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| Tempo parado é dinheiro jogado fora |
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| Conceito de luceo cassante introduz novo modos
de pensar a manutenção |
A necessidade cada vez maior em reduzir a variabilidade e as paradas
não programadas nas plantas industriais tem introduzido novos modos
de pensar a manutenção. Perdas econômicas decorrentes de uma linha
de produção parada – seja por defeitos nos equipamentos ou por paradas
programadas para manutenção – vêm fazendo com que novos métodos de
manutenção e inspeção sejam adotados com maior intensidade pelas empresas.
As metodologias de inspeção corretiva e preventiva tornaram-se extremamente
custosas, dando lugar à manutenção preditiva. “A cada inspeção preventiva,
a empresa parava a linha de produção, e avaliava em detalhe todos
os equipamentos. Isso provocava um lucro cessante e um custo de manutenção
alto. Então surgiu a inspeção preditiva, que tinha como objetivo tomar
dados na condição operacional para que a produção parasse no momento
em que fosse manifestada uma necessidade com respeito à integridade.
A idéia é interferir o mínimo possível na operação do equipamento”,
explica o presidente da Associação Brasileira de Ensaios Não-Destrutivos
e Inspeção – Abende, Pedro Feres Filho.
O objetivo não é aumentar o intervalo entre as paradas de manutenção
visando simplesmente a redução dos valores gastos na manutenção. Conceitos
de lucro cessante e lucro operacional se traduzem, para o engenheiro,
em aumento da confiabilidade e da disponibilidade. “Isso significa
ter menos paradas intermediárias na unidade”, comenta o gerente de
manutenção da Refinaria de Capuava, Joemir Avancini Rocha.
Novas técnicas
Estudos realizados pela Datastream Systems, empresa especializada
no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a manutenção industrial,
apontam que o retorno sobre o investimento de ativos pode chegar a
incrementar em 14% o balanço de uma empresa, os ganhos em 10% e o
fluxo de caixa em 14%, devido à redução dos gastos de capital conseguidos
com uma melhor gestão da manutenção.
Aqui entram as técnicas de Inspeção Baseada em Risco, Manutenção Centrada
em Confiabilidade e Asset Management. A metodologia de Inspeção Baseada
em Risco consiste em organizar planos de inspeção segundo uma lógica
baseada no conceito de risco de cada equipamento. Já o desenvolvimento
dos chamados instrumentos inteligentes vem permitindo o automonitoramento
da performance do instrumento, e a substituição da manutenção preventiva
por diagnosticos preditivos.
“O Asset Management é uma evolução da gestão da manutenção. O foco
mudou: o que importa é o ativo”, conta o diretor da Datastream, Daniel
Figueiredo.
O gerenciamento da manutenção – processo que exigia coleta manual
de dados dos equipamentos e planejamento – começa a mensurar os ganhos
com a adoção de instrumentação e sistemas de gerenciamento de ativos
capazes de coletar dados de forma informatizada e realizar diagnósticos
dos equipamentos.
Com uma solução para gestão de ativos é possível analisar a performance
dos equipamentos, prognosticar problemas e delimitar ações para a
otimização, além de melhorar o planejamento estratégico da manutenção.
“Esses sistemas de Asset Management acompanham toda a vida útil do
equipamento – o quanto está efetivamente produzindo, o quanto custa
mantê-lo produzindo seus dados técnicos. Alguns softwares de Asset
Management oferecem até cálculo de depreciação desse ativo”, explica
Daniel Figueiredo.
Softwares que acompanham sistemas de controles, em sua maioria sistemas
híbridos, já gerenciam o funcionamento de alguns equipamentos. Para
a implementação de soluções deste tipo – que podem ser adquiridas
independente do sistema de controle utilizado – é necessário que estes
sistemas utilizem instrumentos de campo inteligentes – que possuem
a capacidade de se autodiagnosticarem.
Instrumentos inteligentes geram informações que podem ser utilizadas
na otimização da manutenção. Com a disposição dessas informações adicionais,
e um bom software de gerenciamento dessas informações, é possível
um gerenciamento mais preciso dos ativos. Esses softwares de gerenciamento
de ativos são incorporados aos sistemas de supervisão e controle da
planta, promovendo em paralelo ao sistema de controle, um gerenciamento
de manutenção dos instrumentos de campo inteligentes.
As ferramentas de manutenção e diagnóstico – conhecidas como sistemas
de gerenciamento de ativos on-line – trabalham conectadas aos instrumentos,
monitorando e diagnosticando constantemente suas condições – preparadas
para notificar ao técnico algum problema.
“Na Refinaria de Paulínia, estamos utilizando várias novas tecnologias
para realizar a manutenção preventiva e preditiva de equipamentos
e instalações. Todas essas técnicas e seus resultados podem ser resumidos
em alguns indicadores da Manutenção da Replan: o custo de manutenção
é um dos menores do mundo pelo estudo realizado pela consultoria Solomon
que compara refinarias de petróleo em todo o mundo. Muitas das plantas
da Replan têm disponibilidade superior a 98,5%, algumas estão no patamar
entre 99 e 100%”, conta o gerente de Manutenção de Elétrica e Instrumentação
da Refinaria, Rogério Daisson Santos.
Na área de equipamentos dinâmicos, entre as técnicas destacadas por
Daisson estão a monitoração em tempo real de vibração em bombas críticas,
com registro histórico e análise de tendências. “Sensores instalados
nas carcaças de equipamentos rotativos considerados críticos transmitem
as informações de vibração em tempo real para um sistema de coleta
e análise de dados. Também são disponibilizadas as informações de
vibração e alarmes para os operadores das diversas plantas de uma
refinaria, para que possam avaliar as condições de operação dos equipamentos
e não deixarem ocorrer danos aos equipamentos. Os resultados são aumento
da confiabilidade e disponibilidade dos equipamentos”.
Outra técnica é a lubrificação através de sistema de névoa (oil-mist)
– um sistema automático de lubrificação que dispensa as rotinas de
lubrificador. Como resultado há o aumento da vida útil de rolamentos
e consequentemente o aumento da disponiblidade dos equipamentos.Na
área de elétrica e instrumentação da Refinaria, a monitoração de válvulas
de controle em tempo real pelo uso de posiconadores inteligentes com
comunicação digital Hart ou Fieldbus Foundation permitem vários diagnósticos
preditivos das válvulas – entre eles detectar início de emperramentos,
vazamento de ar de comando, baixa pressão de ar de suprimento, desvio
entre a posição requerida e a posição física e defeitos eletrônicos.
“Quando do início de operação da válvula nova ou quando de um retorno
de manutenção, é possível gravar uma curva que se chama de ‘assinatura’
da válvula (uma curva que relaciona a posição com a pressão de ar
de comando). Mais tarde, quando a válvula estiver sob suspeita de
falha, pode-se comparar a curva atual com a curva original e detetar
se realmente há uma falha da válvula ou de um de seus componentes”.
Na Replan já estão instalados mais de 600 posicionadores inteligentes
em válvulas de controle consideradas críticas. Os resultados, explica
Daisson, são uma operação mais confiável das válvulas, maior precisão
no controle de posição de abertura com conseqüente melhora no desempenho
das malhas de controle e de otimização.
A utilização de instrumentação inteligente de campo com comunicação
digital Hart ou Fieldbus Foundation possibilita a execução de diversos
diagnósticos de funcionamento dos instrumentos em tempo real e de
local remoto. “Os resultados são maior confiabilidade da instrumentação,
menor exposição das pessoas aos riscos do ambiente de uma planta de
processo, uma vez que muitas tarefas de diagnósticos e alterações
de parâmetros dos instrumentos são feitas de local remoto. No caso
da Replan existem mais de 4500 instrumentos com tecnologia inteligente
que podem ser acessados dessa maneira. Em alguns casos o acesso pode
ser feito inclusive de fora do ambiente da refinaria, da casa de um
técnico que seja contatado fora do horário normal de trabalho, por
exemplo”, conta o gerente.Em equipamentos elétricos, além da análise
de óleo de transformadores (cromatografia) – para a deteção precoce
de problemas em transformadores – e termografia de painéis e equipamentos
elétricos críticos – para a detecção de pontos quentes – os técnicos
da Replan utilizam a técnica de descargas parciais para diagnóstico
preditivo de máquinas elétricas de grande porte (motores e geradores).
“Essa técnica permite avaliar as condições de operação desses equipamentos
em tempo real e determinar a necessidade de intervenções preventivas,
como limpeza de bobinas, enrolamentos, estatores. A Replan já utiliza
essa técnica em 3 motores de 13,8 kV e em 3 geradores de 7,5 MW”.
A inspeção baseada no risco
O “Estado da Arte” em inspeção de equipamentos é a medologia da Inspeção
Baseada em Risco. A partir dessa metodologia, os planos de inspeção
passaram a ser realizados com base na criticalidade de cada equipamento
– otimizando a distribuição dos recursos. Isso significa não só uma
maior atenção aos equipamentos mais críticos, como também a redução
no número de inspeções desnecessárias.
“A inspeção baseada em risco é o caminho natural que quem for se desenvolvendo
na área de inspeção vai acabar trilhando”, conta Pedro Feres. O presidente
da Abende lembra que, diferente da NR-13 – que estabelece os prazos
máximos entre inspeções de caldeiras e vasos de pressão – na Inspeção
Baseada em Risco a periodicidade de inspeções passa a ser uma variável
entre as conseqüências de um acidente e a probabilidade deste acidente
ocorrer. “É um critério de avaliação muito mais sofisticado”.
“A Inspeção Baseada em Riscos não só otimiza a atividade de inspeção
e manutenção, como também aumenta a confiabilidade, devido à sistematização
que essa metodologia traz”, comenta o gerente de Inspeção da Refinaria
de Capuava, André Shigueo Uchiyamada.
A Refinaria está em fase de aplicação da Inspeção Baseada em Riscos
em todas as unidades – com conclusão prevista para março de 2006.
A Copesul vem implantando a Inspeção Baseada em Risco em todas as
áreas – trabalho iniciado há quatro anos. “Toda parada geral de manutenção
na Copesul é baseada na Inspeção Baseada em Risco”, conta o facilitador
do time de engenharia de manutenção e avaliação da empresa, Carlos
Waldemar Wilke Diehl.
A próxima área da Copesul que vai receber a metodologia agora é a
Olefinas Planta 1 – porque, explica Diehl, a parada geral da unidade
está programada para ocorrer em 2007.
Para os equipamentos rotativos, a Copesul adota a manutenção preditiva
– abrangendo uma centena de equipamentos de grande porte. “Em alguns
deles temos monitoramento online. Monitoramos online todos os dados
de tendências – como vibração, temperatura, deslocamento de eixo”.
A metodologia Reliability Centred Maintenance – RCM é aplicada em
todo o parque de bombas da Copesul desde o ano 2000. “Observamos uma
grande evolução no MTBF. Aumentamos mais de duas vezes o MTBF das
bombas, de 18 meses para 43 meses”.
O resultado desse esforço? “Temos identificado uma evolução positiva
nos indicadores de manutenção. Em comparação com outras empresas internacionais,
estamos muito bem – alguns desses indicadores estão situados no primeiro
quartil”, finaliza Diehl. |
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