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Edição 280 Jeneiro de 2006
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| Seguradoras prevêem crescimento em apólices de grande risco |
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| Abertura de mercado pode reduzir em 20% o custo com resseguros |
Falar sobre alto potencial de risco no mercado de seguros é sinônimo
de indústrias petroquímicas e produtoras de petróleo e gás – entre
as demais da mesma família habituadas a lidar com o calor de produtos
inflamáveis, tóxicos ou poluentes. Elas, por si só, atraem as preocupações
relativas à segurança. E alimentam as expectativas econômicas das
seguradoras que contam com o boom previsto da corrida energética marcada
para os próximos anos. Ponto de máxima atenção para todos, inclusive,
para o mercado segurador e seus clientes enquadrados na carteira de
grande risco: em ano eleitoral, os investimentos em infra-estrutura
– entre outras obras de porte – prometem bater os R$ 1 bilhão gastos
em seguros no ano passado. A esperança do setor para 2006 aumenta
com a realização das Parcerias Público Privadas (PPPs). Uma vez consumada
a expansão destes empreendedores, cuja riqueza se baseia pelas transações
capitalizadas em cima do petróleo, contratos de multirisco, operacional
ou nomeado deverão ser feitos proporcionalmente a este cenário promissor.
A nova realidade projetada pela abertura de mercado de resseguros
é outro fator que deve reforçar o caixa das seguradoras. Inclusive,
tramita em processo de aprovação um projeto de lei, na Comissão de
Desenvolvimento Econômico da Câmara, que regulamenta o mercado de
resseguros e veta o monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil.
As seguradoras terão oportunidades animadoras com a adoção do resseguro
internacional privado e, assim, as perspectivas de queda nos custos
podem chegar a 20%. No entanto, não se descarta o know-how do Instituto
nesta briga pela precificação na operação do seguro. Ainda mais para
quem apresentou no ano passado uma receita de prêmios emitidos totalizados
em R$ 2,6 bilhões.
Com a flexibilização do monopólio do petróleo no Brasil, o setor passou
a demonstrar um crescimento vertiginoso, igualmente percebido por
outros mercados vinculados a ele. O número de companhias de petróleo
nacionais e estrangeiras, fornecedores de bens e serviços especializados,
incluindo a contratação de novas apólices de seguro, revelam alguns
desses indícios promissores, conforme revela a Federação Nacional
das Empresas de Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg).
A entrada do capital privado no mercado de resseguro desingessa a
ação das seguradoras nacionais, que se preparam realizando joint ventures
com as multinacionais, possibilitando operações de grande risco mais
adequadas a cada cliente. “O resultado dessa parceria impactará diretamente
no valor dos prêmios e das franquias. A apólice poderá se moldar melhor
às capacidades de cada cliente, de forma a abranger maior cobertura”,
relata o diretor Adjunto de Riscos Corporativos da Lazam – MDS, Luiz
Carlos Rocha Lourenço.
O que se busca é uma facility para a colocação de um conjunto de riscos.
A Lazam emitiu em 2005 R$ 180 milhões em prêmios, sendo que 80% de
seguros patrimoniais contratados pertencem a algumas áreas como as
de papel e celulose e petroquímicas.
“É essencial a busca de diferenciais em atendimento. Para tanto, um
road show dos principais mercados externos e um consistente trabalho
de abordagem do ressegurador devem captar as melhores condições do
negócio de grande vulto”, comenta o diretor comercial de Ramos Elementares
Corporativos da Bradesco Seguros, Antonio Gonzalez.
Da vistoria prévia à renovação do contrato
O custo de uma renovação de seguro é diretamente influenciável por
uma série de fatores, seja pela ocorrência de instabilidades provocadas
pela natureza, variações de qualquer ordem que tenham origem micro
ou macroeconômica ou por quais forem as inúmeras causas de sinistros
acionados, tabelam os preços cobrados na apólice – muitas vezes balizadas
pelos riscos retidos pelos controladores que estipulam e fiscalizam
as taxas e operações praticadas pelas operadoras. Um exemplo recente
de sinistros provocados por catástrofes naturais, é a do furacão Katrina
que afetou, no ano passado, as plataformas situadas no Golfo do México
e interferiram mundialmente no cálculo de prêmios computados a partir
deste tipo de avaria. Paradas produtivas forçadas a interromper trabalho
inesperadamente, uma ação que ocorra fora de condições programadas
identificadas como corriqueiras de serviços de manutenção – em obediência
às especificações de uso da máquina – são alguns dos fatores inspecionados
de forma recorrente e que podem condicionar o valor da franquia. Daí
a importância da vistoria técnica. Para exemplificar melhor, a companhia
de seguro, quando solicitadas para incluir contratos de seguro de
responsabilidade civil por dano ambiental ou contra terceiros, seja
qual for a categoria ou modelo do plano, há que levantar o potencial
de risco a que os contratantes (clientes) tem expostos. Assim, as
instalações do cliente são postas, literalmente, ao avesso. “São avaliadas
as condições de transporte, armazenagem e manipulação de produtos,
é medido o quanto o ecossistema local está suscetível aos prejuízos,
seja pela contaminação de rios ou do solo, explica Gonzalez.
“Assim, é estipulado o valor da indenização por danos deste tipo,
de forma que o cliente delimita o valor da franquia ou arca com o
excedente”, completa Lourenço. Os sucessivos desastres ambientais
e a terceiros calejaram a indústria de um modo geral, principalmente,
a do setor energético e acarretaram na busca por soluções de máxima
contenção a estes danos. Por isso, reforços nos valores contratados
têm acontecido sintomaticamente.
Um serviço também muito adquirido no setor petroquímico, que refuta
prejuízos de grande vulto, se deve às condições de seguro contra lucros
cessantes, que é outro termo que preocupa o mercado. Com este tipo
de cobertura o cliente pode não só proteger seu negócio como também
tem a possibilidade de estendê-lo a todos os atores da cadeia produtiva.
O valor do prêmio pode ser até reduzido, se após a avaliação de risco
for constatado o comprometimento do cliente em adotar medidas de precaução
aos danos, ao invés de ficarem condicionados às ações corretivas.
“Visitas obrigatórias diagnosticam o andamento da conjuntura organizacional,
fluente em contrato, a fim de verificar se as condições de operação
e segurança foram mantidas”, relata Gonzalez. A classificação quando
feita corretamente, apura as causas prováveis para o risco – o que
nem sempre se vê, alguns clientes preferem pagar menos pela apólice
e correr os riscos incalculáveis. |
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