Edição 280 – Jeneiro de 2006

Fluxo de capital deve aumentar em 2006
Mais dinheiro disponível – e menores taxas. Esse deve ser o cenário para o mercado internacional de financiamentos em 2006. O total de recursos líquidos – oriundos de fundos de pensão, seguradoras e bancos – ultrapassou a casa dos US$ 46 trilhões no ano passado. Some-se a isso um cenário internacional de juros abaixo da média histórica de 2,4% (já descontada a inflação).

No Brasil, as emissões de debêntures e os fundos de recebíveis começam a aparecer com mais freqüência entre as alternativas de captação de recursos.

No ano passado, foram registradas várias emissões feitas por empresas petroquímicas – coincidindo o bom momento do setor com o apetite do mercado financeiro por papeis de longo prazo. “Captamos para fazer investimentos – e esses investimentos têm um prazo de maturação de médio prazo”, explica Vitor Mallmann, vice-presidente da Unipar – que realizou uma emissão de debêntures de R$ 180 milhões no ano passado.

O total de ofertas primárias de debêntures registradas na Comissão de Valores Mobiliários chegou a R$ 41,5 bilhões no ano passado – volume quatro vezes maior do que o registrado em 2004, ma ainda restrito em relação ao total de financiamento no mercado nacional.

Qual a melhor fonte?

Procurar por uma melhor fonte de recursos é, na verdade, resolver uma equação onde as variáveis são representadas por prazo de pagamento, custo financeiro e destino dos recursos.

Mallmann explica que não existe uma melhor fonte, mas a mais adequada a cada momento. “O mercado financeiro varia muito – hoje observamos uma liquidez internacional grande. Mas é sempre um casamento entre uso e aplicação”.

O executivo avalia que um novo project finance – nos moldes do financiamento para a construção da Riopol – não seja a melhor opção atualmente.

A Petroquímica União ainda não tem pronta a estrutura financeira para o investimento na ampliação. Mas já tem uma certeza: a maior parte dos recursos virá do BNDES. “É a melhor captação que tem no mercado”, explica o diretor financeiro da PQU, Fernando Mieli.

Entre janeiro e novembro de 2005, o BNDES liberou R$ 1,4 bilhão para o setor químico e petroquímico – resultado 156% maior do que o apurado nos onze primeiros meses de 2004, R$ 524 milhões. Entre as indústrias com maior crescimento percentual nas aprovações, só fica atrás do segmento de papel e celulose, que captou R$ 3,6 bilhões junto ao banco – incremento de 3.938% em relação ao ano anterior.

Na cadeia do petróleo, os desembolsos chegaram a R$ 2,9 bilhões – montante ampliado principalmente pelos financiamentos à Petrobras para a construção das plataformas P-51 e P-52, que receberam do banco US$ 402 milhões e US$ 378 milhões, e para implementação dos projetos do Gasoduto Urucu – Coari-Manaus e do Projeto do Gasene, ambos no valor de R$ 800 milhões.

O BNDES aumentou em 44% as aprovações de novos financiamentos em 2005, que atingiram ao final de dezembro R$ 54,5 bilhões. O setor industrial foi o que apresentou o maior crescimento nas aprovações de novos financiamentos em 2005, 100%, subindo de R$ 14,4 bilhões no ano anterior para R$ 28,9 bilhões.

Esses dados fazem parte do relatório consolidado sobre o desempenho do Banco no ano passado.
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