôlego
provocado pelo aumento nas importações. Isso
porque, com a indústria operando próximo dos limites
da capacidade instalada, a demanda ultrapassará a capacidade
produtiva em pouco tempo.
O consumo de derivados está crescendo mais do que os
2,4% previstos no planejamento estratégico da empresa. Com
isto, estudamos a possibilidade de antecipar para 2006 o início
da construção da nova refinaria, prevista para ser construída
em 2007, conta o diretor da Área de Abastecimento da
Petrobras, Paulo Roberto Costa.
Para tomar uma decisão de investimentos, precisa haver
uma convergência de fatores. Vários deles são
comuns, como carga tributária, custo e acesso ao capital, e
tecnologia. Mas na área petroquímica, alguns são
específicos, como acesso a matérias-primas, explica
o presidente do Siresp, José Ricardo Roriz Coelho.
|
|
|
| Um novo patamar para os preços do petróleo?
|
Como se comportarão os preços do petróleo em
2005? Depois da surpresa de 2004, poucos analistas se arriscam a fincar
um palpite sobre os preços para o próximo ano. Mas todos
concordam: os preços do barril atingiram um novo patamar.
Pode haver uma acomodação de preços. Mas
não nos patamares anteriores, disse o presidente da PDVSA,
Ali Rodriguez Araque, na visita que fez ao Brasil em outubro.
Em 2004 os preços internacionais do petróleo registraram
aumentos significativos com o barril Brent, negociado em Londres,
encostando na casa dos US$ 50 motivados por inúmeros
fatores, que incluem desde as especulações do mercado
futuro até o aumento da demanda nos EUA e na China.
O próprio mercado futuro aponta para preços elevados.
Nesse mar de preocupações, a boa notícia reside
nas conseqüências sobre a economia mundial: desta vez não
houve um efeito tão desastroso sobre o desempenho da economia.
Com a subida nos preços do petróleo, os preços
dos combustíveis subiram. Mas isso não refletiu na inflação
brasileira, americana ou européia. Houve uma acomodação
de preços, e isso não chegou ao consumidor da forma
que deveria chegar, avalia Carlos Mariani.
De acordo com estimativas do Centro Brasileiro de Infra Estrutura
CBIE, a cotação média do barril Brent
ficará dentro de um intervalo entre US$ 35 e US$ 37.
|
|
|
Provavelmente os preços do petróleo e do gás
recuarão um pouco dos altos níveis alcançados
nos últimos meses, com o preço do petróleo se
situando, em média, em torno de US$ 40 o barril de WTI,
completa o professor Roberto Schaeffer, do Programa de Planejamento
Energético da Coppe / UFRJ.
E como deve se comportar a demanda por petróleo? Para o professor
Roberto Schaeffer, a demanda deverá ressentir esses novos patamares
de preços. Mas, diferente do passado, quando o petróleo
era muito mais importante nas economias, permeando os mais diferentes
setores, hoje o seu uso está muito concentrado no setor de
transportes e também na indústria, estes setores podem
achar um substituto para o petróleo e tentar tornar mais eficientes
no seu uso. A novidade está na demanda crescente por petróleo
por certas economias em desenvolvimento como China e Índia
que, devido às suas grandes demandas reprimidas, passarão
a ter consumos crescentes independente dos preços do petróleo.
Com esses patamares, ganham força o uso de fontes alternativas,
como o álcool combustível. Primeiro, a expansão
dos veículos flex-fuel deverá se estender em 2005, o
que estimulará os investimentos no setor necessários
para um aumento da capacidade de produção de álcool
no país, afirma o consultor do CBIE Adriano Pires, ressaltando
que a participação dos veículos flex fuel, que
em outubro foi de 25% das vendas, deva passar dos 30% em 2005.
A própria frota de veículos movidos a GNV, que aumentou
22% em 2004, pode chegar a 900 mil veículos em 2005, um incremento
de 15%. Além disso, terá início em 2005
o projeto que prevê a mistura voluntária de 2% de biodiesel
ao óleo diesel. Esse movimento não deve trazer elevação
de consumo significativa em 2005 e 2006. Em 2007 espera-se que essa
mistura seja compulsória, o que traria impactos mais relevantes,
explica Adriano Pires.
Obviamente o uso mais eficiente da energia também ganha
importância na medida em que o petróleo se torna mais
caro, o que, num segundo momento, ajuda a segurar um pouco o preço
do próprio petróleo, finaliza o professor Roberto
Schaeffer.
|
|
|
Edição Impressa 267
|
|
|
|
NA EDIÇÃO IMPRESSA
|
|
PQU conquista Prêmio Paulista de Qualidade
da Gestão
Polibrasil constrói planta de compostos de polipropoleno
Abiquim homenageia ex-presidentes durante Economia Anual
E muito mais...
|
|