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MATÉRIA DE CAPA Edição
267 - Dezembro de 2004
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| Petrobras comemora 30 anos de produção na Bacia de
Campos |
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Em 13 de agosto de 1977 era produzido o primeiro barril de petróleo
no campo de Enchova, Bacia de Campos. Passados 30 anos, a província
é responsável por mais de 80% do petróleo produzido
no país.
Ponto de partida para uma verdadeira revolução tecnológica
na indústria de petróleo, a Bacia levou o Brasil à
liderança mundial da atividade de exploração
e produção de óleo e gás em águas
profundas.
A produção diária de 1.250 mil barris coloca
a Bacia de Campos em patamares superiores a vários países
membros da Opep como Qatar, Síria, Yemen ou Gabão.
Os números impressionam: são 14 plataformas fixas e
24 sistemas flutuantes de produção ligados a 1.591 poços.
Desde o final da década de 1950, com a perfuração
de um poço em Cabo de São Tomé, a Petrobras vinha
realizando atividades exploratórias de reconhecimento na Bacia.
A ida para a plataforma continental baseava-se nos critérios
de continuidade das bacias terrestres costeiras. Com o resultado de
levantamentos geofísicos especialmente sísmica
de reflexão foram iniciadas algumas perfurações.
Em 1974 a companhia descobriu uma zona saturada de petróleo
que, após vários testes e discussões técnicas,
não produziu petróleo mas motivou a perfuração
de outra locação, o poço 1-RJS-9-A, que descobriu,
no final de 1974, o Campo de Garoupa, inaugurando a maior província
petrolífera do Brasil.
Nos anos seguintes, sucessivas descobertas deslocaram as atenções
e os investimentos para a Bacia de Campos. Mas a importância
da Bacia ultrapassa os números de produção: foi
lá que a Petrobras começou a desenvolver as tecnologias
de produção de petróleo em águas profundas
que a levou à liderança mundial.
Logo em 1975 foi descoberto o campo de Namorado, o maior em águas
rasas (até 200 metros) da região. No ano seguinte, o
campo de Enchova, onde foi instalado o primeiro sistema flutuante
de produção origem dos sistemas de águas
profundas, desenvolvidos pelos técnicos brasileiros.
No final da década, a Bacia de Campos viu o início da
produção nos campos de Garoupa e Namorado, utilizando
manifolds e árvores de natal secas, encapsuladas em câmaras
submarinas mantidas à pressão atmosférica. O
sistema Lockheed como era conhecido foi considerado
superado e definitivamente abandonado em 1985.
À mesma época, ocorreu a primeira completação
submarina, em lâmina dágua de 189 metros
recorde mundial em 1979. Também apareceram os conceitos de
monobóias e semi-submersíveis.
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Outros campos menores foram sendo localizados progressivamente até
que, em 1984, a Petrobras descobriu Albacora o primeiro campo
gigante do País. Em 1985 foi descoberto o campo gigante de
Marlim e, em 1988, os campos de Barracuda e Caratinga, e em 1996 o
campo gigante de Roncador. Hoje são 44 campos de petróleo.
Em 1982 foi registrado outro recorde de completação
submarina, desta vez em lâmina dágua de 209 metros.
No mesmo ano a Petrobras iniciou a produção do campo
de Bonito, com o primeiro manifold submarino molhado conectado a uma
plataforma flutuante. No ano seguinte, teve início a compressão
de gás no campo.
Em 1986, com a primeira versão do Programa de Capacitação
Tecnológica em Águas Profundas Procap
a Petrobras ultrapassou a barreira dos 1.000 metros de lâmina
dágua na perfuração e testes de produção.
A década de 1990 é marcada pela entrada em operação
das plataformas semi-submersíveis para produção
de petróleo em águas profundas. Como conseqüência
do pioneirismo na implementação de inovações
tecnológicas, em 1992 a Petrobras recebeu o Distinguished Achievement
Award, concedido pela Offshore Conference Technology prêmio
que viria a receber, pela segunda vez, em 2001, também com
o desenvolvimento tecnológico para exploração
e produção em águas profundas.
Mas nem toda história é bela: a Bacia de Campos foi
protagonista dos maiores acidentes ocorridos no país. Em 1984,
37 trabalhadores morreram e outros 17 ficaram feridos na explosão
de uma plataforma da Petrobras. Em 1988 um incêndio destrói
a plataforma de Enchova. No ano passado, a explosão que destruiu
a P-36 deixa 11 mortos.
Mas a Petrobras tornou-se parceira dos treze municípios fluminenses
e capixabas localizados na área de abrangência da Bacia
de Campos, colaborando no desenvolvimento da região, através
de pagamento de impostos, royalties, patrocínios e encomendas
de materiais, equipamentos e serviços locais.
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Edição Impressa 267
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