Edição 280 – Jeneiro de 2006

Cultura da responsabilidade
CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA AMPLIADA
População dá mais importância para questões ambientais
A sociedade brasileira vem, há algumas décadas, aumentando seu interesse pelos temas ambientais. A população começou a olhar com mais atenção para a geração de lixo doméstico e para os resíduos industriais, para o mau uso e esgotamento dos recursos hídricos e para a relação entre o meio ambiente e a saúde.

A indústria química, nesse mesmo período, também passou por mudanças expressivas, muito parecidas com as que ocorreram na sociedade. Em 1984, um vazamento de gás em Bhopal, na Índia, matou milhares de pessoas. Este acidente acelerou as decisões das grandes empresas em implantar a cultura de responsabilidade e a busca do desenvolvimento sustentável.

A gestão ambiental, iniciada com o tratamento de efluentes, atualmente busca a eliminação de todas as perdas para o meio ambiente, encarando-as não apenas como obrigação legal, mas como parte integrante da sua competitividade.

A segurança levou a prevenção de acidentes do trabalho para todas as áreas e atividades da empresa. O tema foi ampliado para tratar da prevenção de grandes acidentes industriais, de acidentes no transporte de produtos perigosos e, mais recentemente, de situações perigosas provocadas intencionalmente por terceiros. Os meios de comunicação passaram a dar mais divulgação a tudo o que se relacione com o meio ambiente e com a segurança, ajudando a manter o controle social sobre as atividades potencialmente poluidoras ou inseguras.

Programa Atuação Responsável passa por reformulação

A Abiquim trabalha nos detalhes finais da revisão do programa Atuação Responsável. A principal reformulação do Programa foi sintetizar as 116 práticas gerenciais adotadas da versão internacional - Responsible Care - em 70 princípios diretivos, baseados, principalmente, nas normas brasileiras de qualidade. “Começamos em 2002 o processo de reavaliação do Programa. Hoje, 90% da revisão do Atuação Responsável está concluída e até julho deste ano deve estar finalizada”, afirma o gerente de assuntos técnicos da Abiquim, Marcelo Kós.

De acordo com Marcelo Kós, foram adicionados aos princípios de saúde, segurança e meio ambiente do programa, as características de responsabilidade social e qualidade. “Pode-se dizer que hoje o programa é uma iniciativa concreta no sentido de fornecer as empresas um instrumento para gestão integrada de seus negócios”, esclarece Kós.

As modificações no Atuação Responsável devem novamente propiciar novos patamares para essa iniciativa voluntária da indústria química, pois, decorridos 13 anos de seu lançamento pela Abiquim, a legislação brasileira e os acordos internacionais já transformam em obrigatório grande parte daquilo que anteriormente era voluntário. Os códigos do Programa, criados em 1992, contém práticas que eram consideradas excelência em gestão à época.

As empresas associadas à Abiquim auxiliaram no processo de reavaliação do Programa, que levou em consideração as normas ISO ligadas a saúde, segurança e meio ambiente, critérios do Prêmio Nacional da Qualidade e indicadores do Instituto Ethos.

A Abiquim dará todo apoio necessário à implantação das novas práticas pelas indústrias. Na área operacional do site da associação, uma sessão disponibilizará as empresas medidas a serem tomadas para adoção do novo sistema de gestão.

Transporte será prioridade do programa em 2006

Assim como em 2005, a Abiquim dará prioridade neste ano à questão dos transportes de substâncias químicas. Dados do Relatório de Atuação Responsável de 2004 mostram uma evolução dos indicadores informados pela empresa, exceto no que diz respeito à segurança no transporte de cargas perigosas. “No caso de segurança nos transportes, não temos obtido os mesmos índices satisfatórios como nos outros casos”, afirma o gerente de assuntos técnicos da Abiquim, Marcelo Kós.

Os índices do setor de transportes apresentaram uma estabilidade ao longo dos últimos anos e houve uma tendência de aumento no número de acidentes sem gravidade - pequenos vazamentos, batidas leves, pequenas rupturas de tanque. “Não sabemos o que tem havido nesses casos. Estamos desenvolvendo um trabalho junto às transportadoras para analisar as causas pelas quais os índices não melhoram”, diz o gerente.

Em meio a isto, a Abiquim, em 2001, criou o SASMAQ - Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade - que visa reduzir os riscos de acidentes nas operações de transporte e distribuição de produtos químicos. Em 2005, foi instituído o projeto Olho Vivo na Estrada, dedicado a treinar e conscientizar motoristas a dirigir de forma mais segura. “Nós estamos atuando nesta área buscando reduzir os acidentes no transporte com programas e trabalhos nessa linha. Mas mesmo assim, percebemos que os índices não têm decaído como nós imaginávamos”.

Segundo Kós, algumas causas podem ser apontadas para elevação dos índices de transporte, como condições das estradas, logística, horário de circulação e rotas inseguras. “O transporte de produtos perigosos é um setor muito importante, os danos ou as conseqüências não vão ser dentro da empresa, mas podem atingir pessoas inocentes e afetar o meio ambiente. Esta questão foi uma prioridade estabelecida pela comissão executiva do Programa no ano passado e será novamente em 2006”, conclui.

Certificação Ambiental requer investimentos na planta

Diferentemente dos sistemas de gestão da qualidade (ISO 9000) que tratam das exigências dos clientes, os sistemas de gestão ambiental (ISO 14000) atendem às necessidades de um vasto conjunto de partes interessadas e os crescentes anseios da sociedade sobre proteção ambiental.

Segundo o diretor da certificadora DNV, Samuel Barbosa, a procura à certificação ambiental não pode ainda ser comparada ao que ocorreu com relação à certificação da qualidade. Barbosa, afirma que um dos motivos que explica esse comportamento está diretamente ligado ao investimento para a implantação. “Na maioria dos casos, o investimento mais elevado na implantação da gestão da qualidade era o de treinamento do pessoal nos procedimentos desenvolvidos. Já na gestão ambiental, em vários casos, além desse treinamento, ainda se faz necessário a compra, troca ou modernização de equipamentos”.

Mesmo diante dessas peculiaridades da gestão ambiental, até o final do ano de 2003 foram emitidos mais de 66 mil certificados em 113 países, um incremento de 34% no número de certificados emitidos.

De acordo com o gerente de certificações, sistemas e inspeções da UL, Luiz Menezes, hoje o principal entrave existente no mercado brasileiro de certificação ambiental - ISO 14000 - são os pré-requisitos legais. “Antes da certificação, a empresa interessada tem que estar 100% de acordo com a legislação ambiental do nosso país - que é uma das mais exigentes do mundo e tem custos altíssimos para as companhias. Especialmente na hora que você trata de passivos ambientais”, avalia Menezes.

Sistema de Gestão Ambiental - ISO 14001 e 14004

A Norma ISO 14001:2004 especifica os requisitos relativos a um sistema de gestão ambiental, permitindo a uma organização formular uma política e objetivos que levem em consideração os requisitos legais e as informações referentes aos impactos ambientais significativos. Ela se aplica aos aspectos ambientais que possam ser controlados pela organização e sobre os quais se presume que ela tenha influência. Já a Norma ISO 14004:2004 provê orientação para o desenvolvimento e a implementação de princípios e sistemas de gestão ambiental e sua coordenação com outros sistemas de gestão. Existe um indicativo de que o tempo de transição entre as Normas ISO 14001:1996 e ISO 14001:2004 seja de aproximadamente 18 meses.

As versões aprimoradas de ambas as Normas levaram em consideração a experiência acumulada pelos usuários a partir da versão de 1996. Segundo Luiz Menezes, a ISO 14001:2004 é mais fácil de compreender e utilizar. “A finalidade das suas exigências foi clarificada – o que facilitará a sua tradução e sua implementação. Quanto à ISO 14004:2004, ela está mais coerente com a 14001, sendo estimulada a aplicação de ambas. A 14004, especificamente sobre o sistema de gerenciamento ambiental, tornou-se mais vantajosa e acessível para as pequenas e médias empresas”, relata o gerente.
Assine já!

Na Edição impressa
Petroquímica Triunfo aposta na produção de EVA
Petrobras anuncia investimentos de US$ 18 bilhões na bacia de Santos
Reservas da Petrobras crescem em 2005
 

Todos os direitos reservados a Valete Editora Técnica Comercial Ltda. Tel.: (11) 6292-1838