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| Riopol marca entrada do setor petroquímico nacional no século
XXI |
| Mais do que aumentar a produção
interna, Riopol inova ao transformar o gás natural em resinas
em uma unidade integrada |
A Riopol está em operação. A primeira petroquímica
brasileira a usar gás natural como matéria-prima e integrar
primeira e segunda geração em uma mesma unidade começa,
enfim, a produzir polietilenos.
Serão 540 mil toneladas de polietilenos por ano. Cliente não
vai faltar: 30% dessa produção está reservada
para o mercado externo. O restante deverá ser absorvido pelas
empresas de transformação aqui instalada 300
clientes já conhecem bem as resinas com a marca Riopol.
A empresa já nasce grande: pelas estimativas dos acionistas
e diretores, o faturamento anual deve chegar à casa dos US$
650 milhões. Mas para que a Riopol se transformasse em realidade,
foi necessário um investimento de US$ 1,08 bilhão.
Em pouco mais de três anos, sete mil trabalhadores passaram
pelo canteiro de obras para levantar toda a estrutura de 11 mil toneladas
de tubos e conexões, 130 mil m³ de concreto armado e quase
seis mil toneladas de estruturas metálicas que agora transformam
as frações de gás natural em resinas termoplásticas.
A entrada em operação acontece em boa hora, na avaliação
do diretor superintendente da empresa, João Brandão.
Estamos em pleno flyup.
O empreendimento
A Riopol é o resultado de uma sociedade formada entre os grupos
Suzano Petroquímica (33,3%) e Unipar (33,3%), com a Petroquisa
e o BNDESpar (16,7%).
Inova ao utilizar frações de etano e propano provenientes
do gás natural da Bacia de Campos como matéria-prima
para a produção de polietileno. O projeto contempla
a implantação de um complexo industrial destinado à
produção de polietileno linear de baixa densidade e
de alta densidade, a partir de uma carga mista de etano e propano
retirada do gás natural proveniente da Bacia de Campos,
rico em etano contido por ser associado ao petróleo.
A carga será inicialmente processada em uma unidade de pirólise,
dimensionada para produzir 520 mil toneladas anuais de eteno, que
será totalmente consumido na unidade de polimerização.
A Unidade de Recuperação, instalada no Terminal de Cabiúnas,
em Macaé / RJ, irá separar o metano da corrente e enviar
uma sopa de 6 mil m³ para a Unidade de Fracionamento,
na Reduc, de onde serão fornecidos diariamente 1,5 milhão
de toneladas de C2 e C3 para a Rio Polímeros. O contrato de
fornecimento da matéria-prima foi firmado entre a Rio Polímeros
e Petrobras, com base na cotação do etano Mont Belvieu,
com validade superior a dez anos.
A tecnologia selecionada para pirólise de etano e propano proveniente
do gás natural é licenciada pela ABB Lummus. Para os
polietilenos foram construídas duas linhas de 270 mil toneladas,
com tecnologia do tipo fase gasosa, da Univation com vantagem
sobre os processos em fase líquida, solução e
lama "slurry", pois não existe a necessidade de utilização
de solventes.
Para a implantação do projeto (engenharia, procura e
comissionamento) foi selecionado o Consórcio ABB Lummus / Snamprogetti
nesse consórcio a ABB Lummus lidera e responde pelo
contrato global, em regime de lump sum turn key, e a Snamprogetti
é a empresa credenciada pela Union Carbide para construção
e montagem de processos com a tecnologia Unipol.
Outras 75 mil toneladas de propeno serão comercializados com
a Polibrasil, para a produção de polipropileno. Ainda
serão gerados hidrogênio 10 mil toneladas
e gasolina de pirólise 37 mil toneladas anuais, que
serão destinadas à Reduc, para ser incorporada ao pool
de gasolina da refinaria.
Um estudo de caso
Neste primeiro ano, a empresa vai produzir 180 mil toneladas de polietileno,
devendo atingir a capacidade máxima de 540 mil toneladas já
em 2006.
Do volume produzido, pelo menos 30% serão exportados para a
trading Vinmar com quem a Riopol firmou um contrato de US$
1 bilhão válido por dez anos. Clientes internos já
são 300 carteira formada na fase de pré-marketing.
Desde março de 2003, quando iniciou o período de pré-marketing,
a Riopol comercializou 84 mil toneladas de polietilenos similares
aos que iria produzir. Mais do que introduzir a marca Riopol no mercado
de resinas, o pré-marketing permitiu à empresa estruturar
a área comercial e o sistema de logística. A empresa
aposta nos serviços adicionais como assistência
técnica, pontualidade na entrega e contratos de longo prazo.
Para atender a esses objetivos, a Riopol está implantando um
CRM, que irá permitir à empresa ter informações
completas sobre o cliente, com o objetivo de melhorar os resultados.
A estruturação de financiamento para construção
da Riopol é um estudo de caso sobre Project Finance Non Recourses.
O projeto conseguiu captar US$ 650 milhões do total
de US$ 1,08 bi do investimento sem aportar garantias reais,
mas com um planejamento minucioso, que envolveu desde a seleção
de tecnologias até os contratos de venda de resinas. A
garantia dada aos financiadores é a geração de
caixa operacional da empresa, explica o diretor financeiro da
Riopol, Abraham Zagury.
São financiadores o americano Exim Bank, um consórcio
de bancos comerciais com a agência italiana Sace, e o BNDES
com juros pré-fixados e prazos de pagamento de dez anos
a partir da entrada em operação. Dos US$ 642 milhões,
foram US$ 284 milhões do BNDES, US$ 198 milhões do Exim
Bank, e US$ 170 milhões do Sace. Outros US$ 430 milhões
estão sendo aportados pelos próprios sócios.
O investimento na terceira geração
O maior benefício da Riopol para o Rio de Janeiro será
a atração de novos empreendimentos ligados ao setor
plástico, num efeito multiplicador que deverá motivar
um crescimento em torno de 30% na economia da região de Duque
de Caxias.
Pelo menos 22 transformadoras já divulgaram interesse de se
instalar nas proximidades da Riopol. Houve um projeto de incentivo
do Governo do Estado, chamado PlastRio, que está promovendo
a atração da indústria de transformação
de plásticos para o Rio de Janeiro. Seis empresas Ematec,
Sinoplastic, Recycling, Vibraço, Raízes e Poli Embalagens
já iniciaram obras no local, informa o diretor
comercial da empresa, Eduardo Berkovitz.
As empresas instaladas no complexo de Duque de Caxias, estão
formando uma parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura de Duque
de Caxiais para a construção de uma infra-estrutura
logística para melhorar o escoamento da produção
de todo o Pólo até a Rodovia Washington Luiz. O
projeto prevê a construção de uma nova rodovia
de 15 quilômetros de extensão. A obra terá investimentos
de cerca de R$ 80 milhões, que serão divididos entre
o Governo Estadual, com R$ 20 milhões, a Prefeitura de Duque
de Caxias, que empenhará outros R$ 20 milhões, ficando
os R$ 40 milhões restantes com a iniciativa privada,
explica o secretário de Petróleo do Rio de Janeiro,
Wagner Victer.
A infra-estrutura logística também poderá contar
com o transporte ferroviário João Brandão
antecipa que um protocolo de intenções foi assinado
com a MRS. A idéia é levar a carga sobre trilhos até
o Porto de Sepetiba.
Pensando os próximos passos
No primeiro semestre de 2006, a Riopol já prepara sua primeira
novidade: a produção de polietilenos metalocenos. Mas
a grande notícia será o primeiro debotleneck: no terreno
de 800 m², a área construída da fábrica
é de 400 mil m² espaço suficiente para futuras
expansões. Projetos não faltam: sem dificuldade, a Riopol
conseguiria se aproveitar daquela velha folga de projeto para elevar
em pelo menos 100 mil toneladas sua produção.
Mas a idéia que vem sendo aventada é ampliar para 700
mil toneladas anuais a produção de polietilenos. Para
isso, resta uma avaliação da disponibilidade de gás
natural para o projeto.
Possibilidade de ampliação existe, mas ainda não
foram verificadas as premissas matéria-prima e mercado
que permitam levar à conclusão sobre uma ampliação,
desconversa o superintendente da Riopol. |
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